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Tribunal virtual: especialistas explicam propagação da “cultura do cancelamento”

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pessoas mexendo no celular
Robin Rednine/Unsplash

o Brasil é o segundo país do mundo em que as pessoas mais passam tempo nas redes sociais




Perdendo apenas para a Filipinas, o Brasil é listado como o segundo país do mundo em que as pessoas mais passam tempo nas redes sociais , de acordo com um estudo realizado pela GlobalWebIndex em 2019. Nos últimos tempos,  computadores , tablets e smartphones  acabaram se tornando – ainda mais -grandes aliados na aproximação de familiares, amigos e conhecidos, devido ao distanciamento social provocado pela pandemia de Covid-19. 

Ao mesmo tempo, a reclusão gerada pelo momento atual também fez com que a intolerância ganhasse mais espaço no cotidiano dos usuários, abrindo brecha para que a propagação da cultura do cancelamento ganhasse mais força.

Segundo o dicionário, o termo ” cancelar ” significa anular, não atribuir valor ou eliminar algo. A psicóloga Adrian Bezerra Assunção (CRP 11/15198) esclarece que o cancelamento a nível virtual se trata da postura de julgamento, exclusão e disputa de opiniões, fazendo com que as ações assumidas sejam prejudiciais a indivíduos ou instituições. 

O olhar empático, o sentimento e a opinião alheia são desconsiderados quando falamos da cultura do cancelamento. “É uma maneira de se posicionar muito prejudicial emocionalmente. O principal problema é negligenciar e ignorar o outro, isso é negativo tanto nos tratos sociais, quanto nos emocionais”, aponta a professora e adepta à comunicação não-violenta, Camila Frazão.

Nesta semana, por exemplo, a ex-BBB Rafa Kalimann foi ‘cancelada’ pela internet depois de ter postado um vídeo dublando um trecho do julgamento da influencer Mariana Ferrer . O caso ganhou muita repercussão nas redes sociais, já que as pessoas não concordaram com a decisão do juiz. Porém, mesmo estando do lado de Ferrer, a atriz foi criticada por ter sido insensível e tentado se promover com a situação. 

Apesar do cancelamento ser comumente visto no mundo dos famosos, se engana quem pensa que ele não pode ser identificado em nosso cotidiano. “As pessoas cancelam, bloqueiam e ignoram o outro simplesmente por não aceitarem uma opinião diferente”, ressalta a professora. 

Durante a pandemia, o cancelamento ganhou ainda mais notoriedade, já que as pessoas passam mais tempo em casa e, consequentemente, na internet. O fato dos usuários estarem, de fato, em um isolamento social faz com que sentimentos como a impaciência e a falta de compreensão sejam aflorados. “As pessoas estão mais reclusas e mais ativas nas redes sociais e a intolerância vem muito daí”, destacou Frazão.

Do ponto de vista da professora, ações como não cumprimentar o outro no elevador e não responder uma mensagem já podem ser consideradas sinais mais leves de um cancelamento. No entanto, enquanto fenômeno social, a psicanalista e psicóloga Diene Gimenes esclarece que essas situações ainda não podem ser enquadradas nessa categoria. Para isso, Diene explica que a ‘sentença’ deve ser aplicada por um grupo de pessoas, não apenas por uma.

A especialista aponta que a popularização do termo fez com que ele começasse a ser usado em situações mais pontuais e individualizadas, não apenas em fenômenos coletivos. “Um grupo de três ou quatro pessoas pode conversar entre ele e dizer que cancelou um indivíduo. Eu consideraria isso, de fato, um cancelamento, em termos de proporções”, ressalta Gimenes. 

Cancelar é a melhor alternativa?

Muitas vezes, os erros podem atingir dimensões muito maiores do que as imagináveis e acabam não se passando simplesmente por pequenas confusões ou equívocos, especialmente no meio virtual. Porém, como foi levantado pela psicanalista, saber que se pode errar é protetivo em termos de saúde psíquica, e isso também vale para as redes sociais.

Para Camila Frazão, hoje em dia, as pessoas têm adotado o cancelamento por ser a maneira mais simples de lidar com as divergências: “Se eu tiver que me explicar ou me posicionar, eu cancelo logo porque é mais fácil”, afirma. No entanto, Frazão explica que se uma pessoa decide cancelar a outra, ela está dificultando o seu próprio desenvolvimento, podendo fazer com que a ação se torne prejudicial para ela mesma. “O nosso crescimento existe no desequilíbrio, na discordância e no contraponto”, destaca.

Apesar de bloquear aquilo que é diferente nem sempre ser a melhor opção, em certas situações, essa atitude pode ser a melhor alternativa. “Se não estiver te fazendo bem ou estiver sendo um gatilho de ansiedade, por exemplo, [o bloqueio] é uma forma de proteção”, afirma Diene. “Se defender também é uma maneira de se proteger”.

