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Política Nacional

Pesquisadores e indígenas denunciam danos do garimpo ilegal à saúde humana

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Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Audiência pública debater a mineração da região do Rio Tapajós no Estado do Pará
Audiência da Comissão de Meio Ambiente discutiu os impactos da mineração ilegal na região do rio Tapajós

Pesquisadores e indígenas denunciaram nesta terça-feira (23), na Câmara dos Deputados, os danos do garimpo ilegal à saúde humana. O tema foi debatido em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Estudos do Ministério da Saúde e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) constataram níveis elevados de metilmercúrio na população do entorno da bacia do rio Tapajós, uma das maiores da Amazônia.

Naturalmente, o solo da região já concentra altas doses de mercúrio. A forma mais tóxica, metilmercúrio, surge por meio de processos químicos de bioacumulação agravados por desmatamentos, queimadas e, principalmente, pelo garimpo clandestino de ouro.

O neurocirurgião Erick Jennings Simões, da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, mostrou um quadro com os resultados da contaminação na população que bebe a água e consome os peixes ao longo do rio Tapajós. Os resultados foram obtidos por meio de exames em amostras de sangue e de cabelo.

"O que chama a atenção é que não só lá no alto Tapajós tem alta concentração de metilmercúrio no cabelo, mas na foz também. O que se está fazendo lá em cima afeta quem mora, por exemplo, em Santarém”, disse Simões. “A gente já detectou alterações cardiológicas e neurológicas em pessoas que têm alto nível de metilmercúrio. Infelizmente, não existe um tratamento que cure: é só um tratamento de reabilitação, terapia ocupacional e tentar eliminar a exposição dessas pessoas ao mercúrio", afirmou.

Outros problemas graves – como alterações na tireoide e no sistema imunológico – costumam ter diagnóstico tardio, décadas após a contaminação. Além disso, o metilmercúrio consegue atravessar a placenta, podendo causar danos irreversíveis ao feto.

Líder na Terra Indígena Sawré Muybu, Alessandra Korap contou o drama da população diretamente atingida por essa contaminação no médio Tapajós. "Infelizmente, a gente tem que beber essa água: é a única água barrenta que a gente vive bebendo. Com as mulheres grávidas, antigamente não tinha aborto espontâneo e agora está tendo. Tem que estar direto no hospital. Crianças com dor de barriga. E o que dizer do peixe? Todo dia nós comemos peixe e não vamos deixar de comer peixe, se não vamos morrer de fome porque a única fonte [proteica] que temos é o peixe", declarou.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Audiência pública debater a mineração da região do Rio Tapajós no Estado do Pará. Ativista Indígena, Alessandra Korap Silva
Alessandra Korap: "Com as mulheres grávidas, antigamente não tinha aborto espontâneo. Agora, está tendo"

Garimpo ilegal Só em 2018, a Polícia Federal fez três grandes operações para coibir o garimpo ilegal na região. O delegado Gecivaldo Ferreira informou que os policiais tentam conter tanto a extração quanto o transporte e a comercialização do ouro clandestino.

Segundo Ferreira, o volume de lama despejado no rio Tapajós pela mineração ilegal está em torno de 7 milhões de toneladas por ano.

Representante da Agência Nacional de Mineração (ANM), Glauber Cosenza admitiu que, sem recursos e sem estrutura, a fiscalização é falha. "Hoje em dia, no Tapajós, se libera por meio de áreas licenciadas em torno de 5 toneladas de ouro oficialmente. Não oficialmente, são 30 toneladas. Então, não se trata de um problema do estado do Pará. A questão do Tapajós é nacional", disse Cosenza.

Em Belém, a ANM conta com apenas 10 fiscais para atender todo o Pará e o Amapá. Só em Itaituba (PA), uma das maiores cidades às margens do rio Tapajós, mais de 18 mil pedidos de permissão de lavra garimpeira aguardam análise da agência.

A deputada Joenia Wapichana (Rede-RR) citou outros casos de garimpo clandestino e grave contaminação em terras indígenas, como a dos Yanomami.

Ausência no debate Organizador do debate, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) criticou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), que foram convidados para a audiência pública, mas não enviaram representantes.

"Não é uma situação isolada. É uma situação que está generalizada e tende a piorar com o Ministério do Meio Ambiente completamente subordinado à agenda do agronegócio e diante da Funai, que perdeu completamente o seu papel", afirmou Tatto.

De imediato, os pesquisadores do Ministério da Saúde e da Universidade Federal do Oeste do Pará defenderam o monitoramento clínico e laboratorial das populações submetidas à contaminação de mercúrio. Para eles, trata-se de "urgência sanitária".

Ouça esta matéria na Rádio Câmara


Fonte: Agência Câmara Notícias
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Política Nacional

Cid Gomes apresenta evolução clínica após ser baleado no Ceará

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O senador licenciado Cid Gomes passa bem após ser baleado hoje (19) na cidade de Sobral, no Ceará. Em boletim médico divulgado pelo Hospital do Coração de Sobral, Cid está lúcido e respira sem o auxílio de aparelhos.

“O Hospital do Coração informa que o paciente Cid Ferreira Gomes deu entrada nesta unidade hospitalar, vítima de ferimento por arma de fogo em região torácica. Após atendimento, segue apresentando boa evolução clínica. Seu quadro cardíaco e neurológico não apresenta alteração. Neste momento o paciente encontra-se lúcido e respirando sem auxílio de aparelhos”, diz o boletim médico.

Cid foi baleado ao tentar entrar em um batalhão da polícia militar usando uma retroescavadeira. O batalhão estava com portões fechados em virtude de uma paralisação feita por policiais da cidade. Por lei, policiais militares não podem fazer greve. Em seu Twitter, hoje mais cedo, ele divulgou um vídeo em que criticou a paralisação “de quem devia dar segurança para o povo”.

“Estou chocado em ver cenas de quem devia dar segurança para o povo está promovendo a desordem […]. Eu, como cidadão, estou indo agora para Sobral, minha terra, e quero pedir a cada irmão e irmã sobralense, que não se conforma com essa situação, para me esperar no aeroporto. Vamos definir uma estratégia para dar paz para a cidade de Sobral. É o que eu posso fazer no momento”, disse Cid.

Cid Gomes está licenciado do Senado, sem pagamento de salário, desde o início de dezembro, para resolver assuntos particulares. A licença do senador do PDT do Ceará é de 120 dias. Durante esse período, Prisco Bezerra (PDT-CE) o substitui.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Política
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Política Nacional

Após se dizer vítima de “invasão”, Augusto Heleno admite que foi “imprudente”

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Ministro-chefe do GSI, Augusto Heleno fala em microfone arrow-options
Marcos Corrêa/PR

Augusto Heleno disse que o poder Executivo não deveria ceder às vontades do Congresso

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno , admitiu nesta quarta-feira (19) ter sido “imprudente” ao se deixar filmar afirmando que o governo não poderia aceitar “chantagens” do Congresso . A fala foi captada por uma transmissão ao vivo na conta do Facebook do presidente Jair Bolsonaro, durante cerimônia de hasteamento da bandeira, no Palácio da Alvorada. Mais cedo, Heleno havia dito que divulgação da declaração foi um “lamentável episódio de invasão de privacidade”.

Na manhã desta quarta-feira, Heleno admitiu no Twitter a declaração, ocorrida na véspera, mas criticou o “vazamento” dela. Um usuário da rede social afirmou que ele deveria aprender a utilizar um bloqueador de grampos. “Estava no hasteamento da Bandeira. Eu fui imprudente”, respondeu Heleno.

Leia: Parlamentares seguem Maia e reagem a Heleno: ‘A perda de compostura está se espalhando por todo o governo’, diz Tasso.

Leia também: “Se desejam o parlamentarismo, mudem a Constituição”, diz Augusto Heleno

Em uma sequência de mensagens, o ministro disse que existem “insaciáveis reivindicações de alguns parlamentares”, que reduzem “substancialmente” o orçamento do Executivo, e afirmou que, se há um desejo de implementar o parlamentarismo no Brasil, é necessário alterar a Constituição.

O pano de fundo da discussão é a articulação do Congresso para derrubar vetos de Bolsonaro ao orçamento impositivo, que dá mais poder aos parlamentares. O governo tenta chegar a um acordo para impedir a derrubada de todos os vetos. Caso isso ocorra, o Congresso terá o controle de R$ 30 bilhões.

Em uma reunião, Heleno afirmou a Bolsonaro que o ele deveria “convocar o povo às ruas” para impedir a ação dos parlamentares. Bolsonaro, porém, pediu cautela e aconselhou a articulação política a costurar um novo acordo com o Legislativo.

Fonte: IG Política
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