Acordei desorientado sem saber o que fazer após cinco feriados consecutivos — e ainda vem outro na próxima sexta-feira, arrastando o sábado e o domingo.
É curioso como os feriados interferem em mim!.
Estou aposentado, com filhos criados, não saio mais de casa, e o único compromisso que tenho é não fazer nada — a não ser escrever uma crônica para o meu blog.
Mesmo assim, sinto-me envolto nesse clima de feriado.
E como ele me afeta.
Assim como tudo passa, porquê não passa esse meu sentimento com relação aos feriados?.
Feriado é um dia triste, quase melancólico.
Falta-lhe a pujança dos dias úteis, que nos trazem emoções e cobranças: da mensalidade da Academia de Medicina ao boleto do Instituto dos Cegos.
Com as funcionárias, comunico-me por campainhas eletrônicas — uma no meu escritório, outra na copa.
Nos feriados, bastam alguns decibéis a mais. O silêncio ajuda.
Até a sessão de fisioterapia feita num feriado é diferente. Sinto-me mais relaxado do que nos dias normais.
O fisioterapeuta me relata sobre o quadro sanitário da cidade: uma calamidade. Focos de pneumonia ocupam leitos hospitalares.
Enquanto isso, discute-se o nome para o novo Hospital Central do Estado. Esse debate voltará com certeza, no próximo feriadão.
Da entrega da obra física até a primeira internação, na melhor das hipóteses, levaremos dois anos.
Projeto de mobiliário, aquisição de equipamentos, contratação de profissionais da saúde e servidores — tudo isso leva tempo.
Sem falar nos recursos financeiros para o funcionamento adequado.
Hospital é uma empresa dentro de várias empresas, e a sua administração é altamente complexa — ainda mais sendo uma unidade de referência no Estado.
Enquanto isso, seguimos enfrentando feriados no nosso cotidiano.
Gabriel Novis neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretáro de Estado