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Ucraniana esfaqueada no Rio angariou verba para compatriotas em guerra

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A ucraniana Yulya Golovko e soldado com binóculo comprado a partir de campanha organizada por ela
Reprodução/Instagram – 14.05.2022

A ucraniana Yulya Golovko e soldado com binóculo comprado a partir de campanha organizada por ela

Alvos de um  assalto na noite da última quinta-feira, no Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, o casal de ucranianos Yulya Golovko, de 26 anos, e Kostiantyn Miska, de 33, fizeram várias menções à guerra no país natal nas postagens mais recentes nas redes sociais. Yulia, que foi esfaqueada pelo ladrão e chegou a ser levada para o hospital, organizou até mesmo uma campanha que arrecadou fundos para a compra de equipamentos para os compatriotas que estão enfrentando os soldados russos.

Entre os utensílios adquiridos e remetidos à Ucrânia com o dinheiro da “vaquinha”, centralizada em uma conta da própria jovem, que publicou os dados bancários no Instagram, estão luvas, capas, binóculos, facas e termovisores, entre diversos outros materiais. Há apenas cinco dias, ela escreveu um “relatório final”, também compartilhado por Kostiantyn, prestando contas sobre os valores arrecadados e os itens entregues. Um vídeo incluído em uma postagem anterior mostra um homem de roupa camuflada com um dos binóculos comprados na mão esquerda.

Semanas antes, em 3 de abril, a jovem compartilhou fotos de civis ucranianos mortos em uma das cidades invadidas pela Rússia. “O dia mais doloroso. Escuridão na alma e nem uma gota de sentimentos, exceto uma dor insuportável”, escreveu Yulya no idioma pátrio. “Nós não vamos apenas não perdoar, nós destruiremos todos os envolvidos”, acrescentou a jovem, que, assim como namorado, postou outros conteúdos de protesto a respeito dos confrontos.

Os ucranianos trabalham como designers — ela de produtos, ele de interiores. Kostiantyn é dono de uma empresa especializada em reforma de cozinhas sediada em Nova York, nos Estados Unidos. O casal está no Rio há cerca de duas semanas, hospedado em um apartamento alugado em Copacabana. Eles vieram à cidade para eventos profissionais, mas aproveitaram a ocasião para fazer turismo.

Os dois passeavam de bicicleta pelo Aterro do Flamengo, na altura do Monumento a Estácio de Sá, por volta das 21h da última quinta-feira, quando ela, que estava um pouco atrás do namorado, foi abordada por um homem a pé. O bandido tentou tomar a mochila da turista, que reagiu e acabou esfaqueada várias vezes.

Yulya foi socorrida por PMs do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur) e levada para Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Copacabana. Em seguida, ela foi transferida para o Hospital municipal Miguel Couto, no Leblon, de onde teve alta nesta sexta-feira. Apesar de ferida várias vezes, especialmente no braço, as perfurações não atingiram órgãos vitais nem geraram lesões mais graves.

O agressor fugiu levando a mochila, que continha os passaportes do casal, um computador e remédios dos quais a jovem faz uso. Os documentos e a medicação foram recuperados pela polícia pouco depois do crime, mas o notebook de ponta não foi localizado.

A Polícia Militar informou que agentes do BPTur chegaram a realizar rondas na região para tentar capturar possíveis envolvidos com o ataque, mas ninguém foi encontrado. Ainda de acordo com a PM, o patrulhamento nas redondezas do Aterro do Flamengo foi reforçado.

A investigação está nas mãos da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), que busca imagens de câmeras de segurança que possam ter flagrado o episódio. Kostiantyn já foi ouvido por agentes que, até a noite desta sexta, ainda aguardavam que Yulya se recuperasse dos ferimentos para colher o relato da jovem.

“Ali há muitas câmeras de tráfego filmando a pista e poucas voltadas para o parque, mas analisaremos todo o material para que seja possível identificar o assaltante”, explicou a delegada Patrícia da Costa Araújo de Alemany, titular da Deat. “É uma história horrível, até pela nacionalidade dos envolvidos, mas 90% dos crimes contra estrangeiros no Rio não têm violência, sobretudo em áreas mais turísticas. Esse caso é um ponto bem fora da curva.”

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Favela Diz: o instituto de pesquisa feito por pessoas da comunidade

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Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas e um dos criadores do Favela Diz
Arquivo pessoal

Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas e um dos criadores do Favela Diz

Um projeto da favela para a favela. Este é o conceito do instituto de pesquisa Favela Diz, lançado na terça-feira (9), em Paraisópolis, comunidade na zona sul de São Paulo. A iniciativa é uma parceria entre o G10, bloco de líderes e empreendedores de impacto social no Brasil; o Sou+Favela, empresa de soluções de mídia pensadas para conectar o mundo empresarial à periferia; e o Cria Brasil, empresa de comunicação localizada em Paraisópolis.

Segundo o presidente do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, o Favela Diz foi idealizado no início deste ano e nasceu a partir da vontade de conhecer melhor a população das favelas, que hoje soma aproximadamente 17 milhões de habitantes. Apesar de o G10 atuar nas dez maiores favelas do Brasil, o instituto visa obter a percepção dos moradores de comunidades de todo o país. O Favela Diz é o primeiro instituto em que todo o trabalho é feito por pessoas da favela, e não indivíduos de fora, que desconhecem essa realidade.

Os pesquisadores, explica Rodrigues, são pessoas de dentro das comunidades que foram capacitadas para exercer este trabalho. Mas, mais do que isso, elas foram eleitas para cuidar e monitorar as famílias que ali vivem. Cada um deles cuida diretamente de 50 famílias. Onde ainda não há os presidentes de rua, a ideia é contratar pessoas da própria comunidade para prestar esse serviço. Além de pesquisadores, os chamados “presidentes de rua”, como foram nomeados pelo instituto, viraram também entregadores, analistas informais no banco e outros.

“Essa percepção que a pesquisa traz é a nossa vivência”, afirma o empresário. “Quando alguém fala sobre dados de favela, eu sou esse dado. O diferencial é que é, de fato, da favela para a favela.” 

Apesar de ter sido lançado a menos de dois meses para as eleições presidenciais, o Favela Diz não tem como único objetivo realizar pesquisas de cunho eleitoral, sobre intenção de voto — apesar de esta ter sido a primeira pesquisa do instituto, lançada na terça (veja abaixo) . O objetivo é explorar diversas outras questões, como tendências de comportamento e necessidades de consumo dentro das comunidades. E, a partir disso, criar soluções para os problemas que forem identificados.

Pesquisa do Favela Diz sobre intenção de voto para Presidente da República
Favela Diz

Pesquisa do Favela Diz sobre intenção de voto para Presidente da República

Em Paraisópolis, por exemplo, falta água todos os dias, de acordo com Rodrigues. Mas, quando isso é denunciado, muitas pessoas não acreditam, por parecer uma situação “surreal” para uma cidade como São Paulo. Quando isso é transformado em pesquisa, em dado científico, há provas concretas. E condições, inclusive, de entrar com um processo judicial contra a prefeitura.

Além da pesquisa divulgada na terça-feira, sobre a intenção de voto para Presidente da República, outras quatro pesquisas já foram realizadas pelo instituto. Duas delas serão lançadas em breve. Trata-se de um perfil sobre a população de Paraisópolis, que completa 101 anos no próximo dia 16 de setembro, e outro sobre os moradores de Heliópolis, também na zona sul de São Paulo. ‘Favelado pode tudo’ Rodrigues é nascido na Bahia, mas cresceu em Paraisópolis. Sua família é natural de Itambé, onde as fortes chuvas provocaram destruição no final do ano passado. Há 70 anos, eles partiram rumo à capital paulista, em busca de uma vida melhor.

Gilson Rodrigues
Arquivo pessoal

Gilson Rodrigues

Filho de uma mulher surda e muda que teve catorze filhos e morreu cedo, o empresário conta que ficou “largado” no mundo e, a vida toda, cresceu ouvindo que “não viraria gente”. O estereótipo clássico do menino pobre e pardo de origem humilde. 

“Eu queria dar certo, queria estudar, trabalhar, dar orgulho para a minha mãe, se ela estivesse viva. Quebrar esse paradigma de que quem nasce e cresce na favela está predestinado a dar errado”, diz.

Rodrigues se destacava dos demais meninos da comunidade. Era “falante” e tinha “muitas ideias”. Se tivesse nascido em berço de ouro, diz, as pessoas o teriam como o “criativo”, o “CEO da empresa” ou o “Presidente da República”. Mas, como era de origem pobre, pensavam: o “futuro trombadinha”.

Inconformado com o fato de que este seria o seu destino, ele construiu um novo olhar sobre si mesmo e, a partir disso, começou a transformar sua vida. Virou presidente do grêmio da escola e, quando se deu conta, havia se tornado o “prefeito” o de Paraisópolis. 

No meio do caminho, eis que surge a “nova classe média”, como é chamada a parcela população que ascendeu da classe D para a classe C na metade da década de 2000. O empresário viu nisso uma oportunidade e começou a trazer lojas para Paraisópolis. A favela, antes invisível aos olhos dos empreendedores, começou a virar um princípio de “potência econômica”, ainda que com muitas fraquezas. Havia a vontade de fazer o mesmo com outras comunidades. “Mas como?”, ele se perguntava. Um dia, um dado despertou um estalo.

“Vi uma pesquisa que mostrava que as dez maiores favelas do Brasil movimentam, juntas, R$ 7,9 bilhões. Vi nisso um enorme potencial de mercado e, inspirado no G20 (grupo que reúne as 20 maiores potências do mundo), criei o G10 Favelas”, afirma.

