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Opinião

ROSA NEIDE – 20 de Novembro, dia de luta contra o racismo

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O Brasil comemora nesta sexta-feira (20), o dia da Consciência Negra. Dia de reflexão e de revisitar a história de nosso país. Último das Américas a abolir a escravatura, em 1888, o Brasil vivenciou 357 anos de escravidão negra. Não podemos nos esquecer jamais, que cerca de 4 milhões de irmãos e irmãs, negros e negras foram capturados na África e trazidos para serem escravos de brancos europeus, no Brasil.

A sociedade brasileira foi construída ao longo desses séculos tendo como base o racismo estrutural. Após a lei áurea que revogou a escravidão, nenhuma legislação foi aprovada no Brasil, seja no período imperial seja no republicano, que reparasse economicamente os negros, mesmo que minimamente, por toda a humilhação, dor e sofrimento que vivenciaram ao longo de 357 anos.

De acordo com o historiador, Ubiratan Castro de Araújo, após a abolição “muitos foram os que saíram dos engenhos e fazendas para buscar a liberdade na pesca e na mariscagem, outros para seguir Antônio Conselheiro. Houve os que se embrenharam nas matas para construírem os novos quilombos. Para todos esses rurais, o preço da liberdade era a miséria. Para a grande maioria, no entanto, a impossibilidade de acesso à terra tolhia os sonhos de liberdade”

Lamentavelmente 350 anos após a abolição, o Estado Brasileiro continua tolhendo o sonho de liberdade do povo negro. A ausência centenária, repito, de políticas públicas de Estado para reparar as mazelas da escravidão continua fazendo com que a maioria da população brasileira viva à margem das riquezas produzidas em nosso país.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56% da população brasileira se autodeclara negra ou parda. É essa população que está no topo do ranking da miséria, do desemprego, do subemprego, do analfabetismo, da baixa escolaridade e da baixa renda.

A concentração de terras e renda nas mãos da minoria branca e a exclusão da maioria negra e miscigenada perdura até os dias atuais. As mortes violentas no Brasil têm cor, a cor preta. A população carcerária no Brasil tem cor, a cor preta.

O Brasil não será um País desenvolvido, justo e com igualdade de oportunidades e felicidade, se a sociedade brasileira não fizer uma revisita ao passado, reconhecer sua dívida histórica com o povo negro e trabalhar com unidade para repará-la.

O combate às práticas racistas do Estado Brasileiro tem que ser bandeira de luta prioritária de cada cidadão e cidadã.

Meu partido, o Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, quando governou o Brasil produziu ações afirmativas importantes visando essa reparação, como a lei de cotas raciais. Porém, o que fizemos foi muito pouco, diante da luta necessária para a superação do racismo.

Que nesse dia 20 de novembro tenhamos a consciência de que a luta do povo negro contra o racismo estrutural é a nossa luta. Precisamos continuar na batalha na esfera política, mas também precisamos ganhar a luta na sociedade, contra o racismo.

Viva o 20 de novembro! Viva o povo negro!

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Professora Rosa Neide Deputada Federal (PT-MT)

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Opinião

DIRCEU CARDOSO – A Covid-19 depois das eleições

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Mesmo com a baixa no número de mortes, a pandemia da Covid-19 ainda preocupa. Especialmente porque ainda não temos vacina comprovadamente eficaz e nem sabemos quando será possível imunizar a população. O coronavírus continua solto e infectando. Daí a necessidade de se adotar precauções como o uso da mascara, o não aglomerar e manter o distanciamento entre as pessoas, pois não conseguimos saber quem está e quem não está impregnado pelo mal. O aumento das internações, especialmente em hospitais privados, leva a especulações de que estaríamos entrando numa segunda fase da pandemia, como a que ocorre na Europa. É bom lembrar que na Europa hoje é inverno e aqui vivemos a estação quente do ano, uma situação inversa que, pelo menos no aspecto ambiental, não autoriza a pensar que a pandemia volta a se agravar.

O fundamental, no entanto, é que não se repita a politização ocorrida quando da chegada do vírus. A tendência é que isso não ocorra, pois boa parte dos prefeitos que assim se comportaram, já perdeu a reeleição (alguns com votações ridículas). Com o pouco mais de conhecimento hoje disponível sobre o mal, espera-se mais seriedade e que o problema não seja combustível para dar partida precoce às eleições de 2022.

Está na hora das autoridades sanitárias definirem os protocolos a seguir durante o período em que o vírus estiver circulando e ainda não houver a imunização da população. Temos alguns meses até a chegada da estação temperada e fria (a partir do mês de abril). Devemos observar o que ocorre na reinfecção da Europa e lá prospectar medidas que possam ser adotadas aqui no caso da anomalia se confirmar em nosso território.

Na outra ponta, vemos os laboratórios se esforçando para chegar à vacina eficiente. Quando a droga estiver disponível, não importa de onde venha, é preciso que se monte o melhor esquema para a sua aplicação. Sem a truculência da obrigatoriedade e nem a incompetência que possa torná-la indisponível a regiões ou segmentos da sociedade. O SUS tem de ser o grande distribuidor, e estados e municípios – que também integram o sistema – fazer a sua parte, como já se faz com as demais vacinas.

