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Opinião

TONINHO DE SOUZA – Jovem e sonhador

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Esta quarta-feira amanheceu quente, como de costume na minha querida Cuiabá. Como sempre faço assim que acordo, às 05h da manhã, orei e depois olhei pela janela por alguns instantes refletindo sobre como seria o meu dia antes mesmo de sentir o cheiro do café vindo da cozinha. Meus pensamentos se voltaram para uma situação que preocupa o país e não apenas Mato Grosso. Não poderia ter sido diferente. O Dia Internacional do Jovem Trabalhador, comemorado hoje, foi a motivação para a meditação de rotina.

Tive que retornar no tempo para compreender o que ocorre atualmente com parte dos nossos jovens. Quando deixei Planalto da Serra, há cerca de 40 anos, o choque da mudança não foi tão impactante, pois, Cuiabá ainda era pacata, os carros pernoitavam nas frentes das casas e passar o fim da tarde sentado numa cadeira na calçada era quase que obrigação. Outros tempos aqueles. Com apenas 16 anos, mal havia desfeito as malas e eu já iniciava a minha carreira na comunicação como repórter esportivo de rádio.

A afinidade pela política nasceu com o Jornalismo e começou na metade dos anos 1990 quando ocupei o cargo de Secretário de Comunicação da prefeitura de Várzea Grande no mandato do ex-prefeito Nereu Botelho. Já a experiência na Câmara de Cuiabá não começou como vereador, como alguns acreditam. Foi bem antes, quando assumi a Secretaria de Comunicação a convite do até então presidente da Casa, o ex-vereador Luiz Marinho, que posteriormente também se elegeu deputado estadual.

Desde janeiro de 2009 me tornei um dos 25 parlamentares da Câmara Municipal com grande visibilidade. Por conta disso fui aplaudido e também questionado. Ser enquerido não me incomoda. Sempre respeitei oposições e as críticas até ajudam. O triste é receber ofensas, principalmente pelo anonimato das redes sociais. Enfim, como disse Nelson Rodrigues, “toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”. Com base nessa premissa me mantive com o espírito sempre aberto ao diálogo.

Certamente, esses foram alguns dos requisitos que me mantiveram firme com três mandatos de vereador. Em 2016 fui o mais votado da capital e de todo o estado, com quase 6 mil votos, confirmando a minha escolha. Foi a votação mais expressiva para uma vaga na Câmara Municipal. Em 2018, obtive mais de 17 mil votos para uma vaga na Assembleia Legislativa. Agora, distante daqueles 16 anos de idade me considero vencedor.

Se tivesse que fazer tudo de novo eu o faria. Aqui está o nó que se formou em meus pensamentos. Talvez, pela imersão, o café tenha descido pelando a garganta, mas não atrapalhou seguir além imaginando como será o amanhã. Fiz parte do contingente de jovens não beneficiados pelo cenário de recuperação do emprego formal e de redução da informalidade, característico dos anos 2004 a 2008. Não me importei. Sonhei e busquei o meu lugar, apesar de sentir fortemente as dificuldades que todos os jovens da minha época sentiram com as mudanças econômicas e sociais das décadas de 1980 e 1990. Mas venci, com determinação e persistência.

Penso que para a juventude a exposição contínua à violência de todas as formas, o acesso ao emprego e educação escolar e profissional são alguns dos desafios da atualidade. É lógico que esse cenário não é exclusividade do mais jovens, mas é entre eles que a situação se aprofunda e compromete o presente e o futuro. Há, ainda, as desigualdades que também preocupam. Em 2010, segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo entre jovens negros (3,4%) era duas vezes maior do que entre os brancos (1,4%). A disparidade também era grande entre os alunos de 15 a 17 anos: somente 43,5% dos jovens negros nessa idade frequentavam o Ensino Médio, contra 60,3% dos brancos. Pouco coisa mudou na última década.