Recentemente, entre 22 e 28 de julho, o G10 internacionalizou oficialmente suas atividades nos Estados Unidos. O empresário esteve em Nova York, representando o G10 Favelas no evento “Semana das Favelas do Brasil em Nova York”. Na ocasião, ele tocou o sino da Bolsa de Valores. Para ele, o ato foi simbólico.

“Nós mostramos aos empreendedores e favelados que podemos estar em Nova York, na Bolsa. Podemos empreender, podemos tudo. Nos contaram mentiras quando disseram que estávamos predestinados a ter uma vida miserável ou entrar para o mundo do crime. Nós nos limitamos até agora, mas podemos nos libertar”, diz.

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Fonte: IG Nacional

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Filha presa por roubar R$ 720 mi da mãe é transferida para presídio

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Obra de Tarsila do Amaral desviada por golpe de filha contra mãe no Rio
Reprodução Redes Sociais – 10.08.2022

Obra de Tarsila do Amaral desviada por golpe de filha contra mãe no Rio

Pouco depois das 11h30 desta quinta-feira, Sabine Coll Boghici, Rosa Stanesco Nicola e Jacqueline Stanesco deixaram a sede da Delegacia Especial de Atendimento a Pessoa da Terceira Idade (Deapti), em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em direção ao Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio. Em seguida elas serão levadas para Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica.

Já Gabriel Nicolau Translavinã Hafliger será levado pelo Serviço de Polícia Interestadual (Polinter), no começo da tarde. Assim como as mulheres, ele será levado para o IML . No entanto, em seguida será encaminhado para a Cadeia Pública José Frederico Marques, também em Benfica.

Entenda o caso:

Nesta quarta-feira, a Polícia Civil realizou a Operação Sol Poente, que desarticulou a quadrilha de golpistas . Sabine Coll Boghici, filha do colecionador Jean Boghici e da vítima, e outras três pessoas foram presas: Jacqueline Stanescos, Rosa Stanesco Nicolau e Gabriel Nicolau Traslaviña Hafliger. De acordo com a polícia, os suspeitos cometeram os crimes de estelionato, roubo, extorsão, cárcere privado e associação criminosa.

Já Diana é filha de Slavko Vuletic e nora de Ronaldo Ianov, ambos também tiveram repassados para suas contas bancárias valores das extorsões praticadas pelo grupo. Jacqueline Stanescos, que também se passava por vidente, é prima de Diana e de Rosa.

Segundo as investigações, a filha da vítima manteve um contato assíduo com Rosa Stanesco Nicolau, a Mãe Valéria de Oxossi, nos últimos quatro meses de 2019. Nessa ocasião os crimes começaram a ser planejados. A quadrilha, na verdade, se formou num núcleo familiar.

Rosa é mãe de Gabriel Nicolau Traslaviña Hafliger, um dos homens que receberam transferências bancárias feitas pela idosa, e irmã por parte de mãe de Diana Rosa Aparecida Stanesco Vuletic, que se passou por vidente e fez a abordagem à vítima . Já Diana é filha de Slavko Vuletic e nora de Ronaldo Ianov, ambos também tiveram repassados para suas contas bancárias valores das extorsões praticadas pelo grupo. Jacqueline Stanescos, que também se passava por vidente, é prima de Diana e de Rosa.

De acordo com o inquérito da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (Deapti), em janeiro de 2020, após sair de uma agência bancária em Copacabana, a idosa foi abordada por Diana Rosa Aparecida Stanesco Vuletic, que, apresentando-se como vidente, disse que a filha da viúva estava doente e morreria em breve. Ela conseguiu convencer a vítima de ir até o apartamento dela, na Rua Barata Ribeiro, onde teria jogado búzios e constatado o “evento trágico”.

Posteriormente as duas seguiram para um apartamento no Leme, onde morava outra falsa vidente, identificada como Jacqueline Stanescos, que confirmou a previsão. Em busca de uma “solução”, a vítima foi levada até a casa de Rosa Stanesco Nicolau, conhecida como Mãe Valéria de Oxossi, na Rua Maria Quitéria, em Ipanema, que ofereceu para fazer de trabalhos espirituais para a cura de Sabine pelo valor de R$ 5 milhões de reais. Todas elas estavam envolvidas no esquema.

Até então, a idosa não tinha conhecimento da relação da filha com a “mãe de santo”. Na dúvida sobre o que fazer, a vítima compartilhou as “informações” com Sabine, que envolvida no golpe, orientou a mãe a aceitar a proposta e providenciar imediatamente o pagamento para que ela fosse “protegida”. Com o pedido da filha e acreditando que as previsões poderiam se concretizar, já que Sabine sofria de problemas psicológicos como depressão e síndrome do pânico, a idosa efetuou as transferências entre os dias 22 de janeiro e 5 de fevereiro de 2020. Entre os beneficiados estavam Ronaldo Ianov e Slavko Vuletic.

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Fonte: IG Nacional

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