conecte-se conosco


Opinião

WILSON FUÁH – Infância vivida em Cuiabá

Publicado

A minha infância foi bem vivida com muitas atividades e opção de saber usufruir as coisas simples que a cidade de Cuiabá nos oferecia nos anos 70.

Naquela época: recebíamos a educação que sempre foi obrigação da família (pai e mãe); buscávamos o saber (que sempre foi obrigação dos mestres) e como era bom viver entre os colegas cuiabanos nos pátios e nas salas de aulas da Escola Modelo Barão de Melgaço, e ao final das aulas a gurizada ainda encontrava tempo para brincar ou brigar nas praças ( da República e Alencastro).

As brigas de rua dos alunos da Escola Modelos eram marcadas ainda dentro da escola, e cada um dizia – “se você for homem me espera lá fora” e quando terminavam as aulas, as desavenças eram acertadas nas Praças, e sempre tinha um mediador que determinava e comandava o “combate”, e o primeiro passo era que os dois tirassem as camisas brancas da Escola Modelo para não sujá-las e também para que ficassem como representação de duas bandeiras simbólicas de cada um dos dois estudantes.

E, para começar, o mediador dizia assim: esta camisa é a sua mãe e esta outra é a mãe do outro, e quem for mais homem chute a camisa do outro, e como mãe sempre foi à coisa mais sagrada do mundo, assim que houvesse o primeiro chute em uma das camisas, começava a briga, mais logo aparecia um “deixa disso” e a briga marcada acabava sem vencido ou sem vencedor, e no outro dia o relacionamento continuava, porque se a professora viesse, a saber, da briga, o castigo dela era sagrado, assim;

Leia Também:  ONOFRE RIBEIRO - Colheita obrigatória

– ficar em pé durante o tempo da aula;

– ou escrever 100 vezes: “EU NUNCA MAIS VOU BRIGAR NA RUA”

– e, a pena máxima em alguns casos: SUSPENSÃO.

Nas folgas das aulas, e após as tarefas e a decoreba das tabuadas, vivíamos a chupar as frutas dos quintais cuiabanos, e durante as tardes, a gurizada passavam andando pelos bairros e um dos divertimentos principais era jogar bola nos campinhos de barros e pedregulhos de Cuiabá de antigamente, e eu, jogava nos campinhos: da Av. Coronel Escolástico e da Rua São Benedito, onde cada um tinha um sonho de um dia ser Jogador de Futebol, e ao fim da tarde voltava para casa “machucado” e de contusões em contusões, recorria a minha querida benzedeira Dona Georgina, que morava ali na Av. Coronel Escolástico, e muitas vezes ao procurá-la além de ser benzido, recebia a simplicidade dos seus ensinamentos, sempre ficava com os meus pensamentos dialéticos, questionando: de onde vem esse poder de curar e de abençoar as pessoas que as procuram?

Aqueles que a procuravam, ao sair ficavam impressionados com a sua sabedoria popular e que não vinha de nenhum livro, mas com certeza, ficávamos com uma sensação de cura, mais próximo da simplicidade da sua sabedoria e aumentava a fé em Deus.

Cuiabá da minha infância querida, das lindas lembranças, dos doces sabores das frutas dos quintais cuiabanos, e principalmente de andar livre em busca de amigos e das brincadeiras e dos brinquedos quase nenhum, onde a bola rasgada era o que restava.

Leia Também:  ROMILDO GONÇALVES - O fenômeno El Niño está fazendo um estrago!

A criançada tinha a liberdade de desenvolver a sua personalidade e o seu caráter de forma espontânea, todos nós éramos livres para fazer amizades e a felicidade era encontrada em cada esquina desta cidade, em cada campinho de rua e as gozações eram resolvidas entre os próprios guris, não havia Billings, ou coitadinho, porque todos tinham pelo menos um apelido e nem por isso ficava revoltado, ou ficava tristinho. E, eu era “carinhosamente” chamado de Fuá, talvez pelas confusões que eu aprontava, ou talvez por ser o escolhido como primeiro no “par ou impar” pelas loucuras dos dribles que aplicava ou pelas brigas que eu arrumava.

