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Política Nacional

Pacheco negocia manutenção do comando do Senado com Lula

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Agenda. Lula e Pacheco posam para foto com parlamentares do PT
Ricardo Stuckert/Divulgação 14/07/2022

Agenda. Lula e Pacheco posam para foto com parlamentares do PT

Interessado em se reeleger presidente do Senado no ano que vem,  Rodrigo Pacheco (PSD-MG) recebeu ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e parlamentares do PT em um almoço em Brasília. Do lado petista, o encontro serviu para que Lula pedisse ao senador ajuda para atrair o apoio do PSD à sua candidatura à Presidência já no primeiro turno, o que é improvável devido às divisões regionais na sigla comandada por Gilberto Kassab, que liberou cada diretório estadual para se posicionar como quiser.

O almoço na residência oficial do Senado foi a primeira reunião entre Lula e Pacheco, que até então não se conheciam. Segundo interlocutores do petista, a agenda também simbolizou um gesto inicial do que pode vir a ser uma costura política pela reeleição do senador mineiro no comando da Casa. No ano passado, o senador do PSD contou com o apoio da bancada do PT para conquistar a presidência do Congresso. Parlamentares que participaram da reunião de ontem admitem que a aliança pode ser renovada no ano que vem em caso de vitória do ex-presidente na corrida pelo Palácio do Planalto.

“É um bom caminho para começar a conversa entre dois líderes. Lula é o candidato mais bem colocado (nas pesquisas de inteção de voto) à Presidência. Pacheco quer se reeleger à presidência do Congresso”, afirmou o senador Jean Paul Prates (PT-RN).

Estratégia petista

Segundo ele, porém, o assunto não foi tratado no almoço de ontem: “Ninguém avançou o sinal desse jeito, mas acho que é um caminho legal e pode rolar”.

A investida no chefe do Legislativo faz parte de uma série de movimentos de Lula para se aproximar de parlamentares do PSD. A estratégia petista tem sido conquistar apoios individuais, como o do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que foi vice-líder do governo de Jair Bolsonaro, mas na terça-feira declarou que estará com o PT em seu estado.

Vem se tornando mais provável que Lula obtenha o apoio pessoal do presidente nacional do partido até a eleição. Gilberto Kassab tem sinalizado a aliados que fará esse movimento já no primeiro turno. Depois que os comandos estaduais foram liberados para escolher seu presidenciável, na última semana os rumos tomados pela legenda em Rio e São Paulo revelam as diferentes estratégias para cada região. Enquanto o PSD vai emplacar o vice do ex-ministro de Jair Bolsonaro, Tarcísio Freitas, na disputa paulista, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, declarou apoio à eleição de Lula.

Desde o ano passado, Kassab trabalhou para lançar candidaturas presidenciais pelo PSD. Filiou Rodrigo Pacheco, mas não conseguiu convencê-lo. Tentou tirar o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite do PSDB, mas o tucano manteve-se na sigla. Abriu até conversas com Ciro Gomes (PDT), mas a dificuldade do pedetista em subir nas pesquisas o convenceu de que a eleição ficará concentrada na disputa entre Lula e Jair Bolsonaro.

Kassab avalia anunciar seu voto apenas em agosto, depois de os diretórios estaduais do partido terem encerrado as suas negociações locais. Até aqui, em oito estados o PSD já se posicionou a favor de Bolsonaro, enquanto em outros oito o comando local vai de Lula.

Entre os nomes do PSD que aderiram a Lula, além de Paes, estão o senador Omar Aziz (AM), que pretende disputar a reeleição ao cargo, e o deputado Marcelo Ramos (AM), que foi vice-presidente da Câmara.

Segundo interlocutores do ex-presidente que participaram do almoço de ontem, além de Pacheco, o pedido pelo apoio do PSD foi estendido ao senador Alexandre Silveira (PSD-MG), secretário-geral da legenda.

O próximo passo, segundo petistas, será procurar diretamente Kassab, que foi elogiado por Lula durante um encontro do ex-presidente com parlamentares.

Aliados do ex-presidente vão argumentar que dos cinco maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul — o PSD está junto com o PT em três deles. As exceções são São Paulo e Rio Grande do Sul, que ainda não definiu em qual palanque estará.

No encontro de ontem, Lula disse que convidaria Pacheco para seu próximo ato público em Minas, que deve acontecer no fim de julho ou início de agosto. O senador, por sua vez, desconversou, alegando que como presidente do Congresso não pode tomar lados:

“Naturalmente, tenho a obrigação de receber uma bancada do Senado e um ex-presidente da República”.

