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Direitos Humanos

Para maioria dos paulistanos, racismo aumentou na última década

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A maioria da população de São Paulo (70%) considera que o preconceito racial manteve-se igual ou aumentou nos últimos 10 anos, revela pesquisa divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Nossa São Paulo. Na opinião de 33% dos entrevistados, o racismo na cidade aumentou na última década, enquanto para 37% permaneceu no mesmo patamar.

Entre os negros, grupo que engloba pretos e pardos, 73% afirmam que a discriminação manteve-se ficou igual ou aumentou, percepção que prevalece entre 66% dos brancos.

Entre os locais em que há percepção de tratamento diferente entre brancos e negros, aparecem com destaque os shopping centers e outos estabelecimentos comerciais, em que o tratamento discriminatório é visto por 69% da população. O racismo está presente ainda nos espaços públicos, na opinião de 64% dos entrevistados, nas escolas e faculdades (62%), no trabalho (60%) e no transporte público (57%).

Uma em cada sete pessoas (69%) diz que pessoas negras têm menos oportunidades no mercado de trabalho do que as brancas.

Supermercados e escolas

Como exemplo do racismo presente no cotidiano, a secretária municipal adjunta de Direitos Humanos e Cidadania, Elisa Lucas Rodrigues, lembrou as denúncias de tortura de negros e pardos em supermercados que tiveram ampla repercussão neste ano. “A questão dos supermercados, a questão do quartinho de correção, que, embora neguem, existe, sim”, enfatizou.

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Em setembro, vídeos que circulavam nas redes sociais indicaram a prática de tortura em ao menos dois supermercados da capital paulista. Em um dos casos, um adolescente era chicoteado nu e amordaçado por seguranças particulares do estabelecimento. Em outro, um homem, acusado de furto, apanhava com um bastão e era agredido com uma arma de choques elétricos. Sete pessoas chegaram a ser presas durante as investigações dos dois casos.

Elisa destacou ainda as denúncias de discriminação recebidos pela secretaria de casos ocorridos em escolas. “É muito ruim quando se recebe uma denúncia – e a gente tem recebido, infelizmente, várias, de escolas que discriminam.” Segundo a secretaria, na maioria das vezes, são ocorrências envolvendo alunos, inclusive crianças, que sofrem preconceito dos próprios colegas em escolas particulares.

Para contornar o problema, a secretária disse que a pasta tem tentado conscientizar os professores e o corpo administrativo dos estabelecimentos de ensino. “É isso que a gente está buscando com as escolas, com as escolas particulares, às vezes, escolas públicas, essa reflexão, por parte de professores, coordenadores e diretores”, acrescentou.

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Segregação

A pesquisa mostrou ainda uma ocupação desigual da cidade. Segundo o estudo, 35% dos negros vivem na região sul da capital paulista, enquanto 29% dos brancos vivem nessa parte da cidade. No centro, residem 3% dos negros e 6% dos brancos. Em bairros mais afastados, como o Jardim Ângela, a população de pretos e partos chega a representar 60% do total, enquanto em áreas nobres, como Moema, apenas 5,8% são negros.

Para a presidente do Geledés – Instituto da Mulher Negra, Maria Sylvia Aparecida de Oliveira, o estudo ajudou a mostrar uma realidade que a população preta já percebe na prática. “São dados relativamente novos, mas que nós já sabíamos, de vivência. Eu sou uma moradora da periferia de São Paulo, e a gente percebe que exite esse apartheid [segregação] em relação à população negra em relação aos locais de moradia”, disse Maria Sylvia, ao comparar a desigualdade na capital paulista ao regime de segregação racista que vigorou na África do Sul até a década de 1990.

Edição: Nádia Franco

EBC
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Direitos Humanos

Parada LGBTI de Madureira pede direitos iguais e fim de preconceito

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A 19ª edição da Parada LGBTI de Madureira, na zona norte do Rio, tomou conta das ruas do bairro. A concentração estava marcada para as 11h, mas com o tempo bom na cidade, neste domingo (15), o evento competiu com a praia e as pessoas começaram a chegar mais tarde.

