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Economia

Pedro Guimarães: quem é o presidente da Caixa acusado de assédio?

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Proximidade com Bolsonaro, viagens pelo Brasil e 'caça às bruxas', quem é o presidente da Caixa acusado de assédio
Alan Santos/PR – 9.10.2020

Proximidade com Bolsonaro, viagens pelo Brasil e ‘caça às bruxas’, quem é o presidente da Caixa acusado de assédio

Presidentes de bancos públicos, em geral, são pessoas discretas, quase sempre longe dos holofotes e do grande público. Mas esse não foi o caso de Pedro Guimarães . Desde que assumiu a Caixa, em janeiro de 2019, buscou se aproximar do presidente Jair Bolsonaro, usou eventos para projetar sua imagem e chegou até a sonhar com uma vaga de vice na chapa da reeleição.

Era figura presente nas lives presidenciais e chegou a ter denúncias contra ele não apenas de assédio sexual, mas de assédio moral e até de favorecimento no banco.

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Se o banco público ganhou musculatura sob a sua gestão, em especial com a estratégia de ser o provedor de soluções digitais no auxílio emergencial durante a pandemia, a Caixa viveu enfrentamentos e escândalos que não eram comuns à sua história.

Um dos mais graves foi a denúncia de que a Caixa privilegiava empresários e indicados pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em empréstimos e operações.

O caso está sendo investigado, desde outubro do ano passado, pelo Ministério Público Federal. O MPF também tem um inquérito em curso que apura irregularidades na Caixa, como a suposta pressão política sobre a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para que não aderisse a um manifesto com tom crítico ao governo.

Guimarães ameaçou sair da federação, que defendia valores democráticos em um manifesto assinado por várias entidades empresariais.

Com Guimarães, a Caixa encarou uma concorrência com o Banco do Brasil pelo apoio ao agronegócio, se aproximou de políticos e liderou abertura de agências em locais próximos de apoiadores. O movimento foi na contramão do setor bancário, que viveu uma fase de enxugamento.

A Caixa também teve uma gestão próxima da ideologia do Planalto, que gerou, antes das denúncias de assédio sexual contra Guimarães, suspeitas de assédio moral.

Os exemplos mais gritantes foram registrados em dezembro do ano passado: funcionários da Caixa denunciaram, ao seu sindicato, que eram proibidos de usar roupas vermelhas, cor ligada aos partidos de esquerda, sobretudo o PT.

E, em um evento de gerentes, Pedro Guimarães os incitou a fazer exercícios físicos, contra a vontade de muitos dos presentes. Guimarães também sempre se opôs às políticas de restrição impostas pela Covid, da mesma forma que Bolsonaro.

A gestão de Guimarães é marcada por viagens, sobretudo em locais onde havia pouca população bancarizada. Foram 145, segundo o banco.

Ao anunciar agências, nunca deixava de citar que era uma promessa de Jair Bolsonaro. Em muitas destas viagens ocorriam os episódios de assédio sexual, segundo denúncias coletadas pelo site “Metrópoles”e investigadas pelo Ministério Público Federal, sob sigilo.

Guimarães gosta de alardear que, sob sua gestão, fez uma ampla bancarização e digitalização de clientes, na esteira do pagamento do Auxílio Emergencial. Mas fontes do mercado afirmam que muitas destas contas digitais seguem inativas. O banco não abre seus números. Da mesma forma, não divulga, sob o argumento de serem dados estratégicos, os resultados das linhas de créditos a negativados, criadas no ano passado.

Entre os primeiros atos, ele mudou a política de patrocínio do banco e fez uma espécie de “caça às bruxas” afastando dos postos chaves, como vice-presidências, diretorias e superintendências, todos os executivos das gestões anteriores, independentemente do tempo na função – o que gerou enorme insatisfação dentro do banco.

Ele dizia que empregava o método da meritocracia para preencher os cargos, e, ironicamente, de estimular a gestão feminina na alta gestão. Um dos projetos lançados por ele assim que chegou ao comando da instituição, o “Caixa Mais Brasil”, durou toda a gestão.

Sob o pretexto de conhecer todas as agências do interior do país, Guimarães viajava praticamente todos os fins de semana, acompanhado por uma comitiva.

O lucro da Caixa cresceu sob sua gestão, embora o pico do resultado tenha sido registrado em seu primeiro ano de presidência, quando mais que dobrou, saindo dos R$ 10,3 bilhões em 2018 para R$ 21,1 bilhões em 2019. Em 2020, afetado pela pandemia, caiu para R$ 13,2 bilhões, e se recuperou um pouco no ano passado, para R$ 17,3 bilhões.

Contudo, o resultado da gestão de Guimarães foi puxado pela venda de ativos, que somaram R$ 148 bilhões, incluindo a venda de participação na Petrobras, no Banco do Brasil e Banco PAN, além da abertura de capital da subsidiária, a Caixa Seguridade.

A proximidade com Bolsonaro e com pautas conservadoras, o estilo midiático e os bons resultados deixaram o banco fora de um dos alvos principais do governo: a busca pela privatização.

Mas ele colecionou rivais, notadamente o ministro da Economia, Paulo Guedes, que não se dava com Guimarães – dentro do governo muitos viam no chefe da Caixa um substituto para o outrora “superministro”, ainda mais quando “Posto Ipiranga” tentava evitar políticas e gastos populistas.

Guimarães também se gabava de ter retomado a liderança no banco no crédito imobiliário, de direcionar o crédito para micro e pequenas empresas e de avançar no agronegócio, até então nicho tradicional do Banco do Brasil (BB).

Com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro e de ter participado do processo de privatização como dos bancos Banespa, Banerj, Bemge, Banestado e Meridional, Guimarães tomou novo rumo no governo.

Participava de viagens de Bolsonaro nas entregas das unidades do Casa Verde e Amarela e era figura constante nas motociatas. Ficou conhecido em Brasília como o banqueiro que virou político.

Fonte: IG ECONOMIA

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Economia

Reajuste do Auxílio Brasil altera projeção do PIB para 2022, diz IFI

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PIB do Brasil tende a crescer 2%, prevê Instituição Fiscal Independente
Sophia Bernardes

PIB do Brasil tende a crescer 2%, prevê Instituição Fiscal Independente

A PEC dos Benefícios aprovada pelo Congresso Nacional melhorou a projeção de crescimento do país em 2022. É o que aponta dados da Instituição Fiscal Independente, órgão vinculado ao Senado, divulgados nesta quarta-feira (17). 

Segundo a IFI, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 2% neste ano, alavancado pelo reajuste de R$ 200 no Auxílio Brasil. O dado vai ao encontro do esperado pelo mercado financeiro, de acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (15) e está dentro das expectativas do Ministério da Economia. 

A previsão anterior para o crescimento do país era de 1,4%. O levantamento, entretanto, reajustou para baixo a taxa de crescimento para 2023, de 0,7% para 0,6%, devido à alta na taxa básica de juros anunciada pelo Banco Central. 

“Os estímulos fiscais devem promover uma desaceleração mais branda da atividade econômica ao longo deste segundo semestre. Por outro lado, a taxa de variação esperada para 2023 foi ajustada para baixo de 0,7% para 0,6%, afetada pelo impacto do aperto monetário efetuado pelo Banco Central e o menor dinamismo do crescimento mundial”, explicou 

A IFI ainda prevê dados positivos para o resultado primário em 2022. Antes, a instituição acreditava em déficit de R$ 40,9 bilhões, mas reajustou suas projeções para superávit de R$ 27 bilhões. 

O superávit de R$ 110 bilhões registrados pelo Tesouro Nacional nos últimos 12 meses animou os especialistas e a expectativa é que o governo encerre o ano com o primeiro superávit em nove anos. 

“O aumento na projeção da IFI se deve à revisão em R$ 70,4 bilhões na expectativa para a receita líquida (de R$ 1.784,3 bilhões para R$ 1.854,7 bilhões). A projeção da despesa primária foi revista para cima em R$ 2,5 bilhões, de R$ 1.825,2 bilhões para R$ 1.827,8 bilhões”, informou a IFI, em nota. 

Ao passo em que o país fechará o ano em superávit, a dívida pública também deve cair, mas não o esperado pelo governo federal. A previsão inicial era que as dívidas consumissem 79% do PIB brasileiro.

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Atualmente, as dívidas consomem 78,2% do PIB, mas, embora apresente redução, a dívida pública deve custar 78,8% de todas as riquezas produzidas no país. Esse ajuste se deve ao aumento de gastos anunciados pelo governo federal para bancar benefícios. 

LDO e reajuste salarial 

A IFI ainda alertou para as projeções do governo para a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023. Enquanto a instituição prevê crescimento de 0,6% no PIB, o Planalto acredita em alta de 2,5% nas riquezas do país, enquanto a média da inflação não deve ultrapassar os 3,3%. 

As diferenças, segundo a IFI, são motivadas por parâmetros macroeconômicos. 

Ao comentar sobre o reajuste salarial do Judiciário, a IFI prevê um gasto de R$ 13,6 bilhões até 2025. O número, no entanto, pode ser maior já que o salário de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é usado como base para o teto salarial do funcionalismo público. 

“O reajuste de 18% nas remunerações do Judiciário teria impacto, na União, de R$ 1,8 bilhão em 2023, R$ 5,5 bilhões em 2024, e R$ 6,3 bilhões de 2025 em diante. O reajuste do teto do Judiciário impactará também os demais Poderes, pois elevará o teto salarial do funcionalismo da União”, completa o estudo.


Fonte: IG ECONOMIA

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ApexBrasil vai qualificar produtores e empresas para exportar frutas

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A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) vai qualificar até 50 produtores e empresas para a exportação de frutas, por meio do Peiex Agro Frutas, que foi lançado hoje (17) em evento em Juazeiro (BA), vizinha a Petrolina (PE), importante região produtora de frutas no país.

O Peiex é o Programa de Qualificação para Exportação da ApexBrasil que atende empresas de todos os portes e setores. Segundo a agência, em função do potencial de algumas áreas específicas da agricultura, como é o caso das frutas, haverá atendimento especializado por meio de atendimento online, gratuito e customizado.

De acordo com o diretor de negócios da ApexBrasil, Lucas Fiúza, o empreendedor aprende todos os passos para conseguir ser um exportador, como as exigências dos diversos mercados, certificações e até processos internos da própria empresa, incluindo sistemas de gerenciamento e análise de embalagens de produtos.

“É muito válido para todos que participam, eles conseguem queimar muitas etapas, onde perderiam muito tempo, errando sozinhos, se não tivessem este tipo de informação”, disse.

Em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o Peiex Agro Frutas será implementado pelo Núcleo Peiex Petrolina, que é executado em convênio com a Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina-PE (Facape).

Frutas do Brasil

Em parceria com a Abrafrutas, a ApexBrasil também vai investir mais de R$ 9 milhões em ações para promoção do produto nacional no exterior, com a renovação do convênio do Projeto Setorial Frutas do Brasil até 2024. Do total dos recursos, 51% serão investidos pela ApexBrasil e 49% pela Abrafrutas.

Fruto de parceria entre as duas instituições, desde 2014 o projeto tem como objetivo promover as exportações de frutas brasileiras por meio de ações direcionadas a mercados estratégicos, fortalecendo a imagem do setor e apoiando os exportadores na participação de feiras, rodadas de negócio e eventos internacionais.

“É um convênio muito importante para o setor, que emprega 5 milhões de brasileiros, e já é um parceiro de sucesso da Apex. Esse tipo de convênio, que agora está se conectando com o Peiex, é determinante não somente para que possamos promover os nossos produtos, abrir novos mercados, mas também qualificar todas as empresas e produtores”, destacou Lucas Fiúza.

Para a ApexBrasil, o Brasil tem condições climáticas favoráveis que possibilitam a boa produtividade de frutas com diversidade o ano todo, o que abre janelas de exportação para diversos países. Atualmente, o país é o terceiro maior produtor mundial de frutas e o 24º exportador. As principais frutas exportadas são manga, melão e uva.

Cerca de 58% desses produtos vai para União Europeia, 15% para o Reino Unido e 12% para os Estados Unidos. No ano passado, o Brasil enviou para o mercado internacional cerca de 1,2 milhão de toneladas de frutas, 18% a mais em volume registrado no ano anterior. Em 2021, o faturamento do setor foi de US$ 1,060 bilhão de dólares, o que representa um crescimento de 20% comparado a 2020.

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Economia

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