Fiz parte dessa juventude caracterizada por heterogeneidade e desigualdades, mas não desisti. Só consegui colar grau no Ensino Superior em 1991, aos 28 anos. Atualmente, como deputado estadual em exercício na vaga do deputado licenciado Eduardo Botelho (DEM), refiz a minha trajetória antes do último gole de café, já quase frio. Afinal, foram quase dez minutos olhando a xícara e pensando. Já são mais de 30 anos trabalhando como jornalista e não penso em parar tão cedo. A Comunicação Social amadureceu a minha compreensão sobre a vida, a rotina urbana, sobre os desafios de uma Cuiabá que não para de crescer e sobre a sociologia tão miscigenada que moldou a nossa gente.

Enquanto deputado estadual, estou assumindo bandeiras como a segurança pública, agricultura familiar e saúde, principalmente. No entanto, apesar do avanço observado nos últimos anos em relação a juventude, o tema passou a constar na minha agenda parlamentar, especialmente quando considerada a juventude de origem simples, além de fatores de gênero e cor. Vejo a questão do emprego como uma demanda pública de grande envergadura e vou defender essa bandeira, pois o mercado de trabalho só é competitivo para os profissionais qualificados.

Em 2019, aos 52 anos de idade, os sonhos continuam mantendo o desejo de alcançar aquilo que almejo e que pode nos trazer alegria. Penso que um sonhador tem que ser persistente e só se contentar quando ver seus sonhos realizados. A própria Bíblia me ensina: “Há esperança para o teu futuro” (Jeremias 31:17). Deus gosta dos sonhadores. Eu gosto de Deus!

Toninho de Souza é Jornalista, vereador por Cuiabá pelo terceiro mandato consecutivo pelo PSD e deputado estadual em exercício

 

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Opinião

JOSÉ WENCESLAU – O efeito nocivo da alta carga tributária

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Os mato-grossenses estão fechando o mês de setembro pagando mais de R$ 22 milhões em tributos aos governos federal, estadual e municipal. Entre tantos encargos impostos ao cidadão e às empresas, destaca-se o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), que detém a maior arrecadação. Desde janeiro deste ano, passou a vigorar a nova regulamentação do ICMS no estado e isso tem pesado no bolso de toda a população.

O aumento deste tributo foi instituído pelo governo estadual, por meio da Lei Complementar 631/2019. Na época, A Fecomércio-MT, juntamente com outras entidades que representam o setor produtivo do comércio, se posicionou de forma totalmente contrária e, inclusive, entregou ao governo uma proposta de expansão econômica como alternativa para alavancar a arrecadação do estado sem aumentar a carga tributária, mas infelizmente, não foi atendida.

O estudo, que foi elaborado pela equipe econômica-tributária das entidades envolvidas, ressaltou, ainda, que o aumento de impostos ampliaria a crise, pois as empresas do comércio local sofreriam ainda mais com a concorrência provocada pelo uso crescente do comércio eletrônico, além da concorrência com estados vizinhos, que possuem menor carga tributária.

Para se ter uma ideia, de todo o ICMS arrecadado em Mato Grosso 66% vem do setor do comércio de bens, serviços e turismo. Somente em 2018, essa arrecadação rendeu aos cofres públicos estaduais R$ 6,7 bilhões. Com a alteração do cálculo e da alíquota do imposto a partir deste ano, produtos do comércio tiveram aumentos do valor cobrado de ICMS entre 10% e 42%, ou seja, o mais prejudicado com esta alta é o consumidor final.

Além desta conjuntura extremamente desfavorável, em 2020 tivemos que aprender a conviver com a pandemia da Covid-19, que trouxe danos irreparáveis na área da saúde e também da economia. Contudo, apesar de todos os prejuízos, seis estados tiveram aumento na arrecadação no primeiro semestre deste ano, sendo que Mato Grosso liderou a lista com 15,17%. A alta foi tão elevada que comparando com o segundo lugar da lista, que foi Mato Grosso do Sul com 5,56%, o aumento foi praticamente três vezes maior.

