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Saúde

Rotatividade de profissionais prejudica capacitação para imunizações

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A rotatividade de profissionais de saúde que atuam na vacinação foi um dos problemas apontados hoje (4) durante a Jornada Nacional de Imunizações, que discute como combater a queda nas coberturas vacinais. O evento vai até sábado (7), em Fortaleza, no Ceará.

A troca de equipes temporárias se soma à circulação de notícias falsas, à baixa percepção de que doenças erradicadas são um risco, ao horário limitado de funcionamento dos postos de vacinação e até mesmo à violência que dificulta a visita de agentes de saúde e o deslocamento de pessoas até os postos.

A infectologista Tânia Petraglia, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, chamou a atenção para o conhecimento que se perde quando postos de vacinação deixam de ter profissionais de carreira e passam a ter constantes trocas de equipes temporárias.

“O conhecimento sobre vacina está cada vez mais amplo, e a complexidade também. Você não consegue formar as pessoas adequadamente. A reserva de conhecimento é perdida [com a rotatividade]. Ao final, você tem pessoas minimamente formadas para dar conta de situações pontuais, mas não tem aquele profissional de referência com um acúmulo de conhecimento, que é uma pessoa mais indicada para intervir em situações de postergar vacinação e de contestar falsas contraindicações. Isso requer um conhecimento mais profundo”, disse.

A pesquisadora avalia que a rotatividade não significa que a solução seja banir as terceirizações, mas que é preciso mesclar profissionais estatutários e terceirizados, e não trocar equipes inteiras de uma só vez.

“Você pode trabalhar com a terceirização, mas tem que rever o modelo de gestão. Vai ter que ter uma gestão mais responsável e mais técnica”, defendeu. “Um profissional que começa a ser treinado leva tempo para ficar atualizado e apto a responder qualquer dúvida”.

Boatos

A convicção dos profissionais de saúde e a segurança na hora de responder questionamentos é um dos principais instrumentos no combate a boatos e notícias falsas. A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabela Ballalai, exemplifica que é comum que profissionais se sintam inseguros em relação à vacinação simultânea, quando diferentes vacinas são aplicadas no mesmo dia.

“Sou partidária de que com capacitação a gente acaba com as fake news”, disse a vice-presidente da SBIm, destacando que é preciso capacitar os profissionais que atuam na ponta, para que eles compreendam as notas técnicas e tenham segurança na hora de tomar decisões e esclarecer dúvidas. Ela argumenta que profissionais de saúde não pode agir como parte da população, que busca vacinas somente quando vê o risco evidenciado por um surto.

“De quem é a culpa por essas baixas taxas de vacinação, da população ou nossa? É nossa. Também estamos localmente agindo quando a coisa já perdeu o rumo”, afirmou.

Rede de atenção

Diretora da SBIm em Minas Gerais e assessora da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, Jandira Campos Lemos defende que se reforce o uso da rede de atenção básica para localizar quem não está seguindo o calendário de vacinação e “bater de porta em porta”, se for preciso.

“É necessário que os agentes comunitários de saúde identifiquem os que estão em atraso, sem esperar que essa criança ou que esse adulto venha para se vacinar”, disse, acrescentando que essa é uma escolha de prioridade na gestão da saúde, já que envolve custos em um cenário em que muitos municípios enfrentam dificuldades financeiras. “Precisa de veículo, precisa de combustível, precisa do profissional. É um investimento grande. Os gestores têm que entender a importância de priorizar essa ação. É preciso sair da sala de vacinação”.

Ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde até o último mês de agosto, Carla Domingues destaca que é preciso rever a forma de chegar até as pessoas e levar em consideração mudanças na sociedade, como a indisponibilidade de tempo para comparecer aos postos de vacinação em horários limitados durante a semana.

“Hoje, a mulher está no mercado de trabalho, e 56% são arrimo de família. Muitas estão na informalidade e não comparecer ao trabalho significa que vão deixar de ter uma renda para o alimento dos seus filhos”, alerta. “É preciso que a gente crie mecanismos para que saíamos da nossa zona de conforto”.

* O repórter viajou a convite da Sociedade Brasileira de Imunizações  

 
Edição: Fernando Fraga

Fonte: EBC Saúde
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Saúde

Disseminação de fake news sobre coronavírus preocupa especialistas

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Desde o fim de janeiro, o serviço do Ministério da Saúde que combate a disseminação de notícias falsas já refutou dezenas de mentiras que circulam na internet sobre o novo coronavírus. Entre textos, imagens e vídeos, chama a atenção a quantidade de recomendações erradas para prevenir a doença, de uísque a vitamina D. A velocidade da dispersão de informações equivocadas e sem comprovação científica sobre o vírus preocupa especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

No início de fevereiro, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) divulgou uma nota de repúdio a respeito de um vídeo distribuído via Whatsapp que citava a injeção de vitamina D em doses altas como estratégia preventiva ao novo coronavírus.

O vice-presidente da SBI, Alberto Chebabbo, alerta que altas dosagens dessa vitamina podem ser prejudiciais à saúde e que outros métodos falsos podem prejudicar a real prevenção da doença.

“Há uma quantidade enorme de fake news, de notícias falsas, e a maior parte delas relacionadas a formas de prevenção. Uso de vitamina para melhorar o sistema imunológico, fazer gargarejo com água quente, coisas que não têm nenhum tipo de evidência científica”, diz o especialista que avalia o fenômeno com preocupação.

