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Opinião

PAULO WAGNER – A Lição do Cerrado

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O cerrado é uma floresta cujas raízes são maiores que os ramos acima da terra, uma floresta que cresce para baixo, e assim as árvores do cerrado guardam água para enfrentar o estio que dura a metade do ano em muitas regiões do país. Assim, o cerrado libera de suas raízes, lentamente, as águas que alimentam nascentes, pequenos córregos, grandes rios e toda a vida por onde seus mananciais passam. Isso torna possível o correr das cachoeiras na época mais seca do ano.

Quando o estio se adensa, as árvores do cerrado, resistentemente, vão perdendo suas folhas e uma infinidade de ramos retorcidos passa a dominar a paisagem. É no auge da seca, obedecendo um relógio oculto da natureza, que o cerrado resolve florir, mostrando a vida e a beleza guardado no cerne e na seiva de suas entranhas.

Não é uma florada qualquer, é uma florada exuberante, repleta de flores exóticas, ipês de múltiplas cores e matizes, cega-machados cobertos de flores lilases, copas inteiras transformadas em branco buquê. Na florada, uma nuvem de abelhas e insetos percorre a imensidão de um jardim suspenso e farto, repleto de pólen, néctar e fertilidade. Um espetáculo natural que passa despercebido aos olhos desatentos e apressados do dia a dia, apesar de sua grande força e beleza.

É também no estio que as sementes da sucupira, do tamboríu, do jatobá, do murici, do gravatá, do araticum, do barú, do groá e da maioria das plantas do cerrado se formam, amadurecem e caem para fecundar a terra e plantar a esperança da continuidade da vida. Trazendo a lição do cerrado de estar sempre pronto para resistir às intempéries, de estar sempre pronto para florir no tempo mais seco e inóspito, mostrando que a vida resiste, renasce e continua seu caminho natural.

E o que parecia morto, inerte e apagado pelo estio, renasce na transitoriedade cíclica de tudo quanto há, no ir e vir das estações ao longo do tempo, no tempo certo de todas as coisas escritas no livro de Deus. Na chuva certeira que acordará mais uma vez a semente para receber o dom da vida e a luz do Sol sobre suas folhas.

Paulo Wagner é Escritor, Jornalista e Mestre em Estudos de Linguagem e Literatura

 

 

 

 

 

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Opinião

MARIA AUGUSTA RIBEIRO – Entenda o que é Dependência tecnológica

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Num mundo globalizado e rodeado pela tecnologia, viver sem ela parece impossível. E os riscos do uso diário da tecnologia esta nos transformando em dependentes da tecnologia. #dependenciatecnologica.

Pense na coisa que mais gosta de fazer. Agora imagine você praticando ela todos os dias 24 horas por dia e 7 vezes por semana.  Pode ser fazer sexo, comer chocolate ou tomar sol, uma hora o corpo vai fadigar e voce vai precisar parar certo?

Com a tecnologia é o mesmo. Nossa mente, nosso corpo e nossas relações estão sendo afetadas simplesmente porque  estamos usando de forma ERRADA e em EXCESSO.

Você ouviu bem, estamos todos dependentes da tecnologia uns em grau mais baixo e outros em níveis severos

Todos os dias vemos novas tecnologias surgindo, mas a maioria das pessoas acabam extrapolando o tempo de uso e essa nova dependência, acaba sendo comparada até com vício a drogas e álcool.

Muita gente não consegue mais ficar sem um dispositivo na mão, não consegue comer ou dormir direito sempre atado a tecnologia afetando suas rotinas negativamente.

Será que não é hora de entender melhor o que é dependência tecnológica e moderar sua utilização?

Mas o que é Dependência Tecnológica?

Do ponto de vista clinico, dependência tecnológica é quando o individuo não consegue controlar o próprio uso que faz, seja ele, das telas, da internet, de jogos ou das redes sociais, ocasionando prejuízo e sofrimento intenso a diversas áreas da vida.

As comorbidades mais comuns apresentadas pelas pessoas são: Diminuição de rendimento profissional ou escolar, isolamento social e conflitos familiares.

De acordo com a neuropsicológica da navegação online, atividades continuas tecnológicas comprometem progressivamente a capacidade de concentração do cérebro e isso prejudica o pensar de forma mais reflexiva, com mais foco e atenção.

E um individuo que não consegue se concentrar e nem descansar direito vai ter depressão, ansiedade, obesidade, Transtorno de déficit de atenção, fobia social e por aí vai.

De acordo com Andrea Jotta, pesquisadora do laboratório de psicologia em tecnologia, informação e comunicação da PUC-SP “ Desde a entrada da internet discada no Brasil estamos acompanhando a evolução do uso da tecnologia pelas pessoas. E o que esperávamos ver daqui 5 ou 10 anos aconteceu do dia para a noite”

E como identificar que alguém tem dependência de tecnologia?

Isso somente pode acontecer com diagnostico de um profissional na área da saúde.  Nos pobres mortais não vamos diagnosticar ninguém ok!

Por mais na cara que esteja, que alguém que conheça tenha dependência em tecnologia, o melhor que pode fazer é buscar ajudar ou indicar que alguém busque ajuda. E não resolver o problema sozinho.

A situação se torna preocupante quando o mundo digital se sobrepõe as atividades do cotidiano e experiências da vida digital, são mais ativas que as da vida física.

Como prevenir a dependência digital?

Tenha senso critico! Sempre questione se uma tecnologia é para você.

Fique atento ao seu corpo: Problemas com o sono, dor na coluna, problemas de visão ou psicológicos podem indicar a hora de procurar ajuda.

Trabalhe para dosar o uso das tecnologias no cotidiano, e fique atento se não está prejudicando o trabalho ou estudos.

Pratique atividades ao ar-livre e em contato com a natureza.

Prefira o contato social físico ao virtual.

Faça exercícios físicos e

Não se deixe abalar por publicações na internet.

É a primeira vez na humanidade que temos 5 gerações vivendo no mesmo tempo e espaço e isso faz com que a adoção da tecnologia seja uma premissa para existir. Mas seria legal a gente aprender mais com as experiências físicas de tanta gente ao nosso redor do que ficarmos do outro lado da tela só olhando não acham?

Maria Augusta Ribeiro é especialista em Netnografia e Comportamento Digital

 

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Opinião

JUACY DA SILVA – Laudato Si, tempo da criação e junho verde

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Estamos nos aproximando do Tempo da Criação que abrange 34 dias, começando no dia 1º de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e concluindo no dia 4 de outubro, próximos, quando será a festa de São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia. a ser comemorado, com uma ênfase nos ensinamentos da Enciclica Laudato Si, tantas outras exortações e ensinamentos do Papa Francisco através de seu magistério incentiva-nos a reflexões sobre a importância de nossas ações para ajudarmos a salvar o Planeta Terra, enquanto á tempo.

Além disso, alegra-nos, como cristãos que a proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apresentada `a Câmara Federal em 2020, para instituir a campanha Junho Verde foi sancionada pelo Presidente da República neste 04 de julho de 2022 e virou Lei Federal, que representa um grande estímulo para a luta ecológica em nosso país.

Vale a pena a gente  conhecer esta nova Lei Federal14.393/2022,  que altera profundamente os termos e o espírito da Política Nacional de Educação Ambiental e institui a celebração do mês temático como parte das atividades educativas  em nossas relações com o meio ambiente, garantindo que o mesmo seja sustentável as futuras gerações, isto é o que se denominada justiça ambiental e justiça inter geracional.

O objetivo da Campanha Junho Verde, segundo o texto sancionado, é “desenvolver o entendimento da população (todos os segmentos, inclusive o empresariado e os consumidores) acerca da importância da conservação e proteção dos ecossistemas naturais e de todos os seres vivos e do controle da poluição e da degradação dos recursos naturais, para as presentes e futuras gerações”.

O que se busca com essas normas legais e também a ênfase que vem sendo feita pelo Papa Francisco tanto na LAUDATO SI quanto em suas diversas exortações quanto a ECOLOGIA INTEGRAL, é o despertar da consciência ambiental, ecológica por parte da Igreja, por todos os países e dentro de cada pais por todos os segmentos populacionais e setores da sociedade, não apenas dos cristãos mas também pelos fiéis de todas as religiões e sistemas de governos.

Neste contexto, há   anos, diversas ações vêm sendo realizadas, não apenas por países e sociedades, mas também por organismos internacionais, com destaque para o papel da ONU e suas agências especializadas, como forma de transformarmos em realidade essas exortações, sonhos e ideais de um mundo melhor, política, social e economicamente justo e ambientalmente sustentável.

Tanto no Brasil quanto em outros países, o que antigamente se chamava Movimento Católico Global pelo Clima e que atualmente é denominado de MOVIMENTO LAUDATO SI, ao lado de outras iniciativas, como das Pastorais da Ecologia Integral e ou Pastorais do Meio Ambiente, vem demonstrando que o desafio de MELHOR CUIDAR DA CASA COMUM é imenso; que este Cuidado com a Casa Comum passa por diversos aspectos como a Conscientização Ecológica; a reflexão sobre os pecados ecológicos, a conversão ecológica até atingirmos o que o Papa Francisco denomina de Cidadania Ecológica, condições necessárias para mudanças mais profundas e não apenas superficialmente.

Para tanto são importantes as formas de sentir, pensar e agir, não apenas a nível individual, mas fundamentalmente, de forma coletiva, organizada, maximizando e potencializando os esforços individuais, no contexto de que a força coletiva consegue produzir resultados mais profundos, transformadores e duradouros. As pessoas são limitadas, inclusive quanto ao tempo de vida, enquanto as organizações podem se perpetuar por longos períodos, décadas, séculos ou até milênios, garantindo a continuidade dessas ações.

Essas ações se desenvolvem em dois planos, de um lado, são as iniciativas populares, de movimentos e organizações não governamentais, inclusive as Pastorais da Ecologia Integral; a tomada de consciência e ação do empresariado para que os sistemas produtivos não  degradem, nem direta e nem indiretamente, os ecossistemas; que uma nova economia, como a Economia de Francisco e Clara, contida na proposta do Papa Francisco; como as experiências de economia verde e circular; na contenção do consumismo e do desperdício que tanto contribuem para a poluição dos solos, das águas (inclusive dos oceanos) e do ar, exaurindo os recursos naturais e causando doenças, sofrimento e morte.

De outro lado, são as ações capitaneadas pelos poderes públicos através da definição de políticas públicas, com programação e projetos viáveis e financiados com recursos públicos, oriundos dos sistemas tributários nacionais, estaduais e municipais, recursos que devem ser aplicados com prioridade, eficiência, ética, transparência e uma maior eficácia, atingindo objetivos e metas pré estabelecidas nos sistemas de planejamento público.

No contexto das ações privadas existem inúmeras experiências nacionais e internacionais que demonstram que o somatório ou as parcerias entre ações individuais, ações privadas por parte de organizações não governamentais e as ações públicas, conseguem a um só tempo romper com as resistências de grupos criminosos e que teimam em degradar e destruir os ecossistemas e  protegermos, conservarmos e restaurarmos os ecossistemas degradados, como por exemplo, as metas estabelecidas nas diversas conferências do Clima e outras mais contidas no Acordo de Paris e outros tratados internacionais aprovados pela ONU e homologadas por, praticamente, todos os países e territórios, inclusive o Brasil.

Dentre os exemplos de ações neste contexto, podemos destacar a experiência da  Organização Internacional Mary Ward JPIC que está empreendendo diversos programas e projetos  que podemos denominar de economia ecológica, inserida nos objetivos da Laudado Si e da Economia de Francisco e Clara. Vale a penas conhecer esta e outras experiências.

Economia Ecológica, o terceiro Objetivo da Laudato Si, reconhece que a economia é um sub-sistema da sociedade humana, que por sua vez está embutido dentro da biosfera – nossa  casa comum, portanto, precisamos mudar os atuais modelos que depredam a natureza por outro modelo mais humano, justo e racional.

A referida organização é composta de redes que promovem a vida humana, a dignidade, a proteção do meio ambiente e a solidariedade, com Igrejas da Índia à Argentina, do Zimbábue ao Canadá, do Reino Unido ao Peru, e dos EUA à África do Sul.

Essas ações se desenvolvem em 10 dimensões, em resposta ao desafio de uma economia baseada em novos paradigmas, quando se trata das relações da humanidade com a natureza, que podemos denominar de economia ecológica ou economia verde, que representa a transição energética através  da substituição de fontes poluidoras dos combustíveis fósseis por fontes renováveis, como energia solar , eólica e outras mais.

Substituir modelos altamente poluidores por uma economia de baixo carbono, evitando aumentar a emissão dos gases que produzem efeito estufa, aquecimento global e mudanças climáticas.

Focar em uma economia que propicie a vida e o futuro da humanidade e não uma economia que mata, que não respeita a dignidade dos trabalhadores e nem a saúde do consumidor, uma economia cujo único objetivo seja o lucro e acumulação a qualquer preço, pouco se importando com a miséria, a fome e a exclusão da grande maioria dos habitantes do planeta.

Para a Mary Ward JPIC essas dimensões são as seguintes; 1. Cuidar melhor das coisas pessoais e comuns impedindo a compra de coisas que não são necessárias, supérfluas (combater o consumismo e o desperdício); 2. Encorajar as pessoas a não comprarem bens que são preparados através da exploração do trabalho infantil; 3. Estimular a economia local, fazer um esforço para cultivar sementes locais em vez de sementes modificadas geneticamente (bancos de sementes), estimular hortas familiares, escolares e comunitárias; 4. Unir-se aos movimentos populares e colaborar com outras redes para combater as causas profundas da pobreza, miséria e fome; 5. Estimular a reciclagem, reduzindo o desperdício e aumentando a vida útil dos produtos (economia circular); 6. Comprar produtos de comércio justo, que não seja fruto da exploração dos trabalhadores e trabalhadoras; 7. Aprender mais sobre o impacto do desmatamento,  das indústrias extrativistas ou exploradoras no meio ambiente na vida das pessoas e do país; 8. Trabalhar focado em diretrizes de compras de empresas que respeitem princípios éticos e de sustentabilidade (consumo e produção sustentáveis e responsáveis) 9.Maior engajamento com grupos que combatem o trabalho infantil e outras formas de trabalho em condições desumanas; 10. Maior engajamento  na luta contra o tráfico de pessoas, trabalho escravo ou semi-escravo.

Podemos acrescentar mais algumas outras dimensões como o desenvolvimento e o fortalecimento da economia solidária/cooperativismo e a agroecologia (como forma de reduzir a ingerência negativa dos atravessadores que exploram tanto os produtores quanto os consumidores e produzir ecologicamente correto), esta última, como forma de combatermos o uso abusivo dos agrotóxicos que envenenam os alimentos, destroem o meio ambiente e a saúde dos consumidores,

Como Podemos perceber, precisamos refletir sobre o que está acontecendo com nossa Casa Comum, despertarmos nossa consciência ecológica, mas isto apenas, mesmo que seja importante não basta para mudarmos a realidade representada pela degradação da natureza e do meio ambiente criado pelo homem, o que, de fato, muda esta realidade são as ações, não mais baseadas ou alicerçadas sobre velhos paradigmas de que para desenvolver os países, para produzir alimentos e matérias primas precisamos destruir a biodiversidade, degradar os ecossistemas; mas sim, avançarmos para novos paradigmas, não apenas científicos e tecnológicos, mas, fundamentalmente éticos e morais, onde o respeito dos seres humanos e o respeito pela natureza caminhem um ao lado do outro, isto significa, respeitar os limites do planeta.

Neste sentido, esses são os pilares sobre os quais vamos construir os novos paradigmas, através dos quais podemos atingir uma nova realidade socioambiental: LAUDATO SI (Ecologia Integral); TEMPO DA CRIAÇÃO (Respeito pelas obras da Criação) e Junho Verde (O despertar da consciência ecológica, através da educação ambiental/ecológica).

Vale a pena procurarmos conhecer mais a fundo esses temas que fazem parte da nova Agenda Planetária (Agenda 2030). Ou mudamos de verdade ou iremos perecer junto com o Planeta Terra, cujos indicadores demonstram que está muito doente e na UTI!

Juacy da Silva, professor titular e aposentado da UFMT, sociólogo, mestre em sociologia, Email [email protected] Instagram profjuacy Whats app 65 9 9272 0052  Herndon, VA, EUA 05 Julho 2022

 

 

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