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Saúde

Rio: secretário de Saúde pede agilidade na transferência de pacientes

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O secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Chaves, cobrou hoje (13) mais agilidade na transferência de pacientes com covid-19 que precisem de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).

Segundo o secretário, o trabalho em algumas unidades de pronto atendimento (UPAs) tem deixado a desejar, causando demora na liberação de doentes que já têm vaga reservada em outro estabelecimento de saúde. “Sabemos quais são as unidades hospitalares e UPAs que estão fazendo isso. Não são todas. Aquelas que estão fazendo serão penalizadas. Não há tempo para brincadeira. Estamos em uma guerra”, disse Chaves.

O secretário fez a cobrança durante entrevista coletiva organizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) para apresentar dados e ações em desenvolvimento em meio à pandemia. Conforme o balanço, em março, o tempo médio decorrido entre a reserva do leito de UTI e a internação de pacientes com covid-19 foi de oito horas. Em janeiro, o cenário era pior: a média de espera era de 11 horas.

Os números são similares para os leitos de enfermaria. No mês passado, a média de tempo entre a reserva da vaga e a internação também foi de oito horas. Em janeiro, era de 10 horas.

“Nosso trabalho atual, dia e noite, é acelerar a saída da unidade. Você não pode deixar o doente, já com a vaga certa, esperando oito horas para chegar em outra unidade. Tem que ter cobranças na ponta. Este é o mea culpa [admissão de culpa] que estamos fazendo”, afirmou o secretário.

Para Chaves, o tempo de transferência entre diferentes unidades tem sido um dos fatores que levam ao agravamento dos casos. Ele pediu que os municípios disponibilizem mais ambulâncias. “Em oito horas, o [quadro do] doente [se] agrava. O doente chega para a enfermaria e já dá precisa dar entrada na UTI.”

A subsecretária de unidades próprias da SES-RJ, Mayla Marçal Portela, infiomou que a pasta está entrando em contato com as unidades que têm registrado demora. “Isso não deveria ser um papel nosso. O paciente deveria estar pronto para ser transferido. Mesmo assim, estamos incansavelmente trabalhando em cima disso para poder otimizar esse tempo”, afirmou.

Questionado sobre o papel do comitê científico instituído por meio de decreto publicado ontem (12) pelo governador interino Cláudio Castro, o secretário disse que sequer sabia que a estrutura seria criada e que esta não terá papel na SES-RJ. De acordo com o decreto, dez profissionais da saúde vão atuar na elaboração de recomendações, na avaliação do desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS) e no desenvolvimento de relatórios.

“Não tive nenhuma participação e nem sabia. Não tenho vínculo com ninguém” disse Carlos Alberto Chaves. “Eu sou técnico e não me envolvi nisso. Não tive tempo, estava levando as vacinas. Não tenho tempo para isso. Tenho tempo para salvar vidas”, acrescentou o secretário.

Regulação

Dados sobre a disponibilidade de leitos também foram apresentados. Segundo a última atualização, feita ontem (12), 462 pessoas com covid-19 aguardam vagas de UTI, número que representa uma queda de 31% em sete dias. 

Segundo a SES-RJ, desde o dia 15 de março, foram criados 280 novos leitos nos hospitais estaduais e 156 nos hospitais federais localizados no estado. Os estabelecimentos de saúde de ambos os níveis somam atualmente 711 vagas de UTI e 548 de enfermaria. Esses números não incluem a rede privada e as unidades municipais.

Uma questão tratada na apresentação da SES-RJ foram os desafios envolvendo a regulação do acesso, isto é, a organização, o controle e o gerenciamento dos fluxos no âmbito do SUS. Por meio da regulação, podem ser identificados vazios sanitários e lacunas assistenciais, elementos que devem ser levados em conta na elaboração de estratégias e políticas públicas.

Entre os problemas que a pasta busca enfrentar estão a ausência de sistema informatizado que interligue o complexo regulatório em tempo real, a falta de protocolos pactuados entre todas as secretarias municipais de saúde, a inexistência de normas comuns para que se eliminem regulações paralelas de leitos e as falhas de comunicação entre as esferas federal, municipal, universitária e estadual.

A secretaria prestou ainda informações sobre o Hospital Modular de Nova Iguaçu, inaugurado há 10 dias. O hospital está funcionando com 150 leitos, sendo 60 de enfermaria e 90 de UTI. As vagas serão expandidas gradativamente. A capacidade máxima é de 300 leitos. A unidade não atenderá demanda espontânea, apenas pacientes com covid-19 encaminhados pelo sistema de regulação. Será dada prioridade aos que estão internados em UPAs e unidades pré-hospitalares.

