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Internacional

Rússia volta a bombardear reduto de resistência em Mariupol

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Destruição em Mariupol, na Ucrânia
Reprodução / Twitter – 22.04.2022

Destruição em Mariupol, na Ucrânia

A Rússia voltou a atacar o complexo siderúrgico Azovstal, último reduto de resistência de forças ucranianas em Mariupol, em meio a uma tensa operação de retirada de alguns dos muitos civis que estão abrigados no local há semanas através de um corredor humanitário. Contudo, os dois lados se acusam de violar o cessar-fogo acertado no fim de semana, colocando a operação — e as vidas de dezenas de pessoas — em risco.

Em vídeo no Telegram, um representante do Batalhão Azov, uma milícia ligada à extrema direita e que é uma das forças presentes em Azovstal, afirmou que os militares russos atacaram a siderúrgica ao longo da noite, usando artilharia pesada e bombardeios áreos.

“Neste momento, um ataque poderoso no território da usina Azovstal está ocorrendo com  o apoio de blindados, tanques, tentativas de desembarque de tropas em barcos e um grande número de infantaria”, disse Sviatoslav Palamar, representante da milícia. 

“Faremos o possível para repelir este ataque, mas pedimos medidas imediatas para retirar os civis que estão na área da usina.”

Já as Forças Armadas russas acusam o Batalhão Azov, considerado um dos principais alvos de Moscou na invasão, de violar o cessar-fogo que permitiu a retirada de centenas de civis da área nos últimos dias.

“Eles saíram dos porões, tomaram posições de tiro na área e nos prédios da usina. Agora unidades do exército russo e da RPD [República Popular de Donetsk] , usando artilharia e aeronaves, estão começando a destruir essas posições de tiro”, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, Vadim Astafyev.

Localizada na costa do Mar de Azov, Mariupol é um dos principais fronts da guerra na Ucrânia, e onde as tropas russas afirmam controlar quase a totalidade do território, à exceção de Azovstal, um amplo complexo siderúrgico que, há algumas semanas, serve de ponto de resistência para as poucas forças defensivas ucranianas, e de abrigo para centenas de civis.

No final de semana, em uma operação coordenada entre ONU, Cruz Vermelha, Rússia e Ucrânia, foi estabelecido um cessar-fogo e aberto um corredor de passagem, apelidado de corredor vital, para que os civis pudessem deixar a área rumo a Zaporíjia, de onde poderiam seguir para outros locais dentro da Ucrânia. 

Segundo o presidente Volodymyr Zelensky, cerca de 20 pessoas conseguiram deixar a área no sábado e 100 no domingo — o transporte continuou na segunda-feira, em meio a relatos de violações da trégua, e, nesta terça, Osnat Lubrani, coordenadora humanitária da ONU para a Ucrânia, afirmou que 101 pessoas vindas de Mariupol chegaram a Zaporíjia.

“Não acredito que consegui, agora só quero descansar”, afirmou à Reuters Alina Kozitskaya, que passou semanas na usina aguardando o momento de escapar.

Valentina Sytnykova, que se abrigou na usina por dois meses com seu filho e um neto de dez anos, também conseguiu escapar, e agora tentará entrar em contato com parentes para avisar que todos estão vivos.

“Tivemos que dizer adeus à vida, não achávamos que as pessoas soubessem que estávamos lá”, disse à Reuters.

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Com a retomada dos ataques, os coordenadores da operação de retirada se questionam quando será possível trazer mais pessoas a áreas mais seguras.

“Esperávamos que mais pessoas pudessem se juntar ao comboio para sair do inferno”, afirmou, em entrevista coletiva, Pascal Hundt, representante da Cruz Vermelha.

Sanções e bloqueios Desde o final de março, a Rússia mudou sua estratégia de invasão da Ucrânia, passando a centrar seus ataques na região Leste e a reforçar o bloqueio naval a Kiev, em uma tentativa de barrar o acesso aos suprimentos (especialmente militares) vindos do Ocidente e de impedir que as exportações ucranianas conseguissem ser embarcadas para outros países, privando o governo de importantes fontes de financiamento.

