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Reformas em condomínio de luxo podem ter interferido para enchentes do Rio

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Reformas em condomínio de luxo do Rio de Janeiro
Daniel Castelo Branco/Agência O Dia

Obras em condomínio de luxo alteraram nascente de rio e moradores relacionam fato ao drama das enchentes


A casa do confeiteiro Matheus Santana foi uma das mais atingidas pela lama trazida pelas enchentes à rua Rangel Guimarães, no Itanhangá, Zona Oeste do Rio, na noite de segunda-feira (8). A enxurrada soterrou o interior da residência até quase o teto. A avó dele, de 74 anos, teve de pular a janela para escapar, até ser resgatada por vizinhos, quando era levada pela correnteza. O rapaz, de 21 anos, acusa o condomínio de luxo Reserva Itanhangá de ser o causador da tragédia, pois a lama desceu de de tal terreno, com quem os fundos da casa dele faz divisa.

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“Essa história é antiga. Há 15 anos, o condomínio desviou o curso de uma nascente e fez a água passar pelo meu quintal. Minha família teve de fazer uma obra para desviar essa água para outro local. Agora, para piorar, o condomínio desmatou o terreno e deixou as raízes cortadas no mesmo local. Isso forçou ainda mais o muro da minha casa, o qual acabou caindo e trazendo essa lama com as enchentes
“, disse o confeiteiro.

Matheus tinha uma fábrica de doces no quintal, mas viu o sonho do próprio negócio virar lama. “Investi 15 mil reais nisso no ano passado. Perdi tudo. Dormi no trabalho, um hotel. Quando cheguei, a minha avó disse: “não tem jeito, não temos mais casa”. Eu estava construindo meu espaço para sair do hotel. Agora não tem como mais. Por enquanto, estamos abrigados em familiares, na Barra da Tijuca”, afirmou o rapaz.

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Os pais dele moram em outra casa, no mesmo terreno. A lama derrubou a parede que dividia as duas residências.

Questionada sobre as intervenções denunciadas pelo morador, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Secomserma) informou que irá enviar uma equipe ao local para vistoriar e tomar as providências cabíveis. O condomínio
Reserva do Itanhangá não respondeu aos questionamentos até o fechamento do texto.

O vendedor Wasley Moreira Lima, 20 anos, foi outro a ter grande prejuízo com a inundação da rua. “Tive que ficar segurando portão para não entrar às rochas gigantes que vinham. Familiares e amigos fazem vaquinha para alugar um apartamento. Só salvamos geladeira, dois armários e um colchão. O resto perdemos”, disse o rapaz, que mora na casa com a esposa e o sogro.

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Para piorar o drama dos moradores da Rangel Guimarães, a Prefeitura do Rio
não havia realizado a limpeza da via até esta quinta-feira. Eles, então, pagaram R$ 700 para que um prestador de serviços particular tirasse, com uma retroescavadeira, nesta quinta-feira, a areia trazida pela água.

“A Comlurb veio ontem (quarta-feira), tirou duas pás de areia, e disse que não tinha maquinário adequado. Aí, fizemos um rateio para contratar a limpeza. Senão ninguém sai de casa com carro”, disse o técnico em áudio e vídeo Flávio Francisco Bezerra, 39 anos.

Em nota, a Comlurb disse que está atuando em toda a região para contornar os problemas causados pelas enchentes
. “A Comlurb está atuando em toda a região do Itanhangá, incluindo Muzema e Rio das Pedras, desde a noite de segunda-feira, com um efetivo de 30 garis, oito caminhões basculantes e três pás carregadeiras, além de quatro caminhões basculantes e um coletor de carga lateral, dois coletores de carga traseira, na raspagem e remoção de lama e terra. Na Largo da Barra são mais 20 garis”, diz a nota.