A conversa aconteceu em meio a um cardápio no qual foi servido carne de carneiro, medalhão de filé mignon com bacon e salada. De sobremesa, pudim e creme brulée de frutas vermelhas.

“Foi um encontro muito agradável, proveitoso sobre o ponto de vista de reflexões sobre os problemas nacionais. Então, foi um encontro muito bom”, disse Pacheco.

Em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, Lula costurou um apoio aos candidatos da sigla ao governo do estado e ao Senado — Alexandre Kalil e Silveira, respectivamente —, abrindo mão da candidatura do líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes, que desejava mudar de Casa. Em troca, a chapa terá o deputado estadual petista André Quintão como vice do ex-prefeito de Belo Horizonte.

De acordo com senadores petistas, Lula aproveitou o almoço para manifestar a Pacheco preocupação com questionamentos feitos por Bolsonaro ao processo eleitoral. O presidente tem levantado suspeitas sem provas sobre fraude e, quando questionado, evita responder se aceitará o resultado das urnas caso saia derrotado.

Empenho institucional

Em resposta aos questionamentos do petista, Pacheco prometeu empenho institucional do Congresso em garantir a realização de eleições livres e empossar quem quer que seja eleito em outubro.

“A conversa foi em torno das preocupações do Lula com processo eleitoral e com funcionamento das instituições, do papel das Forças Armadas, do Supremo, papel do Senado. Lula insistiu muito nisso. Além de disputar eleições e ganhar, tem que todo mundo se comprometer com a recuperação do funcionamento das instituições”, disse o líder do PT no Senado, senador Paulo Rocha (PT-PA).

Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos coordenadores da campanha de Lula, o recado de Pacheco foi de que o Congresso dará apoio institucional para que não haja qualquer ruptura democrática no país.

“Saímos daqui com a garantia que o presidente do Congresso Nacional é quem dará posse aos eleitos no próximo 1º de janeiro. Atuará nesse sentido: de que teremos eleições e de que os eleitos serão empossados, de que não haverá nenhum tipo de interferência instrucional sobre a democracia brasileira”, afirmou Randolfe.

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Fonte: IG Política

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Política Nacional

Câmara do Rio cassa mandato de vereador de Gabriel Monteiro

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Denúncia de MP afirma que Gabriel Monteiro
Reginaldo Pimenta / Agência O Dia

Denúncia de MP afirma que Gabriel Monteiro “de forma livre e consciente” filmou cena de sexo explícito Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia

Com 48 votos, a Câmara de Vereadores do Rio decidiu, na noite desta quinta-feira (18), pela cassação do mandato de  Gabriel Monteiro (PL) por quebra de decoro parlamentar. Somente o vereador Chagas Bola votou a favor.

O agora ex-vereador é investigado por filmar e ter relações sexuais com uma adolescente de 15 anos, estupro e por forjar vídeos na internet. Com a decisão, Monteiro se torna inelegível ao cargo de vereador por oito anos, no entanto, ainda pode concorrer ao cargo de deputado federal nas eleições de 2022.

Essa é a segunda vez que um vereador é cassado na história da Câmara. A primeira vez aconteceu em 2021, quando o agora ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, Dr. Jairinho, também teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. Ele está preso desde abril, acusado de torturar e matar o enteado, Henry Borel, de 4 anos, no apartamento onde vivia com a mãe da criança, Monique Medeiros — também presa pelo crime.

No lugar de Monteiro, quem deve assumir é o suplente Matheus Floriano, que deve ser convocado para a diplomação no cargo de vereador nos próximos dias.

A sessão

O agora ex-vereador permaneceu inquieto e de cabeça baixa na maior parte da sessão, quase sempre ao telefone. Antes da votação, Gabriel Monteiro teria tentado, sem sucesso, reverter votos pela sua cassação. A campanha correu também dentro do plenário, em que o parlamentar foi flagrado conversando ao pé do ouvido com colegas vereadores, entre eles Márcio Santos e Chagas Bola.

A sessão na Câmara do Rio, iniciada às 16h desta quinta-feira (18), foi marcada por clima hostil entre apoiadores de Gabriel, manifestantes e vereadores presentes. Por vários momentos as falas dos parlamentares, que têm 15 minutos para discursar sobre o relatório, foram interrompidas até que os gritos fossem cessados. Por conta disso, a votação atrasou.

O presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (sem partido), também precisou intervir e ameaçou retirar as pessoas que não respeitassem o pedido de silêncio. “Eu peço que a segurança possa identificar quem não estiver respeitando. Que esses possam ser retirados”, disse Caiado.

