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Política Nacional

Trunfo de Bolsonaro, Auxílio Brasil vira foco dos presidenciáveis

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Bolsonaro em entrega simbólica do cartão do Auxílio Brasil: valor de R$ 600 começa a ser pago na terça-feira
Isac Nóbrega/PR – 24.02.2022

Bolsonaro em entrega simbólica do cartão do Auxílio Brasil: valor de R$ 600 começa a ser pago na terça-feira

A menos de dois meses das eleições presidenciais e às vésperas do início do pagamento do novo valor do Auxílio Brasil, de R$ 600 , o impacto que o benefício pode ter nas urnas virou preocupação crucial dos presidenciáveis de oposição e uma das principais questões que dividem as projeções de analistas políticos.

Trunfo do presidente Jair Bolsonaro para tirar a diferença do seu principal adversário, o ex-presidente Lula, nas pesquisas de intenção de voto, o programa de transferência de renda começa a chegar mais robusto no bolso de mais de 20 milhões de beneficiários a partir de terça-feira. Além disso, ele sinalizou que pode manter o valor em 2023 — a princípio, será pago até dezembro —, com a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pelo Congresso.

A estratégia do governo — que já conseguira aval do Parlamento numa manobra para engordar o pagamento em pleno ano eleitoral — começa a dar os primeiros sinais, ainda incipientes, de produzir efeitos nas pesquisas: o último levantamento do Datafolha mostrou que eleitores beneficiários do Auxílio Brasil estão mais indecisos em relação ao seu voto para presidente do que na sondagem anterior.

Em caminho inverso ao do resto da população, o percentual dos que recebem o auxílio e disseram que estavam totalmente decididos sobre o seu voto caiu de 75% para 69%. A queda de seis pontos percentuais está além da margem de erro para esse estrato da população, que é de quatro pontos para mais ou para menos.

Para impedir que Bolsonaro ecoe sozinho o discurso para essa fatia do eleitorado, a oposição também se movimenta. Ontem, Lula falou diretamente aos beneficiários do auxílio ao receber o apoio do agora ex-presidenciável André Janones (Avante). Ao garantir que encamparia, num eventual governo, as pautas do deputado mineiro — como o pagamento permanente do auxílio a R$ 600 —, o petista disse ao mais novo aliado:

“Pode ficar certo que juntos vamos acabar com a fome nesse país.”

Janones também mandou um recado a seus eleitores, no momento em que retirou a sua candidatura para se unir a Lula:

“Eu jamais me juntaria com aqueles que usam a fome como moeda eleitoral em tempos de eleições, como foi feito no atual governo.”

Simone Tebet, candidata do MDB à Presidência, tem na erradicação da fome uma de suas bandeiras, assim como a implementação de um programa de transferência de renda permanente de forma escalonada, inclusive para famílias com pessoas empregadas.

“É possível, com responsabilidade fiscal, garantir essa transferência para todos que precisam, com escala diferenciada. É preciso diferenciar os pobres dos miseráveis.”

O pedetista Ciro Gomes, postulante do PDT, prevê, num eventual governo, a substituição dos programas sociais de distribuição de renda por um projeto de renda mínima, que seria a união do benefício com auxílios, como seguro-desemprego e aposentadoria rural:

“Será ditado constitucional para que todo brasileiro, independente se tenha capacidade de produzir ou não, tenha direito a renda mínima.”

Oscilação na pesquisa

Os números apontados pelo Datafolha, animaram os estrategistas da campanha de Bolsonaro, que esperam ver a ascensão do chefe do Planalto nas pesquisas a partir do primeiro pagamento do Auxílio Brasil.

Segundo o levantamento, é principalmente nesse grupo que se concentraram as principais movimentações em relação ao levantamento anterior do instituto, em junho. Naquele mês, a rejeição de Bolsonaro entre os beneficiários do programa era de 59%, número que caiu para 54% neste mês. Em relação a intenções de voto, Bolsonaro também ganhou espaço, indo de 26% a 32%.

