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Primeira liga a voltar nas Américas pode ter campeão nesta segunda

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Seis anos após ser a sensação da Copa do Mundo no Brasil, chegando às quartas de final e deixando pelo caminho seleções como Uruguai, Inglaterra e Itália, a Costa Rica volta a ser protagonista no futebol mundial. Nesta segunda-feira (29), às 23h30 (horário de Brasília), Deportivo Saprissa e Liga Deportiva Alajuelense fazem o segundo jogo da final dos playoffs da Liga Promerica, como é chamada a primeira divisão local. Se der Saprissa, o time fica com o título por ter melhor campanha. Caso o rival leve a melhor, força a realização de uma nova decisão, em duas partidas.

Trata-se do primeiro campeonato das Américas a ser retomado após a paralisação causada pelo novo coronavírus covid-19 – a bola não parou na vizinha Nicarágua mesmo em meio à pandemia. Com quase cinco milhões de habitantes, a Costa Rica foi uma das nações menos impactadas pelo vírus, com 3.130 casos confirmados e 15 óbitos registrados até domingo (28), conforme a universidade norte-americana Johns Hopkins. A taxa de letalidade (mortos entre pacientes infectados) no país não chega, atualmente, a 0,5%. É inferior, por exemplo, à da Nova Zelândia (1,8%), com população semelhante e que, até meados de junho, ficou quase um mês sem casos. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, essa taxa está em 4,2%.

“A Costa Rica sempre teve um sistema de saúde pública muito forte, gratuito e para todos os cidadãos”, conta o jornalista Eduardo Castillo, da Rádio Teletica, à Agência Brasil, em referência ao CCSS (Caja Costarricense de Seguro Social, ou simplesmente Caja), criado em 1941. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o país tem o quinto maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a mais alta expectativa de vida da América Latina.

O estado de emergência foi decretado no país em 16 de março, 10 dias após o primeiro caso ser registrado – uma turista norte-americana de 49 anos. “Foram tomadas medidas como o fechamento de locais comerciais e estabelecimentos de entretenimento, como cinemas e bares, além das restrições veiculares. A partir da sete da noite, não podia mais andar de carro e [quem desobedecesse] era passível de multa. As empresas também adotaram medidas, com o ajuste de horários e trabalho de casa. Os cidadãos se apegaram às medidas e não foram rebeldes”, relata o jornalista.

A suspensão do campeonato foi adotada pelo Conselho Diretor da União de Clubes de Futebol da Primeira Divisão (Unafut), que administra o torneio, um dia após o decreto do governo. Na semana seguinte, a associação dos jogadores, a Federação Costarriquenha (Fedefutbol, sigla em espanhol) e a Unafut entraram em acordo quanto à redução salarial na paralisação. “Felizmente, os canais de TV e alguns patrocinadores mantiveram o investimento e os clubes conseguiram seguir durante esse tempo”, diz a secretária-geral da Fedefutbol, Margarita Echeverría, à Agência Brasil.

O retorno

A conversa entre entidades e governo para retomar o futebol iniciou entre o fim de abril e o início de maio. “Naquele momento, tínhamos cerca de 700 casos, metade deles recuperados, e um, dois casos novos por dia – no máximo 10. Então, entendeu-se que dava para regressar”, explica Castillo. No Brasil, atualmente, somente o Campeonato Carioca recomeçou. Hoje, o Rio de Janeiro é um dos estados com maior taxa de mortalidade pelo novo coronavírus (56,7 a cada 100 mil habitantes), mais que o dobro da média nacional (27,2).

O anúncio de que o campeonato costarriquenho seria retomado foi feito em 11 de maio. Na ocasião, Fedefut e Unafut divulgaram um protocolo, revisado e aprovado pelo governo, com diretrizes para a volta de treinos e jogos. “É um protocolo muito rígido, realizado com participação dos médicos dos clubes da primeira divisão e também adotado pela segunda divisão. Por exemplo, foram enumerados fiscais para confirmar se ele está sendo cumprido nos estádios. Há determinações sobre a entrada das equipes no estádio e a presença limitada de funcionários”, descreve Echeverría.

A bola voltou a rolar em 20 de maio com portões fechados, como já fora na rodada que antecedeu a paralisação. Além da ausência de torcida, o protocolo orienta quanto à utilização constante de máscaras (inclusive no caminho ao estádio), exceto, claro no campo de jogo; distanciamento de dois metros entre os atletas no vestiário e restrição de acesso a jogadores não relacionados, entre outros. Controle de temperatura na chegada, com proibição de entrada a quem estiver acima dos 37,5 graus, e lavar as mãos com água e sabão e álcool em gel também estão entre as determinações.

Houve, também, necessidade de restrição aos meios de comunicação. “Só se permite acesso às emissoras com direitos de transmissão, em número limitado de cinegrafistas, assistente e engenheiro de som. Às rádios, apenas um jornalista e um técnico. Já a imprensa escrita não pode ir ao estádio, mas, participa das entrevistas enviando perguntas aos assessores”, conta Castillo.

Quebrar as regras definidas no protocolo não tem sido tolerado. No fim de maio, após uma partida contra o UCR, o Limón foi punido com a perda do mando de campo por ter violado itens como ausência de álcool em gel, pia e toalhas para os árbitros, presença de pessoas não autorizadas e sem máscara no estádio, cumprimento só parcial do distanciamento social e alguns jogadores não terem lavado as mãos antes da etapa final.

Sob cautela

A rigidez se explica. Desde o início de junho, a Costa Rica viu a curva de casos da covid-19 subir. Na última quinta-feira (25), foram 169 novos infectados, maior número em 24 horas no país desde que a pandemia chegou. Antes do começo deste mês, o recorde era de 37 casos em um dia, em 9 de abril. “Vivemos, agora, uma nova onda, mais forte”, resume Castillo, da Rádio Teletica.

O recente avanço do novo coronavírus levou o governo costarriquenho a, inicialmente, suspender os dois jogos da final entre Saprissa e Alajuelense, antes marcados para 21 e 24 de junho – domingo e quarta-feira da semana passada, respectivamente. Liga, federação e poder público entraram em acordo e as partidas foram reagendadas. A de ida ocorreu justamente no último dia 24, com vitória do time da cidade de Alajuela por 2 a 0.

Há, no entanto, preocupação de que se repitam cenas como as da torcida do Liverpool, que ignorou as orientações sobre distanciamento e tomou as ruas para celebrar o título do Campeonato Inglês, o primeiro após 30 anos. “Temos o apoio do governo e feito uma grande campanha para que os torcedores do time campeão não saiam para comemorar. Na última terça-feira (23), na final da divisão de acesso, isso foi respeitado”, conclui Etcheverría, da Fedefutbol.

Edição: Liliane Farias

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CBF afirma que Brasileiro começa no dia 9 de agosto

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Horas após o governador de São Paulo, João Doria, afirmar, nesta segunda (6), que os clubes de futebol de seu estado não poderão iniciar a participação no Campeonato Brasileiro antes do término do Campeonato Paulista, a Confederação Brasileira de Futebol divulgou nota na qual diz que o começo do Brasileirão será em 9 de agosto.

“A respeito da declaração do governador de São Paulo, João Doria, em coletiva nesta segunda-feira, 6, sobre o Campeonato Brasileiro, a CBF afirma que: 1 – Os clubes de São Paulo aprovaram, em reunião no dia 25 de junho, com a presença dos 40 clubes das Séries A e B, as datas de 9 de agosto para o início da Série A do Campeonato Brasileiro e 8 de agosto para início da Série B. 2 – Para preservar estas datas, os clubes concordaram em jogar fora de seus domínios, transferindo o seu mando de campo para outra cidade ou estado caso o seu local de jogo não esteja liberado nas datas de início das competições. Essa decisão foi tomada em votação que contou com o apoio de 19 clubes da Série A, incluindo todos os de São Paulo. 3 – Os clubes de São Paulo disputantes do Campeonato Brasileiro da Série A reafirmaram sua posição em contato com a CBF, nesta segunda-feira, 6. A CBF e a Federação Paulista de Futebol [FPF] estão em permanente sintonia em relação aos temas de interesse do futebol brasileiro”, diz a nota.

Doria expressou sua posição um dia após a publicação de entrevista do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, ao jornal O Globo, na qual ele confirma a abertura das Séries A, B e C do torneio nacional para os dias 8 e 9 de agosto.

“Temos três rodadas para concluir o campeonato [na verdade, duas para finalizar a primeira fase, tendo ainda o mata-mata pela frente]. Sem concluir [o Estadual], os times de São Paulo não podem participar do Brasileiro. Estamos levando isso em conta, os aspectos de saúde e o protocolo assinado com a Federação Paulista de Futebol [FPF]. E esta, por sua vez, com as equipes da primeira divisão [Série A1]”, afirmou Doria, em entrevista coletiva. “Sobre a decisão da CBF de voltar no dia 9, não houve consulta prévia ao governo do estado de São Paulo”, completou.

Ainda não há uma data oficial para reinício do Paulistão, suspenso após a 10ª rodada da primeira fase. Na última sexta (3), o secretário de esportes do estado de São Paulo, Aildo Ferreira, disse que a realização de eventos esportivos poderá ser autorizada a partir de 27 de julho nas regiões que passarem, ao menos, quatro semanas na terceira de cinco fases do plano de reabertura das atividades no estado. Ou seja, onde a pandemia do novo coronavírus (covid-19) estaria mais controlada.

Edição: Fábio Lisboa

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Final da Taça Rio será no Maracanã

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O Fluminense será o mandante da partida final da Taça Rio, o segundo turno do Campeonato Estadual, contra o Flamengo, na próxima quarta-feira (8). O sorteio foi realizado na sede da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) na manhã desta segunda-feira (6). Apesar de o vencedor não obter qualquer vantagem acerca do jogo decisivo, esta qualificação atribuiu ao tricolor carioca responsabilidade pela organização do evento e a escolha do Maracanã como palco da decisão, que será disputada às 21h30.

Em nota a Ferj explica que o jogo deverá ser transmitido pela TV Globo, assim como aconteceu na semifinal entre Fluminense e Botafogo, neste domingo (6). A federação obteve liminar judicial obrigando a emissora a exibir a partida, com previsão de pena de multa de R$ 5 milhões em caso de descumprimento. A decisão tomada pela entidade ocorreu após o canal de TV anunciar na última quinta-feira (2) que não passaria mais jogos do Campeonato Carioca, mesmo tendo adquirido os direitos de transmissão de partidas de todos os clubes que disputam a competição, com exceção do Flamengo. A empresa de comunicação alega que o houve violação contratual no que diz respeito aos direitos de exclusividade, após o clube rubro-negro exibir em canal próprio a partida entre Flamengo e Boavista, na última quarta-feira (1º).

O campeão Estadual pode sair na quarta-feira (8) caso a equipe do técnico Jorge Jesus conquiste a Taça Rio. Isso porque o Flamengo venceu a Taça Guanabara, como é chamado o primeiro turno do Carioca, e o regulamento prevê que o clube que conquistar ambas as taças e alcançar a liderança da classificação geral, levantará o troféu sem a necessidade de encarar a final.

Por outro lado, se o Fluminense levar a Taça Rio disputará o título em final divida em dois jogos contra o Flamengo.

Edição: Verônica Dalcanal

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