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Projeto mostra que é possível integrar agricultura e preservação

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Pesquisas feitas desde 2010 no Cerrado mostram que produção agrícola e conservação do meio ambiente podem andar juntas, incrementando o lucro dos agricultores brasileiros e evitando o pagamento de multas pelo descumprimento de leis ambientais. Tais pesquisas contribuem para que os produtores cumpram a legislação e obtenham lucros a partir de reservas florestais e áreas de proteção permanente.A iniciativa abrange os demais biomas brasileiros (Amazônico, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica).

“O maior ganho proporcionado pelo Projeto Biomas é aproximar produtores, pesquisadores, órgãos de fiscalização e governo, na busca por construir soluções”, diz Adriano Varela, um dos donos da Fazenda Entre Rios – propriedade localizada no Programa de Assentamento Dirigido (PAD-DF), escolhida para implementar a experiência no bioma do Cerrado.

Segundo o sócio de Varela, José Brilhante Neto, o projeto muda a visão e o temor que os produtores têm das autoridades ambientais. “Os produtores querem resolver as questões ambientais de suas propriedades, mas não sabem como fazer”, explicou Brilhante, referindo-se à orientação que recebem de técnicos e pesquisadores ligados ao projeto, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A iniciativa apresenta exemplos de recuperação ambiental pelo produtor, com a incorporação de árvores ao sistema produtivo, o estímulo à produção florestal com espécies nativas e adequação de propriedades rurais ao novo Código Florestal.

Ao desenvolver pesquisas com foco na preservação de áreas de proteção e reservas florestais, o projeto mostra que esse tipo de cuidado pode resultar em lucro, porque, além de evitar multas por descumprimento da legislação ambiental, representa acesso a mercados cada vez mais voltados a produtos ambientalmente responsáveis.

Dia de Campo

Segundo o chefe-geral da Embrapa Cerrado, Cláudio Karia, mais de 70 pesquisadores participaram de cerca de 20 experimentos na Fazenda Entre Rios, ao longo dos oito anos de participação no programa. “O Código Florestal é uma grande oportunidade para colocarmos em prática todo o conhecimento que geramos na Embrapa”, disse Karia durante o Dia de Campo do Projeto Biomas no Cerrado– evento comemorativo à Semana do Meio Ambiente, realizado no último dia 7.

Uma das pesquisadoras que participam do Biomas Cerrado é Sybelle Barreira, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ao fazer uma apresentação sobre o papel da árvore em uma propriedade, no sentido de garantir condições ambientais para a produção, Sybelle enfatizou que, além dos aspectos ecológicos e ambientais, o cuidado com as reservas florestais “pode resultar em renda para o produtor”, por meio da venda de sementes, mudas, óleos de árvores nativas, e até mesmo madeira, no caso de plantas exóticas (importadas) .

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“As madeiras podem inclusive representar economia, quando usadas para a construção de cercas ou mesmo da infraestrutura da fazenda”, disse a professora. Também integrante do grupo de pesquisadores do Bioma Cerrado, a bióloga e professora do Departamento de Ciências Naturais da Universidade de Brasília (UnB) Maria Cristina Oliveira acrescentou que “grande parte do ganho é obtida por meio do efeito indireto para o empreendimento”, uma vez que garante condições mais adequadas para a produção.

Na Fazenda Entre Rios, foram plantadas 900 mil sementes e 8 mil mudas de 100 espécies nativas do Cerrado e 10 de espécies exóticas, durante os quase oito anos de projeto. Dos 170 hectares da fazenda, 70 foram disponibilizados diretamente ao projeto.

Segundo a engenheira agrônoma e coordenadora executiva da CNA, Cláudia Mendes, o Projeto Biomas ajuda o produtor a resolver problemas ambientais em meio a lacunas como a dos passivos ambientais. “Estamos inserindo o produtor nisso, possibilitando inclusive retorno econômico e alternativas econômicas para uma adequação menos onerosa às diretrizes, de forma a melhor se adaptar tanto ao Código Florestal como ao Programa de Regularização Ambiental (PRA)”.

“Meio ambiente e agronegócio têm de andar de mãos dadas; juntos. O produtor rural é o maior interessado na preservação porque é a forme de ele manter o seu negócio”, disse Adriano Varela à Agência Brasil.

Coordenador do Bioma Cerrado, Felipe Ribeiro explica que o projeto no Cerrado é desenvolvido em três estações. A primeira, dedicada à identificação, visando à adequação ambiental da área. A segunda, para apontar estratégias de plantio para a recomposição da vegetação nativa. E a terceira, visando à inserção das árvores na propriedade rural.

“A ideia é ajudar o produtor a identificar o que tem e o que precisa fazer para atingir essa meta”, resume o coordenador do projeto. Segundo Ribeiro, o site WebAmbiente é uma ferramenta relevante para ajudar os agricultores a dar os primeiros passos para se adaptar à legislação ambiental. De acordo com o coordenador do projeto, outra ferramenta interessante para a capacitação dos agricultores, no sentido de se adequarem às diretrizes é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Legislação

O Código Florestal prevê que o agricultor faça um cadastro ambiental, no qual informe as dimensões da propriedade, a existência de áreas de preservação permanente (APP) e de reservas legais. Por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR), identifica-se o passivo ambiental da área.

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À autoridade ambiental, cabe definir as diretrizes a serem seguidas pelo agricultor que, ao aderir ao programa, assina um termo de compromisso visando à recuperação ambiental de sua área.

De acordo com o superintendente de Licenciamento Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Alisson Neves, em quatro anos de CAR, já foram assisitidos 15 mil imóveis rurais que abrangem 150 mil hectares de terras apenas no Distrito Federal (DF). “Quem não fez o CAR no DF, não o fez por opção, porque ele é gratuito”, disse Neves.

“Ao atender legislação, questão ambiental e produtor rural, o projeto quebra paradigmas e constrói soluções. O que fazemos é abrir uma conversa entre meio ambiente e agricultura”, acrescentou.

De acordo com o pesquisador do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Alexandre Sampaio, o Código Florestal ajuda a proteger nascentes, que, segundo ele, são as torneiras das áreas rurais, e matas de galeria, que são as tubulações por onde a água escorre. “Não há necessidade de produção e conservação baterem cabeça. Elas podem andar juntas e se ajudarem”, afirmou o agrônomo.

Sampaio destacou que até mesmo a soja depende e se beneficia da polinização feita por organismos nativos como borboletas, abelhas e outros insetos. “A polinização natural representa um incremento de R$ 43 bilhões para a produção agrícola do país. Portanto, colocar em risco essa polinização representa um aumento do risco também para o lucro do produtor.”

Além disso, os cuidados a serem adotados pelos produtores agrícolas podem evitar futuras dificuldades em um mercado cada vez mais preocupado com a responsabilidade ambiental de empreendimentos desse tipo. “Tem também a questão da pressão externa via mercado, que pode ter uma influência ainda maior do que a da legislação. É aquela história: o órgão mais sensível do ser humano é o bolso. Se não tiver quem compre, ninguém produz”, acrescentou o agrônomo Leonel Generoso, da Secretaria de Meio Ambiente do DF, que participou da visita à fazenda.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Economia
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Um ano de Brumadinho: movimento global busca reparar vítimas e mudar a mineração

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Terreno transformado após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão arrow-options
Foto: Eduarda Esteves

Terreno transformado após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão

Passado um ano do maior acidente de trabalho do País, que causou 270 mortes, entre funcionários da Vale e de empresas terceirizadas; moradores do município e visitantes, a investigação do caso Brumadinho também corre internacionalmente.

O Ministério Público de Munique abriu um inquérito, em dezembro de 2019, para apurar se os funcionários da empresa de inspeções e certificação alemã Tüv Süd contribuíram para a ocorrência do crime ao certificar a estabilidade da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em setembro de 2018.

Um dos pontapés iniciais para a internacionalização do caso ocorreu em outubro de 2019, quando familiares das vítimas, advogados e ativistas viajaram à Europa para denunciar a empresa certificadora alemã Tüv Süd, responsável por atestar a segurança da barragem de rejeitos.

A queixa criminal é uma tentativa de colocar pressão sobre a Vale e a certificadora para impedir novas tragédias no setor mundial da mineração.

Na viagem à Europa, o grupo se reuniu com investidores, políticos e representantes de organismos internacionais em sete países diferentes, Espanha, Suíça, Alemanha, Holanda, França, Itália e Bélgica.

