conecte-se conosco


Opinião

JORGE MACIEL VLT: vamos ‘levar’ tudo?

Publicado

(*) JORGE MACIEL

Esse enredo das “O obras do VLT”, tema recorrente após a interrupção das obras ao fim de 2014, terá certamente um ‘remake’ na direção do atual governador Mauro Mendes. A ideia do reaproveitamento da estrutura que jaz, carcomida e morta -, não é transe exclusivo seu. Já vimos esse filme e poderemos até, de 2023 para frente, voltar a assistir a um VLT 3, como os filmes de Stallone. O que quer o atual governador é a reedição indolente do que quis Pedro Taques em 48 meses – sem contar as garantias do então secretário de Cidades, o deputado Wilson Santos, que jurou, sabe-se lá se fazendo figa ou não, que os trilhos e seus trens chegariam, pelo menos, até o bairro do Porto, até 2018.

O bom senso – já que o contribuinte não tolera mais ver impostos fugirem como fumaça pelo vão dos dedos – seria aproveitar o traçado necrosado, criando-se nova alternativa menos morta de transporte. Ou que se faça outra coisa qualquer, mas qualquer outra coisa mesmo, menos o  ‘déjá vu’ desse desavergonhado desperdício, sem o custo-benefício da razão. Há toda sorte de impedimentos para a materialização do [im]provável VLT.

Primeiro, o VLT não seria (como nunca o foi) –  uma opção ideal de transporte público, tanto pela carestia dos bilhetes como pela miúda capacidade de solucionar o problema de demanda de transporte urbano cuiabano/várzea-grandense – o BRT é bem mais racional e mais barato, por exemplo. Depois, no momento atual, seu custo não é compatível com a capacidade de [novo] investimento do Estado. Com orçamento deste ano estimado em pouco mais de vinte bilhões de reais – e um buraco de quase três mais a queda vertiginosa da arrecadação, Mato Grosso não tem e seguramente não terá dinheiro para por o trem nos trilhos – com recursos de outras fontes ou não. Ademais, no imaginário coletivo, por estas bandas, VLT é a mais completa tradução de ladroeira. Pode até ser que no “Aurélio” o termo signifique outra  nada ardilosa, mas no ‘cuiabanês’ VLT é a leitura exata da sigla “Vamos Ladroar Tudo”.

Tecnicamente, seis anos depois de ter provocado a falência de empresas, tornar o trânsito um pandemônio e incomodar a população de duas cidades, até hoje, o VLT teria que ser reinventado. No que está, pouca coisa poderia ser reaproveitada.

O desnivelamento e outras patologias físicas que atingiram os trilhos e “dormentes” de concreto, corrosão, erosão, não têm mais restauro – embora o que foi feito nem represente 5% do projeto nas duas linhas, sentidos VG/CPA e Coxipó/Centro.  A contaminação do lastro por resíduos sólidos, pó, lama, chuvas, poças sem dreno e ferrugem impedem a continuação das obras, a partir do que está. Na engenharia que trata de metrôs e trilhos, o nivelamento tem que ser de alta precisão sob o risco de trepidação e descarrilamentos. Isso tudo sem contar que os bondes estão atirados ao sol inclemente e às chuvas e poeira, dias após dias, meses após meses, anos após anos. Na visão geral, o que há posto é o aparente espectro de ferro-velho.

Gastar mais recursos públicos com esse delírio não é coisa que se faça ou se pense. O dinheiro, bem perto de dois bilhões de reais, que zeraria o déficit habitacional do Estado, levando-se em conta que o dinheiro viria da Caixa, por exemplo, já foi gasto com viagens, carros, mansões,  fazendas, bois (…). Impunemente.

Ao alardear a retomada das obras do VLT, como teimou Taques embebecido pelos sopros da estupidez de amigos e assessores, Mendes faz-nos pensar que  tenha perdido o juízo. Tomara que seja um sintoma passageiro! Pão-duro e responsável como é, Mauro talvez tire o VLT da cabeça e ponha outra coisa no lugar.

