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Opinião

VANESSA MORAES – Mês das Crianças: Vamos falar de audição?

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Um dos maiores desafios neste mês chamado das crianças é entreter os pequenos com atividades criativas que gerem estímulos sadios e duradouros. A data geralmente é focada no ato de dar um presente e pouca é a participação dos pais ou responsáveis nas brincadeiras com as crianças, algo extremamente benéfico na união da família, incentivo a interação e grande momento para se verificar se o desenvolvimento da audição e linguagem estão acontecendo normalmente.

Aproveitando a data, seguem alguns parâmetros de desenvolvimento da audição e linguagem da criança até os 5 anos de idade:

Até os 3 meses de idade, o bebê reage para sons altos, se assusta com sons fortes e barulhos inesperados. Ele se acalma ao ouvir a voz da mãe e chora quando quer alguma coisa.

De 4 anos 6 meses, a resposta de alerta aos sons é mais fácil de ser observada.  O bebê reconhece mudanças na tonalidade da voz da mãe ou do pai e procura sons a sua volta. Há o início do balbucio (fase em que a criança começa a brincar com a produção de sons sem sentido como ba, be, la, etc). Aos 6 meses o balbucio tende a mudar, passando para a produção de sons com padrões de repetição e algum significado.

Com a idade de 7 a 9 meses, o bebê reage diferente para sons fracos e fortes, localiza e reconhece sons familiares. Pode responder ao o próprio o nome quando é chamado e demonstra entendimento de palavras simples, como “mamãe”, “papai” ,“tchau” e “ não”. Ele já bate palmas, joga beijo quando solicitado e reclama quando é contrariado. Começa a imitar sons produzidos pelo adulto e sons de animais durante as brincadeiras, por exemplo.

Com 1ano, associa sons a objetos, entende comandos simples e já reconhece algumas palavras (por ex., “não”, “papá”, “mamãe”, “papai”, “vovô”, “vovó”). Início da produção das primeiras palavras. Aponta para brinquedos e alimentos favoritos quando solicitado.

De 1 ano a 1 ano e 6 meses, já entende frases simples e pode apanhar objetos familiares quando é solicitada. Nesta fase, a criança já reconhece e aponta para partes do corpo sem a necessidade de gestos ou pistas visuais. Começa a utilizar frases curtas para ser entendido e o vocabulário aumenta para cerca de 20 a 50 palavras.

Aos 2 anos de idade, a criança atende e realiza ordens simples e responde corretamente às perguntas feitas pelo interlocutor. Consegue sentar e escutar histórias e músicas simples. O tempo de atenção ainda é curto, mas esta é uma atividade muito estimuladora. Há um aumento importante do vocabulário , a criança se comunica com uso de frases simples, a fala já deve ser entendida por adultos que não estão em contato direto com a criança. É a fase em que a criança é bastante possessiva e nem sempre aceita compartilhar objetos com outras crianças.

Dos 3 aos 4 anos de idade, responde a perguntas com “quem”, “o que” e “onde”; tem noção de “frente” e “trás”; conhece as cores (vermelho, azul, amarelo e verde) e formas geométricas (círculo, quadrado e triângulo). Utiliza frases de 3 a 4 palavras. Ex: “mamãe é linda”, “cadê a minha bola?”.  Obedece a ordens seguidas: “Pegue sua bola no quarto e traga-a aqui”. Gosta de cantar e brincar com palavras de sons; brinca com outras crianças, sabe esperar a sua vez no jogo e gosta de perguntar muito.

Entre os 4 e 5 anos de idade, já é esperado que a criança fale todos os sons da língua, mas pode ter dificuldades nos encontros consonantais, como “prato”, “claro”, “planta”. Já mantém uma conversa; consegue lembrar situações passadas e contar histórias simples, por exemplo, o que fez na escola, quem encontrou no shopping, o que comeu, etc.

E quando tais comportamentos não são vistos na criança, o pediatra deve ser comunicado e o mesmo fará as indicações necessárias e condutas devem ser iniciadas o mais precoce possível.

Descartadas a falta de estimulação de linguagem adequadas, as alterações cognitivas, neurológicas, motoras , algum distúrbio específico de linguagem, a audiologista Vanessa Moraes chama a atenção para possíveis  sinais de perda auditiva em bebê ou criança que pode desencadear alterações na audição e consequentemente, no desenvolvimento da fala:

– Não reage a sons altos;

– Não reconhece a voz da mãe, mesmo quando está no colo;

– Não procura ou detecta de onde o som está vindo;

– Não balbucia (emissão dos primeiros sons, como se estivesse “brincando” com as palavras;

– Parou de balbuciar ;

-Balbucia, mas não está evoluindo para uma fala mais compreensível;

-Não reage a vozes;

– Não se incomoda com sons de alta intensidade.