“São recomendações que não vão proteger o indivíduo e vão dar uma falsa sensação de prevenção.”

 

Para prevenir o novo coronavírus, o Ministério da Saúde recomenda:

– lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, ou usar desinfetante para as mãos à base de álcool quando a primeira opção não for possível;

– evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;

– evitar contato próximo com pessoas doentes;

– ficar em casa quando estiver doente;

– usar um lenço de papel para cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar, e descartá-lo no lixo após o uso; 

– não compartilhar copos, talheres e objetos de uso pessoal;

– limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

 

Outros cuidados importantes são manter ambientes bem ventilados e higienizar as mãos após tossir ou espirrar.

O ministério explica que não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo covid-19.

Cuidado com as redes sociais

 

Chebabbo pede que a população não repasse nem compartilhe em suas redes sociais quaisquer recomendações sem a certeza de que as fontes são confiáveis e de que os conteúdos são verdadeiros.

“Se você não tem certeza de que aquela notícia é verdadeira, é melhor não repassar”, diz o especialista.

Entre as recomendações falsas disparadas via WhatsApp estão: tomar chá de abacate com hortelã, chá de alho, uísque quente com mel ou vitamina C com zinco. Nenhuma dessas medidas ajuda a prevenir o coronavírus.

Chebabbo recomenda buscar informações nas páginas da própria Sociedade Brasileira de Infectologia, do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais de saúde. 

A SBI também divulga notas técnicas e recebe perguntas por meio de um serviço Fale Conosco em seu site. Já o serviço Canal Saúde Sem Fake News, do Ministério da Saúde, pode ser consultado na internet. Dúvidas podem ser enviadas pelo Whatsapp (61) 99289-4640.

Desinformação

Especialista em fake news sobre saúde, o pesquisador Igor Sacramento, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), avalia que as epidemias vieram acompanhadas de boatos e pânico em momentos da história muito anteriores à internet, como a epidemia de peste bubônica que matou milhões de pessoas no século 14. Um exemplo mais recente é o do vírus Influenza, cuja pandemia foi objeto de boatos na internet há cerca de uma década. Apesar dessa recorrência, ele destaca que o momento atual é preocupante pelo descrédito que a ciência vem sofrendo em parte da sociedade.

“As pessoas têm confiado cada vez mais em discursos e informações que não são baseadas em evidências nem na ciência, mas na experiência de pessoas que disseram que isso aconteceu”, alerta. “É muito preocupante quando as pessoas acreditam mais em um testemunho no YouTube do que em um especialista que pesquisou um assunto por anos.”

Primeiro país a ter sido afetado pela doença, a China vem sendo alvo de parte dessas notícias falsas. Em algumas delas, produtos importados do país asiático são considerados possíveis transmissores do vírus, que, segundo um desses textos, poderia ser transportado pelo ar dentro do plástico-bolha.

Ao desmentir essa informação falsa, o Ministério da Saúde destaca que não há evidências de que isso possa ocorrer, “já que vírus geralmente não sobrevivem muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego destes produtos costuma ser de muitos dias”.    

Igor Sacramento lamenta que, além de confundir a população sobre a prevenção, a desinformação sobre o coronavírus também tenha espalhado preconceitos contra chineses e seus descendentes, com fake news que atribuíram à doença uma falsa origem étnica.

“O que a gente vê no processo de construção social de uma doença é o quanto ela revela traços de uma sociedade e de mudanças sociais profundas. No caso do coronavírus, revela o contexto que a gente vive de enorme desinformação”, diz o pesquisador.

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: EBC Saúde
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Saúde

Em 24 horas, 9 países registram primeiro caso do novo coronavírus

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O novo coronavírus segue se espalhando pelo mundo, e, nas últimas 24 horas, nove países registraram os primeiros casos de contaminação pela doença, entre eles o Brasil

Leia também: Vacina contra a gripe pode prevenir o coronavírus? Tire suas dúvidas

Os demais países que confirmaram casos de infecção pelo novo coronavírus são: Dinamarca, Estônia, Geórgia, Grécia, Macedônia do Norte, Noruega, Paquistão e Romênia. 


De acordo com o diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (27), a epidemia pelo Covid-19 está em um ponto decisivo. 

“Se agirem de forma agressiva agora, podem conter o vírus. O meu conselho é agir rapidamente”, afirmou o diretor. “As epidemias no Irã, na Itália e na Coreia do Sul mostram do que este vírus é capaz”, disse, frisando que estes países enfrentam focos de  pneumonia viral .

Entretanto, alguns locais mostraram conseguir controlar o avanço da doença. “Vários países não assinalam casos há mais de duas semanas”, como a Bélgica, o Camboja, a Índia, a Rússia e o Vietnã, como também afirmou o diretor. 

Avanço do novo coronavírus

A contaminação pelo novo coronavírus começou em dezembro em Wuhan, na China, contaminou mais de 78,6 mil pessoas naquele país, das quais 2,7 mil morreram. Entretanto, a preocupação atual da OMS é “o que se passa no resto do mundo”, com mais de 3.470 casos em 44 países.

O balanço provisório da epidemia do coronavírus Covid-19 é de 2,8 mil mortos e mais de 82 mil pessoas infectadas, de acordo com dados reportados por 48 países e territórios desde a descoberta da doença. Das pessoas infectadas, mais de 33 mil se recuperaram.

Fonte: IG Saúde
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