As obras do Hospital Modular terminaram em junho de 2020 e custaram R$ 62 milhões. Uma série de imbróglios e questionamentos adiaram três vezes a inauguração. As atividades tiveram início no dia 3 deste mês abril. A unidade foi batizada Dr. Ricardo Cruz, em homenagem a um reconhecido cirurgião que morreu com covid-19 em dezembro do ano passado.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Saúde deixa vencer R$ 80,4 mi em insumos; testes de covid-19 estão no lote

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Teste rápido para detecção da covid-19
Governo do Estado de SP

Teste rápido para detecção da covid-19

O Governo Federal terá que incinerar insumos que juntos, custaram R$ 80,4 milhões aos cofres públicos. Dezenas de testes para covid-19 , medicamentos para os mais diversos fins e vacinas venceram nos estoques do Ministério da Saúde, e por não terem sido distribuídos pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), serão descartados. As informações foram extraídas de documentos obtidos pelo Estadão.

O órgão chegou a ser notificado em duas ocasiões sobre a proximidade da data de validade de 32 tipos de insumos, mas não agiu a tempo. No lote, estão 18 mil kits de testes de covid-19, 44 vacinas contra meningite e 16 mil vacinas contra a gripe, que neste ano, poderiam ter sido aplicadas em toda a população em razão da ampliação da campanha promovida pelo Ministério da Saúde.

Os materiais estavam armazenados no Centro de Distribuição do Ministério em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. Em uma planilha da pasta, consta que houve mais de uma notificação sobre o vencimento para sete dos insumos. Em abril e em junho, a SVS recebeu o alerta sobre produtos com vencimento entre 8 de julho e 31 de agosto que custaram R$ 2,6 milhões.

Entre 2017 e 2021, 271 itens deixaram de ser utilizados e perderam a validade. A soma do prejuízo é de aproximadamente R$ 190,8 milhões. Quase todos os insumos – 96%, segundo os documentos, foram perdidos a partir de 2019, já sob o governo de Jair Bolsonaro. Para efeito de comparação, entre 2017 e 2018, o país perdeu R$ 680 mil em insumos não utilizados; a partir de 2019, o valor chegou aos R$ 190,1 milhões.

Na semana passada, a coordenadora-geral substituta de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde, Katiane Rodrigues Torres, redigiu um ofício informando que comunicou a pasta sobre a proximidade, no entanto, mas não obteve resposta “em tempo hábil para distribuição destes Insumos Estratégicos para Saúde – IES”.

A coordenadora pediu para que fosse apresentada uma justificativa, afirmando que os contratos estavam custando ainda mais à União em razão do armazenamento. O documento foi enviado ao diretor de Logística do Ministério, general Ridauto Lúcio Fernandes, e posteriormente a SVS. Fernando citou ainda uma reunião com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sobre o tema, afirmando que o informou sobre o caso.

Além do material já citado, o lote contava também com kits para diagnóstico de dengue, zika e chikungunya, vacinas pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria haemophilus influenza tipo b), tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), BCG, soros e diluentes.

O iG solicitou posicionamento do Ministério da Saúde sobre o caso, e atualizará a reportagem assim que obtiver resposta. 

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Prevent Senior: como operadora investigada virou ‘única alternativa’ para idosos

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BBC News Brasil

Prevent Senior: como plano de saúde investigado cresceu como 'única alternativa' para idosos
Thais Carrança – Da BBC News Brasil em São Paulo

Prevent Senior: como plano de saúde investigado cresceu como ‘única alternativa’ para idosos

A CPI da Pandemia ouve nesta terça-feira (28/9) a advogada Bruna Morato, que representa um grupo de 15 médicos da Prevent Senior. Eles elaboraram um dossiê no qual a operadora de planos de saúde é acusada de usar seus hospitais como “laboratórios” para estudos com medicamentos comprovadamente ineficazes para o tratamento da covid-19.

Além da CPI, a Prevent Senior é investigada também pelo Ministério Público de São Paulo, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – órgão do governo federal que regula o setor de planos de saúde – e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

A operadora de planos de saúde é suspeita de pressionar seus médicos a prescrever remédios sem eficácia comprovada para o tratamento da covid-19 ; ministrar esses medicamentos em alguns casos sem o consentimentos dos pacientes e seus familiares; e fraudar atestados de óbito, registrando mortes pelo coronavírus com outras causas.

