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Opinião

SÉRGIO CINTRA – Gratias maximas tibi ago

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Nos últimos tempos, diante dessa hecatombe que é a pandemia, pensei que, por ser do grupo de risco, caso contraísse a “peste”, não sobreviveria. Pra quem acreditava piamente que seria tragado pelo coronavírus; quase virei adubo por conta de um acidente automobilístico. Mas o objetivo desta missiva não é relatar o sinistro (muito bem o fizeram os meios de comunicação social da Cidade Verde); todavia, pretendo tentar, mesmo que de forma imperfeita e particular, externar minhas percepções e sensações pós-acidente.

Antes de falar do fatídico e seus desdobramentos, é mister que eu agradeça e pretendo fazê-lo sem nomear ninguém. Não seria justo. Do meu núcleo familiar até amigos e grupos de WhatsApp, passando pelo excelente atendimento dos profissionais da saúde do Pronto Socorro de Cuiabá e do Hospital Santa Rosa; como não destacar a rapidez e eficiência do SAMU; como não agradecer os inúmeros amigos que se predispuseram a ficar comigo no hospital, e a preocupação dos colegas do TCE, em especial da presidência, de muitos servidores e de alguns deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, de alguns edis da Câmara Municipal de Cuiabá, de centenas e centenas de professores da capital e do interior, alunos e ex-alunos aos borbotões, da Prefeitura de Cuiabá, de amigos espalhados em diversos estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, além do Distrito Federal, de amigos virtuais (Facebook, Instagram e WhatsApp) e de amigos físicos de tempos imemoriais, de inúmeros  jornalistas que labutam em diversos veículos de comunicação social. Enfim, a palavra Solidariedade adquire novas nuanças. Bom saber-se estimado, admirado, respeitado e querido; Portanto, muitíssimo obrigado pelas demonstrações de apreço, de consideração e de presteza. Nenhuma palavra é suficiente para expressar minha gratidão: Gratias maximas tibi ago.

Durante o tempo em que estive hospitalizado, conversei bastante com meus filhos e com alguns amigos sobre vários assuntos, além de ler um pouco (só não mais porque os olhos foram afetados: diplopia); após as cirurgias na face, tive alta e ainda estou em casa me recuperando, também tive muito tempo para pensar sobre a maneira como vivemos e corroborei algumas conclusões: 1. A vida é frágil: em um segundo estamos rindo e no segundo seguinte podemos estar mortos; 2. O Acaso (peirciniano) deve ser considerado, como diria o poeta marginal Paulo Leminski: “atrasos do acaso/ cuidados/ que não quero mais// o que era pra vir / veio tarde/ e essa tarde não sabe/ do que o acaso é capaz”; 3. O bom combate deve ser o nosso norte, não é necessário um princípio divino ou metafísico para termos atitudes altruístas: basta que pensemos sobre o mundo que recebemos e que mundo queremos deixar para as próximas gerações; 4. Carpe diem, literalmente “colhe o dia”, sim… aproveite a vida: sorria mais; chore menos, diga mais “nós” e menos “eu”, divida mais e some menos, enfim, alastre alegrias e  contenha tristezas. Atitudes fáceis de se colocar em prática e, infelizmente, tão ausentes nesse mundo cada vez mais distópico.

Dias antes dessa desventura, estava eu em um supermercado finalizando uma compra, evidentemente no caixa para idosos, quando duas garotinhas, de doze ou treze anos, sorridentes, felizes e desatentas, entraram na fila, logo atrás de mim, para passar um pacote de biscoitos, olhe bem, apenas um pacotinho de biscoitos; nisso, chegou um senhor, mau humorado, de voz grave e áspera, indagando de maneira rude as duas  jovens: – Vocês são preferenciais?! Ambas olharam assustadas para ele e saíram rapidamente e muito envergonhadas. Claro que elas nem perceberam que estavam em um caixa preferencial. Será que aquele senhor (aliás, continuou com grosserias com as funcionárias) não poderia  esperar um ou dois minutos e ter deixado aquelas menininhas pagarem o pacote de bolachas? Não, “Dura lex, sed lex”! São essas atitudes tacanhas, mesquinhas e avaras que tornam a existência tão pobre. Como diria Parmênides: “Ex nihilo nihil fit”, em tradução livre, “Nada vem do nada”, ou seja, pobre senil que precisa exteriorizar sua casmurrice mastodôntica contra duas crianças felizes e ingênuas e por quê? Simplesmente por que a existência dele foi inócua e infeliz. Façamos nossos dias mais ditosos para quando chegar a hora derradeira possamos dizer: – Mais semeie do que colhi e só por isso já valeu a pena…

Sérgio Cintra é professor de Linguagens e de Redação.

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Opinião

MARIA RIBEIRO – Será que sou dependente das telas?

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A vida moderna nos trouxe novos desafios. E a tecnologia nos trouxe como resultado de seus avanços uma triste realidade. Estamos produzindo cidadãos com dependência em tecnologia, e principalmente uma geração de dependentes de telas.

A digitalização que caracteriza a sociedade atual está afetando o estilo de vida adotado pelas novas gerações. Do nascimento à morte somos inundados por uma infinidade de dispositivos eletrônicos que não estão sendo tratados como ferramentas, e sim como comandantes de nossas decisões.

Se pensarmos do ponto de vista clínico, a Dependência Tecnológica é quando o indivíduo não consegue controlar o próprio uso das telas, ocasionando sofrimento e prejuízo significativo em diversas áreas da vida.

Mas não é o que todos nós estamos fazendo? Hoje os smartphones, PC, tables, e TVs passaram de suas funções iniciais de comunicação para um mix de ferramentas que estão saqueando mais a atenção do que servindo para melhorar nossas rotinas.

