Assessoria - Mato Grosso continua entre os estados com maior número de novos casos de hanseníase no Brasil. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde, em 2024 foram registrados 4.723 novos casos da doença. Já em 2025, os dados parciais apontam 3.770 novos registros, com taxa de detecção de 96,82 casos a cada 100 mil habitantes. Esse cenário é considerado de hiperendemia, ou seja, quando uma doença infecciosa apresenta alta incidência em uma população.
O médico dermatologista da Unimed Cuiabá Anderson Andreu Cunha, especialista em Medicina da Família e Comunidade, explica que um conjunto de fatores tem contribuído para que Mato Grosso se mantenha como o Estado com maior número de novos casos no país.
“O histórico da doença que já está há muitos anos no local, as condições socioeconômicas, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde em algumas regiões, principalmente áreas ribeirinhas, e a falta de profissionais capacitados para identificar a doença logo no início contribuem para esse cenário. Além do clima que também é um fator”, destacou o médico da Unimed Cuiabá.
O profissional, no entanto, reforça que a doença tem tratamento e cura. “Geralmente, estamos falando de algo que pode durar de 6 meses a 24 meses e que tem tratamento gratuito pelo SUS. A dica que deixo é: ao menor sinal de mancha na pele, com alteração da sensibilidade no local, procure um especialista. É preciso que haja informação, só assim venceremos o preconceito e poderemos reduzir os números tão alarmantes desta doença em nosso país”.
É neste sentido que surgiu a campanha “Janeiro Roxo”, que busca conscientizar sobre os riscos e sintomas da Hanseníase. Realizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e reconhecida, desde 2016, pelo Ministério da Saúde, a proposta é alertar, levar informação e acabar com o preconceito que ainda existe sobre a doença. A Unimed Cuiabá é uma das parceiras nesta divulgação.
HANSENÍASE NEURAL
Apesar de a hanseníase ser lembrada principalmente pelas manchas na pele, a doença pode afetar os nervos e causar dores pelo corpo. Nessa forma, chamada de hanseníase neural, os sintomas podem se confundir com os de outras doenças como a fibromialgia.
O especialista alerta para o diagnóstico da hanseníase neural pura. “Nessa forma da doença não é fácil identificar, a pessoa pode não ter manchas na pele, apresentando apenas sintomas como formigamento, dormência ou dor. Isso pode ser confundido com problemas neurológicos ou reumatológicos. Por isso, é importante procurar o médico para um diagnóstico precoce e sempre que esses sintomas persistirem”.
Entenda mais – A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e é uma doença infecciosa, contagiosa e de evolução crônica que atinge principalmente a pele, os nervos periféricos e as mucosas.
Os principais sintomas da doença são manchas (brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas) e/ou áreas da pele com alteração da sensibilidade térmica (de frio e calor), dolorosa e/ou tátil. Além do comprometimento dos nervos periféricos, geralmente com engrossamento da pele, associado a alterações sensitivas, motoras e/ou autonômicas.
Ao identificar qualquer um desses sintomas procure um médico para realizar avaliação clínica, diagnóstico e acompanhamento contínuo.