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Política Nacional

Presidente do BNDES defende foco no crédito para micro e pequenos empresários

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Pedro França/Agência Senado
Presidente da comissão mista, senador Confúcio Moura (MDB-RO), conduz a reunião

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, reconheceu nesta terça-feira (16) que o País ainda enfrenta dificuldades para ofertar crédito a pequenos, médios e microempreendedores brasileiros. Segundo ele, esses segmentos empresariais são o foco da maioria das ações emergenciais do banco durante a pandemia de Covid-19.

“A gente precisa ter mais ações estruturantes que facilitem o crédito para esse segmento que gera tanto emprego e é tão importante para nossa produtividade e nosso empreendedorismo”, admitiu Montezano. Ele participou de reunião da [[g comissão mista]] do Congresso que acompanha a situação fiscal do País e a execução orçamentária no período da pandemia.

Entre as ações promovidas em parceria com o governo federal, ele destacou o Programa Emergencial de Suporte ao Emprego (PESE), criado pela Medida Provisória 944/20. O texto destina a pequenas e médias empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões recursos da ordem de R$ 40 bilhões para financiar as respectivas folhas de pagamento.

“Esse programa já desembolsou cerca de R$ 4 bilhões e está sendo remodelado na Câmara [dos Deputados] para que tenha um maior alcance, podendo chegar a R$ 20 bilhões em desembolso”, disse ele, reconhecendo que a proposta precisa de ajustes para que o recurso chegue, de fato, aos empresários.

Garantias
Um dos entraves para a liberação dos empréstimos é o risco de calote assumido pelo banco parceiro que pode operar o crédito. Isso porque, caso a dívida não seja paga pelo empresário, o Tesouro Nacional garante ao banco operador o reembolso de apenas 85% do valor emprestado. Entre as alterações estudadas pelo relator da medida provisória 944/20, deputado Zé Vitor (PL-MG), é exatamente elevar a garantia do governo federal para 100%, reduzindo o risco dos bancos e facilitando a liberação dos recursos.

“Como vai acudir um microempresário que, antes mesmo da Covid-19, já estava com dificuldades financeiras e que hoje não tem garantias para oferecer?”, questionou o senador Esperidião Amin. Para o senador, faltam instrumentos para dar capilaridade ao sistema e fazer chegar os recursos ao empresário na ponta da linha. “E esses instrumentos são: sociedades garantidoras de crédito, Oscips de microcrédito, cooperativas de crédito e Fintechs (empresas de tecnologia financeira)”, defendeu Amin.

Recursos
O 3º Boletim Semanal de acompanhamento produzido pelo relator do colegiado, deputado Francisco Jr (PSD-GO), revela dificuldades do governo federal em transformar recursos orçamentários em ações efetivas. Segundo o documento,  até 12 de junho, dos R$ 404,18 bilhões previstos, R$ 119,88 bilhões foram efetivamente pagos, cerca de 30% do total. O auxílio financeiro a estados, municípios e ao Distrito Federal teve executados apenas 3%, ou R$ 1,97 bilhão, de um total de R$ 76,19 bilhões. As despesas adicionais do Ministério da Saúde e demais ministérios também somaram apenas 26% do total previsto.

Diante da imprevisibilidade da pandemia, Francisco Jr. quis saber se o BNDES tem capacidade operacional e financeira para fazer mais. “Capacidade operacional temos, sim, de fazer mais coisa. E, em termos de capacidade financeira, o grande desafio é o tempo de execução. Executar de forma ágil”, observou Montezano.

Como ação inovadora do banco, o presidente do BNDES destacou a iniciativa de distribuir recursos a micro, pequenas e médias empresas por meio de empresas âncora, que estariam no alto da cadeira produtiva. Questionado pelo senador Izalci, Montezano disse que a única exigência feita, nesse caso, é que os recursos sejam repassados pelas empresas âncora mantendo-se as mesmas condições.

Entre outras medidas emergenciais operadas isoladamente pelo banco ou em parceria com o governo federal, ele destacou o programa que oferece a todos os segmentos empresarias com faturamento até R$ 300 milhões empréstimo de até R$ 70 milhões por ano para reforçar o capital de giro; a suspensão temporária, por até seis meses, do pagamento de empréstimos contratados com o banco; e a transferência de R$ 20 bilhões do fundo do PIS-Pasep para o FGTS para reforçar o fundo e possibilitar saques pelos trabalhadores.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes

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Política Nacional

Especialistas celebram implantação da rede 5G, mas cobram cobertura em áreas remotas

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A implantação das redes móveis de quinta geração (5G) deve revolucionar a comunicação entre pessoas e máquinas num futuro próximo. Mas o avanço tecnológico, previsto incialmente para as grandes cidades, não pode negligenciar o acesso dos usuários que vivem em áreas remotas do Brasil. A avaliação é de especialistas e senadores que participaram nesta quinta-feira (28) de uma audiência pública promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT).