Diante desse cenário, como saber se sou dependente de telas? De cara, é bom lembrar que a dependência em tecnologia é uma patologia, e somente um médico e/ou psicólogo pode diagnosticar.

Mas, com tantos dispositivos à nossa volta, podemos identificar algumas coisas. Como quando seu companheiro não dorme, não come ou deixa de tomar banho porque suas atenções são para a Internet, ou perde o controle da vida porque fica horas em jogos online.

Quando seu filho fica ansioso ou irritado porque o uso da Internet é restringido. E aumenta quando os esforços repetidos por ter uma vida fora do digital são malsucedidos.

E quantas vezes tem colegas de trabalho com medo de ficar fora do mundo tecnológico, e há uma preocupação excessiva se tem sinal, se o 5g funciona, ou se o e-mail já chegou?

Quando nossos avós acham que andam passando mais tempo online do que deveriam. Sim, são as pessoas com mais de 70 anos alguns dos maiores campões em e-sports do mundo.

Em momentos que alguns de nós mente sobre a quantidade de horas conectados e tem necessidade de aumentar o tempo de uso para sentir a mesma satisfação que antes, mas esconde, porque não quer ser taxado de “viciado em tecnologia”.

Quando crianças com amigos virtuais são levados a redes sociais inúteis para fugir de relações empobrecidas, conflitos familiares e isolamento social.

A total falta de interesse de alguns amigos por uma vida real, com emoções que podemos sentir, não somente almejar.

Com líderes com faces distorcidas por tratamentos estéticos, e selfies infinitas em busca de aceitação na rede social para um marketing de propósito, sem mesmo ter um.

E fenômenos da tecnologia, criando metaverso (é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais) para gerações, mas colocando seus próprios filhos em escolas com zero acesso à tecnologia, porque sabe dos malefícios das telas.

As pessoas estão perdendo o controle de suas rotinas e usando o tempo de tela para fugir dos problemas. Sim, estamos todos nós dependente de telas, e nossas relações sociais, afeto e opiniões estão em risco.

Ok! E o que fazemos com tremenda informação?

A primeira delas é colocar regra na vida. A máxima de ter hora para acordar, comer, dormir é a premissa de uma vida com menos telas e mais decisões.

Ah sim, já vou avisando: isso dá trabalho, porque ser melhor, vai exigir que você seja exemplo para os seus filhos, que líderes sejam motivadores de suas equipes, e que famílias comecem a exercitar a melhor ferramenta de comunicação de todos os tempos: a conversa cara a cara. Vamos praticar?.

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e netnografia. Belicosa.com.br

 

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ALFREDO DA MOTA MENEZES – Na eleição do ano que vem

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O barulho eleitoral de 2022 ainda não chegou forte à rua. Mas nas conversas paralelas, aquelas entre amigos e grupos, a coisa anda quente.

A presença de Sergio Moro no cenário é uma das que tem mais comentários. Ninguém duvida que ele seja candidato à presidência e não ao Senado. Já aparece em pesquisa à frente de outros na chamada terceira via, passando inclusive Ciro Gomes.

De quem ele mais tiraria votos, de Lula ou Bolsonaro? É comum ouvir que ele entra mais na seara de Bolsonaro. Moro busca aproximação com o PIB nacional e os militares.

Até que ponto isso pode influenciar ou não na ida do Bolsonaro para o segundo turno também entra nas diferentes avaliações. É aceito que Moro, ou os da terceira via, não tem ainda condições de impedir a ida do presidente para o segundo turno.

Tem opinião de todos os tamanhos sobre Bolsonaro. Que ganha a eleição presidencial e até que ele poderia abandonar a candidatura lá na frente. Os que defendem esse ponto de vista arguem que, se o Bolsonaro chegar ali por junho do ano que vem, sem crescer nas pesquisas, podendo ser derrotado pelo Lula, ele abandonaria a disputa. Difícil ocorrer, mas é um dos argumentos do momento.

Alguns acham que o Lula não será candidato ou que deve aparecer algo na Justiça que impediria sua candidatura.

A maioria das opiniões vai em direção oposta, acredita que ele é candidato mesmo e que herdaria, num segundo turno, a maior parte dos votos dos candidatos da terceira via. Outros torcem para que o seu vice seja mesmo Geraldo Alkmin.

Que isso daria força à candidatura em São Paulo, lugar que Bolsonaro não tem sido muito popular.

Outra conversa é sobre os votos do Nordeste para presidente. Hoje ali o Lula tem boa votação, mostram as pesquisas. Mas com o Auxilio Brasil de 400 reais, muito maior do que se pagava no Bolsa Família, isso poderia alterar o jogo e Bolsonaro encostar no Lula no Nordeste? Grande incógnita para o ano que vem.

Daria tempo, em menos de um ano desse novo auxilio, para mudar o quadro eleitoral no Nordeste? Não esquecer que Lula é nordestino.

A terceira via nessa próxima eleição teria mais votos do que em eleições passadas? A tradição brasileira é a polarização entre duas candidaturas. A do ano que vem não foge à regra, Lula e Bolsonaro serão os nomes dessa vez. Na ultima eleição, com exceção da votação em Marina Silva, outros como Geraldo Alkmin e Henrique Meireles, nomes fortes no canário nacional, tiveram votações raquíticas? Agora seria diferente? Que patamar poderia chegar Moro?

Simone Tebet teria a preferência do voto feminino? Ciro melhora sua votação dessa vez? Como ficaria João Dória com seu PSDB no caminho do racha? Essa terceira via chegaria aos 30% dos votos na eleição 2022? Fato que nunca ocorreu antes.

Pode-se ficar aqui fazendo incontáveis especulações sobre o cenário eleitoral. Aliás, é a melhor parte da conversa sobre política.

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

 

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