Diante desse cenário, podemos concluir que caso a carga tributária não seja urgentemente revista, acreditamos que as lojas físicas comerciais correm um grande risco de se tornarem showrooms, ou seja, apenas um espaço para a exibição de produtos. O processo de digitalização foi acelerado pela pandemia e, diante desse aumento de tributos, os clientes buscam preços mais acessíveis, então vão às lojas físicas, tiram fotos dos produtos com seus smartphones e compram pela internet.

Com isso, todos perdem: o setor privado, que deixa de contribuir; o estado, que deixa de arrecadar e põe em risco até o pagamento dos salários dos servidores públicos, e a população em geral, pois o comércio é o grande empregador formal, gerando emprego e renda. Os negócios têm sido desafiadores, pois os comerciantes estão tendo que rever suas estratégias para enfrentar as mudanças ocasionadas pelo mundo digital, mas lidar com a alta carga tributária imposta pelo governo é o maior desafio e que, futuramente, poderá ter um efeito devastador para toda a sociedade.

José Wenceslau de Souza Júnior é presidente da Fecomércio, Sesc, Senac e Sindcomac em Mato Grosso, e comerciante há mais de 40 anos.

E-mail: [email protected] 

 

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Opinião

FABRÍCIO CARAN VIEIRA – Os desafios de ser um farmacêutico nesta nova realidade!

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Nos dias atuais os profissionais farmacêuticos são de extrema importância no tratamento do Covi-19. No dia 25 de setembro comemoramos o Dia Internacional do Farmacêutico, o que falar desta profissão?

Neste ano, tivemos um cenário totalmente atípico, o que possibilitou aos profissionais farmacêuticos mostrarem a sua importância para com a saúde da população. Não que durante todos esses anos, não fazemos isso. Mas, a população pode verificar que o farmacêutico é o primeiro agente de saúde que eles procuram. Por isso, tivemos um papel de destaque em diversas áreas de nossa atuação.

Na farmácia comunitária nos colocamos na linha de frente ao combate do coronavírus, sanando as dúvidas da população, realizando o manejo dos medicamentos. Além disso, orientamos a sociedade sobre o perigo da automedicação, prevenindo e amenizando as reações adversas aos medicamentos que tão importante foram nos momentos dessa grave crise que vivemos.

Nos hospitais nos colocamos frente a frente com a pandemia, cuidando para que nada faltasse, orientando a todos, sejam profissionais da saúde ou pacientes para a melhor forma de utilizar a farmacoterapia disponível.

Tivemos papel de destaque nas pesquisas sobre o mal que nos assolou, mostrando o quão importante e preparados estamos para ajudar em novas descobertas, desenvolver vacinas e estabelecer tratamentos cada vez mais eficazes.

Ainda vivemos uma situação preocupante na saúde mundial, o que nos leva a necessidade de constantes atualizações, passamos por inúmeras mudanças nas Leis e Normas. Mesmo assim, tivemos que nos adaptar e criar novas formas de atender e dar atenção à população em meio uma pandemia, investindo em plataformas de treinamentos virtuais, participando de desenvolvimentos de plataformas para prescrição e dispensação eletrônica de medicamentos com a finalidade de facilitar o acesso aos medicamentos dos mais diversos grupos populacionais.

Por fim estamos em constante mudança, cada vez mais a sociedade descobre a importância do profissional farmacêutico no cuidado a saúde da população mundial. A cada dia temos a obrigação de crescermos como profissionais e seres humanos, precisamos estar o tempo todo evoluindo e buscando atualizações e novos conhecimentos sempre em prol de servir a população da melhor maneira possível.

Tenho muito orgulho de ser um desses profissionais e sinto-me honrado por poder chamar os farmacêuticos de colegas de profissão!

Parabéns a todos os Farmacêuticos, que se desdobraram para cuidar da população e também da sua própria família. Parabéns a todos os profissionais farmacêuticos do Estado de Mato Grosso!

*Fabrício Caram Vieira é farmacêutico formado pelo Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG), possui curso de extensão em psicofarmacologia pela USP, é pós-graduando em Farmácia Clínica, pela Faipe. Diretor tesoureiro da Sociedade Brasileira de Farmacêuticos e Farmácias Comunitárias (SBFFC).

 

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