Em entrevista ao iG, Carolina de Moura Campos, coordenadora geral da Associação Comunitária da Jangada  e integrante da Articulação Internacional de Atingidas e Atingidos pela Vale explicou que a jornada internacional foi muito importante para chamar atenção de outros países e cobrar as responsabilidades de atores internacionais. 

Manifestação internacional por Brumadinho arrow-options
Foto: Arquivo Pessoal

Manifestação internacional por Brumadinho

“A gente quis ir até a matriz da Tüv Süd, porque muitas vezes, o que acontece é que a empresa no Brasil é muito menor e o efeito não é tão grande. Mas a matriz sabia o que estava acontecendo e permitiram essa relação criminosa com a Vale”, diz Carolina.

Para a ativista e agricultora, se as duas empresas tivessem dito a verdade, a barragem até poderia romper, mas as pessoas conseguiriam ter saído do local em segurança .

“Exigimos a responsabilização da companhia matriz e de um de seus managers pelos crimes de homicídio, corrupção e dano ambiental ”, frisou.

A denúncia que deu início ao inquérito criminal na Alemanha não tem relação direta com a investigação no Brasil.

“A nossa denúncia na Alemanha não exime a Vale, que é uma empresa brasileira, da responsabilidade. Pelo contrário, é uma forma de de pressionar a Justiça do País para acelerar o processo que já dura um ano sem ninguém ser preso”, complementa.

A ação ocorreu em conjunto com a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidos pela Vale, com a Associação Comunitária da Jangada, em coalizão com o European Centre for Constitutional and Human Rights (ECCHR).

A Agenda incluiu reuniões com relatorias especiais da ONU, audiências com membros do Parlamento Europeu e do parlamento alemão, representantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com investidores da Vale e de empresas compradoras dos minérios extraídos no Brasil, além de debates públicos e manifestações públicas. 

Segundo os advogados que representam os atingidos, Maximiliano Garcez e o alemão Rundiger Helm, o objetivo das ações é tornar as leis mais rígidas para esse tipo de crime e criar mecanismos de proteção para funcionários que queiram denunciar irregularidades.

Mineradora Vale volta a lucrar nove meses após Brumadinho

A queixa

A queixa apresentada à Justiça Alemã aponta que a Declaração de Estabilidade foi concedida mesmo com a barragem apresentando índice de Fator de Segurança menor do que o previsto em normas internacionais.

Para barragens a montante, como a do Córrego do Feijão, o valor mínimo que o “fator de segurança” pode alcançar é entre 1,25 e 1,5, quando passa a apresentar risco de liquefação.

Vale ignorou plano de emergência que poderia ter evitado 270 mortes

Desde março de 2018, a barragem apresentava “fator de segurança” de 1,09, com diversos problemas de drenagem .

Os cálculos, segundo os denunciantes, foram feitos pela própria Tüv Süd e apresentados no Relatório de Revisão de Segurança, datado de 3 de Setembro de 2018.

Para os denunciantes, a Declaração de Estabilidade foi decisiva para que não fossem tomadas medidas de emergência necessárias para melhorar a segurança da barragem, situação que perdurou até que ela se rompesse.

No Brasil, denúncia foi aceita às vésperas do caso completar um ano

Região atingida pelo rompimento da barragem de Brumadinho – MG arrow-options
Foto: Isac Nóbrega/PR

Região atingida pelo rompimento da barragem de Brumadinho – MG

Coincidência ou não, semanas após o MP alemão aceitar a denúncia e anunciar que vai investigar o caso brasileiro, às vésperas de completar um ano da tragédia, as investigações realizadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pela Polícia Civil (PCMG) andaram.

De acordo com o documento,  divulgado na última terça-feira (21), os órgãos concluíram que a empresa de mineração Vale e a consultoria Tüv Süv omitiram do Poder Público, dos acionistas, dos investidores e da sociedade a verdadeira situação de insegurança de diversas das barragens de mineração mantidas pela Vale. 

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Na denúncia do MP, é citado o ex-CEO da Vale, Fábio Schvartsman, que na época ocupava cargo na empresa e outros 11 funcionários da mineradora que trabalhavam nas áreas de gerência da geotecnia e de engenharia, além de outros cinco especialistas e consultores da Tüv Süd de homicídio doloso duplamente qualificados por todas as vítimas.