O leilão do 5G está marcado para sexta-feira da próxima semana (5). Na última quarta-feira (28), 15 empresas apresentaram à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) propostas para a exploração do espectro. Além das maiores companhias do setor, operadoras de médio porte demonstraram interesse em participar da disputa.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) deve apresentar até o final do ano um relatório sobre a implantação das redes 5G no Brasil. O tema foi definido pela CCT como a política pública do Poder Executivo fiscalizada neste ano pela comissão. O parlamentar reconhece a importância da nova tecnologia, mas destaca que o assunto ainda desperta críticas e enseja uma série perguntas ainda sem respostas.

— Vai ser importante saber como ficará o cidadão comum lá do interior. Quando ele terá acesso a essa tecnologia? Como ele ficará servido das tecnologias que já estão ofertadas, mas com baixa qualidade? Quando e como essas tecnologias vão proporcionar maior bem-estar social e melhor qualidade de vida a esses cidadãos? — questiona.

O senador Paulo Rocha (PT-PA) criticou o modelo pelo qual o governo braseiro costuma transferis serviços públicos essenciais para a iniciativa privada. Para ele, as empresas particulares que exploram áreas como saneamento, energia e telecomunicações só querem ficar com o “filé” — áreas mais lucrativas e de retorno financeiro mais rápido.

— Volta de novo a volúpia de governos nesse processo de discussão de privatização, especialmente em servidos públicos tão importantes. Estou aqui desde 1991 e participei de todo esse debate, principalmente na privatização das telecomunicações. A gente fazia menção ao “filé” e ao “osso”. As empresas vão exatamente em busca do filé. E o osso fica para quem? O serviço privado não deu conta de resolver os problemas dos rincões do país.

Compromissos

Das 15 empresas que apresentaram propostas às Anatel, pelo menos 10 são consideradas de pequeno ou médio porte. O segmento é representado pela Associação NEO, que reúne 180 prestadoras independentes de banda larga, TV por assinatura e telefonia fixa e móvel.

Para Alex Jucius, diretor da entidade, o leilão de radiofrequências “será o maior do mundo”. A disputa envolve as faixas de 700MHz, 2,3GHz, 3,5GHz e 26GHz por um prazo de 20 anos prorrogável por mais 10.

Ele destaca que o edital prevê o cumprimento de algumas exigências para as empresas vencedoras do leilão. Os compromissos geram uma expectativa de investimentos de até R$ 47 bilhões. Mais de 500 municípios com até 600 habitantes e cerca de 2 mil municípios sem cobertura plena passariam a ser atendidos pelo menos com redes 4G. Além disso, a internet chegaria a 48 mil quilômetros de rodovias federais. Para Jucius, a execução desses compromissos vai acelerar a inclusão digital.

— A inclusão digital não necessariamente vai ser feita com o 5G. Mas pode ser feita através do 5G, com os investimentos decorrentes e os compromissos que estão sendo colocados. A implantação da tecnologia 4G e LTE vai ser levada para lugares que hoje não estão cobertos. O 5G vai talvez promover a maior inclusão digital que já houve neste país com relação à mobilidade — avalia.

A conselheira Cristiane Sanches, da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), reconhece a existência de gaps ou lacunas na prestação do serviço de internet em áreas remotas do Brasil. Mas disse acreditar que o edital lançado pela Anatel permite uma maior “flexibilidade” entre interior e capitais.

— O edital permite que a gente tenha acesso a redes neutras. O futuro do espectro é o compartilhamento. Se não tivermos esse compartilhamento e um acesso diferenciado à rede móvel, nada vai funcionar e o interior vai restar prejudicado. Ainda existem gaps em relação a localidades remotas e afastadas, e não é o 5G nesse momento inicial da operação vai resolver isso — reconhece.

O diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), Gustavo Correa, tem o mesmo entendimento. Segundo ele, em um primeiro momento, a rede 5G deve se concentrar em grandes centros urbanos.

— O Fórum Econômico Mundial reconhece que o 5G tem uma curva de adoção que começa pelas grandes cidades, por áreas mais urbanas. À medida que o tempo passa, a gente vai conseguindo ter essa cobertura fora dos grandes centros e a até mesmo em áreas rurais e remotas. O investimento nas redes 5G para que elas cheguem a áreas menos densamente povoadas é maior, o que leva a um prazo de adoção maior — explica.

“Fosso digital”

A audiência pública na CCT contou com a presença de entidades críticas ao edital da Anatel. Uma delas é a Coalizão Direitos na Rede, que reúne 48 associações pelo direito à comunicação e à inclusão digital. Segundo Flávia Lefevre, representante da Coalizão, um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta uma série de falhas na elaboração do documento.

— A pergunta é: 5G para quem? As entidades reconhecem nessa tecnologia grandes oportunidades de alavancar diversos setores da economia e estimular o desenvolvimento social. Mas o Brasil se encontra hoje num fosso digital profundo e injustificável — afirmou.

A Coalizão apresentou uma representação no Ministério Público Federal contra a realização do leilão. Segundo ela, o edital traz “erros grosseiros”. Um deles seria considerar como economicamente inviáveis para o 5G uma série de municípios grandes, populosos e, em alguns casos, de alto poder aquisitivo.

— São erros grosseiros na precificação das faixas de frequências. Apenas 60 municípios foram considerados economicamente viáveis. São considerados inviáveis Brasília, Salvador, Guarulhos (SP), Campinas (SP), Manaus, São Bernardo do Campo (SP) e Curitiba. São cidades claramente viáveis, que já contam com estrutura de telecomunicações. Essa analise certamente impactou para baixo o valor da licitação, e isso representa um prejuízo ao erário público e à definição das contrapartidas colocadas pela Anatel, que poderiam ser mais audaciosas — afirmou.

Uma das entidades que compõem a Coalizão Direitos na Rede é o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), representado no debate por Diogo Moyses. Para ele, parcela importante dos consumidores brasileiros pode ser prejudicada pelo modelo de leilão definido pela Anatel.

— O consumidor, especialmente aquele mais vulnerável e que mais precisa de políticas públicas, está sendo desconsiderado nesse processo. Evidente que o 5G traz uma série de inovações. Mas a situação em relação à universalização do acesso à internet ainda é dramática. Aproximadamente 40% da população tem como acesso exclusivo a telefonia móvel. É um modelo comercial baseado em franquias, no qual boa parte dos usuários passa maior parte do mês sem qualquer acesso à internet. O foco deve ser uma melhoria radical da infraestrutura do 4G — sugere.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Política Nacional

Senadores entregam relatório da CPI ao TCU e à Procuradoria da República no DF

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Em mais um dia de entrega do relatório final da CPI da Pandemia, senadores do colegiado levaram o documento nesta quinta-feira (28) para os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e para Procuradoria da República no Distrito Federal. Está prevista ainda a entrega  da versão final do relatório para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),  ministro Luiz Fux, e para a Procuradoria-Geral do Trabalho. Participaram da comitiva os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE). 

A Procuradoria da República no Distrito Federal vai analisar os pedidos de indiciamento e os documentos da investigação da CPI referentes aos fatos envolvendo improbidade administrativa e corrupção supostamente praticados por pessoas físicas e jurídicas em primeira instância. É o caso do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde coronel Elcio Franco;  do ex-diretor de Logística da pasta Roberto Dias, do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e de outras 10 pessoas.

Também serão analisados os documentos e pedidos referentes às empresas Precisa Medicamentos e VTCLog. Ambas são apontadas pelo relator como tendo participado de tratativas ilegais com o governo federal para obter benefícios financeiros.

No TCU, o relatório foi entregue à ministra Ana Arraes. Também esteve presente o ministro Bruno Dantas que, de acordo com os senadores, prometeu que a Corte identificará o nome e o CPF do “dono” dos hospitais federais do Rio de Janeiro. A CPI pretende entregar o relatório ao Ministério Público Federal-RJ no dia 11 de novembro. O colegiado não teve tempo para seguir nessa linha de investigação. 

— Queremos saber quem manda na rede federal, onde até milícias operam — Humberto.

Por meio do documento, a CPI encaminhou ao TCU dados relativos à investigação sobre as negociações para a compra da vacina indiana Covaxin. Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde fechou contrato de R$ 1,6 bilhão com a empresa brasileira Precisa Medicamentos, representante do laboratório que produz o imunizante, Bharat Biotech, para a aquisição de 20 milhões de doses. O contrato foi cancelado após apurações da CPI identificarem suspeitas envolvendo a Precisa.

A CPI também pediu investigações sobre a VTCLOG e solicitou que o TCU fiscalize a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para apurar a demora na decisão técnica do órgão sobre medicamentos comprovadamente sem eficácia contra a covid-19.

— Nós abrimos a caixa de pandora. Os demônios estão sendo descobertos agora pelas instituições seguintes. É por isso que estamos fazendo questão de entregar o relatório às autoridades que vão completar as investigações — apontou Randolfe.

PGR

Entre as reuniões para a entrega do documento, os senadores conversaram com os jornalistas. Questionados sobre notícia de que auxiliares do procurador-geral da República, Augusto Aras, enxergam “uma abundância de provas”, mas conclusões “temerárias” em relação aos pedidos de indiciamento da CPI da Pandemia, senadores apontaram que cabe ao Ministério Público se ater às provas. Na quarta-feira (27), o relatório foi entregue a Aras.

— Alguém que diz que tem prova, mas conclusões temerárias pode é embasar uma decisão temerária da PGR. O procurador ontem [quarta-feira] disse que tinha consciência do seu dever — disse Renan. 

Segundo Randolfe,  a PGR não precisa se ater às conclusões da CPI, mas deve avançar nas investigações.

— Eles não precisam se ater às nossa conclusões. Se o Ministério Público, o fiscal da lei, diz que tem abundância de provas de crimes, a acusação encerra — apontou Randolfe.

Parlamentares

Diante das críticas do presidente da Câmara, Arthur Lira, à inclusão de parlamentares no relatório final, Omar disse que deputados indiciados induziram a morte de brasileiros.

— Um parlamentar, que tem a responsabilidade de falar para a população, e coloca fake news dizendo que cloroquina salva, que imunização de rebanho é boa, induziu a morte de brasileiros — avaliou o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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