Entretanto, apesar dos sinais positivos para Bolsonaro, o ex-presidente Lula continua sendo o preferido desses eleitores: em um eventual confronto no segundo turno entre os dois: o petista receberia 63% dos votos e o atual presidente, 32%.

Professor de ciência política da UFMG e diretor da Quaest, Felipe Nunes estima que os benefícios sociais deverão ter impacto na disputa e podem levar a eleição para o segundo turno:

“Os 40 bilhões que serão injetados na economia por meio dos benefícios sociais criados pelo governo deverão ter algum impacto na disputa, só não é possível dizer qual será o tamanho deste efeito. Geralmente, benefícios distribuídos diretamente no bolso de eleitores tendem a reduzir o ressentimento com o governo. A mera expectativa de que haverá benefícios sociais já começou a gerar efeito sobre as intenções de voto.”

Embora não haja evidência suficiente ainda sugerindo que os benefícios seriam capazes de produzir uma virada de Bolsonaro sobre Lula, Nunes chama a atenção para o contingente que ainda pode pode mudar o voto, que chega a um terço do eleitorado:

“Os benefícios podem mudar votos para garantir que a disputa seja definida no segundo turno, o que seria significativo, dado que as pesquisas dos últimos meses mostraram boas chances de Lula vencer no primeiro turno.”

O cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, da empresa de pesquisa e consultoria Brasilis, tem outra opinião. Para ele, não há tempo suficiente para o auxílio turbinado do governo federal alterar o favoritismo de Lula. Ele defende que não há vinculação, para o eleitorado beneficiário do programa, entre Bolsonaro e a defesa do segmento mais pobre da população.

“Talvez o pagamento do auxílio seja suficiente para melhorar o desempenho de Bolsonaro, mas a distância de Lula em relação a Bolsonaro é significativa. E mais importante do que isso é o fato de que a eleição está muito concentrada nos dois, o que significa que a vantagem de um sobre o outro pode levar a uma definição em primeiro turno”, analisa Almeida. “O auxílio teria que melhorar abruptamente a avaliação ótima e boa do governo para mudar o cenário. Essa melhora, porém, não ocorre na mesma proporção das intenções de voto.”

Crédito consignado

Em outro aceno para o eleitorado beneficiário do Auxílio Brasil, Bolsonaro autorizou a concessão de empréstimo consignado (com desconto em folha) até o limite de 40% do valor do benefício. A medida também fopi alvo de críticas. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, pelo Twitter, disse que era “uma crueldade sem tamanho”: “Daqui a pouco acaba o aumento do benefício e como o pessoal vai conseguir pagar a dívida? Mais uma medida eleitoral de Bolsonaro que não tá nem aí pro que vai acontecer depois com a vida das pessoas”.

Ciro também foi à plataforma criticar o presidente: “O código penal chama de latrocínio o ato de matar para roubar. O governo Bolsonaro acaba de criar o latrocínio coletivo ao permitir que os bancos confisquem o Auxílio Emergencial sob forma de empréstimo consignado com juros de 79%”, disse o pedetista, numa referência ao benefício.

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Fonte: IG Política

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Política Nacional

Flow Podcast: Bolsonaro contou ao menos quatro mentiras em entrevista

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Bolsonaro minimizou compra de Viagra pelo exército
Reprodução

Bolsonaro minimizou compra de Viagra pelo exército

Em entrevista ao podcast Flow, exibida na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro fez diversas afirmações incorretas, principalmente sobre a pandemia de Covid-19. Bolsonaro também voltou a levantar dúvidas, sem provas ou evidências, contra o sistema eleitoral brasileiro.