Observado qualquer um destes comportamentos acima, um médico otorrinolaringologista deve ser consultado e a audição deve ser avaliada com exames mais criteriosos. Esse profissional decidirá se o tratamento será com uso de medicamentos, cirurgia ou aparelhos auditivos. Ressalta a profissional, que, se a indicação de aparelhos auditivos for a conduta, este processo de seleção de adaptação dos aparelhos deve acontecer no máximo até os 6 meses de idade, acompanhado de terapia fonoaudiológica, para que essa criança tenha as mesmas condições de desenvolver sua linguagem como uma criança ouvinte normal.

Uma outra causa do atraso no desenvolvimento da linguagem neste nosso “novo mundo”, tem sido o excessivo tempo destinado a eletrônicos pelas crianças. Com eles, há a perda de contato com grupo de amigos que são substituídos por amizades virtuais. O necessário é que os pais compreendam que o mundo virtual é real e a violência existe.

Assim, como uma “dica da fono” para comemorar o Dia das Crianças é abraçar seu filho, “com-viver”, transmitir e receber a melhor energia da vida que é essencial para todos seres humanos. Os pais e responsáveis são os melhores avaliadores de seus filhos. Tire proveito em todos os sentidos  destes momentos!

Vanessa Moraes é fonoaudióloga e audiologista – @fonovanessacmoraes

 

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Opinião

DIRCEU CARDOSO – A CPI pariu um rato

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Fosse hoje vivo, é o que Horácio, o pensador satírico romano diria sobre a CPI da Covid Há mais de 2 mil anos, escreveu ele “a montanha pariu um rato”. Com isso constatava algo que no princípio parecia grandioso e a realidade mostrou ser irrelevante. É exatamente o ocorrido na CPI, que  passou seis meses gritando, mirando o governo e prometendo fantasiosas provas de corrupção na aquisição de  vacinas e interesses escusos na distribuição dos medicamentos para o demonizado tratamento precoce da Covid 19. O relatório, lido nesta quarta-feira (20/10), não apresenta sequer um ato de corrupção identificado e, de forma inconvencional, tenta enredar o presidente, filhos e auxiliares num conjunto de frágeis suposições que não resistem a uma analise mais acurada e, em boa parte, ignoram a legislação vigente. O petardo prometido não passou de um inofensivo e pouco potente traque (conhecido em algumas regiões como bombinha).

A Comissão não cumpriu o objetivo básico de qualquer instrumento apurador. Sem identificar inconformidades ou crimes (conforme prometeram seus integrantes mais afoitos) não conseguiu pugnar no devido tempo por mudanças no enfrentamento da pandemia o que, se tivesse ocorrido, até poderia abreviar fim da mortandade decorrente. Em vez disso, relator e membros escolheram o midiático caminho da polêmica e do grotesco, desafiando e desrespeitando reconhecidos especialistas, servidores e membros do governo e empresários – uns convocados e outros simplesmente convidados – a depor. Bastava não falar no sentido almejado pelos inquiridores para ser alvos da grosseria, coação e outros rompantes que não deveriam estar presentes e nem ser admitidos dentro do Senado, a mais importante cidadela do parlamento brasileiro. Infelizmente aconteceu e aquela casa perdeu excelente oportunidade de ir fundo na questão e propor soluções sustentáveis. A CPI sequer se interessou pelo destino dado por governadores e prefeitos ao dinheiro federal recebido para combater a Covid. Poderia, pelo menos, ter enviado expediente às Assembléias Estaduais e Câmaras Municipais, pedindo o rastreio do emprego das importâncias, que são elevadas e em alguns casos se sabe, foram desviadas para pagar precatórios, salários e outras despesas correntes dos governos. Sobra, até, a impressão de que a omissão teria sido atitude deliberada de acobertamento.

Os parlamentares tem o direito – e até o dever – de fiscalizar os atos do Executivo. Uma das formas é a CPI, regulada pelo artigo 58 da Constituição e Regimento Interno do Senado Federal (artigos 145 a 153) mais as leis nº 1.579/195210.001/2000 e 10.679/2003. Faz parte da gênese das comissões – tanto as permanentes quanto as temporárias – a proporcionalidade partidária ou de blocos parlamentares na sua composição. Salvo melhor juízo, a CPI da Covid não contempla esse requisito, na medida em que reúne explicitamente oposito res ao governo – midiaticamente denominados G7.

Para desfrutar do respeito da população e suas decisões merecerem crédito, qualquer bloco ou comissão apuradora tem de ser – e se não for, pelo menos parecer – imparcial. Perde desde o início – como ocorreu no presente tema – quando os apuradores ou sua maioria são opositores ou inimigos pessoais do apurado. Fica mais difícil seu trabalho ser levado a sério. Principalmente quando os acontecimentos são tão ácidos e antiparlamentares. Da forma que foi gestada, a CPI da Covid certamente aprovará o relatório proposto, na votação da próxima terça-feira. A grande decisão, no entanto, acontecerá no plenário, se é que dentro das fragilidades, o governo, por seus instrumentos jurídicos, não conseguir travá-la antes de ser pautada.

