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Opinião

PAULO EDUARDO FERRAZ – OAB: mais acesso e mais acessibilidade

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Fiquei surdo no final de 2017 devido a uma doença hereditária chamada neurofibromatose tipo 2. Como consequência, tenho tumores nos ouvidos e também possuo nódulos na medula espinhal. Tive que operar apenas parte do tumor localizado no ouvido esquerdo e como sequela, fiquei com ataxia de marcha (movimento impreciso do lado esquerdo), biplopia bilateral (enxergo dobrado) e desequilíbrio.

Tenho dias difíceis para tentar viver um dia normal. Ter limitações e não escutar te levam ao extremo. Ficar surdo depois dos 40 afetou-me bastante.

Por advogar há muitos anos achava que tínhamos leis fantásticas e atualizadas na espécie, mas a eficácia destas se mostrou pífia. Socialmente falando, muitos se fazem alheios às necessidades dos outros. A sociedade como um todo precisa evoluir bastante.

Na OAB-MT não é diferente. Não vejo respaldo da Casa mesmo tendo uma comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Aliás, li as atas formalizadas por tal comissão e os objetivos alcançados (se foram) não coadunam integralmente com os interesses dos advogados com deficiência e, quiçá, da sociedade. Neste ponto, falo por mim e não por terceiros.

Nesse contexto, exemplifico ações simples, mas que seriam de grande valor. Poderíamos iniciar com um cadastramento dos interessados em algum tipo de assistência e depois, se necessário, alterar nossas carteiras profissionais. Adequar as cores de acordo com a necessidade de cada um. Essa mudança serviria para que o servidor público interaja com a necessidade de cada pessoa. A própria sede da capital poderia ser adequada, pois não está de acordo com as exigências da ABNT.

As adequações de Órgão Públicos também são de suma importância, e, nesse ponto, a participação das mais diversas entidades, principalmente do Poder Judiciário, são relevantes. Nesta seara o próprio CREA-MT (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) deveria se fazer presente, pois são eles os conhecedores das diversas normas e orientações dirigidas à edificação para deficientes.

Sei que a OAB-MT foi convidada para participar dessas mudanças, mas creio que os maiores interessados como cegos, mudos, surdos e afins deveriam se fazer presentes e expor suas ideias e observações, pois são os maiores interessados nessas mudanças e nas políticas públicas.

E o que tudo isso tem com a OAB-MT que passa por uma grande reestruturação e por um período eleitoral? Na verdade, vejo que muito da democracia e da cidadania está se perdendo. Uma visão pessoal está à frente da coletividade; as ações não estão albergando a classe advocatícia como um todo. Vislumbro que seja o momento de tomarmos as rédeas e seguir um caminho mais digno.

Somos defensores de uma sociedade que, por vezes, desconhecem os caminhos legais e nossa obrigação é defendê-la. Devemos proteger e orientar para um bem-estar social adequado.

Por tudo isso, acredito que precisamos de uma chapa que seja agregadora, que olhe para a diversidade, que seja plural, que traga em seu projeto a defesa de seus PCDs de forma clara e aberta, não apenas em palavras e intenções. O momento de agir já se fez presente a um bom tempo e nada concreto foi feito.

Neste sentido, a chapa Nova OAB foi a única que se mostrou sensível aos anseios de pessoas prejudicadas. Foi a única que nos procurou e deu espaço para expressarmos o quanto as mudanças são necessárias do ponto de vista do deficiente.

Que bons ventos soprem por esta iniciativa e que um futuro melhor alcance aqueles que se esforçam em torná-lo verdade.

Paulo Eduardo Ferraz Santalucia é PCD e advogado em Cuiabá-MT e candidato a conselheiro estadual pela Chapa 2 Nova OAB

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Opinião

ANDERSON NOGUEIRA – Tecnologia como aliada dos pets

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Um tema que comumente aparece nas redes sociais e nos aplicativos de mensagem como pedido de ajuda é quanto ao desaparecimento de animais domésticos. Os pets se perdem por inúmeros fatores, incluindo incidente na hora do tutor sair de casa, falta de dispositivos de segurança adequados ou até mesmo em um ato de violência, a exemplo roubo ou furto.

Quem já teve um animal desaparecido conhece o tamanho do desespero. Isso porque, não importa o tamanho do engajamento para localizar o pet, há casos em que não há solução.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o Brasil tem mais de 30 milhões de animais nas ruas, sendo aproximadamente 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos. Dentro desta estatística somam-se os que nasceram nas ruas e, boa parte deles, foi abandonada ou se perdeu e nunca mais foi encontrada pelos tutores.

Uma das maneiras de evitar o sumiço do animal é colocar a identificação na coleira do pet. E para isso, a tecnologia é uma aliada. Em Cuiabá, já tem disponível esta ferramenta, por meio da Tag QR Code, que serve como localizador do animal.

Por meio desta ferramenta é possível inserir dados do pet (nome e informações vacinais) e do dono (contato telefônico). A coleira especial serve para cães e gatos e o encaixe da coleira é seguro e não sai com facilidade.

De posse do registro do tutor e do pet, a coleira está apta para marcar a geolocalização do animal (informações geográficas) e, em caso de desaparecimento, o proprietário é notificado se alguém acessou informações contidas na ferramenta. Todo o histórico da saúde do animal, consultas, vacina, cirurgia, dentre outras informações, ficam registrados na ferramenta.

A leitura da Tag de QR Code pode ser feita por qualquer dispositivo apto para esta tecnologia. E o melhor de tudo, essa ferramenta é acessível e proporciona mais segurança para os animais e os tutores.

Anderson Nogueira é médico veterinário há mais de 15 anos e atende na Clínica Veterinária Mato Grosso. 

 

 

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Opinião

VANESSA MORAES – O que favorece minha saúde auditiva?

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Alguns hábitos que envolvem a saúde auditiva são mais simples do que podemos imaginar. Porém, eles devem ser diários!

Seguem alguns para já colocarmos em prática desde já:

– Monitore os volumes dos sons da TV, da música, nunca deixando as pessoas ao seu redor escutar o som de seus fones. Limite o tempo de uso, quanto maior o volume, menor deverá ser  tempo de exposição;

-Faça a limpeza correta de seus ouvidos: com o dedo e uma toalha. O uso de cotonete é indicado para limpeza do nariz;

– Utilize protetor de som quando tiver que se expor a ambientes com ruídos excessivos. Isso até pode ser considerado um exagero, mas até mesmo uma exposição esporádica pode matar a célula auditiva;

-Faça os tratamentos adequadamente para infecções, otites, gripes até o final. Quando mal curadas podem levar a perda auditiva e também a outras complicações;

-Evite ficar muito tempo ao telefone, não somente pela intensidade do som, como também pelas ondas eletromagnéticas emitidas pelo aparelho que causam risco à saúde;

-Realize consultas periódicas com um otorrinolaringologista. Desconforto como zumbido e diminuição da audição merecem uma avaliação mais precisa.

-Alimente-se de forma saudável de 4 a 6 vezes por dia e evite o excesso de cafeína e alimentos muito doces ou muito salgados. Tome bastante água e pratique atividade física regularmente. As vitaminas B12, B9, A, C e E encontradas em alimentos saudáveis são essenciais para a manutenção da acuidade auditiva;

-Rejeite medicamentos sem prescrição. Alguns são prejudiciais e seu uso indiscriminado pode levar a perda auditiva irreversível como também ser nocivo à saúde do corpo em geral;

-Tenha momentos de silêncio. Possibilite descanso aos seus ouvidos. O ideal é que esses “repousos sonoros” sejam feitos de 1 a 2 vezes por dia.

As lesões auditivas ocorrem de maneira lenta e gradual e muitas vezes podem ser irreversíveis. Por isso, ao menor sintoma, faça um exame de audição.

Vanessa Moraes é audiologista – @fonovanessamoraes

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