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Opinião

ONOFRE RIBEIRO – Viver bem com pouco

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Este artigo certamente vai despertar muito incômodo. Mas julgo-o necessário neste momento de transformação que estamos vivendo. O título deveria trazer a palavra minimalismo. Mas achei melhor conversar sobre ela ao longo do texto.

A pandemia do covid-19 está transformando o modo de viver de todo mundo em todo o mundo. Fatores garantidos como o trabalho, o emprego, a economia, a política, a educação, a saúde, as políticas pessoais e públicas, estão rapidamente entrando em cheque.

O minimalismo significa ter apenas cinco camisetas brancas, dois jeans e um sapato. Também não é jogar todos seus pertences fora e viver isolado. Então, não se assuste: ser minimalista diz muito mais sobre a maneira que você enxerga a vida e sua relação com os bens materiais. Tem a ver com a felicidade. Falo da felicidade individual.

Vamos aos fatos. Trabalhamos muito, pra ter bens e atender a algumas carências pessoais. O home office está trazendo o minimalismo de maneira indireta. Viver em casa, acordar cedo sem pressa delirante, tomar café calmamente. Não precisar se produzir pra sair. Maquiar, fazer a barba, penteado, sapato de salto, roupas combinando, etc.etc. O ambiente confinado do trabalho. O ambiente conflituoso das convivências coletivas…

Conversei com amigos e amigas. Por isso nasceu este artigo. A angústia e ao mesmo tempo a alegria de poderem viver de maneira mais simples, sem prejuízo da sensação de felicidade. Um amigo, empresário rico de família, disse-me ontem: “estou em home office e descobri que a felicidade está muito mais em ver o por do sol, do que passar pela garagem e ver meus carrões, ou olhar no armário tanta roupa de marca”.

Minha irmã, Nice, que mora em Brasília, disse-me que tomar o café da manhã com calma é uma benção. E que tem vestidos e sapatos demais. No home office, usa apenas uma sandália, short e camiseta, cabelo preso, sem maquiagem. Almoça calma e cochila depois do almoço.  E disse-me uma coisa de arrepiar. Ver o por do sol todos os dias tornou-se obrigação de vida. Não dá mais pra não ver.

Pessoalmente, em quarentena em Acorizal, Carmem e eu vivemos minimalistas. E olhamos o por do sol todos os dias. Felizes!

O liquidificador da pandemia, depois a batedeira. O resultado será o bolo do futuro. Ninguém sabe como será depois que sair do forno. Mas nunca mais será como antes.

Especialmente, será minimalista.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso – [email protected]   www.onofreribeiro.com.br

 

 

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Opinião

SÉRGIO CINTRA – M de Maria

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“Mas o que eles não sabem/ não sabem ainda não/ é que na minha terra/ um palmo acima do chão/ sopra uma brisa ligeira/  que vai virar viração” ( Kleiton e Kledir)

Lá no longíncuo fevereiro de 339 a.C., Sócrates era condenado à morte, sob a acusação de “corromper” a juventude ateniense.  Os seus algozes o obrigaram a tomar o veneno cicuta, ele teve a oportunidade de fugir, mas jamais conseguiria trair seus próprios ideais e crenças. Analogamente, a vereadora Maria Eugênia, a Maria Prefeita, foi “aconselhada” a se calar sobre  sua pré-candidatura à prefeitura de Diamantino. Maria humilde, assim como Sócrates, com o seu “Só sei que nada sei”; Maria, assim como o filósofo ateniense, nas palavras de Xenofonte: “Tinha sempre presente no espírito os caminhos que conduzem à virtude e não se cansava de lembrá-los a quantos o frequentavam”; Maria que, assim como Sócrates, “Viram-no alguma vez fazer ou dizer algo contrário à moral, ou à religião?” (Xenofante). Sócrates foi julgado  por 501 juízes (e condenado: 280 a 221); Maria, por apenas uma promotora, ao arrepio da Lei. Sócrates precisava ser um bode expiatório; Maria, mulher sábia (aprendeu com o auxílio de muitos silêncios necessários), precisa ser impedida de devolver aos diamantinenses o direito de sonhar que outra Diamantino é possível.

Diamantino – um misto de passado e presente; de ontem e de hoje: uma mistura de ouro, diamante e milho e soja, por muito pouco não virou a capital da província –  faltou um rio caudaloso para que D. Pedro I a erigisse como a capital mato-grossense.   A família Vasconcellos está na cidade desde 1942 e a Maria – funcionária concursada do INSS, por 35 anos, mulher, mãe, esposa, vereadora carrega em si sonhos e angústias de sua gente. E tem em João Cabral de Melo Neto sua maior inspiração, daí o motivo da paráfrase: “Uma Maria sozinha não tece uma manhã:/ Diamantino precisará sempre de outras Marias. /De uma que apanhe esse grito que ela/ e o lance a outra; de uma outra Maria/ que apanhe o grito de uma Maria antes/ e o lance a outra;/ e de outras Marias/ que com muitos outros Mários se cruzem/ os fios de sol de seus/ gritos de Mários e de Marias,/ para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os diamantinenses.//E se encorpando em tela, entre todos os diamantinenses,/ se erguendo tenda, onde entrem todos os diamantinenses,/ se entretendendo para todos os diamantinenses,/ no toldo (a manhã) que plana livre de armação./ A manhã, toldo de um tecido tão aéreo/ que, tecido, se eleva por si: luz balão”. (A Educação pela pedra).

