conecte-se conosco


Saúde

Preconceito sobre a depressão impede que muitos busquem ajuda

Publicado

Quantas das pessoas que você conhece sofrem de depressão? Se a resposta for “nenhuma”, é possível que existam casos escondidos ao seu redor. Apesar de atingir mais de 322 milhões de pessoas no mundo, a doença – assim como os demais transtornos psicológicos – ainda é um tabu. 

Leia também: “Tinha medo de encontrá-la enforcada”: Como é viver com alguém com depressão

mulher com mãos sobre o rosto arrow-options
FreePik

Segundo a ONU, a depressão afeta 322 milhões de pessoas em todo o mundo

Entre o medo de falar sobre o tema e o preconceito em torno do assunto, muitos dos que convivem com a depressão preferem o silêncio, um agravante para a maioria dos casos. Quebrá-lo, porém, é possível e pode salvar vidas. 

Na última segunda-feira, a fotógrafa Ana Quesado postou, pela primeira vez, uma selfie em seu perfil profissional . Apesar da pose sorridente, a legenda trouxe um tema que surpreendeu muitos seguidores. “Quem imaginaria que essa criatura que vive morrendo de rir de tudo seria diagnosticada com transtorno de personalidade borderline, depressão e ansiedade?”, diz o post.

Ana, que recebe acompanhamento psiquiátrico desde o início do ano, enxergou a publicação como uma necessidade. “Me deu vontade de gritar pro mundo que não estou psicologicamente bem, mas vou ficar. Quero deixar avisado que na depressão a gente também sorri”, escreveu. 

Aos 24 anos, a fotógrafa conta que a falta de informação quase a impediu de iniciar o tratamento. “Passei muito tempo da minha vida sem saber o que era borderline, mesmo apresentando vários sintomas. Por não conhecer os sinais, achava que era normal”.

Menos comum do que transtornos como depressão e ansiedade, a síndrome de Borderline – que também pode levar ao suicídio – é caracterizada por mudanças bruscas de humor, medo do abandono e comportamentos impulsivos como impulsos alimentares, por exemplo.

“Até o momento de procurar ajuda, eu fui agressiva com algumas das pessoas que mais amo vida. Passei três anos resistente à ideia de ir ao médico, enquanto meu namorado dizia que eu precisava de ajuda”, desabafa. 

Leia Também:  Ministério confirma 2.753 casos de sarampo, 98% em São Paulo

Para o médico psicanalista Fernando Gomes, o medo de sofrer preconceito, aliado à falta de informação sobre os tratamentos adequados engatilham casos como o de Ana. “As doenças relacionadas à saúde mental podem ser interpretadas por pessoas de fora como frescura, falta de atitude, medo ou covardia. Por conta disso, as pessoas que passam por esse processo e ainda não estão no ‘fundo do poço’, acabam tentando resolver a situação sozinhas”, diz.

Leia também: Praticar ioga pode ser uma arma contra a ansiedade ao te ajuda a desacelerar

Jovens são as maiores vítimas do estigma

No mês passado, o Ibope divulgou uma pesquisa alarmante sobre a saúde mental no Brasil. De acordo com o estudo, 39% dos adolescentes afirmaram que, caso recebessem o diagnóstico de depressão, não revelariam para os familiares. Também são eles os que mais se matam, tornando o suicídio a quarta maior causa de morte entre os jovens no país e a segunda no mundo inteiro.

Assim, o suicídio entre jovens é o foco da campanha Setembro Amarelo deste ano, que – diante da urgência em abrir o diálogo sobre o assunto – há cinco anos convida empresas, governos e o público em geral a participarem do projeto de conscientização contra o suicídio. 

Para o psicanalista Ronaldo Coelho, que mantém  um canal no Youtube sobre o assunto, o tabu no grupo mais jovem se ancora em vários motivos. “Além do falso entendimento de que a doença deriva de ‘fraqueza’ e, por isso, seria motivo de vergonha, existe a hipótese de que esses jovens não querem preocupar seus pais. Há, ainda, a ideia de que um diagnóstico psiquiátrico poderia retirar da pessoa a sua capacidade de decisão sobre a própria vida, fazendo-a refém daquilo que terceiros decidam sobre sua vida”, comenta.

Leia Também:  Hospital é condenado a pagar R$50 mil a jovem que perdeu testículo em cirurgia

Em São Paulo, existem instituições especializadas que oferecem auxílio psicológico, terapias e plantões psiquiátricos para todas as idades e de graça. No infográfico abaixo, é possivel saber mais informações sobre esses espaços e como agendar uma consulta. 



Leia também: Como ajudar alguém que sofre de depressão? A melhor forma é ser acolhedora

Informação é o melhor caminho

Com o objetivo de reforçar o diálogo sobre a saúde mental, o jornalista Elton Ramon publicou, no ano passado, o projeto  “Mal dos Séculos” , no qual traçou um perfil sobre o olhar das pessoas sobre o assunto e sobre si mesmas. A surpresa para Elton chegou quando, ao realizar as pesquisas para o projeto, percebeu os sintomas da doença nele próprio.

“Estudar o assunto mudou completamente minha perspectiva. Eu tinha a ideia da pessoa depressiva como alguém triste, isolada, que não sai de casa nem sorri. Quando entendi a complexidade da doença e identifiquei alguns dos sintomas, criei coragem para buscar um psiquiatra”, conta. 

Hoje, o rapaz de 27 anos diz que defende a abordagem responsável sobre a depressão  com ainda mais vontade. “Nós encontramos informações sobre remédios, sobre doenças. Encontramos pesquisas sobre o assunto mas às vezes falta o mais básico, que é a compreensão de como a pessoa depressiva se sente. Como ela pensa, de qual apoio precisa”.

Para Ronaldo Coelho, a mesma lógica deve ser seguida sobre os tratamentos. “Quem está passando por um bom processo psicoterápico deve falar sobre sua experiência. Esse é, inclusive, o melhor caminho para convencer alguém de que a terapia pode ser benéfica. É muito melhor do que dizer a outra pessoa o quanto ela ‘precisa’ ou do quanto seria bom para ela”. 

Fonte: IG Saúde
publicidade
Clique para comentar

Deixe um comentário

Please Login to comment
avatar
  Subscribe  
Notify of

Saúde

Ansiedade, depressão ou Burnout? Faça teste e descubra se você precisa de ajuda

Publicado

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 18,6 milhões de brasileiros sofrem com algum transtorno de ansiedade, o que corresponde a 9,3% da população do país. A epidemia coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking de países com mais pessoas ansiosas. Apesar de ser necessária em alguns níveis, a ansiedade em excesso pode causar prejuízos à saúde. 

Leia também: Neurocientista ensina como não deixar o estresse levar à depressão 

ansiedade arrow-options
shutterstock

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 18,6 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de transtorno de ansiedade

“A ansiedade faz parte do nosso contexto de vida. Uma dose de ansiedade é necessária para nos impulsionar na vida e nos objetivos traçados. O problema é quando há um aumento do nível, que pode gerar dificuldade de foco, atenção, memória e prejudicar o desempenho”, explica Michael Zanchet, psicólogo do Kurotel.

Segundo o especialista, o transtorno tem como base a insegurança e o medo de errar. Ele explica que o primeiro passo para se libertar disso é reconhecer e desmistificar esses pensamentos, que são os gatilhos que levam ao seu desenvolvimento. “Somos passíveis de erros e não temos o controle de tudo”, alerta. 

Outro ponto importante é ensinar o corpo a se desligar, com yoga, meditação e massagem.   Estimular o relaxamento também é importante para aumentar a capacidade de concentração, reflexão e gerenciamento da ansiedade. Como consequência, a pessoa torna-se mais positiva no contexto de vida pessoal e profissional.

Quais as diferenças entre ansiedade e depressão?

depressão arrow-options
shutterstock

A ansiedade e a depressão estão interligadas, mas são distúrbios diferentes, ou seja, com sintomas distintos

A ansiedade e a depressão estão geralmente interligadas, mas são condições diferentes. “A maior parte das patologias psíquicas tem um foco principal, mas tem comorbidade associada. Importante diferenciar que todos temos picos de ansiedade e tristeza, não querendo dizer que temos um transtorno”, pontua Zanchet.

O psicólogo explica que um sintoma tem que ter intensidade, frequência e duração. “Duas semanas triste persistentemente sem causa aparente é um sintoma depressivo. Uma tarde triste faz parte da vida, sendo saudável a elaboração daquele sentimento, sua compreensão, para no outro dia sentir-se melhor”, afirma.

Leia Também:  Mutirão contra câncer colorretal ocorre em 17 cidades

Leia também: Preconceito sobre a depressão impede que muitos busquem ajuda

A depressão  afeta mais de  300 milhões de pessoas em todo o mundo. Os sintomas mais característicos são: tristeza, apatia, falta de interesse pelas atividades, ideias de menos valia, falta de energia, diminuição da libido, aumento do apetite ou inapetência, dificuldade de concentração, insônia ou desejo de dormir a todo momento.

Já a ansiedade, por sua vez, como falamos, tem como base a insegurança e o perfeccionismo. Nesse caso, os principais sinais apresentados pelas pessoas são: pensamento acelerado, antecipação do futuro, preocupações, insônia, falta de ar, taquicardia, sensação de sufocação e agitação motora.

Zanchet destaca que pessoas com traços perfeccionistas e com características de insegurança tendem a se frustrar com maior facilidade pelas idealizações. Com o passar do tempo, isso vai gerando um estado de fragilidade emocional. Como consequência, o paciente pode desencadear sintomas depressivos.

No entanto, é sempre importante destacar que é necessário que a pessoa que esteja com os sinais de ansiedade ou depressão deve procurar ajuda especializada para que os sintomas sejam analisados individualmente por um profissional. Dessa forma, será possível compreender os motivos que levaram ao transtorno e iniciar o tratamento adequado.

Síndrome de Burnout também afeta a mente

Burnout arrow-options
shutterstock

A síndrome de Burnout está ligada ao campo profissional e gera, no trabalhador, desgaste tanto físico quanto emocional

A síndrome de Burnout é um estresse ligado à vida profissional. A questão é caracterizada por um estresse crônico, com a sensação de um desgaste físico e emocional, que gera a sensação de incapacidade por conta de uma sobrecarga de tarefas. A International Stress Management Association (ISMA-BR) aponta que 32% das pessoas com síndrome têm sintomas de estresse. 

O psicólogo explica que, na experiência clínica, percebe-se o relato de sintomas como incapacidade de raciocinar, lapsos de memória, cansaço constante, apatia, tristeza e  ansiedade. Ao identificar os sinais mencionados, é importante buscar auxílio de psicólogos ou psiquiatras para fazer o tratamento adequado. 

“Muitas vezes, é necessário o afastamento profissional para através de psicoterapia, atividades de relaxamento, exercícios físicos e alimentação saudável, se possa reajustar o organismo fisicamente e emocionalmente, melhorando os sintomas e reativando a capacidade de refletir e perceber o seu contexto de vida”, completa. 

Leia Também:  Hospital é condenado a pagar R$50 mil a jovem que perdeu testículo em cirurgia

É importante descartar todas as possibilidades clínicas para estabelecer um tratamento psicológico. “Não é incomum receber pacientes, encaminhados pelo cardiologista, com todos os exames cardiológicos adequados, mas com sintomas: hipertensão, taquicardia, sensação de desmaio e insônia, provenientes do corpo somatizar questões emocionais”, diz Zanchet.

“Avaliando, muitas vezes, descobrimos que são traumas passados que a pessoa revive em outras situações e o cérebro interpreta de maneira equivocada, armando no organismo um estado de alerta e perigo”, completa.

Será que você está com algum dos transtornos?

Alguns questionamentos, preparados pelo psicólogo, servem de indicativo para refletir e pensar sobre ansiedade , depressão e síndrome de Burnout. As perguntas, no teste abaixo, são de caráter indicado e não servem como diagnóstico. Leia as questões com calma e responda de acordo com as suas experiências:

Depois de fazer o teste, além de buscar ajuda profissional, o psicólogo cita algumas orientações que ajudam no gerenciamento de todos esses sentimentos. O primeiro passo é evitar lutar contra as atividades do seu cotidiano. “O melhor caminho é planejar e organizar as suas atividades de maneira que seja respeitado o tempo para executar cada uma delas”, diz.

Ainda é recomendável buscar respeitar os seus limites e saber dizer “não” para aquilo que você não gosta ou não consegue fazer naquele momento. Também é importante equilibrar a semana com atividades de saúde (exercícios físicos, alimentação balanceada e relaxamento) e fazer um “detox digital” em alguns momentos do dia.

Pela manhã, desperte devagar e perceba a sua respiração. Alongue de maneira leve a musculatura, sinta a temperatura do dia e como está o clima. “Inclua atividades de relaxamento na sua rotina de vida, como massagem, banhos de banheira de hidromassagem, yoga e meditação, por exemplo”, completa o profissional.

Leia também: Quer um refúgio de tranquilidade? Entenda o que é meditação e como praticar

Outras dicas são:

  • Desenvolver hobbies na área artística (pintura, tecelagem, jardinagem, música);
  • Alimentar-se bem e devagar (fracione ao longo do dia a alimentação);
  • Evitar ingerir em excesso bebidas com cafeína após às 16h;
  • Não consumir bebidas alcoólicas com regularidade;
  • Preservar tempo para o seu sono (dormir e acordar no mesmo horário).

Fonte: IG Saúde
Continue lendo

Saúde

Brasil assume conselho de entidade que combate a tuberculose no mundo

Publicado

A presidência do Conselho da Stop TB Partnership, instituição internacional que busca eliminar a tuberculose no mundo, passa a ser do Brasil, a partir desta segunda-feira (9), quando o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assume o comando do conselho da entidade por um período de três anos.

“Eu aceitei um desafio que me foi colocado, mesmo sabendo das dificuldades que o cargo me impõe de Ministro da Saúde para coordenar mundialmente a Stop TB. No Brasil, conseguimos, graças à parceria com os secretários estaduais e municipais de saúde, cerca de 80% de tratamentos completados”, disse Mandetta.

O ministro da saùde, Luiz Henrique Mandetta, participa do lançamento do Instituto General Villas Bôas (IGVB),

Nos próximos três anos, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, presidirá a organização internacional Stop TB Partnership, que atua para eliminar a tuberculose no mundo – Valter Campanato/Agência Brasil

A instituição é reconhecida como um órgão internacional único, com capacidade de alinhar atores em todo o mundo na luta contra a tuberculose. A Stop TB conta com cerca de 1.700 representantes em mais de 100 países, incluindo governos, organizações internacionais, agências de pesquisa e financiamento, além de fundações e organizações não governamentais.

Leia Também:  Nova etapa da Campanha contra a Gripe começa nesta segunda-feira

Participam, atualmente, do conselho da instituição o ministro da Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi, e o diretor executivo do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, Peter Sands. A tuberculose está entre as 10 principais causas de morte em todo o mundo, com cerca de 10 milhões de novos casos anualmente.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil, em 2018, foram diagnosticados 76.228 casos novos de tuberculose, o que corresponde a um coeficiente de incidência de 36,6 casos para cada 100 mil habitantes. O número representa cerca de um terço de todos os casos registrados na região das Américas. Entre 2009 e 2018 houve queda média anual de 0,3% no coeficiente de incidência da doença.

A tuberculose tem cura e tanto o diagnóstico como o tratamento são ofertados no Sistema Único de Saúde (SUS), sem custos aos cidadãos. Mas, para alcançar a cura, é preciso completar o tratamento que dura, em média, seis meses.

Com o mandato de três anos na Stop TB, o Brasil, por meio do ministro Luiz Henrique Mandetta, tem a missão de ser porta-voz da luta mundial contra a tuberculose para reduzir a circulação da doença até 2035 – meta defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Leia Também:  Hospital é condenado a pagar R$50 mil a jovem que perdeu testículo em cirurgia

 

*Com informações do Ministério da Saúde

Edição: Aécio Amado

Fonte: EBC Saúde
Continue lendo

Envie sua denúncia

Clique no botão abaixo e envie sua denuncia para nossa equipe de redação
Denuncie

Política MT

Policial

Mato Grosso

Esportes

Entretenimento

Mais Lidas da Semana