Em depoimento à CPI da Covid na quarta-feira (22/09), o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista, negou as acusações e disse que o dossiê apresentado à comissão é fruto de dados roubados e manipulados. A empresa pediu que a Procuradoria-Geral da República investigue o caso.

Em meio a todas essas denúncias, a empresa enfrenta a maior crise de imagem desde sua fundação, em 1997.

No entanto, beneficiários insatisfeitos com acusações de má-conduta da companhia se veem numa sinuca de bico: praticamente não existem concorrentes que ofereçam planos para idosos na mesma faixa de preços da Prevent Senior em São Paulo, maior mercado para planos de saúde do país e região de foco de atuação da empresa.

Assim, analistas avaliam que, mesmo diante da sucessão de escândalos envolvendo a companhia, ela tende a ser pouco afetada em seu número de beneficiários – atualmente em 542 mil, segundo a ANS, o que coloca a operadora entre as dez maiores do Brasil.

Como os idosos clientes da Prevent chegaram nessa situação, de quase não terem alternativas no mercado de planos de saúde paulista? E como a empresa cresceu apostando nesse segmento desprezado pelas demais operadoras? Contamos aqui.

Diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista, presta depoimento na CPI

Edilson Rodrigues/Agência Senado
O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista, compareceu à CPI da Covid no Senado e negou as acusações

História da Prevent Senior

A Prevent Senior foi fundada pelos irmãos Fernando e Eduardo Parrillo, que começaram a atuar no setor de saúde no negócio de remoção de pacientes por ambulância.

Fernando Parrillo falou sobre isso em entrevista publicada em 2007 na revista Memória Empresarial:

“Em 1996, surgiu a ideia da ambulância. Eu era o motorista, e o meu irmão, quando removíamos pacientes de UTI, ia como médico na parte de trás. Começamos dessa forma, com uma empresa chamada Remotion, quando percebemos que poderíamos exercer outra função. Em vez de fazermos a remoção, nós poderíamos ser a empresa que recebia os pacientes”, contou o hoje presidente-executivo da Prevent Senior.

O passo seguinte dos irmãos foi comprar uma clínica em Santo Amaro e criar um plano de saúde. Em seguida, eles decidiram investir numa estrutura própria, para que a clínica não dependesse mais das empresas de ambulância para fazer a remoção dos pacientes.

O próximo passo, segundo o empresário, foi criar um modelo de negócios focado na prevenção e no público com mais de 60 anos.

“Nessa fase, apareceu a oportunidade da compra de um hospital na Bela Vista [bairro da região central de São Paulo], que foi o grande salto da nossa vida”, contou Fernando Parrillo. Esse primeiro hospital foi inaugurado em 1997.

“Outra estratégia fundamental foi investir em publicidade pela televisão. Ainda não existia merchandising de operadora de saúde, e nós fomos os primeiros a entrar. Quando o meu irmão aparecia falando do nosso sistema em um programa vespertino, era uma loucura para atender todas as chamadas telefônicas.”

O modelo de negócios deu certo: a empresa viu seu faturamento saltar de R$ 449 milhões em 2011, para R$ 1 bilhão em 2014 e mais de R$ 4 bilhões em 2020. O lucro acompanhou essa trajetória ascendente, indo de R$ 33 milhões em 2011, para R$ 496 milhões no ano passado.

Por que a maioria das operadoras cobra preços exorbitantes dos idosos?

“A Prevent Senior é um caso único em seu segmento, que desafia a lógica do setor”, observava a XP Asset Manegment, em relatório de 2020.

“Apresenta majoritariamente beneficiários idosos, que a princípio oneram mais a rede devido à maior frequência de atendimentos, sobretudo dos mais complexos e internações, e ainda assim exibe margens de rentabilidade muito acima da média do setor.”

O comentário da gestora de recursos ajuda a entender por que os outros planos cobram preços proibitivos dos idosos – o que fez a Prevent se destacar ao cobrar mensalidades de em média R$ 800.

“O preço tem a ver com risco na área planos de saúde”, explica Carlos Suslik, médico, consultor na área de saúde e ex-diretor executivo do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo.