E, entre tantas confusões e brigas de rua, um dia chamei um adversário de “Mula Manca”, e esse cara era muito mais forte e maior que eu, e por isso, levei uma surra na rua e ao chegar em casa, levei outra surra da minha mãe, que fazia a educação ao seu modo: “se brigar na rua, terá o corretivo em casa”.

Como era bom ser criança em Cuiabá, e viver a felicidade de ser livre e aproveitar cada um minuto da nossa infância, pois naquele tempo não havia violência de rua e nem a maldita droga, foi um tempo bom que não volta mais.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]

publicidade
Clique para comentar

Deixe um comentário

Please Login to comment
avatar
  Subscribe  
Notify of

Opinião

EMERSON HIDEKI HAYASHIDA – Auditor Interno e o Combate à Corrupção

Publicado

Comemorou-se em 09 de dezembro o Dia Internacional de Combate à Corrupção e em 20 de novembro, o Dia do Auditor Interno. Embora esse profissional desempenhe função primordialmente orientativa e preventiva, tem se destacado também pela atuação na prevenção e no combate à corrupção.

Aliás, o tema corrupção tem sido recorrente nos debates dos mais variados setores da sociedade. No cenário nacional e também aqui em Mato Grosso, foram diversos casos revelados, que envolveram inúmeros agentes públicos.

São casos que causam tanta repulsa, pela dimensão, pela perversidade e pelo dano social, que o olhar se volta muito mais para o fato da corrupção em si do que para o combate à corrupção.

Alguns críticos, sem qualquer compreensão sistêmica que o tema exige, reverberam de forma inconsequente que na atualidade temos mais casos de corrupção que outrora, e que isso ocorre por falha na atuação dos auditores internos e dos órgãos de controle.

Mas é relevante destacar que não há qualquer estudo demonstrando que, proporcionalmente, tenhamos mais casos que antes. Ao contrário, o que os estudos demonstram é que, atualmente, a atuação dos auditores internos e dos agentes de outros órgãos de controle está mais fortalecida, o que tem possibilitado uma maior efetividade na detecção e punição dos casos de corrupção.

Alguns instrumentos como a Lei de Acesso à Informação e a Lei Anticorrupção e, em Mato Grosso, a transformação da Auditoria Geral em Controladoria Geral do Estado (CGE-MT), agregando as funções de ouvidoria, controle, auditoria e corregedoria, criaram um cenário favorável para melhor atuação desses profissionais no combate à corrupção.

É senso comum entre nós, auditores internos, que precisamos avançar na nossa forma de atuação, que precisamos nos organizar melhor em rede para enfrentar os desafios diários de proteger o patrimônio público de fraudes e desvios e, assim, garantir a entrega de serviços públicos de qualidade à população.

Leia Também:  WILSON FUÁH – Os resultados positivos da vida

Mas, especialmente em Mato Grosso, a integração e a cooperação dos órgãos de controle e dos seus membros têm avançado a cada dia, apresentando resultados positivos no combate à corrupção.

O trabalhos dos auditores internos da Controladoria Geral do Estado encontra-se integrado em um sistema que tem permitido cooperar com diversas investigações relacionadas a crimes contra a administração pública.

Uma evidência disso é que mais de 90% dos casos de corrupção revelados no acordo de colaboração do ex-governador de Mato Grosso e de outros agentes públicos já possuíam trabalhos de auditoria realizados pelos auditores da CGE-MT, o que tornou mais robustas a investigação e as denúncias formuladas pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal.

