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Educação

Tema da redação do Enem surpreende professores

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O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano pegou professores de surpresa. Muitas apostas eram nas áreas da saúde, meio ambiente, educação e tecnologia. O tema escolhido é Democratização do acesso ao cinema no Brasil. A prova é aplicada neste domingo (3) junto com linguagens e ciências humanas. 

O tema foi divulgado após às 13h30, no horário de Brasília, quando o exame começou a ser aplicado em todo o país. “Eu achei totalmente inesperado, totalmente fora do que a gente estava imaginando”, disse a professora de redação do Colégio Mopi, no Rio de Janeiro, Tatiana Nunes. “Não estava no rol das grandes apostas que os alunos estavam comentando, e isso pode gerar certa ansiedade, mas acho que é um tema legal e acessível ao jovem, algo do tempo dele”, complementa a professora de redação do curso online Descomplica Carol Achutti. 

Para o professor de redação do ProEnem, plataforma online de preparação para o exame, Romulo Bolivar, no entanto, o tema não surpreende “quem está se preparando há algum tempo para o Enem, que tem o perfil de cobrar temas atuais, sociais, relacionados à realidade brasileira e que não são moralmente polêmicos”. O tema da redação, segundo o professor, é escolhido no primeiro semestre do ano. 

“Eu acho que é um tema interessante, é bem interessante pensar essa questão cultural no Brasil, principalmente com as questões recentes que vêm acontecendo. Acho que é um tema que tem bastante coisa a ser discutida”, diz a professora do Colégio Seriös, em Brasília, Jade Nobre. 

A redação do Enem deve ser do tipo dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, desenvolvida a partir da situação-problema proposta e de subsídios oferecidos pelos textos motivadores. Os textos motivadores ainda não foram divulgados. Redações com menos de sete linhas recebem nota zero, assim como as que reproduzem integralmente trechos dos textos motivadores e de itens do Caderno de Questões.

Um texto dissertativo-argumentativo deve ser opinativo e organizado para a defesa de um ponto de vista. A opinião do autor deve estar fundamentada com explicações e argumentos.

Na opinião dos professores, dependendo conforme o que for pedido na prova e nos textos de apoio, os estudantes podem tratar, por exemplo da expansão do cinema por canais da internet. Podem também tratar de incentivos à cultura e de fechamentos de salas de cinema. 

“É bom a gente lembrar que em alguns lugares, em alguns centros urbanos do país, tem-se acesso bem fácil ao cinema, com shopping centers, promoções, acesso mais barato para idosos e estudantes. Mas, em muitas cidades, não há sequer uma sala de cinema”, destaca Bolivar.

De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), a Região Sudeste concentra 52% de todas as salas de cinema do país. Ao todo, o Brasil tem 3.347 salas de cinema, das quais 373 são salas de rua. Os dados são do Informe Salas de Exibição 2018, que apontou naquele ano um crescimento de 3,8% do parque exibidor em relação a 2017.

Segundo Tatiana, dependendo da orientação da prova, é possível também abordar a questão da acessibilidade a pessoas com deficiência e também o incentivo ao cinema brasileiro. “Se o tema tiver falando de questão da acessibilidade, pode-se pensar na necessidade de empresas que detêm esse tipo de entretenimento darem condições para as pessoas com deficiência terem acesso aos cinemas. Também pode-se pensar na valorização do cinema brasileiro, porque nosso cinema ainda é muito visto como sendo menor [que o estrangeiro].”

A aplicação do Enem vai até as 19h, no horário de Brasília. O exame segue no próximo domingo, quando os estudantes fazem provas de matemática e ciências da natureza. 

Veja os temas da redação de edições anteriores:

Enem 2009: O indivíduo frente à ética nacional

Enem 2010: O trabalho na construção da dignidade humana

Enem 2011:  Viver em rede no século XXI: Os limites entre o público e o privado

Enem 2012: O movimento imigratório para o Brasil no século XXI

Enem 2013:  Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil

Enem 2014: Publicidade infantil em questão no Brasil

Enem 2015: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

Enem 2016: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil e Caminhos para combater o racismo no Brasil – Neste ano houve duas aplicações do exame.

Enem 2017: Desafios para formação educacional de surdos no Brasil

Enem 2018: Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet

Edição: Nádia Franco

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Educação

Campanha #CientistaTrabalhando chama atenção para processo científico

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Chamar a atenção para o processo científico em meio à pandemia do novo coronavirus é um dos objetivos da campanha #CientistaTrabalhando, lançada nesta quarta-feira (8), Dia Nacional da Ciência. A data marca a fundação, em 1948, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A campanha é promovida pelo Instituto Serrapilheira, voltado para o fomento à ciência e à divulgação científica no Brasil, e a agência Bori, que busca criar uma ponte entre os cientistas brasileiros e a imprensa.

Segundo a diretora de Divulgação Científica do Serrapilheira, Natasha Furlan Felizi, por causa da pandemia, há uma grande saturação do assunto ciência como debate público, mas, depois de alguns meses de discussão do tema, existem também demonstrações de falta de conhecimento da sociedade sobre o processo científico. “Porque há muita gente que se manifesta contra a ciência, achando que a ciência é incapaz de produzir consenso sobre os medicamentos, tratamentos adequados, ou mesmo por causa da ‘demora’ em produzir uma vacina”, disse Natasha em entrevista à Agência Brasil.

O tema ganhou grande visibilidade por causa da pandemia, mas, ao mesmo tempo, há uma reação negativa por desconhecimento de como funciona a ciência, de quanto tempo leva e de quanto debate requer esse processo, observou Natasha. “Então, o objetivo da campanha é chamar a atenção para isso, para como se dá de fato o processo, como a ciência de certa forma é um processo democrático também, no qual muitas vozes cooperam para construir esses consensos que, às vezes, levam anos e décadas para serem estabelecidos.”

Ciência no dia a dia

Natasha enfatizou que a ciência precisa estar no debate público também como um retrato do processo que ela envolve, e não somente como a comunicação de resultados. “Do mesmo jeito que se  discute política todo dia, as pessoas deveriam, de alguma forma, discutir ciência todo dia”. A ideia é refletir sobre como a ciência está presente no dia a dia da população, independentemente de haver uma pandemia.

A iniciativa da campanha partiu da comunidade de divulgadores científicos dos campi do Serrapilheira, que não são vinculados formalmente ao instituto, embora já tenham participado dos processos seletivos deste e se reúnam em um fórum de debate. Cada uma dos divulgadores ativou seus contatos nas redes sociais para construir o movimento.

Do lado do Serrapilheira, em parceria com a agência Bori, veículos da imprensa e colunistas, foi feito o pedido para que o espaço das colunas de vários assuntos nos jornais, revistas e redes sociais fosse cedido para o debate sobre a ciência: “fosse na forma de ocupação mesmo da coluna por um cientista que não é o autor da coluna ou pelo próprio colunista escrevendo sobre o tema”.

A ação começou nesta quarta-feira e vai ser operada ao longo de todo o mês de julho. Até agora, mais de 20 colunistas confirmaram a cessão do espaço ou estão produzindo conteúdo sobre o processo científico. A mensagem da campanha é que ciência é um processo e, para chegar a resultados, precisa de tempo, investimento e diálogo.

Fundo de Desenvolvimento

O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), físico Luiz Davidovich, aproveitou o Dia Nacional da Ciência e conclamou todos os setores da sociedade brasileira a se juntarem às instituições que compõem a Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br), em defesa da recuperação econômica do país.

A campanha objetiva a liberação de R$ 4,6 bilhões que estão contingenciados e que compõem o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FNDCT). Os recursos são originários de impostos pagos por empresas para o desenvolvimento de pesquisa e inovação em suas respectivas áreas de atuação.

Em nota, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações informou que a gestão do FNDCT é atribuição da pasta e que o fundo é operado pela Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), vinculada à pasta.

“No combate à covid-19, a liberação do FNDCT vai contribuir para reduzir os impactos do problema,” afirmou o ministro Marcos Pontes. “Esses recursos certamente vão ajudar na recuperação do país sendo gerenciados pelo MCTI.”

A nota acrescenta que o ministério acompanha a tramitação do Projeto de Lei (PL) 3.610, de 2020, apresentado em 2 de julho pela deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), “que dispõe sobre a autorização de transposição, remanejamento e transferência entre categorias do FNDCT, com o objetivo de aprimorar o uso do fundo. Não havia se posicionado sobre a campanha pela liberação dos recursos do FNDCT”.

Edição: Nádia Franco

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Educação

Covid-19: aulas no DF não retornarão no início de agosto

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As aulas da rede pública do Distrito Federal não vão começar no dia 3 de agosto, data estabelecida em decreto editado pelo governador Ibaneis Rocha. A decisão foi anunciada após reunião entre o governante e o Sindicato dos Professores hoje (8).

A autorização da retomada das aulas presenciais foi definida na semana passada em decreto assinado pelo governador. A volta às aulas presenciais fazia parte do processo de reabertura total divulgado pelo governo do DF. Segundo o calendário, no dia 27 de julho ficariam autorizadas a funcionar as instituições privadas. No dia 3 de agosto seria a vez das escolas públicas.

O cronograma previa a retomada das séries maiores às menores. Assim, as primeiras seriam as turmas de ensino médio, baixando para a educação infantil. As creches não podem reabrir por decisão judicial.

Foi acertado um processo de construção de um plano de retorno às aulas. Na sexta-feira (10) será realizada uma reunião entre representantes de trabalhadores do setor e a Secretaria de Educação para discutir o planejamento.

“Vamos fazer o debate respeitando protocolos, tudo aquilo que pode dar segurança nesse processo”, disse a diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), Rosilene Correa, em vídeo divulgado nos canais da organização nas redes sociais.

Em nota, o governo do DF afirmou que o retorno será “gradual e seguro” e que não está “previsto especificamente para esta data” o início das aulas presenciais. Na reunião com o Sinpro-DF, Ibaneis afirmou que o decreto autoriza o retorno, mas que isso não significava necessariamente a presença dos alunos nas escolas nessa data.

No caso da rede privada, o decreto permitiu o retorno a partir do dia 27 de julho, mas a definição acerca de aulas presenciais será de cada instituição de ensino. Caberá às escolas apenas respeitar as obrigações sanitárias de prevenção e mitigação da transmissão do novo coronavírus.

Edição: Fábio Massalli

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