Em conversa com Vladimir Putin, o presidente da França, Emmanuell Macron, se disse disposto a ajudar a Rússia, ao lado de organizações internacionais, para “ajudar a levantar o bloqueio à exportação de produtos ucranianos através do Mar Negro”, segundo comunicado do Palácio do Eliseu.

O líder francês defendeu, ao longo de mais de duas horas de conversa, a sequência da retirada de mais civis de Azovstal e, de acordo com o comunicado, “observou sua prontidão contínua para trabalhar nas condições para encontrar uma solução negociada para garantir a paz e o pleno respeito pela soberania e integridade territorial da Ucrânia”.

“Pedi que a Rússia siga sua responsabilidade internacional como um membro do Conselho de Segurança da ONU e coloque fim a este ataque devastador”, disse o comunicado oficial.

Nos próximos dias, a União Europeia (UE) deve anunciar um novo pacote de sanções contra a Rússia, que pode incluir o embargo ao petróleo vendido pelo país, e responsável por 26% das importações do produto pelo bloco. 

Desde o início do conflito, no dia 24 de fevereiro, os paises da UE desembolsaram mais de 47 bilhões de euros relativos às compras de petróleo e gás da Rússia, e Bruxelas quer colocar fim (ou ao menos reduzir) a esses pagamentos. Contudo, algumas nações, como Hungria e Eslováquia, sugerem que vetarão sanções que incluam o setor energético, enquanto outras nações também relutam em aceitar medidas sobre o gás.

Sem mencionar as sanções, o chanceler alemão, Olaf Scholz, disse que as políticas de Putin eram “imperialistas”.

“Ninguém pode assumir que o presidente russo e seu governo não quebrarão as leis internacionais de forma violenta no futuro”,  declarou Scholz, que apoiou, na segunda-feira, a proposta de impor um embargo ao petróleo russo.

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*Com informações de agências internacionais

Fonte: IG Mundo

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Internacional

Soldado inglês capturado na Ucrânia faz apelo contra sentença de morte

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O soldado britânico Aiden Aslin foi condenado à morte na guerra da Ucrânia
Reprodução 04/05/2022

O soldado britânico Aiden Aslin foi condenado à morte na guerra da Ucrânia

O soldado britânico Aiden Aslin recorreu, por procuração, da sentença de morte que recebeu de um tribunal formado por rebeldes ucranianos pró-rússia. O homem, de 28 anos, foi capturado junto com outro combatente nascido no Reino Unido, Shaun Pinner, enquanto lutava na cidade de Mariupol. Ambos se juntaram ao exército ucraniano depois de se mudarem para o país.

A audiência no “supremo tribunal” da República Popular de Donetsk, que não é reconhecida internacionalmente, foi condenada como um julgamento-espetáculo.

Autoridades apoiadas pelo Kremlin dizem que os dois homens são mercenários e, portanto, não teriam direito à proteção concedida aos soldados sob a Convenção de Genebra.

Suas famílias, o governo do Reino Unido e as autoridades ucranianas, no entanto, contestam isso, afirmando que ele servem como membros do exército há vários anos.

Um advogado designado para representar Aslin disse que um recurso foi apresentado nessa terça-feira, de acordo com o site Metro.co.uk.

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Fonte: IG Mundo

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Internacional

Vídeos de suspeito de ataque nos EUA mostram sinais de violência

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Robert Crimo, preso como 'pessoa de interesse' por possível envolvimento no ataque a tiros durante parada de 4 de Julho em Highland Park, Illinois
Reprodução – 05.07.2022

Robert Crimo, preso como ‘pessoa de interesse’ por possível envolvimento no ataque a tiros durante parada de 4 de Julho em Highland Park, Illinois

O homem preso como uma “pessoa de interesse” após o  ataque que deixou seis mortos e 24 feridos na segunda-feira durante um desfile do Dia da Independência perto de Chicago, no estado americano de Illinois, era um rapper amador relativamente popular na região. O cantor, segundo uma reportagem feita pelo jornal Washington Post, tinha uma presença on-line que mostrava traços de violência e sinais de instabilidade.