O presidente dedicou parte da entrevista a defender sua atuação durante a pandemia, que deixou, até o momento, mais de 680 mil mortos no Brasil. Um dos pontos centrais do discurso de Bolsonaro em relação à Covid-19 é a defesa da cloroquina e da hidroxicloroquina, remédios comprovadamente ineficazes contra a doença.

Na entrevista, Bolsonaro afirmou que cloroquina “funcionou” e que o efeito do remédio contra o coronavírus seria “uma coisa imediata”.

Em 2021, um painel de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a hidroxicloroquina — um derivado da cloroquina — não deve ser utilizada contra a Covid-19. A mesma conclusão foi alcançada por um estudo brasileiro publicado em abril deste ano no periódico científico The Lancet Regional Health – Americas.

O presidente também fez declarações sem embasamento sobre a vacina contra a Covid-19. Segundo ele, “essa agora é uma vacina experimental”. Todos os imunizantes utilizados no Brasil, no entanto, passaram por uma avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após a realização de testes sobre segurança e eficácia.

Bolsonaro ainda afirmou que “quem se contaminou, está melhor imunizado do que quem tomou vacina”. Entretanto, especialistas recomendam que mesmo quem já foi infectado deve tomar a vacina.

Para defender sua política de vacinação, o presidente disse que “fomos o país que, mesmo proporcionalmente, mais vacinou”. Dados do projeto Our World In Data, no entanto, apontam que países como Portugal, Chile, Cingapura, Uruguai e Espanha imunizaram um percentual da população maior do que o Brasil.

Urnas eletrônicas

Bolsonaro também manteve os ataques ao sistema eleitoral. O presidente disse, por exemplo, que o processo de apuração brasileiro não seria “público” porque ocorreria em uma “sala cofre” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entretanto, a apuração de votos de cada urna ocorre de forma automática, após o término da votação, com a impressão de um boletim. Assim, é possível conferir o resultado final somando os registros de cada boletim.

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Fonte: IG Política

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Lula: ‘O maior produtor de proteína animal e pessoas atrás de osso?’

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Lula e Alckmin participam de reunião na Fiesp - 09.08.2022
Reprodução TVT: 09.08.2022

Lula e Alckmin participam de reunião na Fiesp – 09.08.2022

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na manhã desta terça-feira de reunião com empresários e representante políticos na sede da  Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Lula elogiou o trabalho do vice Geraldo Alckmin (PSB), que é seu ex-adversário político. 

“Hoje, 50% dos alunos da USP são de jovens que entraram pelo Prouni. E isso não foi trabalho meu, foi trabalho do Alckmin”, disse Lula. 

O ex-governador de São Paulo disse que é preciso deixar ‘as caneladas para trás e pensar no futuro e brincou que o “o hit das paradas é Lula com Chuchu’. Lula respondeu que ‘Chuchu vai virar commodity, vamos exportar’, levantando risos dos presentes. 

O ex-presidente mudou o tom do discurso e acusou o autal presidente Jair Bolsonaro (PL) ‘de não executar corretamente o orçamento e realizar maior distribuição de dinheiro às vésperas de uma eleição’. 

Em comentário sobre as críticas de Jair Bolsonaro à carta da Democracia – que já recebeu mais de 800 mil adesões – Lula afimou em tom ironia que ‘talvez a carta ele [Jair Bolsonaro] queria que estivesse assinada por milicianos’.

O ex-presidente fez que questão de demonstrar que as políticas de seu governo nasceram de conferências públicas em cidades e estados e também a nível federal.  

“Nós fizemos aquilo que a sociedade nós influenciou a fazer, muitas políticas publicas foram deliberadas nas reuniões de conselhos econômicos e sociais”, disse Lula. 

Lula também levou sua fala para o agronegócio e disse quere conversar com os agricultures, incluindo ‘os mais raivosos’. Ele questionou ainda que ‘não tem como imaginar o maior produtor de proteína animal do mundo e pessoas atrás de pelanca de frango e osso?’.

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Fonte: IG Política

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