“A gente costuma dizer na área de saúde que a pessoa gasta 50% de tudo que ela gasta em saúde ao longo da vida no último ano de vida, porque é nesse último ano que em geral vem o ‘evento catastrófico’, como um câncer, um infarto, um AVC [acidente vascular cerebral]”, exemplifica o consultor.

“É muito difícil a gente morrer que nem um passarinho, que dorme, e no dia seguinte está morto. E, quanto mais velho a gente está, mais próximo estamos desse último ano de vida. Isso faz com que o custo da saúde do idoso seja muito maior”, justifica.

Idosa olhando pela janela

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A partir de 2004, lei proibiu planos de saúde de fazerem reajustes por faixa etária para pessoas acima dos 60 anos

A questão das faixas etárias para reajuste dos planos

Para Alessandro Acayaba de Toledo, presidente da Anab (Associação Nacional das Administradoras de Benefícios), um outro fator que leva aos altos preços dos planos de saúde para idosos é o fato de, a partir de 2004, com a entrada em vigor do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03), os planos de saúde terem ficado proibidos de fazer reajustes por faixa etária para pessoas acima dos 60 anos.

Até 2004, os planos tinham sete faixas etárias, sendo as últimas 50 a 59 anos, 60 a 69 anos e 70 anos em diante. Depois do Estatuto do Idoso, as faixas passaram a ser dez, mas a última delas é 59 anos ou mais.

A partir dessa idade, portanto, os planos não podem mais fazer reajuste por faixa etária, mas apenas o reajuste anual baseado na variação dos custos médico-hospitalares e na sinistralidade (número de vezes em que o plano de saúde é usado pelos pacientes).

“Por essa regra, o cara de 65 anos paga a mesma coisa que o cara de 85 anos. Isso faz com que o plano tenha que cobrar mais caro de todo mundo na média”, argumenta Suslik, que defende a volta das faixas adicionais para os idosos mais velhos.

Matheus Falcão, advogado do programa de Saúde do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), discorda da proposta e diz que a faixa única acima dos 59 anos foi estabelecida para proteger os direitos dos idosos.

“Conhecemos esse argumento, mas não concordamos com essa tese”, diz Falcão. “Foi estabelecida uma faixa só porque o Estatuto do Idoso veta a discriminação entre idosos. A proibição de que haja reajustes distintos é uma forma de proteger essa parcela da população”, considera.

Segundo o advogado, o mercado de planos de saúde é orientado pelo princípio do mutualismo, em que os setores mais jovens ajudam a financiar os mais velhos. “Você não pode individualizar o risco, isso quebra com a ideia do mutualismo. Se você permitir que as pessoas mais velhas recebam reajustes mais elevados, isso vai expulsando as pessoas nos níveis mais elevados e nada garantiria que as operadoras reduziriam o percentual de reajuste.”

Como a Prevent conseguiu então ser bem sucedida atendendo idosos?

Segundo dados da ANS, a Prevent Senior tem 76% de sua carteira de beneficiários composta por idosos, comparado a uma média de 14,2% do setor. A idade média dos pacientes da operadora é de 66,6 anos, contra média setorial de 35,8 anos.

O que garante à operadora menores custos do que a concorrência e permite a ela oferecer planos mais baratos aos idosos é a verticalização, jargão do mundo dos negócios para quando uma empresa controla as diversas etapas do seu processo, sem terceirizá-las para outras companhias.

“A empresa conseguiu com muito sucesso implementar uma estrutura muito vertical, centrando grande parte dos atendimentos e exames, dos simples aos complexos, em seus postos de atendimentos e rede própria de hospitais, conhecida como Sancta Maggiore”, diz a XP Asset no seu relatório.

Suslik explica que o uso da rede própria permite à empresa um maior controle dos custos.

“Na rede própria, você consegue regular o uso de exames, de laboratórios, de internações, o tempo de internação, porque a rede é sua”, diz o consultor, lembrando que outras operadoras também têm redes próprias, como NotreDame Intermédica, Hapvida e Unimed, no Brasil, e a Kaiser Permanente, no mercado americano.

Outro fator que reduz o custo da Prevent, segundo o ex-diretor do HC, é a regionalização.

“Se um paciente da Prevent de São Paulo passar mal em Manaus, ele não tem cobertura – quem compra sabe disso. Isso reduz custos porque, para ter uma cobertura nacional, é preciso credenciar serviços no país inteiro, para um número de pacientes muito pequeno, então o preço para credenciar é muito mais alto, porque você não tem poder de barganha”, explica.

