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Saúde

Secretários de saúde entregarão carta aos candidatos à Presidência

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 UTI do hospital Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo
Gustavo Basso/Creative Commons

UTI do hospital Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) elaborou uma série de propostas que pretendem entregar aos candidatos à Presidência. Entre elas, as principais são a revogação do teto de gastos do governo, e o aumento orçamentário federal para a saúde de forma escalonada.

Atualmente em 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB), a sugestão é chegar a 2,9% até 2026, totalizando 5%, com meta de alcançar 6% em dez anos. Essa marca foi estipulada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas, para o continente.

Segundo os gestores, o Brasil gasta menos em saúde pública do que privada, quando comparado a outros países com programas parecidos com o SUS.

“O enfraquecimento do SUS, decorrente da redução progressiva no financiamento federal, tem levado famílias a terem que gastar mais recursos do próprio bolso para acessar serviços privados de saúde em situações de emergência (gasto catastrófico). Além de agravar o empobrecimento da população, piorando a economia brasileira, esse fenômeno deteriora a situação de saúde e aumenta as inequidades no país”, afirma o documento.

Outro ponto de destaque é a realização de uma reforma tributária “que permita uma distribuição mais justa da arrecadação” e “capaz de fortalecer a descentralização e de garantir condições necessárias para a execução de políticas públicas”. 

O objetivo é fazer uma revisão em como os tributos são destinados aos estados e ao Distrito Federal “para garantir à população brasileira o direito à saúde”.

Os gestores planejam entregar a carta a todos os candidatos até 15 de agosto, a sete semanas do primeiro turno das eleições. O primeiro presidenciável a receber será Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira, em São Paulo. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) deve receber em seguida. Os dois já defenderam acabar com o teto de gastos, aprovado no governo de Michel Temer (MDB), caso eleitos.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) também já afirmou que pretende alterar a emenda — que sofreu sucessivos dribles em sua gestão, como a aprovação da PEC Eleitoral, que permite gasto adicional de R$ 41,2 bilhões fora do previsto no Orçamento federal — num eventual segundo mandato. Já a senadora e candidata à presidente Simone Tebet (MDB) defendeu que a norma permaneça em vigor, assim como Felipe d’Avila (Novo), mas que ganhe flexibilidade.

Com dez eixos temáticos e 30 propostas para a saúde pública brasileira, o documento elaborado pelo Conass é subscrito por todos os 27 secretários de Saúde dos estados e do Distrito Federal. Um dos pedidos inclui a elaboração do Pacto Emergencial pelo SUS, com ações para os 100 primeiros dias de gestão. 

Outro acordo seria feito para os quatro anos de governo, com o objetivo de ampliar e de modernizar a rede pública. A ideia é traçar, ainda, um plano com metas para os dez anos seguintes.

Os secretários defendem que a Estratégia Saúde da Família (ESF) ganhe protagonismo no SUS, modernizando a Atenção Primária à Saúde (APS). A área reúne os cuidados de saúde primários, como prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação, entre outros.

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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Complexo da Maré teve letalidade por covid duas vezes maior que o Rio

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O Complexo de Favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, chegou a ter uma letalidade duas vezes maior que a capital fluminense no primeiro ano da pandemia da covid-19, mas a intervenção de um projeto que reuniu pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ativistas da organização não governamental Redes da Maré atenuou o impacto da doença a partir de setembro de 2020.

Os resultados dos projetos Vacina Maré e Conexão Saúde: De olho na Covid-19 foram apresentados hoje (18) no seminário Olhares sobre a Covid em favelas: ciência, participação e saúde pública, promovido pela Fiocruz, no Rio de Janeiro.

O virologista Thiago Moreno descreveu em sua apresentação sobre o mapeamento das variantes genéticas do coronavírus que circularam na Maré que, em julho de 2020, as comunidades do complexo já concentravam 93 óbitos por covid-19, o que representava uma letalidade de 15% em relação aos 592 casos confirmados até então.

“A mortalidade era o dobro que a da cidade do Rio de Janeiro. A gente ficou com a nítida percepção de que era importante entender o que estava acontecendo nessa região”, disse Moreno, vinculado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz)

O pesquisador vê as condições de vida no complexo de favelas como fatores que estavam ligados a essa maior letalidade, já que a alta densidade populacional e a baixa renda dificultam o isolamento domiciliar e facilitam a transmissão do vírus. A Maré é um complexo de 16 comunidades com cerca de 140 mil habitantes, distribuídos em apenas 5 quilômetros quadrados.

Agravam a qualidade de vida dessa população problemas de saneamento básico, moradias pouco ventiladas e violência urbana, já que diferentes facções criminosas disputam o território, onde ocorrem tiroteios e operações policiais.

A pesquisadora Amanda Batista, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), participou do Conexão Saúde e comparou dados que mostram a evolução da pandemia no complexo após a intervenção do projeto, que foi responsável pela notificação de mais de 97% dos casos de covid-19 na Maré, já que foram realizados 29,5 mil testes RT-PCR e 5,5 mil atendimentos de telemedicina até abril de 2021.

O período de setembro de 2020 a abril de 2021 teve 124% mais casos notificados que os meses anteriores da pandemia, mostrando uma melhora da vigilância, enquanto os óbitos caíram 62%, e a letalidade, 77%.

Para comparar os dados com outras comunidades cariocas, a pesquisadora mostrou como os números evoluíram no mesmo período na Rocinha, Cidade de Deus e Mangueira. Houve um aumento de menor intensidade nas notificações, de 78%, e uma queda menos acentuada nos óbitos, de 27%, e na letalidade, de 52%.

Entre as ações adotadas pelo Conexão Saúde, além da vigilância, ela destaca a assistência para o cumprimento do isolamento social, em que refeições e itens de higiene e limpeza chegaram a ser fornecidos para que 747 famílias pudessem cumprir a quarentena, interrompendo a cadeia de transmissão do vírus sem comprometer a segurança alimentar.

Diante disso, a pesquisadora defende que a comunidade deve ser envolvida nas respostas de saúde pública às emergências sanitárias, construindo com as autoridades de saúde a solução ideal para cada caso.

“Cada local tem sua peculiaridade. Uma mesma política de saúde não funciona da mesma forma para todos os lugares”, alerta.

Também foram apresentados resultados do projeto Vacina Maré, que promoveu a vacinação contra a covid-19 no complexo de favelas, e obteve taxas de imunização superior à média da cidade e permitiu a realização de estudos de efetividade das vacinas.

Fernando Bozza, pesquisador do INI/Fiocruz, disse que foram acompanhados mais de 5 mil pessoas, e agora os estudos buscam continuar a pesquisa por mais 2 anos, o que permitiria investigar outras doenças.

“Podemos adicionar outras questões e esse é um dos pontos em que hoje estamos pensando muito”, disse. Ele conta com um grupo de voluntários de mais de 3 mil pessoas para os próximos 2 anos de pesquisa. “O ciclo dois é um grande desafio, porque naquele momento havia uma grande mobilização em torno da vacina. A gente ainda está aqui batalhando essa inclusão”.

Na abertura do seminário, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, destacou a parceria da fundação com a sociedade civil e agradeceu o empenho dos pesquisadores e voluntários que integraram o projeto.

“Temos que pensar, sempre, que além de apontar as desigualdades temos que apontar a potência dos movimentos sociais, das parcerias e associações para superar esse quadro e aprender com ele. A experiência da Maré é muito importante para seus moradores e para a Fiocruz”, ressaltou.

Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Covid: pacientes podem ficar com sintomas neurológicos por 2 anos

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Covid pode deixar pacientes com sintomas neurológicos por mais de 2 anos
Rovena Rosa/Agência Brasil 10.03.2022

Covid pode deixar pacientes com sintomas neurológicos por mais de 2 anos

Um novo estudo realizado com pacientes que contraíram a  Covid-19 indica que os sintomas neurológicos, como psicose, demência, névoa mental e convulsões, podem perdurar por mais de dois anos.

A conclusão veio em uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford publicado na revista “The Lancet Psychiatry”.

“Desde as primeiras fases da pandemia, é conhecido que a Covid-19 está associada a um aumentado risco de muitas sequelas neurológicas e psiquiátricas. Todavia, mais de dois anos do diagnóstico do primeiro caso, três importantes perguntas permanecem sem respostas: primeiro, não sabemos se ou quando os riscos de diversos problemas pós-Covid voltam para os valores padrão; em segundo lugar, o perfil de risco nas diversas faixas etárias; e em terceiro se os perfis de risco mudaram com o aparecimento de tantas variantes”, informam os pesquisadores.

Por isso, os especialistas analisaram os dados de 1,25 milhão de pacientes para verificar se já existe alguma resposta a essas questões principais.

O estudo mostrou que, entre os adultos, 640 pessoas a cada 10 mil ainda relatavam “névoa cerebral” após mais de dois anos de cura. O risco, porém, era mais do que o dobro naqueles que tinham mais de 65 anos – com 1.540 casos a cada 10 mil.

Nos outros problemas apontados, os números também eram o dobro entre os idosos: 450 em cada 10 mil sofriam com demência; e 85 em cada 10 mil relataram surtos psicóticos.

Os pesquisadores relatam que esse tipo de problema também ocorre com outras infecções respiratórias graves, mas que os números pré-pandemia eram muito menores.

Os problemas neurológicos e psiquiátricos da chamada “Covid longa” resultaram muito mais raros nas crianças, mas não ausentes: 260 em cada 10 mil sofriam ainda com convulsões – o dobro do grupo de controle – e 18 em cada 10 mil tinham distúrbios psicóticos (em relação aos 6 a cada 10 mil no controle).

Entre as variantes, o estudo da Oxford confirmou que a variante Delta é muito mais severa para quase todos os sintomas de longo prazo da Alfa, a primeira das mutações. Porém, os especialistas apontam que há indicativos de que a variante Ômicron, que se dissemina de forma intensa desde o fim do ano passado, tenha as mesmas características de longo prazo de sua antecessora – apesar dos sintomas mais leves.

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Fonte: IG SAÚDE

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