Se não aparecer algum fato concreto e relevante, além daqueles já conhecidos, o caminho mais lógico para o calhamaço de 1000 páginas apresentado como relatório, é o arquivo. Terá o Senado perdido precioso tempo e os recursos despendidos para custear a desastrada apuração. Haverá o risco de a única consistência restante de toda essa movimentação, estar na indignação do palhaço Pão-de-ló, que se declina membro de numerosa família circense, e, em gravação para as redes sociais, lavrou o seu protesto por não concordar que se chame a CPI de circo e nem seus membros de palhaços. “Se um senador erra, ele não é um palhaço, é senador; e se a CPI está uma bagunça, ela não é circo, mas o Senado Federal” – conclui o palhaço de verdade.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                                                                                     

 

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Opinião

MARIA DO SOCORRO DE OLIVEIRA – Educação em tempos de pandemia: O ensinar através de tecnologias

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Quando a pandemia da Covid-19 avançou pelo Brasil e mundo afora, no primeiro trimestre do ano passado, a educação à distância não era uma coisa nova, tampouco o papel das mídias sociais, as lives e a utilização das ferramentas digitais eram novidades.

Ocorre, entretanto, que fomos, todos nós, impelidos a nos envolver com os conceitos da interação eletrônica, mesmo porque a necessidade de isolamento e mudanças de hábitos eram, e são, hoje, a única forma efetiva de frear o avanço da contaminação do coronavírus.

Passado o tempo de expectativas, de recuperação do susto pelo avanço da doença – de efeitos devastadores em, todo o mundo, as pessoas passaram, isoladas, a se aprofundar nas práticas que o mundo digital exige. As empresas, profissionais liberais, artistas, juízes, desembargadores, políticos (…) avançaram nos seus projetos e lançaram às lives como forma de continuar crescendo e mantendo-se em atividade. De março para cá, milhares e milhares de eventos digitais tomaram conta do Brasil e do mundo e fizeram as plataformas web’s se multiplicarem.

Na Educação, área onde atuo e acompanho com grande esforço e interesse, a pandemia provocou estragos. Primeiramente, os alunos, acostumados à ‘algazarra’, abraços, correrias nos corredores das escolas nas horas de recreio, tiveram que se isolar em casa, sem o salutar contato com seus amigos. Alunos em idade infantil, principalmente, foram afetados em cheio.

Para a continuidade das atividades do ano letivo, as autoridades criaram mecanismos para o curso do ano, socorrendo-se, e para valer, dos instrumentos digitais – com aplicativos e equipamentos de mídia. Dos professores, veio a parcela de esforço com maior carga, pois, mesmo sem as aulas presenciais, os educadores passaram a transmitir seus conhecimentos, ministrando aulas com auxílio dos telefones celulares, aplicativos, redes e grupos sociais pela internet, enfim, com uma nova modalidade de ensino completamente nova e digital.

Aos poucos, com o avanço da vacinação e com a volta gradual das aulas presenciais, na chamada educação híbrida, a situação está se ajustando. O uso de equipamentos eletrônicos – como os celulares – já é uma condição que alunos de todas as idades tem muito domínio e preferência. Então, com o auxílio dos seus professores, as aulas puderam seguir e o ano letivo não foi perdido. Em Cuiabá, graças ao empenho dos gestores públicos, o que foi necessário ser feito aconteceu e os resultados ‘podem até ser considerados bons, não tão marcantes como nas aulas presenciais 100%, mas com números que justificaram os investimentos das autoridades públicas e o empenho e dedicação e esmero de cada professor.

Assim, com a metodologia de educação híbrida, como ocorre neste momento, a experiências anteriores à pandemia, e todos os fatos que ocorreram após março de 2020, aprendemos que poderemos nos valer das ferramentas digitais, com pandemia ou sem pandemia. A Educação se aprimorou e avançou nestes tempos de profunda crise social e sanitária. Devemos, ter, dessa forma, a consciência de que nada mais será como antes. Ficou provado que podemos aplicar metodologias de ensino em perfeita combinação com a pratica de aulas presenciais e a pratica de ensinamento por via digital.

Um dos segredos da vida, está na nossa capacidade de ter a sensibilidade de que é na crise que se acha grandes soluções. Aprendemos sim: o mundo digital nos auxilia, nos exige esforços, mas nos dá a certeza de que podemos crescer mais e mais. Afinal, uma boa educação e as mídias digitais estão interligadas no presente e futuro.
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Maria do Socorro de Oliveira é Pegagoga, com Graduação em Pedagogia pela UFMT e Especialização em Psicopedagogia. Trabalha como Educadora na Secretaria de Educação de Cuiabá

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