Bem fez o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, que mandou recompor os canteiros das avenidas, onde toda arborização tombou precoce e precipitadamente ao sabor de dementes e insensatos. O que fez Emanuel Pinheiro, sob reproches de Mauro Mendes, deveria ser seguido pela prefeita Lucimar Campos, de Várzea Grande.

Com tanta demanda social à vista, com parcos recursos em caixa, o melhor seria dar um fim a um projeto traumático que só causou males e que, mesmo que ficasse pronto, seria muito mais um cômico  enfeite de luxo que a solução para o caos urbano provocado por ruas abarrotadas de veículos e pela profusão de sinaleiros. Os recursos consumidos por esse projeto não voltarão jamais, até porque Silval Barbosa e a leva de gente que se regalaram com o dinheiro que seria para trens e trilhos, caíram no esquecimento, posto que a chamada justiça trocou milhões de reais da pilhagem por bijuterias inúteis conhecidas por tornozeleiras eletrônicas de pouca valia. Falar em VLT, no momento, é o mesmo que exaltar o desatino. Quem pensa que ao sonhar com tal coisa esteja curtindo um sonho plácido, em verdade, padece de um ofegante pesadelo individual e coletivo.

_______________

(*) Jornalista em Cuiabá

publicidade
Clique para comentar

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Opinião

JOSÉ ANTONIO LEMOS – Base aérea em Cáceres

Publicado

O presidente Jair Bolsonaro em sua “live” do último dia 19 trouxe o ministro da Justiça e o superintendente da Polícia Federal no Amazonas mostrando sua preocupação com a segurança das fronteiras brasileiras, não só em relação às drogas e armas, como em relação à saída de nossas riquezas naturais para o exterior.

Falou da recente instalação por seu governo de um radar em Corumbá (MS) visando detectar aeronaves suspeitas, em especial no pantanal. Lembro que em 2019, tão logo empossado, o secretário de Segurança de Mato Grosso anunciou que levaria este assunto ao governo federal, colocando na época inclusive a necessidade de instalação de uma base aérea na região, assunto capital para as cidades brasileiras e, em especial para as mato-grossenses.

A proposta da base aérea então levantada pela administração estadual é consistente pois Cáceres dispõe de uma pista de pouso subutilizada com 1.850 x 30m capaz de receber jatos, em posição estratégica aos 1.100 Km da fronteira bem como em relação ao Pantanal, que vem servindo de base receptora de cargas de drogas e armas lançadas por pequenos aviões ou vindas por terra mesmo. Seria o começo de uma revolução na segurança da fronteira e na vida de nossas cidades.

Recordo ainda que em 2009, entre os inúmeros casos semelhantes que se sucedem, a Polícia Federal apreendeu no Trevo do Lagarto um carregamento de armas modernas e poderosas destinadas ao Rio de Janeiro. O transportador informou que aquela era a terceira viagem desse tipo que fazia. Quantas outras cargas já teriam passado?

Na semana anterior fora apreendida uma enorme carga de cocaína e no mês anterior havia sido descoberta uma fazenda no pantanal usada para distribuição de drogas que chegavam por avião. Claro que essa situação já vinha de muito e certamente continua até hoje de diversas formas em volumes muito maiores, justificando a preocupação do presidente e seu ministro.

Problema básico das cidades brasileiras, a insegurança pública lhes impõe um quadro de medo e violência jamais visto. Aqui esta situação é fomentada e se agrava pelos tráficos de drogas, armas e veículos, que se articulam em poderoso esquema nacional e internacional submetendo aos seus interesses e caprichos povos do mundo inteiro, em especial os jovens. Como pensar em qualidade de vida urbana numa situação destas?

Jamais será elogiado o bastante o trabalho difícil e arriscado das polícias militar e civil do estado, Polícia Federal, polícias rodoviárias federal e estadual, e pelo Exército, bem como a importância do apoio governamental a essas ações terrestres na fronteira.