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Perfil anti-fake news ganha adesão e incomoda Planalto

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Fake News
Allan White/ Fotos Públicas

Sleeping Giants Brasil tenta combater fake news no Twitter e no WhatsApp

Em apenas cinco dias de atividade – de segunda à sexta-feira passada -, o perfil do Twitter Sleeping Giants Brasil, de ação anti-fake news, ganhou mais de 215 mil seguidores e obteve a cooperação de pelo menos 35 empresas de renome. O sucesso foi registrado em post da versão original da iniciativa, vinda dos Estados Unidos, quando foram atingidos 68 mil seguidores: “Nos quase levou um ano para chegar a esse resultado”. O site incomodou o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o secretário de Comunicação do governo federal, Fábio Wajngarten.

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O modo de atuação é simples: eles verificam que anúncios estão sendo alocados – por meio de uma ferramenta publicitária do Google – em sites de fake news. É então feito um alerta às empresas anunciadas, que muitas vezes só especificam qual perfil demográfico de leitor querem atingir e não sabem que sua propaganda foi parar em um portal de notícias falsas. A companhia, então, informada do que está acontecendo, cadastra o endereço indesejado em uma lista negra, para que sua propaganda não seja exposta lá.

A prática é chamada de “desmonetização”, já que o site colocado nessa lista fica sem a verba do anunciante. Se muitas empresas desmonetizam o mesmo portal, ele passa a ser financeiramente insustentável.

A estratégia foi primeiro adotada pelo publicitário americano Matt Rivitz – do Sleeping Giants original – há mais de três anos, e foi responsável pela perdição financeira do Breitbart News, de Steve Bannon. Projetado para receber € 8 milhões (quase R$ 50 milhões), em 2016, ele perdeu 90% dos anunciantes, segundo o que o próprio ex-estrategista de Donald Trump relata no documentário The Brink, de 2018.

Com a identidade revelada por veículos conservadores, Rivitz recebeu ameaças de morte.

A versão brasileira do perfil nasceu tanto no Twitter como no Facebook – em duas equipes anônimas independentes – logo depois da publicação de uma reportagem do El País que conta a história de Rivitz. “Não houve qualquer coordenação”, escreveu ao jornal O Estado de São Paulo o responsável pela conta no Facebook.

Ele afirmou que o perfil no Twitter estava disponível e foi tomado enquanto ele criava a versão no Facebook. Ou seja, a ação de ambos foi simultânea. “Já estava lá essa outra iniciativa, que é ótima, por sinal. Já entrou com muita informação. Então, devidamente creditada, ela foi replicada no Facebook.”

Já o perfil no Twitter é gerido por duas pessoas e recebe ajuda por mensagens e em uma rede de confiança no WhatsApp. O principal administrador disse ser oriundo de universidade pública, onde passou a se interessar pelo tema de fake news. Questionado sobre como os alvos são selecionados, respondeu: “Utilizamos o incrível material que as agências de fact cheking desenvolvem. Buscamos sempre ter como foco o principal veículo que atente contra a democracia”.

Retirada. O primeiro alvo de desmonetização foi o Jornal da Cidade Online, um dos veículos mais populares nas eleições de 2018 e citado como disseminador de informações falsas pelo Projeto Comprova – coalizão de 24 veículos de imprensa, incluindo o Estado de São Paulo, criada para desmentir boatos.

“Excluímos o site em questão que está sendo acusado publicamente de propagar inverdades”, informou o Mercado Livre ao Estadão. A empresa foi uma das alertadas pelo Sleeping Giants Brasil. “O Mercado Livre esclarece que mantém filtros para bloqueio automático de sites que propagam conteúdo impróprio. No que se refere à veiculação de notícias falsas, às quais repudiamos veementemente, os bloqueios podem também ocorrer de maneira reativa a partir de denúncias, analisadas caso a caso”, afirma a nota da empresa.

O Sleeping Giants Brasil também retuitou a resposta oficial – confirmando a desmonetização do Jornal da Cidade Online – das empresas McDonald’s, Decathlon, Serasa, Philips, Fast Shop, Claro, Insper, FGV, Dell, Submarino, entre outras. O Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul fez o mesmo.