Fui cancelado. E agora?

O cancelamento pode trazer um sentimento de rejeição e, de certa forma, de incompatibilidade. No entanto, o fenômeno em si não é a principal fonte do sofrimento psíquico da vítima. De acordo com a psicóloga Adrian Assunção, a angústia gerada depende da maneira como a pessoa atingida compreende a situação e o quanto essa circunstância tem o poder de repercutir em questões pessoais, como ao interferir em atividades cotidianas, por exemplo.

A profissional recomenda que a melhor alternativa para a redução de impactos oriundos do cancelamento é procurar a ajuda de um profissional para acompanhamento psicológico. Para Adrian, essa assistência é importante não só para quem foi cancelado, mas também para quem se acha no direito de cancelar.

De acordo com a profissional, buscar compreender as significações desse cancelamento, tanto para as vítimas quanto para os agressores, possibilita o processo de autoconhecimento, identificação das reais motivações para tal comportamento e até mesmo a modificação desse pensamentos.

Adrian destaca que esse processo pode ser aliado na melhora da autoestima, saúde mental e bem-estar consigo mesmo, reduzindo impactos e buscando estratégias de enfrentamento de situações dessa espécie.

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MG: pai é preso por vender conteúdo impróprio de filha de seis anos

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Pai é preso suspeito de vender conteúdo impróprio da filha de seis anos
Freepik/divulgação

Pai é preso suspeito de vender conteúdo impróprio da filha de seis anos

Em uma ação conjunta da Polícia Civil de Minas Gerais em apoio à Polícia Civil de Goiás, um homem, de 39 anos, foi preso por suspeita de pornografia infantil . Ele estaria disponibilizando conteúdo impróprios de sua filha de seis anos. As informações foram apuradas pela BHAZ. 

Segundo a Sabrina Leves de Lima, delegada titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia de Goiás, as investigações tiveram início a partir de uma denúncia feita por uma testemunha de que o homem estaria divulgando imagens de uma criança nua em um aplicativo. 

Ainda de acordo com as busca, ele estaria vendendo conteúdo da criança. Quem mostrasse interesse, pagava uma quantia em criptomoedas, que depois poderiam ser convertidas para real e após o pagamento, vídeos eram enviados para os consumidores de conteúdo impróprio

Após apuração da polícia de Goiás, as autoridades de Minas Gerais atuaram na parte jurídica do caso e na prisão do acusado. “Questionado sobre os fatos, o pai da criança confessou a autoria dos vídeos. Ao final do inquérito, ele poderá ser indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável e satisfação de lascívia mediante presença de criança”, disse Douglas Barcelos, delegado da Delegacia Regional em Pará de Minas. 

Foi constatado que o homem morava com a criança em uma cidade no interior de Minas Gerais e os dois aparentam ter um relacionamento próximo. Um telefone e um caderno da vítima foram apreendidos. As apurações tiveram participação da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de Goiás, em colaboração com a Polícia mineira em Pará de Minas e Pitangui. 

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Funcionários de hospital usam filtro de ‘jacaré’ após vacinação; veja as imagens

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Funcionários de hospital usam filtro de 'jacaré' após vacinação; veja a imagem
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Funcionários de hospital usam filtro de ‘jacaré’ após vacinação; veja a imagem

Funcionários da área da saúde que trabalham na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Várzea Paulista, no interior de São Paulo, foram advertidos pela prefeitura da cidade depois de postarem fotos em suas redes sociais com um filtro de ‘jacaré’, em alusão às notícias falsas sobre a vacina transformar as pessoas no animal. O caso aconteceu no último sábado (23).

Na última semana, eles foram vacinados contra a Covid-19 e, após receberem a primeira dose da vacina CoronaVac, postaram as fotos em tom de brincadeira. A Prefeitura de Várzea Paulista não informou o número de funcionários que foram advertidos.

Após a repercussão negativa do caso, a prefeitura publicou em seu site oficial um parecer explicando o caso.

Você viu?

“Alguns funcionários da UPA que trabalham no enfrentamento ao coronavírus foram vacinados nessa semana e após isso, publicaram em suas redes sociais particulares fotos de uma brincadeira que vem sendo feita em vários lugares do país. Os funcionários foram advertidos pela diretoria do ISSRV (Instituto Social Saúde Resgate à Vida), se desculparam e retiraram as postagens. A Unidade Gestora de Saúde reiterou que essas brincadeiras são desaconselhadas e aprovou a advertência dada aos trabalhadores”, diz um trecho do texto.

Após a advertência, todos os funcionários se desculparam e apagaram as postagens de suas redes sociais.

A brincadeira, que está sendo feita na internet, remete à declaração dada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em dezembro de 2020,  que insinuou que vacinas contra a covid poderiam transformar brasileiros em jacarés.

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