Eles também responderão pela prática de crimes contra a fauna, contra a flora e por crime de poluição. 

Segundo as duas instituições, a conclusão das investigações demonstra a existência de uma promíscua relação entre as duas corporações denunciadas, no sentido de esconder a inaceitável situação de segurança de várias das barragens de mineração mantidas pela Vale.

“Além dos sistemas computacionais e seus subprodutos, as análises, os parâmetros, os resultados e as recomendações dos especialistas internacionais e nacionais, feitas durante os painéis internos realizados periodicamente pela Vale (PIESEMs), também não eram compartilhados com o poder público”, afirma trecho da denúncia. 

A partir dessas omissões, a empresa conseguia evitar impactos negativos na reputação.

“Com o apoio da Tüv Süd, a Vale operava uma caixa-preta com o objetivo de manter uma falsa imagem de segurança da empresa de mineração, que buscava, a qualquer custo, evitar impactos a sua reputação e, consequentemente, alcançar a liderança mundial em valor de mercado”, afirma o Ministério. 

Conforme o MPMG, todos os crimes serão processados e julgados pela Justiça Estadual, em Brumadinho. Além da oferecer denúncia, o MPMG encaminhou à Justiça pedidos cautelares de prisão do gerente-geral da Tüv Süd alemã, Chris-Peter Meier. Confira aqui os nomes dos indiciados e denunciados e a denúncia completa. 

Como Brumadinho pode se tornar um exemplo para o mundo 

Grupo no Parlamento Alemão arrow-options
Foto: Arquivo Pessoal/Carolina de Moura

Grupo no Parlamento Alemão

Durante coletiva de imprensa, realizada na última terça, a presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão Brumadinho, Josiana Melo, contou que a queixas e divulgação do caso na Alemanha não foram tão simples porque as pessoas não tinham muitas informações do que tinha acontecido no Brasil.

Josi, como é conhecida, era engenheira civil da Vale e perdeu a irmã Eliane, que estava grávida de cinco meses. 

“Percebemos que as pessoas pouco sabem sobre a responsabilidade da Tüv Süd no caso Brumadinho. Muito pouco é dito na mídia. Ela precisa ter sua imagem abalada, as pessoas precisam saber o que ela fez. Ela é a segunda maior empresa certificadora do mundo e essa imagem continua ainda intacta. Ela vende confiança, vende papel. As pessoas precisam saber que ela, pelo que tudo indica, certificou estabilidade de uma barragem que estava prestes a ruir”, ressaltou.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada de Minas Gerais (Siticop), Eduardo Armond, também esteve fora do Brasil para levar o caso Brumadinho à Justiça internacional, na Jamaica, nos Estados Unidos e na Alemanha.

Ele compara que na época da tragédia em Mariana, que também ocorreu em Minas Gerais, o sindicato ainda não tinha experiência com esses casos e até protocolaram uma denúncia na OCDE e um processo na Inglaterra para investigação da tragédia ambiental. Mas, as ações seguem até os dias de hoje sem resolução. 

Em 2015, a Vale esteve envolvida em um outro desastre, quando uma barragem da Samarco, joint venture da mineradora brasileira com a anglo-australiana BHP, rompeu-se e matou 19 pessoas, em Mariana, no que foi considerado a maior tragédia ambiental do Brasil.

No caso de Brumadinho, Armond destaca que conseguiu auxiliar na negociação, junto aos órgãos competentes e a Vale, as indenizações destinadas aos familiares dos mortos.

A Vale calcula em R$ 2,8 bilhões o total de indenizações e auxílios emergenciais pagos a vítimas e moradores da região afetados pela tragédia.

Após o grupo de familiares e ativistas entrarem com o processo penal no Ministério Público alemão, Armond conta que em parceria com associações de Brumadinho e alguns sindicatos alemães, conseguiu se reunir pela primeira vez  na sede da Tüv Süd, na Alemanha, com dirigentes da empresa, também em outubro de 2019.

Ele destaca que até abril deste ano, haverá um novo encontro para discutir a possibilidade de novas indenizações aos familiares dos mortos e aos trabalhadores da Vale e terceiros que foram atingidos, mas sobreviveram.

