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Opinião

USSIEL TAVARES – O perigo escondido na ideia de eleição direta para a OAB

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A advocacia está vivenciando transformações. Impulsionada pelas alterações sociais, a velocidade das mudanças tem levantado questões que se interpõe entre a necessidade, o bom senso e o absurdo. No cenário surreal brasileiro, como em uma série de drama político, chegou a vez do episódio OAB.

Depois dos lamentáveis conflitos políticos envolvendo o Governo Federal, sua legião de fãs e o presidente da OAB Nacional, surgiu novamente um tema que, independentemente de poder representar uma retaliação política, traz um grande risco para a advocacia: a ideia de uma eleição direta para eleger o presidente do Conselho Federal da OAB.

Primeiramente, eu sempre fui contra. Explico o porquê: atraente à primeira vista, essa ideia irá atrair interesses outros, alheios à advocacia e interferir na eleição da entidade mais importante da sociedade civil.

O principal perigo escondido na ideia de eleição direta é trazer para a OAB uma forte influência do poder econômico. Imaginem uma organização criminosa investindo na eleição do presidente OAB ou mesmo grupos econômicos, despreocupados com as prerrogativas e interesses da advocacia, fazendo lobby, influenciando pautas, com os pés em cima na mesa do presidente da OAB.

A OAB sempre combateu a corrupção eleitoral. Mesmo assim, não é incomum promover grandes reuniões regadas a café da manhã, almoços, jantares, ou então boca de urna, aeronaves, assessoria de marketing entre outras coisas sem qualquer tipo de prestação de contas. Sinceramente, não estou criticando ninguém. Em uma escala menor já vivenciei essa realidade.

Ocorre que o número de advogados triplicou nos últimos anos o que faz ser difícil visualizar qual seria o modelo de eleição ideal. Acredito, entretanto, que a prevalecer a proposta defendida o maior risco que corremos é que a oportunidade de presidir a nossa gloriosa OAB será apenas para advogados de estados com um número maior de advogados.

Temos de assegurar a representatividade dos estados com um numero menor de advogados. Nesse modelo direto, quando um dirigente da OAB como o Dr. Cláudio Stábile Ribeiro, que para nosso orgulho foi diretor do Conselho Federal teria essa oportunidade?

A OAB precisa se modernizar, afastar qualquer tipo de interesse que não seja o da advocacia e sua verdadeira essência. Na minha opinião, a eleição indireta precisa ser sepultada de vez. No entanto, no lugar dela, deve surgir uma eleição direta que preserve o critério da representatividade.

Conclamo a todos os advogados a discutirem o futuro da nossa instituição. A ninguém interessa uma OAB fraca, que seja controlada ou viva se esquivando de escândalos. O Governo Federal precisa entender que a OAB está além de uma agenda política, sempre foi e sempre será aliada dos bons combates. Em condições normais de temperatura e pressão servirá de bussola aos interesses da sociedade civil.

Ussiel Tavares da Silva Filho é advogado, ex-presidente da OAB Mato Grosso e sócio da Tavares, Morgado, Furlan, Pires, Wahlbrink e Romani Advogados Associados.

 

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BRENO MOLINA – Cavalo pantaneiro é destaque no mercado rural

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Rústico, resistente e versátil, o cavalo pantaneiro se apta facilmente a provas esportivas e ao trabalho no campo. Em um momento de superação de crise econômica, é uma opção para alavancar os negócios no campo e colocar os criadores Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em destaque no mercado nacional.

Atualmente, há cerca de 5 mil cavalos pantaneiros puros registrados na Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Pantaneiro (ABCCP) e mais de 130 criadores localizados em 21 sub-regiões. O número total estimado de equinos no Pantanal é 100 mil, o que revela uma grande quantidade de animais mestiços.

Pecuarista há muitos anos, comecei a criar a raça e me apaixonei. Na cheia eles cavalgam em terrenos alagados e na seca enfrentam as areias quentes, são valentes e que não recusam trabalho. Também possuem personalidade própria, sabem exatamente o que estão fazendo e demostram o que querem! Cuidar deles é algo que aprendi com meu avô e o meu pai e que agora ensino aos meus dois filhos.

Descendente dos animais utilizados pelas tropas portuguesas, eles fazem parte da história do Brasil e foram fundamentais para a sobrevivência dos povos que o utilizavam como meio de transporte, manejo de gado e caça. Uma vez introduzidos no Pantanal, adaptaram-se bem às condições ecológicas, um processo que fez parte da seleção natural em centenas de anos.

Sem dúvida, um dos principais motivos para a conservação do cavalo pantaneiro é o seu valor genético. São animais de porte médio, ótimo desempenho funcional e agilidade para provas equestres (enduro e rédeas), com exemplares bem colocados em competições nacionais. Mesmo assim quase foram extintos por causa de doenças e cruzamentos indiscriminados com outras raças.

O sucesso na manutenção e aperfeiçoamento da raça se deve principalmente ao trabalho feito por instituições como ABCCP, criada em 1972, que em parceira com a Embrapa e as associações regionais, oferece apoio aos criadores. Aliás, a associação vem buscando continuamente a melhoria genética da raça e para isso agregando novas tecnologias, como manejo nutricional, doma racional e fertilização.