No momento da sua defesa, o tempo de fala de Monteiro também foi interrompido em diversos momentos por gritos de “estuprador” e “pedófilo”. O ex-vereador iniciou o discurso falando sobre os ex-assessores. “Poucas pessoas me conhecem de fato, poucas sabem quem é o Gabriel Monteiro de Oliveira. Ele [se referendo a um de seus assessores que estava na galeria] sabe que eu jamais ameaçaria a família dele ou faria algum mal. A prova é que meus ex-assessores estão aqui. Se um dia eles precisarem, eu faria de tudo para ajudar, eles sabem que não sou pedófilo, estuprador e matador”.

Gabriel voltou a insinuar que os outros vereadores precisavam se colocar no lugar dele. Ele se coloca como vítima dos próprios ex-assessores. “Eu só peço que os senhores não me joguem para a cova dos leões, se não tem condenação, se não tem provas fatais sobre mim. Hoje, venho humildemente pedir aos senhores para continuar o meu mandato e ser um vereador melhor a cada dia”, disse ele durante o discurso.

Ao fim das duas horas disponibilizadas pela defesa, foi a vez dos líderes de partidos discursarem sobre a recomendação de voto. Um dos discursos foi Tarcísio 

“Não vamos cair aqui nessa balela de que essa decisão é única e exclusivamente a opinião de um vereador. Gabriel Monteiro deve perder o seu mandato por falta de decoro e ética. Não estamos julgando o vereador pelos crimes aqui citados, isso cabe à Justiça”, disse.

O vereador ainda citou as menores que Gabriel se relacionou: “Novinhas são crianças, novinhas são adolescentes e não podem ser troféus. Se fosse um professor que fizesse o mesmo, mostrasse o pênis para outros, que fizesse sexo com menores e filmasse, pediríamos para ele ser suspenso? Não, pediríamos para afastá-lo. Isso é um absurdo o que ele fez aqui, que é tirar de contexto um áudio de uma vítima de estupro. Por tudo isso, a bancada do PSOL encaminha pela cassação do mandato.”

A vereadora Laura Carneiro também discursou. “Como pode, ele vir aqui para desqualificar a vítima. Ele pergunta: ‘porque eu gravaria e criaria prova contra mim’. Vocês acham que o que? Que a mulher filmou seu próprio estupro. Vocês imaginam o que é uma mulher ter que provar que foi estuprada”, questionou.

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Fonte: IG Política

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Câmara do Rio cassa mandato de Gabriel Monteiro

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O vereador Gabriel Monteiro (PL) teve o seu mandato cassado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A sessão foi realizada nesta quinta-feira (18) e durou seis horas e meia. O placar final foi de 48 votos favoráveis à cassação e 2 votos contrários. Era necessário um mínimo de 34 votos, do total de 50 parlamentares presentes. 

Monteiro foi julgado por quebra do decoro parlamentar, por três motivos: encenação com uma menor de idade em um shopping, agressão contra um morador de rua convidado para a encenação de um roubo na Lapa e relação sexual gravada em vídeo com uma menor de idade, que posteriormente teve as imagens vazadas na internet. 

Também houve, durante os trabalhos da Comissão de Ética, denúncias de assessores do vereador por importunação sexual e estupro, mas esses crimes, como não faziam parte da denúncia inicial, não foram inseridos no relatório final.

A defesa de Monteiro sustentou que a encenação com a adolescente no shopping foi consentida pela mãe da jovem, que a gravação com o morador de rua era um experimento social e que ele teria sido agressivo, e que o vereador não sabia que a menina com quem se relacionava era menor de idade.

O advogado Sandro Figueredo também argumentou que Monteiro estava sendo vítima de uma conspiração da chamada máfia do reboque, empresa que teria sido denunciada por ele. 

A quase totalidade dos vereadores que ocuparam a tribuna criticou Monteiro, famoso em seu canal de YouTube por fiscalizações em hospitais, abrigos e escolas públicas, além de supostas ações contra criminosos, por ter sido contra os princípios que devem nortear a conduta parlamentar. 

Monteiro foi o último a falar. Ele disse que havia errado por não aprender com os colegas mais velhos e que era muito jovem. Monteiro disse que não havia cometido crimes nos fatos narrados e pediu para não ser jogado na cova dos leões. 

Paralelo ao processo de cassação, os supostos crimes de Monteiro correm na justiça criminal. O vereador deve concorrer a deputado federal, quando esses crimes migrarão, caso ele seja eleito, para instância superior, pelo foro especial por prerrogativa de função. Com isso, poderá levar ainda alguns anos até que ele perca o mandato, caso condenado.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Política Nacional

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