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Opinião

“Oração ao Tempo” de Caê

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SÉRGIO CINTRA (*)

No último dia o7, Caetano Veloso completou 77 anos de vida. Nasceu Caetano Emanuel Vianna Telles Velloso, o quinto dos sete filhos de José Telles Velloso, funcionário público do Departamento de Correios e Telégrafos, e de Claudionor Vianna Telles Velloso. Em Santo Amaro da Purificação, pequena cidade do Recôncavo Baiano, próxima de Salvador.

Desde  cedo á demonstra pendor artístico: grava, em 1952, apenas para a família, “Feitiço da Vila”(Vadico e Noel Rosa); mas só em 63, ele faz seu primeiro trabalho profissional, ao compor a trilha sonora da peça “O Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues. Ainda não se vislumbrava o gênio que habitava nele.

Abandonar, em 65, a faculdade de Filosofia e conhecer João Gilberto foram determinantes em sua carreira. A Bahia e Salvador ficariam pequenas para Caê.   Segue com sua irmã, Maria Bethânia, para o Rio de Janeiro. Os anos sessenta são icônicos não só pelo maio de 68, na França e com ecos pelo mundo todo, mas também pelos festivais da MPB. Caetano participa com “Um dia”:”Abre os olhos, mostra o riso/ Quero, careço, preciso/ De ver você se alegrar/ Eu não estou indo embora/ Tou só preparando a hora/ De voltar/ De voltar”, eleita a melhor letra daquele espetáculo da Record (1966).no ano seguinte, terceiro festival da Record, “Alegria, Alegria”fica em quarto lugar. Já em curso o movimento tropicalista, cuja participação e engajamento de Veloso são determinantes. A Tropicália ou Panis et Circensis inspira-se na Antropofagia Oswaldiana e nas guitarras elétricas do Rock. Em 68, ao tentar cantar, no terceiro FIC – TV Globo, “É Proibido Proibir”, é vaiado e desclassificado. O ufanismo apregoado pela Ditadura faria suas vítimas, ele não seria exceção.

Em 69, as nuvens adensaram-se: Caetano e Gil são presos e partem para o exílio na Inglaterra. A quartelada de 64 cria o mito Velô, que se tornaria colaborador de O Pasquim; aliás, agora, totalmente digitalizado pela Biblioteca Nacional, suas 1072 edições estão disponíveis para o público. Além disso, compõe (p. ex. “London, London”), escreve, organiza o movimento e, finalmente, retorna em 1972. Aqui, faz a trilha Sonora do filme São Bernardo e regrava “Eu vou tirar você desse lugar”, de Odair José, considerada Brega. Também faz sucesso com “Felidade”, de Lupicínio Rodrigues.

Impossível ser cronológico ou eletivo: não há espaço suficiente para esse gênio. Poderia citar uma ou duas dezenas de obras primas do polêmico Caetano. Ainda assim, seria arbitrário. Resta-me apenas encerrar com uma letra que, talvez, alguns mais novos não conheçam e, se conhecerem, nem de perto imaginam o significado de “Odara”- Hippie ou, para a esquerda ‘raivosa’, “alienado”: “Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara/ Minha cara minha cuca ficar odara/ Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara/ Pra ficar tudo joia rara/ Qualquer coisa/ que se sonhara/ Canto e danço que dará”.

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Sérgio Cintra é professor de Linguagens e de Redação em Cuiabá.

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MANOEL DE BARROS – Redes Sociais, como elas podem te influenciar

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Redes sociais são produtos do nosso tempo, se antes o conteúdo era produzido por grandes estúdios e canais de TV, agora todos podem ser “criadores de conteúdo”, e claro, essa nova mídia passa a nos influenciar.

A televisão e o rádio sempre ditaram, em algum grau, costumes e pensamentos. Com horários definidos, esperávamos ansiosos por aquele programa no aparelho da sala. Agora a sala ficou obsoleta, e a grade de programação dura muito mais que 24 horas. Deixamos de ser guiados pela televisão e nos tornamos teleguiados pelos celulares, conforme a tela diminuiu, a influência só aumentou.

Sim, ganhamos artistas brilhantes, mantemos contato com amigos de infância, conseguimos compartilhar viagens e momentos especiais, revoluções e mudanças políticas emergiram desse novo mundo.

Isso é transformador, mas como tudo na vida, tem um custo. No momento em que combinar um almoço de família e o encontro de amigos deu lugar a criar um grupo de WhatsApp, provavelmente perdemos muito do que nos conectava.

De alguma forma nossa saúde emocional começa a ser pressionada pelas redes sociais.

Surgem os problemas de Internalização que dizem respeito a sintomas ansiosos, angústia e sofrimento alimentados por um feed de vidas supostamente perfeitas, as melhores viagens e corpos esculturais – isso gera, principalmente entre jovens, um medo de estar perdendo experiências, de fracasso e insuficiência.

Ninguém compartilha noites de estudo, filas no cartório ou idas ao hospital com os filhos – aqueles momentos da vida que não curtimos tanto. Com essa visão distorcida, a pessoa sofre sozinha em uma multidão de amigos virtuais.

As mudanças de Externalização são o padrão que o usuário atua – a sensação de anonimato e a falta de contato visual libera o comportamento agressivo, o bullying e nos faz esquecer qualquer regra de boa vizinhança. O tio que só quer discutir política, a divulgação de fotos íntimas e hostilidade aos que pensam diferente são formas de como isso aparece.

Então de um lado temos mais ansiedade e depressão e de outro, mais agressividade e intolerância, isso não descreve só a rede social, descreve o mundo real.

E você, como está sendo influenciado?

Manoel Vicente de Barros é Médico Psiquiatra em Cuiabá e atua no tratamento de Depressão e Ansiedade, CRM 8273, RQE 4866. 

 

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Opinião

LÍCIO MALHEIROS – Na contramão da história

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O poder Legislativo Municipal, mais precisamente a nossa Egressa Casa de Leis, conhecida também, como “Casa dos Horrores”, coloquei no plural, pois a mesma, através de sucessivas lambanças protagonizadas por alguns vereadores, que ao longo deste mandato. Vem causando, verdadeiras atrocidades contra seus pares, e principalmente, contra a população ordeira e trabalhadora da Capital.
Obviamente, este apelido pouco ortodoxo, não é extensivo a todos os vereadores desta legislatura, porém  grande parte dos eleitos, não disseram para que vieram.
Se os mesmos foram eleitos, para legislar para o povo mais humilde os expropriados do capital, ou para legislar para seus pares e apaniguados, obedecendo sistematicamente todos os pedidos do senhor prefeito da capital Emanuel Pinheiro (MDB).
Não conheço o vereador Abílio Junior (PSC), e nem tão pouco, tenho aval ou pedido, para defendê-lo, trata-se de uma questão de justiça, pois um parlamentar é eleito vereador, para: cobrar, legislar, e principalmente fiscalizar o Executivo Municipal, e até mesmo, postura, ética  e conduta de seus pares.
O vereador Abílio Junior (PSC), foi levado a Comissão de Ética, por quebra de decoro parlamentar,  tendo como relator dessa comissão o vereador Ricardo Saad (PSDB),  como presidente Toninho de Souza (PSD), além de um Membro da Comissão, Vinicius Hugueney (PP), obviamente o placar não poderia se diferente, 3 a 0 pela cassação.
Essa votação, mais pareceu a Santa Inquisição, que começou na França no século XII, para combater o sectarismo religioso. Neste caso específico, para tirar de cena, alguém que vem combatendo com veemência: abusos políticos, econômicos e sociais em nossa Capital.
Estão usando para afastar o vereador Abílio Junior (PSC), o decoro parlamentar. Porém, a delimitação legal do conceito de decoro parlamentar é incompleta, gerando dúvidas na sua aplicação.
A Constituição Federal (artigo 55,  incisos I, II e VI  da CF) prevê como falta de decoro o abuso das prerrogativas pelo parlamentar, percepção de vantagens indevidas e atos definidos como tal nos regimentos internos. E os regimentos internos não vão muito além da redação do texto constitucional.
Decoro parlamentar é a conduta individual exemplar que se espera que seja adotada pelos políticos, representantes eleitos de uma sociedade.
O vereador Abílio usou de suas prerrogativas legais ao fiscalizar; onde está o abuso de poder. Ele não recebeu nenhuma vantagem indevida para fiscalizar. Ele não cometeu nenhuma prática de ato irregular grave quando no desempenho de suas funções. Ele apenas fiscalizou o Poder Executivo, usando apenas sua prerrogativa constitucional de vereador, eleito pelo voto direto.
Outro depoimento contundente e explicitado foi redigido, por um  colega de parlamento no facebook, vereador Dilemário Alencar (PROS).
Ele diz “A proposta do vereador Sargento Joelson e do vereador Toninho de Souza em propor sessões secretas para ouvir as testemunhas que vão depor na CPI do Paletó não pode prosperar. Isso é um atentado contra o princípio constitucional da transparência. É um absurdo querer proibir o acompanhamento dos depoimentos pela imprensa e por qualquer cidadão. Eu sou contra sessão secreta. A CPI do Paletó que investiga o prefeito de Cuiabá, acusado de receber propina para não fiscalizar a qualidade das obras da copa, deve continuar com sessões abertas para quem quiser acompanhar, como sempre ocorreu”; infelizmente, em nosso país o rabo ainda abana o cachorro.

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

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