Os governantes precisam, também, ter sensibilidade para não cometer a atrocidade dos lockdowns e quarentenas exacerbadas que podem levar à população prejuízos e sofrimentos maiores do que a própria pandemia. Chega de engano e intolerância!

Em tempo: com os recursos empregados na pandemia, especialmente a compra de respiradores e equipamentos de UTI, é preciso equipar os hospitais e, com isso, evitar que, com pandemia ou sem pandemia, pacientes graves continuem morrendo nas filas de internação. Esse problema é anterior à Covid-19 e está aí à espera de solução…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                                                                                     

 

 

 

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GAUDÊNCIO TORQUATO – Lesmas e camaleões em mutação

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Quem sabe a semelhança entre a lesma e o camaleão? Aparentemente, quase nada, a não ser o fato de que ambos podem se arrastar pelo chão. Estudando atentamente as qualidades desses dois animais, identifica-se em ambos algo semelhante: a capacidade transformativa. O pequeno molusco, atingido por uma camada de sal, derrete e se transforma em água. O garboso lagarto, por sua vez, tem a capacidade de vestir as cores do ambiente em que se instala, saindo do verde das folhas para o marrom dos galhos secos com a maior facilidade. (P.S. Criança, em minha querida cidade de Luis Gomes-RN, eu sofria para descobrir em que galho se escondia o camaleão na tamarineira do saudoso comerciante Chico Pascoal. O bicho se confundia com os galhos).

Pois bem, esses dois transformistas foram os principais símbolos da campanha eleitoral, com centenas de candidatos, saindo líquidos das urnas, atingidos pelo sal grosso jogado pelo eleitor, enquanto outros, como camaleões sabidos, ganharam solidez porque vestiram o manto do momento, correndo atrás de um cidadão indignado, mudando o modo de agir, de se comportar e até tentando se desvincular de atos do passado e de perfis rejeitados. Os extremos do arco ideológico foram pouco acarinhados e o meio ocupado por gigantesco exército camaleônico.

A performance transformativa de candidatos ganha intensidade nesses dias que antecedem o segundo turno, até porque a disputa será entre dois, com maior exposição midiática e condições adequadas para o eleitor traçar paralelos, comparar estilos, promessas e compromissos. Pode-se prever candidatos negando feitos do passado, outros construindo relações ambíguas e funestas para adversários, patrocinadores tentando puxar seus afilhados para a sombra da árvore governamental.

Façamos pequeno exercício do que tentam alguns transformistas:

Bruno Covas tenta atrair votos conservadores e evangélicos, mas fugindo de eventual colagem na figura do presidente Bolsonaro. Sal neles, pensa Covas. Guilherme Boulos, por sua vez, afasta-se daquela figura que liderava os Sem Teto, invadindo propriedades, e agora tenta se esconder nos galhos da floresta da moderação. Mas faz campanha ao lado do PT, fato que acaba colando sua imagem ao petismo, cuja rejeição em São Paulo é alta. Que cor adotar? A cor da jovialidade, coragem, inovação, mudança. Signos que atraem jovens, grupos das artes e da cultura, eleitores racionais.

E que transformações serão necessárias ao PT? Pergunta que angustia Lula, o manda-chuva; Gleisi, a presidente da sigla e José Dirceu, que ainda veste o manto de velho guerrilheiro. Como se viu, nessa campanha o PT recebeu forte camada de sal grosso, que derreteu partes de seu território eleitoral. Por isso, os maiorais do partido vão buscar refúgio nas frentes da formação de líderes, renovação de quadros, ensaios pela tangente ideológica. Sofrerão com a tentativa de ressurreição da luta de classes, resgate do refrão “a esperança venceu o medo” ou mesmo a necessidade do Estado paquidérmico e gastador.

Bolsonaro e suas redes, incluindo o chamado gabinete do ódio, continuam a fazer as contas de ganhos, perdas e danos. Ganhos? Um aqui, outro ali. De mais de 70 candidatos com o sobrenome Bolsonaro, só o filho Carlos se elegeu vereador, tendo boa votação, mas com 35 mil votos a menos do que recebeu na campanha de 2016. Nem sua mãe, Rogéria, foi eleita. As redes jogam sal na campanha, insinuando fraude. Coisa de Trumpiniquim, como diria o jornalista Eugênio Bucci. E como agir agora no 2º turno? Bolsonaro não consegue tirar das mangas carta milagrosa.

O governador João Doria continuará a se esconder nas tamarineiras paulistanas, apenas no espaço eleitoral, articulação combinada com Bruno. Mas descortinará o amplo palco onde ocorrerá a vacinação em massa da população, eis que os primeiros lotes da coronavac já chegam a São Paulo. Vez ou outra despeja sobre Bolsonaro um carga de sal em retribuição ao que o presidente lhe manda.

Não são poucos os que olham para o poderoso (?) ministro Paulo Guedes. Ele estaria mais para camaleão ou para lesma? Para o primeiro, a não ser que a economia entre em frangalhos e ele seja derretido pela cachoeira presidencial. Espera em seu confessionário feridos e vitoriosos, cada qual querendo aumentar sua fatia do bolo orçamentário. Mas a preocupação do ministro é com seus colegas gastadores.

Em suma, e agora, José, o que fazer? As lesmas que se derretem diante do sal, perdendo identidade, serão castigadas? E os camaleões políticos, que mudam de cor, chegarão ao pódio do segundo turno?

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação [email protected]

 

 

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