Aliás, as parcerias entre criadores e pesquisadores também tem ajudado a promover a diversidade genética do cavalo pantaneiro. A partir dela foram criados sistemas orientados de acasalamento e avaliação das características de adaptação, como a resistência dos cascos à umidade e a tolerância ao calor. Essa união de esforços vem sendo fundamental.

Sou criador, de família de pecuaristas, um filho de Poconé, que vem trabalhando incansavelmente para que a raça pantaneira se expanda pelo Brasil, mas sem esquecer as suas origens. É muito gratificante estar aqui onde tudo começou, participar mesmo das lutas e vencer as inúmeras dificuldades. Posso assegurar, que além de um bom negócio, o cavalo pantaneiro é um patrimônio do Brasil!

Breno Molina, diretor da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Pantaneiro em Mato Grosso, [email protected]

 

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Opinião

JOSÉ DE PAIVA NETTO – A Alma é a geratriz de todo o progresso

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Em meu editorial publicado na BOA VONTADE Mulher, revista especial que a Legião da Boa Vontade (LBV) lançou, nos idiomas português, inglês, francês e espanhol, durante a 61a sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres (CSW, na sigla em inglês), realizada em março de 2017 na sede das Nações Unidas, recordei o que escrevi no jornal Folha de S.Paulo de 7 de setembro de 1986, data nacional do Brasil, em meu artigo “Independência”: (…) O ser humano, com seu Espírito Eterno, é o centro da Economia, a geratriz de todo o progresso. Sem ele, não há o trabalho nem o capital. Precisamos finalmente caminhar mais adiante e dizer que o Espírito Eterno, que habita o corpo humano, ele, sim, é a medida de todas as coisas, porquanto é Cidadão Celeste.

A riqueza de um país está no coração do seu povo. No entanto, nações inteiras ainda sofrem miséria. Convém lembrar que barrigas vazias e Espíritos frustrados geralmente não estão dispostos a ouvir.

Leis da Economia Divina

Diante dessa compreensão abrangente sobre o ser humano e o seu papel no mundo, defendemos a Economia da Solidariedade Espiritual e Humana, proposta que lancei há décadas. Ela situa-se além da que os homens discutem tanto e a respeito da qual afirmam uma coisa hoje e desdizem-na amanhã, levando gerações ao desespero. Preconizamos que a Solidariedade se expandiu do luminoso campo da Ética e se tornou uma Estratégia de Sobrevivência, acima de leis e de modelos econômicos até agora descobertos e, muitas vezes, empregados de modo pouco apreciável por nós, os seres humanos. Discorremos sobre conceitos que preexistem à criação do mundo, que são os das Leis da Economia Divina, que tratam em igualdade os gêneros, porque se destinam à essência imortal das filhas e dos filhos dos universos.

Livres de quaisquer sectarismos, muito podemos aprender com os inúmeros ensinamentos de Jesus, que comove até hoje os mais pétreos corações com Sua preocupação social em cuidar das necessidades, do corpo e da Alma, dos Seus semelhantes. Vimos isso quando Ele alimentou a multidão que O acompanhava, a partir de apenas cinco pães e dois peixes (Boa Nova, segundo João, 6: 5 a 15). E o Cristo Ecumênico, o Excelso Estadista, deixou-nos o segredo dessa postura espiritual e humanitária: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas” (Evangelho, segundo Mateus, 6:33).

Quando nos dispusermos a meditar sobre essa Fórmula Econômica do Cristo, estaremos nos integrando na Competência de Deus, criaturas Dele que somos. Tudo o que se relaciona com produção e distribuição de renda está nessa “Fórmula Urgentíssima”, conforme o saudoso fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), denominou o referido versículo bíblico, e que eu considero ser a Lei Econômica Urgentíssima do Supremo Comandante da Terra, o principal pilar da Economia da Solidariedade Espiritual e Humana, que já citamos neste artigo. O resultado da aplicação dessa sabedoria, “do Reino de Deus e Sua Justiça” — isto é, do pleno conhecimento das Leis Espirituais que regem a vida no Cosmos, capaz de tornar a humanidade mais humana e mais espiritualizada —, é justamente abrir a nossa cabeça para que essa Divina Competência se estabeleça em nós. E, assim, não nos aprisionaremos à visão restritiva da escassez de recursos, de bens, de oportunidades de emprego, e o que mais o seja. Entretanto, permitiremos que os ilimitados valores do Espírito, tais como o Amor, a Solidariedade, a Generosidade, o Altruísmo, a Fraternidade, constituam as balizas das soluções de todos os problemas socioeconômicos que afligem os povos, as quais virão por intermédio do esforço conjunto das criaturas esclarecidas por esse Infinito Saber.

Em meu livro Como Vencer o Sofrimento (1990), ponderei: O Amor que se compartilha multiplica-se em quem o divide. Eis a Economia Ecumênica, portanto Solidária e Altruística, fórmula segundo a qual, quanto mais se doa, mais se recebe. Eis o moto-contínuo a impulsionar a vida em comunidade.

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

[email protected] — www.boavontade.com

 

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