O homem, identificado como Robert E. Crimo, de 22 anos, foi detido após uma breve perseguição policial em Lake Forest, uma cidade próxima ao local do ataque, Highland Park, um subúrbio ao norte de Chicago com 30 mil habitantes. Ele é suspeito de ter disparado com um fuzil, de cima de um telhado, contra centenas de pessoas que assistiam à cerimônia.

Crimo, que é conhecido pelo apelido Bobby, usa o nome profissional de “Awake the Rapper” e tinha modestos 16 mil ouvintes mensais no Spotify. Nas fotos divulgadas pela política e nos seus perfis nas redes, é possível ver que é um homem branco, com cabelos pretos longos e de baixa estatura. Tem tatuagens no rosto e no pescoço, incluindo uma acima de sua sobrancelha esquerda onde se lê “Awake”.

Um vídeo recente parecia mostrar os momentos posteriores a um ataque a tiros contra uma escola. Uma pessoa que parece Crimo, por sua vez, aparecia de capacete e colete ao lado da bandeira dos Estados Unidos.

Uma animação computadorizada mostrava uma pessoa com roupas táticas e um rifle diante de outra, ajoelhada e implorando por sua vida. Ao lado havia um terceiro indivíduo, aparentemente morto. Há referências a Lee Harvey Oswald, o homem responsável pelo assassinato do presidente americano John Kennedy, em 1963.

“Como um sonâmbulo, não consigo parar e pensar (…) Eu preciso ir agora, preciso apenas fazer. É o meu destino. Tudo culminou nisso. Nada pode me parar, nem eu mesmo”, diz a voz em off na música. “Há mesmo livre-arbítrio ou tudo isso foi planejado como uma receita cósmica?”

Horas após a prisão do suspeito, no fim de segunda-feira, suas músicas já haviam sido retiradas do Spotify e os vídeos não estavam mais disponíveis no YouTube. Segundo a plataforma de streaming, o conteúdo foi removido “em parceria com os vários distribuidores de música”. Sua conta no Instagram também foi derrubada.

Em um outro vídeo, o homem de 22 anos aparecia repetindo a palavra “liberdade”. Também dizia que “odeia quando outros recebem mais atenção que eu na internet”. Havia ainda um vídeo que o próprio homem parecia ter filmado, esperando na multidão por uma comitiva presidencial.

Há ainda fotos em que Crimo parece estar em um comício do ex-presidente Donald Trump. Não está claro, contudo, quais candidatos ou partidos apoiava. Ao jornal da capital americano, Bennet Brizes, que conheceu o suspeito por volta de 2015 na cena musical local, disse que ele era “coerentemente apolítico”, mas não soube afirmar qual era seu posicionamento político atual.

Segundo Brizes, Crimo — a quem ele chama de Bobby e classifica como um “cara estranho” — já recebeu bem por seu trabalho musical, a ponto de ter lançado CDs físicos e usar roupas originais de grife. Os dois se afastaram em 2019, mas se falaram pela última vez no ano passado quando, segundo o entrevistado, Crimo parecia “deprimido”.

Veja alguns dos vídeos:

Segundo o tio do suspeito, Paul Crimo, seu sobrinho está desempregado há cerca de dois anos, quando trabalhou pela última vez na franquia de uma rede de padarias. Eles viviam na mesma casa, mas o homem disse que suas interações com o sobrinho se resumiam a “oi” e “tchau”.

“Ele é um jovem muito quieto, guarda tudo para si. Não se expressa, fica apenas no computador, não tinha muita interação com ele”, disse Paul, afirmando que o suspeito tinha algo como um apartamento separado na casa.

Tio e sobrinho moravam juntos com o pai do suspeito, Robert Crimo Jr., dono de uma delicatessen na cidade que concorreu para prefeito de Highland Park em 2019. Ele, contudo, perdeu a disputa.

“Eu e meu irmão somos muito conhecidos em Highland Park”, disse Paul Crimo. “Todo mundo nos ama. Só ouvir sobre isso parte meu coração.”

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Fonte: IG Mundo

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