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Internacional

Por que o coronavírus mata mais as pessoas negras e pobres no Brasil e no mundo

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BBC News Brasil

Entregador de aplicativo de bicicleta em Manaus

Bruno Kelly/Reuters
Racismo, desigualdades sociais, acesso desigual a sistemas de saúde, moradia inadequada e impossibilidade de se isolar colocam população mais vulnerável como a mais afetada pela pandemia


Uma empregada doméstica foi a primeira vítima fatal da covid-19 no Rio de Janeiro, em março.

De lá para cá, os dados só fizeram confirmar: a doença causada pelo coronavírus no Brasil mata mais as pessoas negras e pobres. Com a evolução da epidemia no país, morreram pobres na linha de frente do tratamento à covid-19, trabalhadores de serviços essenciais e informais, trabalhadores que não puderam deixar de trabalhar, além de pessoas pobres idosas e com comorbidades, com acesso desigual ao sistema de saúde.

O fenômeno reflete o que se vê também em outros países, como o Reino Unido e os Estados Unidos.

“O que a pandemia tem evidenciado é o que vários estudos já mostravam em relação ao maior prejuízo da população pobre e negra ao acesso da saúde. A covid-19 encontra um terreno favorável porque essas pessoas estão em um cenário de desigualdade de saúde e de precarização da vida”, afirma Emanuelle Góes, doutora em saúde pública pela Universidade Federal da Bahia e pesquisadora do Cidacs/Fiocruz sobre desigualdades raciais e acesso a serviços de saúde.

“Isso tudo tem relação com o sistema em que a gente vive, com o racismo”, explica ela, apontando como, por causa do racismo estrutural, pessoas negras têm piores condições de vida.

Os pobres são atingidos de forma “muito violenta” em relação aos “remediados e ricos”, afirma o médico sanitarista e professor de saúde pública da USP Gonzalo Vecina Neto.

Resultados de um estudo do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, grupo da PUC-Rio, confirmam que pretos e pardos morreram por covid-19 mais do que brancos no Brasil. O grupo analisou a variação da taxa de letalidade da doença no Brasil de acordo com variáveis demográficas e socioeconômicas da população. Cerca de 30 mil casos de notificações de covid-19 até 18 de maio disponibilizados pelo Ministério da Saúde foram levados em conta.

Valas abertas em Manaus

Alex Pazuello/Semcom
Pobres são atingidos de forma “muito violenta” em relação aos “remediados e ricos”, afirma o médico sanitarista e professor de saúde pública da USP Gonzalo Vecina Neto


Considerando esses casos, quase 55% de pretos e pardos morreram, enquanto, entre pessoas brancas, esse valor ficou em 38%. A porcentagem foi maior entre pessoas negras do que entre brancas em todas as faixas etárias e também comparando todos os níveis de escolaridade.

O estudo também concluiu que, quanto maior a escolaridade, menor a letalidade da covid-19 nos pacientes. Pessoas sem escolaridade tiveram taxas três vezes superiores (71,3%) às pessoas com nível superior (22,5%).

Cruzando escolaridade com raça, então, a coisa piora: pretos e pardos sem escolaridade tiveram 80,35% de taxas de morte, contra 19,65% dos brancos com nível superior.

“A desigualdade social tem impacto direto nos óbitos entre os mais pobres e com menor escolaridade”, diz, por e-mail, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, Paula Maçaira, pesquisadora do Departamento de Engenharia Industrial do CTC/PUC-Rio e integrante do NOIS. “Quanto mais desfavorável a situação do paciente, mais chances ele tem de falecer.”

O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. Nos Estados Unidos, dados levantados pelo APM Research Lab mostra que negros morreram a uma taxa de 50,3 por 100 mil pessoas, comparado com 20,7 para pessoas brancas. Mais que o dobro.

No Reino Unido, números do Office of National Statistics mostraram que homens negros da Inglaterra e de Gales têm três vezes mais chance de morrer por covid-19 do que homens brancos.

“É um fenômeno mundial. Esse vírus mata mais pobres e negros – não porque são negros, mas porque são pobres”, diz Vecina Neto. Para Góes, os contexto são semelhantes. “As pessoas negras nos EUA e no Reino Unido também são as que vivem em locais periféricos de menos acesso, menos fornecimento de serviços e com maior prevalência de comorbidades. O que muda são os sistemas de saúde.”

Enterro em Manaus

Alex Pazuello/Semcom
Mais de 68 mil pessoas já morreram no Brasil


Mas por que isso acontece?

Góes e Vecina Neto citam algumas razões para as taxas de mortalidade maiores para a população negra e pobre – no Brasil e no mundo.

A primeira, segundo Góes, é o acesso a serviços de saúde. “Pessoas negras em geral estão nas regiões mais marginalizadas, mais periféricas e esses lugares em geral são lugares que têm baixa oferta de serviço de saúde”, diz a pesquisadora. “Elas precisam se deslocar para o centro, onde ficam os serviços de saúde públicos e privados.”

Um segundo motivo são as condições de vida da população mais pobre. Vecina Neto diz que “pessoas pobres moram em lugares piores, com pior acesso às condições de moradia mais decente” e que, com um número maior de pessoas por metro quadrado, a propagação da doença é facilitada.

A terceira explicação é a falta de acesso a saneamento básico. “No caso do Brasil, principalmente em São Paulo, a periferia não tem oferta de saneamento semelhante às zonas residenciais com distribuição de renda maior”, diz Vecina Neto. “A falta de acesso à água é uma coisa muito grave nessa epidemia.”

Um quarto motivo possível: a fome, ou necessidade de trabalhar para ganhar o dinheiro para a comida do dia. “Quem mora na periferia em grande medida faz parte do mercado de trabalho informal, portanto ganha o dinheiro do dia para comer a comida do dia. Se o sujeito não sair todo dia para ganhar alguma coisa para levar dinheiro para casa, vai ter fome na casa dele”, afirma.

Mesmo com a ajuda do governo federal de R$ 600 mensais para trabalhadores informais, que considera “insuficiente”, “as pessoas têm que sair para arrumar comida, e ao sair, se contaminam mais facilmente”. A realidade é completamente distinta à situação de quem pode ficar isolado ou trabalhando de casa.

“Essas pessoas negras e pobres são as pessoas inseridas mais informalmente no mercado de trabalho, e que estão no front na área de saúde, enfermagem, serviços gerais, do trabalho doméstico”, afirma Góes. “Esse cenário só agudiza a situação.”

Por fim, a pesquisadora sobre acesso desigual a sistemas de saúde destaca condições relacionadas ao bem-estar, como alimentação, exercícios físicos, lazer. Uma população mais pobre tem menos acesso a boa alimentação e consome mais alimentos industrializados. Também está sujeita a mais estresse pela “falta de estrutura da cidade, transporte, moradia”, diz ela. “São fatores modificáveis, que poderiam ser alterados para dar melhores condições de vida às pessoas.”

Isso leva a mais um fator, e um fator grave no contexto da covid-19: a prevalência de comorbidades, como hipertensão e diabetes, que também afetam negros e pobres desproporcionalmente, nessa população. Essas comorbidades contribuem para a mortalidade por covid-19, e estão mais presentes na população negra e pobre “não por uma questão hereditária, mas porque ela está mais exposta a situações precárias”, diz Góes.

O que fazer?

Para resolver esse problema, os especialistas dizem ser preciso endereçar o problema da desigualdade no Brasil em geral, enfrentar o racismo e investir no SUS, o sistema universal de saúde brasileiro.

“O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. A sociedade brasileira considera a desigualdade um problema? Eu acredito que grande parte da população não acha que a desigualdade é um problema”, diz Vecino Neto. Mas, para ele, essa é a “patologia social” mais importante que se tem. “É um quadro que a sociedade tem que buscar corrigir. Não dá pra conseguir se defender de epidemia como essa com nossa desigualdade.”

Para ele, é necessário “melhorar o SUS”. “Estamos colocando o SUS à prova e ele está respondendo de maneira mais ou menos adequada. Vamos sair dessa epidemia com uma lição importante que é buscar melhorar o funcionamento do SUS.”

Já Góes diz que a solução deve passar por “repensar e refazer estratégias colocando a questão do enfrentamento ao racismo no centro do debate”, para que pessoas negras tenham o mesmo acesso ao mercado de trabalho e serviços de educação e saúde.

“Enquanto não refletirmos sobre isso e não tivermos uma sociedade preparada para reconhecer o racismo como estrutural e reconhecer as desigualdades, será bem difícil fazer mudanças estruturais.”

Fonte: IG Mundo

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Internacional

OMS quer arrecadar US$ 76 milhões para o Líbano após a explosão em Beirute

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líbano
Arquivo pessoal/Bárbara Saleh

A mega explosão aconteceu no principal porto de Beirute


A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, nesta quarta-feira (12), que pediu US$ 76 milhões (o equivalente a R$ 416 milhões) em ajuda ao Líbano depois que a explosão massiva em Beirute destruiu ou danificou hospitais, clínicas e suprimentos médicos.


O Líbano já estava lutando contra uma crise financeira e um aumento no número de novos casos do novo coronavírus antes da explosão de 4 de agosto na área portuária da capital, que deixou pelo menos 171 mortos e cerca de 6 mil feridos.

A explosão deixou três hospitais fora de operação e deixou três outros trabalhando em capacidade parcial, reduzindo o número de leitos, disseram funcionários da OMS em entrevista coletiva online.

“Uma semana após a explosão, a Organização Mundial da Saúde ainda está preocupada com a saúde e o bem-estar das pessoas que foram feridas, perderam entes queridos ou ficaram sem teto, e espera-se (que) a recuperação da dor psicológica da explosão dure muito mais”, disse Rana Hajjeh, diretora de programa regional da OMS.

“Em particular, estamos preocupados com o retorno da Covid-19  ao Líbano. Lançamos um apelo de US$ 76 milhões e pedimos à comunidade internacional que apoie o povo libanês e mostre solidariedade com ele de todas as maneiras possíveis”, afirmou.

A perda de leitos hospitalares teve ” implicações claras para a gestão da Covid-19, bem como de outras condições médicas”, disse Richard Brennan, diretor regional de emergência da OMS.

Os resultados iniciais de uma avaliação de 55 clínicas e centros de saúde primários em Beirute mostraram que pouco mais da metade não está funcionando , com o restante atuando em vários níveis, disse Brennan.

A OMS já trouxe 25 toneladas de equipamento de proteção individual (EPI), distribuiu material para trauma e cirurgia a 2 mil pacientes em 10 hospitais e está trabalhando com pelo menos 11 equipes médicas de emergência que chegaram do exterior, disseram as autoridades.

Fonte: IG Mundo

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Internacional

Trump já doou dinheiro para campanhas da oponente de esquerda Kamala Harris

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Trump
Dougs Mills/Getty Images

Trump estava falando sobre o mercado de ações quando um agente do Serviço Secreto o interrompeu


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , e sua filha, Ivanka, doaram milhares de dólares para campanhas de Kamala Harris, escolhida como vice de Joe Biden na chapa democrata que disputará a Casa Branca , no início da década.


De acordo com a imprensa americana, Trump doou um total de US$ 6 mil para Harris em suas campanhas para se eleger procuradora-geral da Califórnia, cargo que ela ocupou entre 2011 e 2017. O magnata fez pelo menos duas contribuições, uma de US$ 5 mil, em setembro de 2011, e outra de US$ 1 mil, em fevereiro de 2013.

Já Ivanka doou US$ 2 mil para Harris em junho de 2014. Desde o anúncio da atual senadora como vice na chapa encabeçada por Biden , Trump tem se dedicado a atacá-la no Twitter e a definiu como representante da “esquerda radical”.

Aos 55 anos de idade, Harris é senadora pela Califórnia desde janeiro de 2017 e é considerada uma moderada dentro do Partido Democrata . Ela é filha de mãe indiana e pai jamaicano e chegou a se candidatar para as primárias, mas desistiu ainda antes do início da disputa, declarando apoio a Biden.

“Estamos em uma batalha pela alma desta nação. Mas, juntos, podemos vencer essa batalha”, escreveu Harris no Twitter nesta quarta-feira (12). Já Trump disse na mesma rede social que a senadora é uma “oponente dos sonhos”, uma vez que parecia uma forte candidata nas primárias, mas acabou “terminando fraca”.

Fonte: IG Mundo

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