“A Vale já fechou acordos. Mas, com a empresa alemã, a ideia é abrir um canal de negociação direto e isso não impacta o processo criminal que corre na Alemanha, é uma conversa extraoficial”, diz. 

Vale assina o maior acordo trabalhista da história do Brasil

“Depois de um ano, a cada minuto que passa, a gente vai morrendo cada vez mais. Os nossos sonhos foram levados com a lama e destruídos por esse crime hediondo cometido pela Vale ”. O aposentado Antônio Paulorinho, 70, nasceu e morou por toda a vida no vilarejo Córrego do Feijão, localizado na área rural de Brumadinho, em Minas Gerais.

Mas, um ano atrás, no dia 25 de janeiro de 2019, o mar de lama invadiu parte da comunidade e ele precisou deixar sua casa e assistir a familiares e amigos perderem a vida. 

Antônio diz que não faltou nenhuma audiência pública ou manifestação popular. O seu maior desejo é que os responsáveis pelo crime não saiam ilesos. Mas, até agora, ninguém foi preso. 

O Corpo de Bombeiros segue incessantemente na tarefa de buscar de 11 corpos que ainda estão desaparecidos. Danos ambientais, econômicos e à saúde pública são algumas das marcas deixadas nos sobreviventes.

Relações de trabalho e direitos humanos

Corpo de Bombeiros de MG arrow-options
Foto: Corpo de Bombeiros/CBMG

Corpo de Bombeiros de MG

Na Suíça, o mesmo grupo de familiares e ativistas também participou da sessão do Grupo de Trabalho de Empresas e Direitos Humanos da ONU e discutiu o Tratado Vinculante de Direitos Humanos para empresas transnacionais

“É importante que as empresas tenham que responder judicialmente por violações dos direitos humanos. Lá, nós apresentamos o caso de Brumadinho. Também apoiamos uma campanha para a criação de leis nacionais de devida diligência em direitos humanos”, pontua Carolina de Moura.

Para ela, as empresas que financiam, asseguram e compram o minério de ferro da Vale também são parte do crime em Brumadinho. 

A lei obrigaria as empresas a checarem a origem das matérias-primas e produtos que compram de outros países e, em caso de uma análise insatisfatória, as compradoras seriam responsabilizadas legalmente.

Entre os maiores compradores do minério de ferro do Brasil estão França e Holanda, segundo dados do Ministério da Economia. A Vale, maior exportadora dessa matéria-prima no mundo, praticamente vende ao exterior toda a sua produção.

“A gente sabe que é o lucro que move essa empresa assassina. Na Europa a gente conseguiu mostrar o que aconteceu no Brasil, muitas pessoas não sabiam. Foi duro, mas precisamos mostrar imagens. A informação circulou bastante”, explica a  coordenadora geral da Associação Comunitária da Jangada.

No Vaticano, o grupo espalhou 270 fotografias no piso da igreja Transpontina. Também mostraram cartazes e ultrassonografias de bebês mortos na barriga das mães também foram expostas no local.

Para Carolina de Moura Brumadinho pode se tornar um divisor águas no setor da mineração do mundo. Ela também afirma que  o modelo predatório  da mineradora não pode continuar.

“O impacto é enorme durante toda a cadeia produtiva, desde a extração, o beneficiamento e o transporte. A humanidade precisa rever a conduta de viver, o nosso planeta é limitado”, destaca.

Armond conta ainda que após o caso de Brumadinho, romperam barragens no Congo, na Inglaterra e na Colômbia .

“São casos que acontecem todos os anos, mas ficam isolados. A nossa esperança é que Brumadinho ensine ao mundo que é preciso mudar esse processo arcaico de mineração, não só no Brasil”, alerta.

Respostas

Por meio de nota enviada ao iG, a  Tüv Süd diz que continua profundamente consternada pelo trágico colapso da barragem em Brumadinho.

Mas, que enquanto o caso ainda estiver sendo apurado, não poderá esclarecer informações sobre indenizações ou sobre a denúncia do MP, na Alemanha e  no Brasil. 

Veja a íntegra da nota:

“Nossos pensamentos estão com as vítimas e suas famílias.  Um ano após o rompimento, suas causas ainda não foram esclarecidas de forma conclusiva.  Como era esperado, as investigações levam um tempo considerável: muitos dados de diferentes fontes precisam ser compilados, apurados e analisados. Por esse motivo, as investigações oficiais continuam. A Tüv Süd reitera seu compromisso em ver os fatos sobre o rompimento da barragem esclarecidos. Por isso, continuamos oferecendo nossa cooperação às autoridades e instituições no Brasil e na Alemanha no contexto das investigações em andamento.  Enquanto os processos legais e oficiais ainda estiverem em curso, e até que se apurem as reais causas do acidente de forma conclusiva, a Tüv Süd não poderá fornecer mais informações sobre o caso”, diz nota da empresa.

Procurada pela reportagem para esclarecer questionamentos, a Vale não se pronunciou até o momento. Em seu site, a empresa divulgou um posicionamento oficial. 

Veja:

“A Vale informa que tomou conhecimento nesta data, 21 de janeiro de 2020, do oferecimento de denúncia pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) com relação ao rompimento da Barragem I, na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

Sem prejuízo de se manifestar formalmente após analisar o inteiro teor da denúncia, a Vale desde logo expressa sua perplexidade ante as acusações de dolo. Importante lembrar que outros órgãos também investigam o caso, sendo prematuro apontar assunção de risco consciente para provocar uma deliberada ruptura da barragem.

A Vale confia no completo esclarecimento das causas da ruptura e reafirma seu compromisso de continuar contribuindo com as autoridades”.

Fonte: IG Economia
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Hora de planejar a folia: 6 dicas para economizar no Carnaval 2020

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Saiba como economizar no Carnaval 2020


As compras de final de ano nem bem foram pagas e o Carnaval já insiste em chegar para aumentar os gastos. A boa notícia é que dá para curtir a folia gastando pouco. Para a planejadora financeira da Par Mais Investimentos, Malu Sprícigo, o essencial é se programar com antecedência e impor limites aos gastos. 

Antes de começar a diversão, Malu indica que cada pessoa defina um orçamento máximo para usar durante o feriado . É importante que a pessoa já possua o valor estipulado, sem jogar os gastos para frente usando o cartão de crédito, por exemplo. 

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Definido isto, é importante cumprir com o que foi combinado consigo mesmo, caso contrário, na quarta-feira de cinzas , a sensação ruim não será provocada apenas pela ressaca. “Se não cumprir o estipulado, a pessoa vai acordar na quarta-feira dizendo: Meu Deus, o que eu vou fazer agora? Me endividei, como é que eu vou pagar minhas contas?”, brinca a planejadora. 

Além de se planejar antes do período, outras dicas são importantes para serem seguidas durante os dias de festa. Confira algumas:

1. Economize para chegar ao Carnaval

Se você optou por viajar para outra cidade no Carnaval , uma dica é escolher maneiras mais baratas para chegar até o destino, fazendo sempre a comparação de preços. A professora de dança Thaís Esteves mora em Campinas, no interior de São Paulo, e costuma passar o Carnaval na capital paulista. 

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Para ir até lá, ao invés de pegar um ônibus, ela opta por pegar carona com alguém ou oferecer carona para dividir os gastos. O preço da passagem para o trecho, por exemplo, gira em torno de R$35. A viagem de carro fica, em média, R$55 – se o carro for cheio, cada pessoa irá gastar R$11, cerca de um terço do valor da viagem de ônibus. 

2. Economize na hospedagem

Outra dica interessante para o Carnaval é economizar na hospedagem , e vale não ligar muito para o luxo. “É Carnaval, não é uma viagem que eu quero descansar, [hospedagem] é só para dormir mesmo. Tendo um colchão e um chuveiro, é isso”, brinca Thaís. 

Na hora de escolher onde ficar, vale a pena olhar com atenção para opções que vão além dos hotéis. Hostels e espaços alugados, que podem ser encontrados em sites de aluguel por temporada ou em aplicativos como Airbnb , são boas opções. Além disso, pedir para ficar na casa de algum conhecido na cidade pode ser uma boa saída para gastar ainda menos. 

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Uma outra dica é se atentar à localização da hospedagem para prever gastos futuros . Thaís conta que sempre procura espaços em localidades de fácil acesso ao transporte público , para não precisar gastar, durante o Carnaval , com transportes mais caros, como os carros por aplicativo ou táxis. 

3. Passe no supermercado antes de ir

Malu diz que uma das principais formas de economizar no Carnaval é com a alimentação e as bebidas e, nesse caso, o interessante é comprar tudo no mercado antes do feriado começar . “Nas cidades turísticas, em época de Carnaval, os preços são muito elevados nos supermercados. Acho que a pessoa tem que procurar, nas cidades, mercados menores, ou então levar compras da própria cidade, porque sai muito mais barato”, diz a planejadora financeira. 

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É justamente o que Thaís faz quando vai a outra cidade pular o Carnaval . A foliã já leva, de sua cidade, os alimentos que irá comer e preparar ao longo do feriado, além das bebidas para levar para os blocos. No mercado, uma lata de cerveja pode ser encontrada a menos de R$ 2, e uma garrafa de água a menos de R$ 1. Nas ruas, durante os blocos , os preços praticados podem dobrar, triplicar ou quadruplicar em relação a estes, dependendo do lugar. 

4. Faça sua própria fantasia

Outro item essencial para Carnaval e que pesa bastante no bolso são as fantasias. Malu fala que, diante de tantos gastos que o feriado traz, o interessante é não deixar a fantasia se tornar um peso a mais . Nesse caso, soltar a imaginação é sinônimo de gastar menos. “Dá para fazer as coisas em casa, porque se for gastar em uma fantasia pronta, é muito caro”, aconselha a planejadora. 

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E é caro mesmo. No mercado livre, por exemplo, as fantasias giram em torno de R$ 100, podendo chegar a R$ 150. Em lojas físicas, o preço tende a ser ainda mais caro. Thaís, que faz suas próprias fantasias todos os anos, conta que gasta entre R$ 20 e R$ 50 para comprar os acessórios que usa para customizar as próprias peças. Além disso, ela diz que só investe um pouco mais quando sabe que vai usar o item várias vezes. “Este ano, eu quero comprar um shorts prateado que eu sei que vai ser uma peça coringa para este Carnaval e para os próximos”, conta.


5. Não vá para o bloco ou para a festa com cartão

Malu aconselha que, na hora da folia, o melhor é sair com dinheiro ao invés de cartões . Assim, fica mais fácil de impor um limite de gastos, já que não dá para desembolsar mais do que o que foi levado. 

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“O cartão de crédito dá a falsa ilusão de que a gente tem bastante dinheiro . Quando possível, é melhor usar dinheiro vivo. Assim, você não vai acabar consumindo mais. Eu acho que cartão de crédito, nessas horas, é o pior vilão”, afirma. Para a planejadora, essa é uma atitude essencial na hora de cumprir com o orçamento estipulado antes do feriado. 

6. Já comece a planejar o Carnaval de 2021

Se você ainda não se planejou para o Carnaval deste ano e não tem um dinheiro guardado para o feriado, o conselho de Malu é não se endividar. “Tente fazer o carnaval de uma maneira um pouco mais light , às vezes tem uma praia perto, tem um lugar legal que também dá para se divertir igual e consumindo muito menos”, aconselha a planejadora. 

E, é claro, já comece a olhar para o ano seguinte. Malu explica que o interessante é começar a se planejar para o Carnaval com cerca de seis meses de antecedência. Assim, dá para guardar um pouco de dinheiro por mês e montar um orçamento suficiente para gastar durante o feriado. 

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“É interessante todo mês separar um dinheiro já para o Carnaval , no caso das pessoas que acabam gastando bastante, ou curtindo mais esse final de semana. É importante se programar para que chegue perto e não precise comprar as festas de última hora, o que acaba sendo bem caro, ou às vezes ter que resgatar algum recurso que não era pra isso”, diz a planejadora. 

No caso de viagens mais distantes, nas quais é preciso comprar passagens aéreas , o conselho de Malu é começar a olhar os bilhetes com cerca de um ano de antecedência, para conseguir encontrar boas promoções . “Não adianta a pessoa querer agora, no mês de janeiro, se preocupar em comprar passagem, ela teria que ter feito isso há um tempo”.

Fonte: IG Economia
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