Mais recentemente, os auditores internos da CGE estiveram diretamente envolvidos na Operação Sangria, que apura desvios de dinheiro público na área de saúde. Quase outra centena de fatos foram apurados ou encontram-se em apuração pelas equipes de auditores internos e certamente vão contribuir para melhor instruir as investigações administrativas, civis e criminais em curso.

São também os auditores internos que estão coordenando os processos de acordos de leniência. Esses acordos realizados individualmente pela CGE ou em cooperação com a Procuradoria Geral do Estado (PGE), Ministério Público Estadual (MPE) e com o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA) já possibilitaram o retorno aos cofres do Estado do valor de 1 bilhão e 200 milhões de reais que haviam sido desviados desde o ano de 2009.

Cabe também aos auditores internos do Estado a condução dos processos de responsabilização de pessoas jurídicas, cuja atuação fez com que a Controladoria Geral do Estado de Mato Grosso figurasse como um dos órgãos de controle interno dos estados brasileiros que mais instauraram processos administrativos de responsabilização de empresas com base na Lei Anticorrupção. Desde o início da vigência da normativa, em janeiro de 2014, até novembro de 2019, foram instaurados 51 processos de responsabilização para investigar 210 empresas.

Leia Também:  WILSON PIRES - Há 54 anos, Gabriel Muller era empossado prefeito de Várzea Grande

Temos consciência de que precisamos avançar, sobretudo na prevenção da corrupção. Nesse sentido, mais uma vez a atuação dos auditores internos da CGE de Mato Grosso está na vanguarda: desenvolvemos um modelo de avaliação, monitoramento e acompanhamento dos controles internos que, além de agregar valor aos órgãos públicos, possui instrumentos para gerenciar, monitorar e prevenir riscos de fraudes e outros eventos de corrupção.

Nosso modelo, que se empenha para oferecer formas de aprimorar os processos de governança, gerenciamento de riscos e controles, já é referência para outros órgãos de controle interno do Brasil, tendo despertado interesse de mais de uma dezena de instituições estaduais e municipais.

É certo que não desviaremos da nossa função primordial, que é de contribuir com a melhoria dos serviços públicos, por meio do fortalecimento do sistema de controle interno, do aperfeiçoamento da conduta dos servidores e fornecedores e do fomento ao controle social e da transparência, mas estamos prontos para avançar também nas ações articuladas com agentes de outros órgãos de controle e buscaremos nos organizar melhor em rede, sistematizando nossas relações para dar um melhor resultado à população.

*Emerson Hideki Hayashida é auditor e secretário-controlador geral do Estado de Mato Grosso (CGE-MT). E-mail: [email protected]

Continue lendo

Opinião

JOSÉ DE PAIVA NETTO – Vencendo as adversidades

Publicado

Sublimar a dor em vitória é a conquista perene daqueles que suplantaram os mais temíveis obstáculos. Venceram as adversidades por acreditar na existência de um mundo bem melhor para suas vidas e a de seus concidadãos. Prova disso nos deu o saudoso jornalista e escritor Austregésilo de Athayde (1898-1993), coautor da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que dirigiu a Academia Brasileira de Letras (ABL) durante quase 35 anos:

— Viver é cultivar os valores do Espírito para superar os embaraços materiais e morais e chegar à conclusão de que, em última análise, dado o balanço geral, a vida é boa de ser vivida.

No seu livro Billy Graham responde, na página 123, encontramos um ilustrativo exemplo do valor da perseverança nas lides do Bem. Escreve o conhecido pastor evangélico norte-americano:

— Quando o carpinteiro naval precisava de madeira para fazer um mastro para um barco a vela, ele não a procurava num vale, mas no alto da montanha, onde as árvores haviam sido castigadas pelos ventos. Essas árvores, ele o sabia, eram as mais fortes de todas. Não escolhemos as agruras; porém, se as enfrentarmos com bravura, elas poderão enrijecer a fibra de nossa Alma.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

Leia Também:  ONOFRE RIBEIRO - Colheita obrigatória

Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana