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Opinião

PAULO BILLICANTA – Operação do medo

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O pecuarista está com medo de vender, e o dono do frigorífico com medo de comprar.
Tem dono de frigorífico afundando “assoalho” entre a sala do comprador e do vendedor, com certeza passando pelo departamento de custo…
A conta não fecha, e isso é a única verdade sobre a qual se faz consenso.
Não há negócio estável tão pouco resultado pré-definido.
As compras ocorrem no “escuro” contando com novos preços que não estão vindo para a carne. Aqueles que exportam esperam por um dólar do passado ou um aumento de preços em dólar, sonhando que um dos dois os poderá “salvar”. Quem está no mercado interno se apega à falta de boi para não pensar em um mercado retraído e pessimista, que não vai pagar o necessário em seus produtos. Interessante ressaltar aqui, que o fenômeno ocorre na compra e na venda.
O vendedor da indústria obrigado a elevar o preço da carne, oferta com medo de perder a venda. O comprador das redes de varejo com medo de ficar com a carne no estoque, não quer comprar, porque aposta que com o mercado ruim os preços poderão cair.
Lá no outro lado do processo está o pecuarista olhando seus custos. O milho base da alimentação está caro, e com pressão de ficar mais caro ainda. A reposição, que aqui também é consenso, será insuficiente para abastecer de boi magro àqueles que engordam.
O preço, ainda que seja a maior “bandeira” daqueles que tem boi, não é a sua maior necessidade. Um custo de alimentação estabilizado e uma reposição garantida dariam tranquilidade ao setor.
Na operação do medo uns trabalham com contas sem as fecharem, amargando prejuízos, e outros trabalham no escuro profetizando preços sem entenderem que se não houver quem os pague na ponta (gôndola), não vão se estabilizar.
O setor de carne vermelha, e aí coloco os dois personagens juntos terá que encontrar um equilíbrio para o bem dos dois.

Paulo Belincanta é pecuarista em Mato Grosso – [email protected]

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Opinião

MAX RUSSI – Consenso e bom senso

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A experiência de vivenciar uma vitória nas urnas é muito gratificante. Nós, políticos, que dependemos do voto de nossos compatriotas para podermos exercer mandatos públicos, sabemos o quanto é tenso o período eleitoral e como o “sim” nas urnas consiste em um feito importante. No entanto tenho clareza, como cidadão atuante na política há mais de duas décadas (nas funções de vereador, prefeito, secretário de Estado e deputado estadual) de que o real significado de ser eleito fica, de fato, evidente, não no momento da celebração da vitória – mas nas adversidades.

Já faz um ano que a palavra pandemia tomou frente em nossa rotina. Atitudes simples e corriqueiras, como ir ao supermercado, à igreja ou à escola adquiram uma complexidade que não imaginávamos viver. Uso de máscara, higienização constante das mãos e afastamento das outras pessoas passaram a ser condições – universais – fundamentais à vida e à saúde.  Estatísticas do avanço da Covid-19, dados sobre disponibilidades de UTIs e informações sobre eficiência de vacinas passaram a fazer parte no nosso dia a dia. Ligou a TV, o rádio, leu o jornal ou site e lá está o tema pandemia, sempre assustador e grave.

No meio disso tudo, nós e nossas famílias vamos vivendo dia após dia, buscando vencer as dificuldades. E no meio disso tudo estamos nós, os políticos, gestores públicos escolhidos pelo povo, buscando soluções para os mais diversos problemas gerados pela pandemia. Essa é nossa tarefa: batalhar pela redução dos impactos econômicos e sociais desse vírus tão danoso.

Neste sentido, importante que nós, gestores públicos, permaneçamos focados. Precisamos tomar decisões com coerência e comunicar essas decisões com clareza. A falta de decisões harmônicas e claras traz, também, consequências danosas – e não é disso que a população precisa. Quando não há consenso no Executivo – situação que testemunhamos essa semana na região metropolitana de Cuiabá – outros Poderes têm que assumir a frente e fazer a gestão. Pergunto: é assim, mesmo, que vamos continuar caminhando?

O consenso é possível, produtivo e eficiente – mas depende do querer. Nosso Brasil, que não consegue, lamentavelmente, evoluir na vacinação contra a Covid (mesmo sendo exemplo de sucesso em campanhas de imunização), sofre os efeitos de ações governamentais descoordenadas e estrategicamente equivocadas. Estamos cansados dessa situação e não podemos permitir que ela se replique localmente, em nosso Estado. Para tanto, nós, políticos, gestores públicos, necessitamos atuar com bom senso e em consenso. É possível. Todos ganham – sobretudo a democracia.

Max Russi é presidente da Assembleia Legislativa

 

 

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Opinião

ROSANA LEITE – “Novo normal” para elas

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Há um ano atrás o Brasil passou a conviver com a pandemia do coronavírus. Isolamento social, quarentena, máscaras, álcool, lockdown, e por aí afora, foram palavras presentes com maior frequência em nossas vidas. As mulheres se reinventaram com o ‘novo normal’, ficando, mais uma vez para elas os ônus da anormalidade. A violência dantes por elas vivenciada ganha outros ‘ares’.

Não, diferentemente dos homens, o tal ‘novo normal’ as fez estar no que para elas sempre se tentou normalizar. O trabalho dentro dos lares, como sempre aconteceu, as apresentou menor qualidade de vida. Se antes o ambiente doméstico a elas pertencia, agora muito mais e com maior carga de responsabilidade.

De outro turno, a violência doméstica e familiar é uma realidade na vida de muitas, com a diferença de que elas não tiveram trégua, dado ao isolamento social.

Tiveram que aturar algumas situações:  homens nervosos as agredindo pela proximidade maior; homens nervosos pela dificuldade com o trabalho; homens nervosos por terem que ouvir a voz delas com maior frequência; homens nervosos por terem bebido em demasia; homens nervosos com choros dos filhos e filhas; homens nervosos por terem que contribuir com a limpeza de casa; homens nervosos pelo almoço ou jantar não estar pronto; homens nervosos por não terem paciência com qualquer mulher. Ah, e os homens nervosos, por serem nervosos.

Fora do ambiente de casa, durante o período pandêmico, mulheres foram assediadas. Eles assediaram por ser da natureza deles; eles assediaram por não aguentar ver um corpo de mulher; eles assediaram por terem visto em reuniões virtuais mulheres ‘provocantes’; eles assediaram por ‘acharem’ ter controle sobre o corpo feminino; eles assediaram por entender serem elas apenas objetos de satisfação de seus desejos. Enfim, assediaram, por serem assediadores.

No tal “novo normal”, o que houve de diferença substancial na vida delas? Algumas ficaram a realizar um labor maior? Algumas ganharam mais responsabilidade que outras?  Quem sabe umas sofreram mais que outras? Quem sabe tiveram mais problemas para buscar ajuda? Quem sabe não sentiram a efetividade das leis que as protegem? Ficaram amedrontadas por pedir ajuda? Esperaram que em alguns dias eles passassem a respeitar, mudando de comportamento? Esperaram que eles passassem a pensar na família com mais amor e deixassem de praticar a violência?

Há um ano, o mundo se preocupou com a COVID-19. Já as mulheres se preocuparam e se preocupam com o novel vírus, e, ainda, com a pandemia da violência que as assola em todos os lugares. Elas, de novo, tiveram que se habituar a outras situações. Elas não conseguem ter qualquer descanso ou sossego, seja no período pandêmico ou não.

Em 2020 o mundo se modificou. A cada vez que inovações ocorrem, as primeiras a sentirem os reflexos são elas, as mulheres…

Em casa, nas ruas, no ambiente virtual, e onde quer que elas estejam, não viveram o tal ‘novo normal’. Quem sabe viveram e estão a viver o ‘mesmo normal’ com pitadas de maior crueldade e desamor.

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual.

 

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