O problema desse modelo baseado em rede própria e regionalização é a dificuldade de escalar o negócio. Isso explica por que somente em 2020 a Prevent Senior expandiu sua atuação para o Rio de Janeiro, ainda restrita à capital fluminense.

Plano individual ou coletivo?

Outra peculiaridade do modelo de negócios da Prevent é apostar quase que exclusivamente em planos individuais ou familiares, quando a maioria do setor prefere os planos coletivos, que são aqueles oferecidos por empresas ou associações de classe, como os sindicatos.

Segundo a ANS, a Prevent tem 94,5% de beneficiários em planos individuais ou familiares e somente 5,5% em planos coletivos. No setor em geral, 81,4% dos beneficiários estão em planos coletivos.

“A diferença é que, nos planos individuais, a definição do reajuste é feita pela própria ANS – recentemente, numa decisão inédita da agência, teve até um reajuste negativo. Enquanto isso, nos planos coletivos, há uma liberdade de reajuste entre as empresas contratantes”, explica Toledo, da Anab.

“Historicamente, o índice de reajuste aplicado aos planos individuais é inferior àquele aplicado aos planos coletivos, então as operadoras já há muito tempo desestimularam a comercialização de planos individuais e passaram a ter oferta maior de planos coletivos.”

Aqui, novamente, o representante do setor de planos de saúde defende que uma menor regulação pela ANS poderia aumentar a competição no segmento de planos individuais, dando mais opções aos consumidores. E aqui, também de novo, o advogado do Idec discorda.

“No entendimento do Idec, a solução seria que a regulação se estendesse também para os planos coletivos”, diz Falcão, do instituto de defesa do consumidor. “O problema não está na regulação dos planos individuais, está na falta de regulação dos planos coletivos, que permite às operadores cobrarem aí preços mais elevados.”

Para o advogado, o que poderia reduzir custos no setor de planos de saúde e permitir uma maior oferta de serviços para os idosos seria uma maior transparência nos custos das operadoras, o que beneficiaria empresas e consumidores, na sua visão.

Idosos sem alternativa

O resultado desse modelo único criado pela Prevent e da falta de competição no segmento em que ela atua é que seus pacientes não têm muita opção, se ficarem descontentes.

“Se eu não tenho outra opção, ou a outra opção é pior, eu fico onde estou, é basicamente isso”, diz Suslik.

Ele também descarta que as concorrentes tentem aproveitar a crise de imagem da empresa para abocanhar parte do seu filão. “Esse modelo que eles fizeram é muito difícil de copiar, eles são muito especializados na terceira idade e são muito bons nisso. Mesmo quando o [ex-ministro da Saúde Luiz Henrique] Mandetta criticou a empresa, e eles também tiveram uma perda de imagem, aumentou o número de pacientes”, exemplifica o consultor.

Ele faz referência a episódio ocorrido em março de 2020, quando o então ministro acusou a Prevent Senior de promover “aglomeração de idosos”, num momento em que a rede era destaque no noticiário pelo número elevado de mortes por covid-19 em seus hospitais.

Hidroxicloroquina

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Plano de saúde é acusado de usar irregularmente em sua rede o chamado ‘kit covid’

Toledo, da Anab, avalia que a situação da empresa poderia se complicar mais, caso as diversas investigações em andamento sobre a Prevent se estendam do âmbito da pandemia para outras práticas. Mas também avalia que as opções dos idosos são restritas.

“A partir dessas denúncias de impulsionamento do ‘kit covid’, da hidroxicloroquina e outras coisas mais, por talvez ser um tratamento mais em conta, mais barato, isso chama a atenção das autoridades e pode eventualmente ter desdobramentos para saber se esse tipo de prática se replicava em outros modelos de atenção e assistência às pessoas”, afirma.

O representante lembra que uma pesquisa do Instituto Vox Populi, encomendada pelo IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar) e divulgada em junho deste ano, mostrou que ter um plano de saúde é o terceiro maior desejo do brasileiro, atrás de casa própria e educação.

“É claro que os idosos que tem lá seu dinheirinho querem ter uma assistência médica privada de qualidade, mas muitas vezes não cabe no bolso deles. Aí a Prevent Senior acaba apresentando uma solução com custo benefício interessante. O fato de ela estar no centro da CPI arranha, é claro, a imagem da empresa, mas, no fim do dia, as pessoas nessa faixa etária não têm uma outra opção.”


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Fonte: IG SAÚDE

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