conecte-se conosco


Opinião

ALFREDO DA MOTA MENEZES – Pesquisas eleitorais

Publicado

Em ano de eleição as pesquisas eleitorais ficam no centro do debate. E, de cara, se observa um detalhe interessante: se a pesquisa é favorável ao candidato daquele eleitor, ela é correta e honesta.

Se mostrar outro nome à frente, a pesquisa passa a ser parcial, procuram desacreditá-la. Hoje, com o fenômeno da mídia social, procura-se desacreditar a pesquisa com vídeos os mais incríveis.

Fatos recentes ilustram essa discussão do aceitar ou não os resultados de pesquisas eleitorais. Pesquisas mostram Lula à frente de Bolsonaro na corrida à presidência. Os que apoiam Bolsonaro não aceitam os resultados e, entre outros argumentos, um é recorrente.

Que na eleição de 2018 as pesquisas não mostravam Bolsonaro à frente e estavam erradas. Que as pesquisas queriam induzir o eleitor de que outro candidato seria o vencedor. Que, continuam, a partir de certo momento, as pesquisas colocaram Bolsonaro à frente. A “manipulação” não dera certo e os institutos de pesquisas, para não serem desmoralizadas, recuaram e começaram a mostrar a verdade dos números.

Não foi bem assim. Bolsonaro acertou no discurso do momento. Quando isso chegou ao eleitor, ele imediatamente começou a subir nas pesquisas. Bolsonaro conseguiu levar ao eleitor o antipetismo que dominava parte da sociedade naquele momento. Da corrupção em governos, Lava-Jato, prisões e tudo aquilo que a sociedade fora informada.

Ele também se mostrou contra a velha politica, que era diferente de outras candidaturas ou representantes das coisas velhas na política. Acertou ainda na fala sobre costumes, numa mensagem aos mais conservadores.

Empolgou o eleitorado, cresceu nas pesquisas, ganhou a eleição com certa tranquilidade. Não houve erros ou manipulações em pesquisas de antes, foi o discurso no meio do caminho que alterou os resultados delas.

As pesquisas que mostram hoje Lula à frente de Bolsonaro são negadas pelos que seguem o presidente. Mas, interessantemente, a campanha do presidente está seguindo caminhos que elas indicam.

Exemplos do momento? Pesquisas Datafolha e outras mostraram que o Lula tem mais presença entre os eleitores de menor renda. A campanha do Bolsonaro vem lutando para tentar penetrar nesse segmento com diferentes tipos de bondades eleitorais.

Pesquisa mostrou também uma presença forte do Lula no Nordeste, lá está a campanha do Bolsonaro, com auxílios e mensagens, tentando reverter aquela distância entre os dois.

Pesquisas dizem ainda que o candidato Lula tem presença maior entre as mulheres, a esposa do Bolsonaro, Michele, vai, com propaganda e movimentação pelo Brasil, tentar mudar essa situação também. Não aceitam as pesquisas, mas seguem direitinho o que elas pesquisaram.

Tem um dado novo que talvez altere essa discussão de aceitar ou não pesquisas. Estão agora colocando juntas as pesquisas de 14 institutos do Brasil e fazendo uma média dos resultados de todas elas, seja as por telefone ou presencial.

Os resultados, como esperado, mostram os mesmos números da disputa: Lula à frente do Bolsonaro. Logo aparecerão meios para tentar desacreditar isso também?

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Opinião

GONÇALO DE BARROS – Ciência, fé e ódio

Publicado

O conflito entre fé e razão e a conciliação entre Filosofia e religião despertam grande interesse acadêmico, sendo, seguramente, dois dos temas centrais a ocupar as preocupações dos teólogos e filósofos.

Pensadores como Heráclito, Pitágoras, Anaxágoras, Xenófanes, Giordano Bruno e Darwin, dentre outros, tiveram problemas com a igreja por estabelecerem a ruptura entre mitos e lógos.

A fé prescinde de prova; diferentemente, a Filosofia vai em busca dela para firmar seus conceitos e conclusões. Mas isso significa a prevalência de uma sobre a outra ou mesmo que a Teologia não seria confiável? Não, em absoluto.

Para competir com a Filosofia no campo da racionalidade, dos conceitos e teses, a religião funda a Teologia (ciência sobre Deus). E então, transforma a história sagrada em doutrina (por Marilena Chaui, in Convite à Filosofia, Ática, 13ª edição).

Cada qual a seu modo, Kant e Hegel tentam conciliar o conflito entre Filosofia e religião. O primeiro, limita o conhecimento teórico aos fenômenos, afastando as coisas em si das reflexões racionais.

Os ‘nôumenos’ (realidade em si) são inacessíveis ao nosso entendimento, afirmou Kant. Deus e alma são realidades em si, não são fenômenos; vale repetir: o conhecimento está limitado aos fenômenos.

Hegel, ao contrário, entende que a mais alta manifestação de Deus é na cultura, e nesta Ele se realiza (manifestando para si mesmo) primeiro como arte, a seguir como religião, depois como Estado e, finalmente, como Filosofia (Idem, ob. Cit.). Deus não está antes e nem fora do tempo, mas é o sujeito espiritual que se efetua como sujeito temporal.

De um aparente conflito, Kant, com a noção de ‘nôumenos’, consegue retirar das apreensões científicas, as coisas explicáveis por si, que fogem à compreensão e entendimento humano, como Deus e alma. A manifestação da fé descarta a intervenção da razão para que sobreviva. Ao contrário, sobrevive por si, é autoexplicável, sem precisar passar por provas e demonstrações.

Apesar da temática da existência ou não de conflitos entre religião e Filosofia, tem algo que ambas se preocupam e não chegaram a conclusões razoáveis, penso eu: o ódio. Esse sentimento é natural aos humanos ou foi adquirido nesta pátria material a que nos encontramos?

Em ‘O Cultivo do Ódio’, Peter Gay afirma que ‘Os humanos, animais beligerantes que são, cultivam seus ódios porque obtém prazer com o exercício de seus poderes agressivos. Mas as sociedades em que eles vivem cultivam o ódio precisamente da maneira oposta, sujeitando a agressão na maior parte de suas formas a um controle estrito; elas puxam as rédeas da violência antes que ela destrua tudo’.

A modernidade venceu esses conceitos. Vive-se outros valores, se aceita a axiologia como ciência e a inclusão como meta. Apesar disso, insista-se, como explicar os pragmáticos e utilitaristas?

O prático enxerga a tudo como um campo de batalha: de um lado, os do bem; de outro, os fora da lei, sem qualquer consideração sobre justiça, equidade, liberdade e igualdade.

Daí as soluções golpistas, fraticidas, que só oprime e mantém privilégios.

Contudo, o teórico fica na elucubração e não milita. E o senso comum à espera da canalha, do politicamente correto, e suga a religião como antibiótico de sua dor. Longe do cristão dualista do corpo e alma, nunca jogue suas peras com a verdade, especialmente quando ela se assenta por si.

Se é próprio da natureza humana ou uma condição, o ódio não pode fincar raízes entre a ciência e a fé.

É por aí…

 Gonçalo Antunes de Barros Neto tem formação em Filosofia e Direito.

 

Continue lendo

Opinião

NEILA BARRETO – Os japoneses em Cuiabá

Publicado

Em Cuiabá-MT as famílias migrantes e imigrantes japonesas ajudaram a construir uma Cuiabá de 303 anos. Dentre eles um dos pioneiros da colônia japonesa Tadashi Okamura, homenageado em 30 de junho último pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso.

Conforme o deputado Carlos Avalone “ Tadashi Okamura contribuiu para o desenvolvimento do estado de Mato Grosso, sendo ele o patriarca e o pioneiro da imigração japonesa o qual ajudou a colonizar o interior de São Paulo, Paraná e Mato Grosso” e, depois Mato Grosso e Cuiabá.

Vale lembrar que à época o presidente Getúlio Vargas incentivava a ocupação do interior do País na década de 70, especialmente em Mato Grosso e na Amazônia, as novas fronteiras que à época se constituía em um grande vazio demográfico. Vargas manifestava a sua preferência pelos imigrantes japoneses, considerando a força da cultura e dos costumes de vida empreendidos pelos povos japoneses, informou Avalone.

Getúlio Vargas (1930-1945) almejava que os colonizadores trouxessem os traços positivos dos japoneses como a disposição para o trabalho, a correção, a honestidade, o respeito, a autoridade, a disciplina e a hierarquia e, percebeu que os japoneses possuíam essas qualidades para enfrentar os desafios, qualidades hoje difíceis de serem encontradas.

Tadashi Okamura veio para o interior de Mato Grosso quando não havia estradas, as viagens duravam meses, onde se integrou à Gleba Rio Ferro, fundada pela família Matsubara, conforme informou a senhora Yuco Matsubara, cuja área se tornou o município de Feliz Natal-MT.

Okamura encarou os desafios e gerenciou a Gleba por muitos anos, cuidando de toda a infraestrutura de produção e atendimento às famílias japonesas, ponderou Avalone.

Tadashi Okamura constituiu família, enfrentou diversas adversidades na floresta. Veio depois, para Cuiabá na condição de topógrafo onde trabalhou na antiga Companhia de Habitação de Mato Grosso – COHAB-MT. Mais tarde se tornou hoteleiro montando o hotel Paraná, além de montar a primeira fábrica de artefatos de cimento em Cuiabá. Fundou a associação cultural nipo-brasileira em Cuiabá e Várzea Grande-MT, a qual presidiu por 14 anos.

Casou-se com Kaneo Okamura, conhecida popularmente na capital como Rosa Okamura, falecida em 24 de abril de 1995, pais de Massairo Okamura, Jorge Okamura, casado com Satiko Okamura; Nório Okamura, casado com Alcione Galvão Okamura; Tetsuo Okamura, casado com Mieko Kawatoko Okamura; Julieta Toshiko Okamura; Marina Okamura Tocantins, casada com Reinaldo Tocantins; Jaime Yassuo Okamura; Eunice Leiko Okamura de Almeida, deixando várias ramificações de família na capital, conforme consta do livro Gente que fez, Gente que faz, de autoria da historiadora Neila Barreto.

Tadashi faleceu na capital, a 10 de abril de 1993, deixando a sua contribuição para a colônia japonesa e para os mato-grossenses. Recebeu em 30 de junho de 2022, “in memória” a Comenda “Senador Filinto Muller”, das mãos do deputado Carlos Avalone.

Participaram, entre os homenageados, as famílias Ishizuka, Okamura, Nomura, Matsunaga, Takeshima, Casicava, Izawa Kawahara, Saga, entre outros.

Neila Barreto é jornalista, mestre em História e membro da AML. 

Continue lendo

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana