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SÉRGIO CINTRA – “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”

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“Viagem à Lua”, de Mèlie, filme mudo do início do século XX, atraiu multidões às “salas” de cinema da época. Isso ocorreu não só pela ideia inusitada mas também pela inovação tecnológica relacionada à captura do movimento. De salas improvisadas e películas de alguns minutos a espaços suntuosos e super produções; todavia, ao se transformar em indústria, o cinema passou a ser regido pelo mercado. Nesse contexto, não restam dúvidas que, ao democratizar o acesso à Sétima Arte, o Brasil não só melhorará diversos indicadores sociais como também aumentará a capacidade de reflexão das pessoas.

Obviamente, se a população tem acesso a espetáculos cinematográficos, pressupõe-se que os demais indicadores de qualidade de vida sejam, no mínimo, satisfatórios. Assistir, por exemplo, ao “Coringa” – lançado recentemente em pouquíssimas cidades brasileiras – o espectador revela bem mais que o interesse pelo tema “depressão”; antes, expõe seu bem-estar, sua condição socioeconômica para desfrutar daquele filme. Assim, ir ao cinema indica que outras necessidades básicas já estejam supridas.

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Além disso, cinema é Arte e como tal gera, necessariamente, reflexão. Chaplin, em “Tempos Modernos”, discute a desumanização. Na mesma seara, o distópico “Ella”analisa a relação homem x robô: filmes produzidos em épocas distintas e com recursos tecnológicos díspares e, ainda assim, capazes de provocar questionamentos na sociedade.

Portanto, indiscutivelmente, é preciso garantir a descentralização desse veículo cultural aos cidadãos dos 5 570 municípios do país. Cabe ao “Ministério” da Cultura criar um programa que facilite a proliferação de salas de cinema nas pequenas cidades, isso se dará por meio da distribuição de filmes e de crédito subsidiado para a construção desses espaços – aliás, os mesmos deverão ser multiuso – com a finalidade de ampliar o público “luz, câmera, ação”, fazendo com que tanto George Mèlie quanto Glauber Rocha (“Terra em Transe”) não sejam apenas uma “fotografia na parede”, mas uma realidade no cotidiano dos brasileiros.

Sérgio Cintra é professor de Redação e de Linguagens em Cuiabá.

[email protected]

Obs.: o texto acima é a reprodução quase fidedigna da minha redação no Enem. Apesar das 30 linhas, achei o espaço insuficiente para argumentar adequadamente. Com certeza, este escriba não possui a capacidade de síntese.

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Obs. 2: Eu e muitos colegas consideramos o tema “Democratização do acesso ao cinema no Brasil” anacrônico, irrelevante e excludente à medida que há outras maneiras de promover acesso a filmes; que, diante da pluralidade garantida pela internet, as salas de cinema tornaram-se caras e obsoletas; que, por fatores mercadológicos, ir ao cinema é privilégio de uma minoria socioeconômica.  Assim, o Inep perdeu a grande oportunidade de trazer à baila um tema mais relevante para, diretamente, mais de cinco milhões de brasileiros e, indiretamente, para toda a nação. Sintetizando: um tema “nem… nem..” para  perpetuar um povo “nem… nem…”.

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MISAEL GALVÃO – O mais democrático dos Poderes

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A câmara de vereadores é o mais democrático entre todos os poderes eletivos. Todos sabem onde mora e por onde anda o representante em quem votou na eleição anterior. Isso quando não conhece a família do eleito e este, na maioria das vezes, chama seu eleitor pelo nome. Devido a esta proximidade é também uma das instituições mais criticadas pela sociedade.

É também na câmara de vereadores que estão representados todas as correntes da sociedade, com suas contradições e conflitos. É na câmara de vereadores que estão as corporações, os comprometidos, os ideólogos, os céticos, os exóticos. Aqui na câmara estão todas as raças, todas as crenças, todas as classes, seja ela econômica, intelectual ou de status.

Por isso não temos nem os melhores nem os piores vereadores, temos o vereador escolhido por uma parcela da sociedade para representar e defender aquela determinada região, aquele determinado movimento, aquela determinada corrente, aquele grupo e seus interesses fechados ou difusos.

Dada tal representatividade, muitas das vezes antagônicas, conflitantes e nem sempre da maioria da sociedade, é que esta mesma casa, que é de todos e por ser de todos, muitas vezes parece ser de ninguém. Daí a enxurrada de críticas que se dá. Muito menos pelos erros (e tem erros) e muito mais pela sua pluralidade de pensamentos e desejos que nada mais é que os desejos difusos e complexos advindos das diversas demandas e interesses dos mais variados grupos sociais que forma o conjunto dos munícipes.

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Soma-se a estes fatores elencados as mudanças que vem ocorrendo no comportamento do indivíduo, da sociedade, no movimento das massas e na constante alteração de ferramentas funcionais, principalmente as tecnológicas, que faz com que o aperfeiçoamento para melhoria das atribuições de qualquer atividade tenha que ser constante. No caso dos vereadores estas mudanças terão que ser ainda mais aceleradas, apesar dos entraves burocráticos para a nossa atuação.

O exercício parlamentar não é diferente do funcionamento da sociedade. Podemos pontuar que o modelo hoje vigente muito ainda se assemelha ao da época da confecção da Constituição Federal, estadual e da lei orgânica municipal, quase padronizada no Brasil ainda no início dos anos noventa do século passado. Apesar do momento exigir celeridade e resultados mais pontuais.

O atual momento exige do poder público essa dinâmica somada a uma correlação entre as necessidades vigentes e a visão de um futuro sustentável e inovador, capaz de agregar as várias facetas das gerações que convivem em um espaço cada vez mais urbanizado e diversificado. Ao mesmo tempo estar atento a velocidade das mudanças. Legislar para tal é uma tarefa que exige organização e conhecimento político e técnico.

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Na condição de presidente desta casa que tem por obrigação legislar, fiscalizar, orçar e ajudar a organizar a sociedade, é que afirmo que a transição social passa por aqui, que a melhoria da cidade e do município passa por aqui. Por isso temos que ouvir cada dia mais a sociedade, errar menos e agir mais. Oferecer condição para tal é tarefa da presidência e isto, estamos fazendo e vamos melhorar a cada dia, aperfeiçoar, dar voz para a maioria, para as minorias e para os difusos, aqui não pode e não deve haver discriminação, a casa é de todos.

A câmara de vereadores é onde o cidadão tem maior proximidade, principalmente na hora da dor, do desespero. Por isso podemos afirmar que aqui, apesar de todas as críticas (muitas merecidas), apesar de todas mazelas (erros individuais), ainda é a casa do amor ao próximo, porque é a casa de todos em todas as horas, porque é a mais democrática das casas.

Aqui é a modernidade, a ferramenta é ter você presente, é estar presente nos bairros e na sua vida.

Misael Galvão é vereador e Presidente da Câmara Municipal de Cuiabá 

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Opinião

LÍCIO MALHEIROS – Alcoólicos Anônimos, salvando vidas!

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As pessoas, de modo geral só dão conta da importância de uma determinada entidade ou instituição, quando as mesmas já se encontram, no fundo do poço, restando-lhes, apenas uma alternativa satisfatória a  recorrer e se salvar; buscar a entidade Alcoólicos Anônimos (AA).

Esta entidade filantrópica, presta trabalho humanizado e de qualidade, às pessoas que se encontram em estado de vulnerabilidade, em decorrência de um vício; a mesma salva vidas.

Esta instituição foi criada nos Estados Unidos em 1935 por Bill W e Dr. Bob S, no mundo, a mesma já tem 84 anos de existência. Tendo como início da mesma, o tratamento do alcoolismo e mais tarde estendido para praticamente todos os tipos de dependência química e compulsões.

Esta instituição tem como carro chefe, mútua-ajuda para os seus tratamentos, sendo conhecido no Brasil como (grupos relacionados como Al-Anon/Alateen, voltados às famílias de alcoólatras) e Narcóticos Anônimos.

No Brasil, a instituição foi fundada em 5 de setembro 1947, portanto, perfazendo 72 anos de existência, de trabalho gratuito e de qualidade. Em Mato Grosso, o grupo, Alcoólicos Anônimos (AA) fundado em 19 de setembro de 1973, portanto, a mesma tem 45 anos de existência.

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Outro dado importante, que nos remete aos Alcoólicos Anônimos (AA), é como o mesmo teve origem em Mato Grosso, sua primeira reunião aconteceu em uma sala da antiga Legião Brasileira de Assistência,  onde surgiu o primeiro Grupo em Cuiabá, já se passaram 45 anos.

O mais interessante, foi o primeiro nome dos Alcoólicos Anônimos  (AA) em Mato Grosso, que se chamou Antônio, seu padroeiro, hoje é desconhecido. Em Mato Grosso, existem 56 grupos, em 36 municípios; dos quais, 17 em Cuiabá e 3 em Várzea Grande.

Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres,  que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum, e ajudar outros a recuperar do alcoolismo e drogatismo.

A real importância  desta instituição,  Alcoólicos Anônimos (AA), se dá no momento em que, algum dos nossos familiares ou amigos mais próximos sejam acometidos, por essa doença, que geralmente tem como iniciação as bebidas lícitas, o álcool, que é uma bebida que uma vez consumida, é absorvida pela corrente sanguínea e acaba afetando o sistema nervoso central.

As drogas lícitas, quando as pessoas conseguem beber regularmente sem enfrentar problemas maiores, conseguindo  trabalhar normalmente, sem causar constrangimento, para amigos e familiares, ainda é aceitável.

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Agora existem aqueles que exageram  a ponto de transformar o ato de  beber em compulsão, tornando a bebida seu maior prazer; estas passam a enfrentar problemas graves  de convivência que contaminam  a vida familiar ás relações sociais e as atividades profissionais, quando isso acontece é um sinal claro de doença. Estudos, em diversos países revelam que 10 a 15%, dos adultos fazem uso compulsivo do álcool.

As drogas ilícitas são substâncias químicas, que alteram a forma como o nosso corpo funciona. Por exemplo, podem intensificar ou adormecer os nossos sentidos, deixar-nos mais alerta e excitados ou mais sonolentos. E, por isso, podem alterar a nossa capacidade de fazer escolhas saudáveis e tomar decisões.

Infelizmente, apenas no momento em que, as drogas iniciam a produzir os efeitos maléficos, nas pessoas; não apenas no organismo das mesmas, como também, afetam seu metabolismo e acabam desta forma, interferindo em seus posicionamentos e relacionamentos sociais, só ai buscam os Alcoólicos Anônimos (AA).

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

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