“A parada é um ato reivindicatório pelos direitos de igualdade, contra todas as formas de preconceito e discriminação. É uma união de todos os segmentos por alegria e reivindicação”, afirmou Loren Alesxander, organizadora da Parada, em entrevista à Agência Brasil.

Nesta edição, o tema escolhido é As Nossas Forças, as Nossas Lutas Refletem em Nossas Cores. “As cores branca, que é da paz, e as cores do arco-íris. Queremos o direito de ser feliz buscando liberdade de expressão”, disse.

Apesar de tantos anos de luta pelos direitos da comunidade LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexo), ela afirma que a homofobia e o preconceito ainda persistem. “Ninguém é obrigado a nos aceitar, mas é obrigado a nos respeitar. O recíproco é mútuo. A gente busca fazer o nosso social, atuar dentro do direito cultural, fazer o nosso papel de inclusão social aceitando as diferenças e convivendo com as diferenças, para que vejam que podemos nos unir por direitos iguais”, observou.

Festa

O público vai seguir os cinco trios elétricos que participam da festa este ano. No início da parada eles ficam estacionados na Rua Carvalho de Souza, uma das principais de Madureira, com muita música, discursos de representes da comunidade LGBTI e apresentações de shows. Depois, os trios começam a se deslocar pelas ruas do bairro levando junto muita gente. Este ano, a madrinha da Parada é a cantora Lexa.

Morador do bairro Santíssimo, Breno Coutinho, 17 anos, conta que é a segunda vez que vai a Parada em Madureira. Ele afirma que sofre preconceito desde muito novo e que não é aceito pela própria família. “Eu morava com a minha avó e me assumi. Ela me expulsou de casa e fui morar com a minha mãe. As minhas tias também não me aceitaram no começo e depois entenderam. As minhas irmãs e meu irmão não me aceitam”, disse Breno que pretende ser psicólogo ou trabalhar como maquiador profissional. Ele conta que, atualmente, consegue ganhar algum dinheiro fazendo esse tipo de serviço.

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Diferentemente do ambiente familiar, Breno diz que se sente bem na escola onde estuda, em Bangu. “Acho ela muito legal. Tem outras pessoas que são LGBTs. A gente tem muito espaço lá e na escola nunca sofri nada, graças a Deus”, disse, acrescentando, que costuma sair em grupo com receio de assédio e violência por andar maquiado. “Sempre me xingam, por isso ando com eles”, afirmou, apontando o grupo de 10 pessoas com quem estava.

Neste ano, a Parada quase não ocorreu por falta de patrocínio. “Para captar e poder fazer a Parada está muito difícil, então, a gente trocou de data duas vezes e hoje estamos colocando nas ruas, graças a nossa luta, à busca de parceiros, a nossa capacidade de poder concluir a nossa liberdade de expressão”, afirmou Loren.

No ano passado, 1,2 milhão de pessoas participaram da Parada LGBTI de Madureira. A expectativa dos organizadores para este ano é chegar a 1 milhão de participantes.

Serviços

Com apoio da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CEDS Rio) da Prefeitura do Rio, o público da 19ª Parada LGBTI de Madureira teve à disposição vários serviços.

Na área da saúde houve imunização com vacinação de hepatite B e antitetânica, distribuição de 4,3 mil preservativos masculinos e 380 femininos, além de 800 lubrificantes. Houve ainda promoção de saúde e orientação de HIV e IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis). O público pôde também relaxar com sessões de shiatsu. “Estamos aqui, na Saúde, com diversas prevenções de DST/AIDS, de hanseníase, tuberculose e fazendo testes rápidos de HIV por saliva”, contou Loren.

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Na área de assistência social, os participantes receberam orientação sobre inclusão no Cadastro Único (Cadúnico) do Ministério da Cidadania, a tarifa social, os Benefícios de Prestação Continuada (BPC) e o ID Jovem. Teve também recreação infantil, pintura facial e oficina de turbantes, identificação de crianças e orientação sobre direitos humanos e direito da mulher.

Comlurb

Uma equipe de 60 garis e 11 agentes de limpeza urbana da Comlurb foi destacada para o local para a limpeza antes, durante e após o evento. O trabalho começou às 7h e seguirá até as 6h de amanhã (16).

Policiamento

A Guarda Municipal montou operação especial com 60 guardas. Desses, 20 estão operando o trânsito. O esquema da Companhia de Engenharia de Trânsito (CET-Rio) compreende a interdição de diversas ruas na região para acomodação e passagem dos trios elétricos.

Agentes do 9º Batalhão da Polícia Militar com apoio de outras unidades fazem a atuação ostensiva.

Câmeras

O monitoramento da área de Madureira e das vias de acesso ao bairro ficou por conta do Centro de Operações Rio (COR). A função do COR é integrar as operações dos órgãos envolvidos e acionar para resposta rápida as equipes da prefeitura que atuam em ocorrências. A região onde se realiza a Parada tem monitoramento em tempo real com apoio das 811 câmeras da prefeitura e outros equipamentos de videomonitoramento de parceiros.

Edição: Lílian Beraldo

EBC
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Direitos Humanos

Campanha destaca papel do jovem na promoção dos direitos humanos

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No dia 10 de dezembro de 1948, era concluída a assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) que aprovava a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em razão deste episódio histórico, na data passou a ser celebrado em diversos países o Dia Internacional dos Direitos Humanos, voltado a chamar autoridades e a sociedade a pensar sobre a importância dessas garantias e como concretizá-las.

A declaração foi aprovada no contexto do fim da 2ª Guerra Mundial, que terminou com o extermínio de milhões de pessoas durante o regime nazista. Em 30 artigos, o documento afirma que todos “nascem iguais em dignidade e direitos” e elenca esses aspectos dessa condição plena de liberdade, da vida e segurança pessoal ao reconhecimento e à proteção contra a discriminação.

O texto também lista outros direitos, como o de ir e vir, o à expressão e manifestação do pensamento, à reunião e associação pacíficas, ao trabalho, à satisfação de suas necessidades econômicas e a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários.

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Neste ano, a ONU aproveitou o dia 10 e a comemoração dos 30 anos da Convenção dos Direitos das Crianças para lançar a campanha Defender os Direitos Humanos, focada no papel dos jovens na promoção da dignidade dos indivíduos e um desenvolvimento sustentável para todos.

“A juventude sempre foi a principal impulsionadora da transformação política, econômica e social. São os jovens que estão na vanguarda das mobilizações de base por uma mudança positiva e trazem novas ideias e soluções para construir um mundo melhor”, indica um dos textos de divulgação da campanha.

A campanha estimula o engajamento dos jovens com diversas mensagens de mobilização, como “nunca se é jovem demais para mudar o mundo” ou “nossa voz, nossos direitos, nossos futuros”. Os materiais de divulgação citam exemplos como o dos movimentos ambientalistas liderados por jovens que vêm promovendo manifestações em diversos países e elenca problemas específicos deste segmento que devem ser combatidos, como o bullying.

“Em todo o mundo, os jovens estão se manifestando, estão se organizando e levantam sua voz pelo direito a um meio ambiente mais saudável, pela igualdade dos direitos de mulheres e meninas, para participar da tomada de decisões e para expressar suas opiniões livremente”, destacou em mensagem o secretário-geral da ONU, António Guterres.

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Ao mesmo tempo, a iniciativa registra a falta de representatividade das faixas etárias menores. Apenas 2% dos representantes nos parlamentos dos Estados-Membros da ONU são pessoas com idades abaixo dos 30 anos. As publicações de divulgação também ressaltam a importância de olhar para segmentos específicos e suas lutas, como mulheres e a comunidade LGBTQ+. Segundo a organização, 69 países ainda criminalizam orientações sexuais homoafetivas.

Edição: Juliana Andrade

EBC
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