Mas, no nosso caso é forçoso lembrar que Mato Grosso é um dos únicos estados do Brasil a não dispor de uma Base Aérea. Mato Grosso do Sul, Rondônia e Goiás têm, e esta vizinha à de Brasília. É claro o absurdo desta situação considerando os 1.100 quilômetros de fronteira do estado, dos quais 700 em fronteira seca, e a equivalência de seu território a mais de 10% do território nacional.

O problema se agrava com as rotas dos traficantes migrando para o único “rombo” fronteiriço ainda existente e que fica aqui. Só a presença do brasão da Força Aérea Brasileira seria, sem dúvida, um poderoso elemento dissuasivo ao crime. Que fosse a princípio ao menos um destacamento, com uns drones e alguns Tucanos de prontidão.

Será que o presidente Jair Bolsonaro e seu staff pensam nesta situação aflitiva vivida pela gente de Mato Grosso, justo o estado líder nacional do agronegócio tão cantado e decantado por sua importância produtiva e exemplo de povo que não parou de produzir mesmo com a pandemia? Uma base aérea em Cáceres seria um projeto do grande interesse para todos os brasileiros pois a brecha em nossa fronteira é uma das principais fontes de abastecimento do crime em todo o Brasil.

José Antonio Lemos dos Santos é arquiteto e urbanista, é conselheiro licenciado do CAU/MT.

 

 

Continue lendo

Opinião

DIRCEU CARDOSO – No segundo turno, vote no “menos pior”, mas vote!

Publicado

A soma da abstenção e dos votos nulos e brancos, que no resumo significam a desistência do eleitor em participar da eleição, é maior do que os votos dos primeiros colocados – a maior parte deles já eleita em primeiro turno – em 483 municípios brasileiros, entre eles 18 das 26 capitais que elegem prefeitos e vereadores. Em São Paulo, 3,6 milhões de eleitores  deixaram de comparecer, anularam o voto ou votaram em branco no ultimo dia 15. Isso significa mais do que a soma dos votos obtidos pelos dois concorrentes levados ao segundo turno, Bruno Covas (1.754.013) e Guilherme Boulos (1.080.736) mais o terceiro colocado, Márcio França (728.441 votos). O que está acontecendo com o nosso povo? O que estaria levando tantos cidadãos a abrir mão do seu direito de eleger o governante de sua cidade, estado ou até do próprio país?

Nas localidades com menos de 200 mil eleitores ou até nas maiores onde um dos concorrentes obteve mais de 50% dos votos, não há mais o que fazer. Quem não votou, anulou o votou em branco, ficou fora e, moralmente, não terá o direito de reclamar quando não concordar com as atitudes dos escolhidos. Mas nos 57 municípios onde haverá eleição de segundo turno, ainda há a possibilidade de regeneração da participação popular. É importante que o eleitor compareça e vote, se não tiver motivação para escolher um dos finalistas, que vá por exclusão, votando naquele que entender “menos ruim”. Questão de lógica.

Quando um contingente tão grande da massa eleitoral deixa de votar, o resultado da eleição resta enfraquecido, embora legitimado pela legislação eleitoral que, comodamente, ignora abstenção, brancos e nulos. Ele manifesta a vontade dos que votaram, mas não do eleitorado, já que significativa parcela dele foi omissa.

A multidão dos desinteressados acaba, ainda, por favorecer as posições extremadas e radicais – tanto à direita quanto à esquerda – que, insufladas por  idéias e pregações do meio, comparecem e votam nos seus representantes. É por isso que, em algumas situações, candidatos sem qualquer chance aparente, acabam despontando com possibilidade até de se elegerem. Isso é um mal porque, mesmo que cheguem ao poder, não terão a sustentação da maioria da população, que é aquela que deixou de comparecer às urnas.

O eleitor paulistano – e das demais 56 cidades que farão segundo turno de prefeito no próximo domingo – deve por a mão na consciência, recorrer ao pouco de cidadania que ainda deve lhe restar, comparecer e votar. Por pior que o faça, ainda será melhor do que ficar à margem do processo e deixar que os outros – especialmente os radicais – escolham quem vai nos governar durante os próximos quatro anos. Pensem nisso e votem…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                      

 

Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana