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Opinião

SÉRGIO CINTRA – Invisibilidade social

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O tema da redação Enem/ 2021 (1ª aplicação) foi: “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil”.  Como afirmei, em live, no último sábado: – Os textos motivadores têm, entre outras funções, o objetivo de delimitar sobre o que se deve e escrever e, simultaneamente, gerar um ambiente que provoque reflexão sobre o tema. Muitos alunos relataram certa dificuldade em desenvolver essa redação, isso ocorreu não apenas pelo desconhecimento a respeito do assunto como também por não saber usar os textos motivadores para gerar repertório sociocultural produtivo.

Em um mundo cada vez mais individualista, é difícil olhar para o outro, principalmente se o outro estiver à margem da sociedade. Se não se consegue sentir o drama de parte significativa da sociedade (marginalizada); imagine estabelecer relações entre o Brasil do  passado e o do presente, entre a escravidão e as sequelas por ela impostas a milhões de pessoas, entre o comportamento cultural (do não lugar) e a legislação vigente (que desde 1997 garante gratuidade no acesso à certidão de nascimento), por exemplo.

Além disso, como dito anteriormente, os textos motivadores servem, portanto, para situar, motivar, inspirar e contextualizar os participantes em relação ao tema. Este ano, o Inep trouxe quatro textos de apoio (como prefiro chamá-los): o primeiro, um trecho da tese de doutorado de Fernanda Melo Escóssia que propõe uma etnografia da invisibilidade social (observe que o termo “etnografia” – estudo descritivo de etnia – está nos créditos do texto; o segundo, estima a quantidade de pessoas não cidadãs por conta da falta de documentos, primordialmente a certidão de nascimento; o terceiro, creditado ao Senado, discorre sobre a importância da certidão como instrumento de inclusão e de cidadania; o quarto, mescla linguagem verbal e não verbal, retirado e adaptado de www.ufgs.humanista. (sic), o gênero textual é o cartaz, traz  a seguinte frase: “Onde existem pessoas, nós enxergamos cidadãos”, assina a peça publicitária “Defensoras e defensores públicos pelo direito à documentação pessoal”. Dessa maneira, as ideias contidas nos motivadores, se bem identificadas e relacionadas a repertórios de mesmo eixo temático,  conduziriam os partícipes à identificação da problematização: a invisibilidade causada pela falta do registro civil tendo, para mais de três milhões de brasileiros, como consequência o “não existir” nem para o Estado e suas políticas públicas nem para a sociedade  nem para si.

Em 1948, a ONU, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 6º, exarou: “Todo ser humano tem o direito, em todos os lugares, de ser reconhecido como pessoa perante a lei”. Infelizmente, mais de sete décadas depois, o Estado e a sociedade brasileira negam (porque ao não ter ações eficazes que erradiquem essa mazela social, negam) à parcela significativa de nossa gente um direito elementar: ter o registro civil. E como cantou, relatando poeticamente essa invisibilidade social, o poetinha Vinicius de Moraes, em 1975: “O meu vizinho do lado/ Se matou de solidão/ Ligou o gás, o coitado/ Último gás do bujão/ Porque ninguém o queria/ Ninguém lhe dava atenção/ Porque ninguém mais lhe abria/ As portas do coração/ Levou com ele seu louro/ E um gato de estimação// Há tanta gente sozinha/ Que a gente mal adivinha/ Gente sem vez para amar/ Gente sem mão para dar/ Gente que basta um olhar/ Quase nada/ Gente com os olhos no chão/ Sempre pedindo perdão/ Gente que a gente não vê/ Porque é quase nada// Eu sempre o cumprimentava/ Porque parecia bom/ Um homem por trás dos óculos/ Como diria Drummond/ Num velho papel de embrulho/ Deixou um bilhete seu/ Dizendo que se matava/ De cansado de viver/ Embaixo assinado Alfredo/Mas ninguém sabe de quê” e, oxalá, agora os “Alfredos” e  “Alfredinas” possam se tornar visíveis e terem sua cidadania efetivada em uma simples certidão de nascimento.

Sérgio Cintra é professor de Linguagens e de Redação.

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Opinião

ANDERSON NOGUEIRA – Tecnologia como aliada dos pets

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Um tema que comumente aparece nas redes sociais e nos aplicativos de mensagem como pedido de ajuda é quanto ao desaparecimento de animais domésticos. Os pets se perdem por inúmeros fatores, incluindo incidente na hora do tutor sair de casa, falta de dispositivos de segurança adequados ou até mesmo em um ato de violência, a exemplo roubo ou furto.

Quem já teve um animal desaparecido conhece o tamanho do desespero. Isso porque, não importa o tamanho do engajamento para localizar o pet, há casos em que não há solução.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o Brasil tem mais de 30 milhões de animais nas ruas, sendo aproximadamente 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos. Dentro desta estatística somam-se os que nasceram nas ruas e, boa parte deles, foi abandonada ou se perdeu e nunca mais foi encontrada pelos tutores.

Uma das maneiras de evitar o sumiço do animal é colocar a identificação na coleira do pet. E para isso, a tecnologia é uma aliada. Em Cuiabá, já tem disponível esta ferramenta, por meio da Tag QR Code, que serve como localizador do animal.

Por meio desta ferramenta é possível inserir dados do pet (nome e informações vacinais) e do dono (contato telefônico). A coleira especial serve para cães e gatos e o encaixe da coleira é seguro e não sai com facilidade.

De posse do registro do tutor e do pet, a coleira está apta para marcar a geolocalização do animal (informações geográficas) e, em caso de desaparecimento, o proprietário é notificado se alguém acessou informações contidas na ferramenta. Todo o histórico da saúde do animal, consultas, vacina, cirurgia, dentre outras informações, ficam registrados na ferramenta.

A leitura da Tag de QR Code pode ser feita por qualquer dispositivo apto para esta tecnologia. E o melhor de tudo, essa ferramenta é acessível e proporciona mais segurança para os animais e os tutores.

Anderson Nogueira é médico veterinário há mais de 15 anos e atende na Clínica Veterinária Mato Grosso. 

 

 

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Opinião

VANESSA MORAES – O que favorece minha saúde auditiva?

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Alguns hábitos que envolvem a saúde auditiva são mais simples do que podemos imaginar. Porém, eles devem ser diários!

Seguem alguns para já colocarmos em prática desde já:

– Monitore os volumes dos sons da TV, da música, nunca deixando as pessoas ao seu redor escutar o som de seus fones. Limite o tempo de uso, quanto maior o volume, menor deverá ser  tempo de exposição;

-Faça a limpeza correta de seus ouvidos: com o dedo e uma toalha. O uso de cotonete é indicado para limpeza do nariz;

– Utilize protetor de som quando tiver que se expor a ambientes com ruídos excessivos. Isso até pode ser considerado um exagero, mas até mesmo uma exposição esporádica pode matar a célula auditiva;

-Faça os tratamentos adequadamente para infecções, otites, gripes até o final. Quando mal curadas podem levar a perda auditiva e também a outras complicações;

-Evite ficar muito tempo ao telefone, não somente pela intensidade do som, como também pelas ondas eletromagnéticas emitidas pelo aparelho que causam risco à saúde;

-Realize consultas periódicas com um otorrinolaringologista. Desconforto como zumbido e diminuição da audição merecem uma avaliação mais precisa.

-Alimente-se de forma saudável de 4 a 6 vezes por dia e evite o excesso de cafeína e alimentos muito doces ou muito salgados. Tome bastante água e pratique atividade física regularmente. As vitaminas B12, B9, A, C e E encontradas em alimentos saudáveis são essenciais para a manutenção da acuidade auditiva;

-Rejeite medicamentos sem prescrição. Alguns são prejudiciais e seu uso indiscriminado pode levar a perda auditiva irreversível como também ser nocivo à saúde do corpo em geral;

-Tenha momentos de silêncio. Possibilite descanso aos seus ouvidos. O ideal é que esses “repousos sonoros” sejam feitos de 1 a 2 vezes por dia.

As lesões auditivas ocorrem de maneira lenta e gradual e muitas vezes podem ser irreversíveis. Por isso, ao menor sintoma, faça um exame de audição.

Vanessa Moraes é audiologista – @fonovanessamoraes

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