O Jornal da Cidade Online classificou a ação do Sleeping Giants Brasil de “calúnia” e disse que “imprecisões” em notícias foram, posteriormente, corrigidas. “O crime de calúnia tem que ser a atribuição falsa de algo que seja crime a uma pessoa física especificada, com a intenção de ofender a reputação dessa pessoa”, disse ao Estadão o criminalista Rogério Taffarello. “Narrar um fato com a mera intenção de informar não constitui crime, e isso é algo totalmente pacífico nos tribunais.”

Críticas

Os grandes defensores do portal de fake news foram Carlos Bolsonaro e Wajngarten. Ambos têm vínculos com o “gabinete do ódio”, núcleo de assessores responsáveis pelas redes sociais da Presidência que defendem a pauta de costumes e incentivam a adoção de um estilo beligerante.

Carlos e Wajngarten reclamaram quando o Banco do Brasil retirou seus anúncios do Jornal da Cidade Online, a ponto de conseguir reverter a decisão. O filho de Bolsonaro escreveu em suas redes sociais que a instituição “pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas”. Em seguida, a área de marketing do BB, comandada por Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, alegou que o bloqueio foi exagerado e retomou os anúncios.

“As mídias alternativas são veículos independentes que contribuem para a informação”, afirmou ao Estadão o responsável pelo Sleeping Giants Brasil no Twitter. “Os sites como o que ele defende são nada mais nada menos que divulgadores de notícias falsas e discurso de ódio direcionado a instituições importantes para uma democracia.”

A International Fact Checking Network (IFCN), associação mundial de verificadores de fatos, afirmou que “esses grupos de interesse têm um forte papel na conscientização da sociedade em relação a esses grupos que desinformam o público e constroem um discurso controverso”. “A desinformação está cada vez mais entrelaçada com discurso de ódio, xenofobia e discriminação contra comunidades desfavorecidas”, disse o diretor da IFCN, Baybars Örsek.

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Antecipação de feriados em São Paulo funcionou? Entenda

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o governador joao doria
Agência Brasil

O governador de São Paulo, João Doria, foi favorável à medida em São Paulo; governo estadual ajudou a antecipar feriado de 9 de julho para segunda-feira


Mesmo com ações de antecipação de feriados por parte dos governos municipal e estadual, o isolamento social em São Paulo caiu e fechou em 48% na sexta-feira, 22. Dado vem de levantamento do estado por meio de sistema de monitoramento de deslocamento, obtido por dados de aparalhos celulares.

Leia também: Doria apoia Covas e amplia antecipação de feriados para o estado de SP

A Prefeitura conseguiu reorganizar o calendário para que a população aderisse ao isolamento social e ficassem em casa, como pedem as orientações de combate ao novo coronavírus .

Na quinta-feira, 21, o nível era de 52% , mas estava longe de atender o número ideal. Na quarta-feira, 20, primeiro dia do megaferiado, a taxa foi de 51%. 

Corpus Christi, Dia da Consciência Negra foram os primeiros a serem antecipados. A sexta-feira contaria como ponto facultativo. Mas sete municípios do ABC Paulista anteciparam feriados municipais para sexta-feira.

Os sete municípios que compõe o ABC Paulista, na Região Metropolitana, também anteciparam os feriados municipais para a última sexta-feira.

 Deputados estaduais também aprovaram a antecipação do feriado da Revolução Constitucionalista , de 9 de julho, para segunda-feira.

O estado de São Paulo lidera em número de casos e mortes no Brasil. São mais de 80 mil infectados e pouco mais de 6 mil mortes, sendo que 272 foram registradas nas últimas 24 horas .

A ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) no estado é de 73,7%. A capital paulista está prestes a atingir os 90% de ocupação; hoje, 24, o nível é de 89,2% de ocupação. 

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