Dra Maria Coeli, será que, em nenhum momento, vossa excelência não percebe os desmandos da atual gestão? Será que a douta operadora do Direito não se deu conta da campanha sórdida e antidemocrática promovida pelo atual gestor? Será que vossa excelência não percebe as intimidações, as indicações políticas para a direção escolas? Será a lídima representante do interesses jurídicos e sociais faz vistas grossas aos desmandos do Alcaide? Gostaria de pensar que Vossa Excelência equivocou-se ao silenciar a Democracia e a Liberdade de Expressão de uma parlamentar democraticamente eleita. Doutora, que maneira de entrar para a história de Diamantino, como a que cerceou aquela que fala pelo povo. Nem na Ditadura Militar presenciei tamanho absurdo.

Já presenciei muitas estultices em meus 59 anos de existência, poucos como o seu e é por isso, oh! diamantinenses, que gostaria que ouvissem “Maria Maria, de Milton Nascimento: “É o som, é a cor, é o suor/ É a dose mais forte e lenta/ De uma gente que ri/ Quando deve chorar/ E não vive, apenas aguenta//Mas é preciso ter força/ É preciso ter raça/ É preciso ter gana sempre/ Quem traz no corpo a marca /Maria, Maria/ Mistura a dor e a alegria”.

Sérgio Cintra é professor de Redação e de Linguagens em Mato Grosso

[email protected]   

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Opinião

ELUISE DORILEO – Como lidar com a dor de não poder se despedir de quem morreu por Covid

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Em meio a pandemia de Covid-19 que assola o mundo, surgiu uma nova realidade bem dolorida. As pessoas têm que enfrentar o sepultamento sem velório e sem poder se despedir e homenagear parentes e amigos queridos.

Perder alguém já é muito difícil,  passamos pelas fases normais do luto que são a Negação

Culpa em alguém, Tristeza emoções, Raiva  e a  aceitação em tempos comuns.

Só que a Covid-19 mudou essa realidade e abriu um precedente ainda maior para quem perde seu ente ou amigo querido. O caixão é lacrado por questões sanitárias. Não é permitido o velório e nem a despedida.

Alguns italianos definiram a morte por covid como ‘dupla morte’ porque as pessoas são impedidas de viver o luto. Isso pode deixar marcas psicológicas nas pessoas e pode trazer um sério impacto na saúde mental , ampliando o risco de um luto complicado, ou seja, quando o processo se dá de forma mais intensa e duradoura.

O ritual do velório é necessário para que possamos compreender que de fato ela se foi. Quando não passamos por esse rito, a dor do luto pode ser agravada em nosso inconsciente.

Ainda mais porque quem é internado por Covid não pode ser visitado nem ter acompanhante. Os familiares não podem vê-lo para não se contaminar. Em raros casos conversam por chamadas de vídeo. Outros ficam entubados e não conseguem mais sobreviver.  Os pacientes morrem em total solidão. E assim são enterrados. Com caixão fechado.

A vivência do luto é de extrema importância para ajudar na elaboração das perdas, por isso é normal, esperado e necessário. O velório  contribui muito para a melhor elaboração daquela perda específica.

Como não há previsão ainda de se voltar a normalidade, muitas pessoas estão usando as redes sociais para expressar sua homenagem e sentimento de perda, o que ajuda em alguns casos.

Se o caso é de ter um sentimento de culpa em relação a pessoa falecida, então procure grupos de apoio ou ajuda psicológica para que o luto seja vivido e você possa superar esse momento.

Tente focar nas boas lembranças vividas com essa pessoa.

Não fique sozinho.  Procure estar perto de pessoas que também estão passando por essa dor, essa troca de afeto e experiência pode ser positiva para ambas as partes.  Outra  ferramenta é a constelação familiar pode ajudar na elaboração do luto.

Temos que entender que todos vamos passar pelo luto ou já passamos por parentes e pessoas queridas que se foram vítimas de Covid.

Não há como se preparar para a morte. Mas aprendamos a lição que temos que fazer o bem e amar as pessoas que estão vivas agora. Para que possamos passar o luto de maneira mais tranquila e com o coração em paz de que fizemos em vida por esse ou por aquele, tudo que estava ao nosso alcance.

Eluise Dorileo é psicóloga, terapeuta familiar e maestria nas novas constelações quânticas. Email [email protected]

 

 

 

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