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Opinião

ONOFRE RIBEIRO – O agro das famílias

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O agronegócio mato-grossense surgiu efetivamente em 1994 com a primeira grande safra: 4,5 milhões de toneladas de soja. De lá pra cá definiu-se como o embaixador da nossa economia frente ao Brasil e ao mundo. Produz muito, exporta muito e rende dividendos na balança comercial. Mas não frequenta diariamente a mesa dos mato-grossenses e nem dos brasileiros. Seu papel é exportador.

Levantamentos apontam cerca de 141 mil famílias vivendo em propriedades rurais. Elas representam 20% da população estadual. Lá se processa uma agricultura e pecuária históricas com forte carga tradicional e cultural. Mas funcionam muito no esforço de quem vive nesse tipo de propriedade.

A Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Extensão Rural – Empaer construiu uma história nessa área. Porém, a partir da década de 1990 acabou se inviabilizando pra captar recursos e atender maciçamente, por conta de fusões com outras empresas do setor. Dívidas vieram junto e se incorporaram à conta da empresa. Esse é um ponto a se resolver pelas razões apontadas abaixo:

  1. 1-Li semana passada pesquisa do Rabobank, holandês, que tem um histórico de financiamentos rurais no Brasil, incluindo Mato Grosso. Diz que após a pandemia do corona vírus os hábitos alimentares mundiais vão mudar. A preferência será dos produtos naturais e dos orgânicos.
  2. 2-Ao produtor rural falta uma série de apoios nas áreas de preparo de projetos, articulação de crédito, assistência técnica, assistência na comercialização, estudos de mercado, apoio em áreas como a irrigação e na formação de cooperativas.
  3. 3-Atualmente Mato Grosso comercializa R$ 521 milhões anuais em frutas, verduras de legumes. Desse valor, R$ 294 milhões são importados. Chegamos ao absurdo de importar mandioca de Rondônia e farinha de mandioca do Paraná.
  4. 4-Essa produção importada deixa de ser produzida em Mato Grosso exatamente por falta de apoio efetivo ao produtor familiar para que ele transforme sua atividade pulverizada no agronegócio familiar, organizado e capitalizado.
  5. 5-O home-office durante a pandemia aproximou as pessoas da gastronomia e dos produtos confiáveis. É uma oportunidade inigualável pra construção do agro familiar.

Falta apenas que o governo de Mato Grosso perceba essa oportunidade de produção com arrecadação de impostos local, com movimentação da economia e elevação da renda.

Finalmente, registro a fuga dos jovens pras cidades. Empobrece o agro familiar e distorcem o social com desvirtuamentos conhecidos.

Concluo acreditando que o agro familiar precisará um passo poderoso na direção da correção de desigualdades, geração de riqueza rural, justamente na nova onda de volta ao natural.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso – 

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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Opinião

DIRCEU CARDOSO – A vacina chegando em outubro

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A disponibilização, já em outubro, dos primeiros 5 milhões de vacinas de origem chinesa para a prevenção da Covid 19, é fato relevante. O anúncio feito no domingo pelo governador João Dória devolve aos paulistas a esperança de logo voltar à normalidade sem o temor de estar assinando a sentença da própria morte e/ou do reaquecimento da pandemia. É bom lembrar que além da vacina chinesa – que o Instituto Butantã prevê fornecer 46 milhões de doses até dezembro – temos em andamento os testes e produção da vacina da Universidade de Oxford (Reino Unido) pela federal Fundação Oswaldo Cruz (Rio), e da russa Sputnik V, pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Curitiba).

A chegada das vacinas era prevista só para o próximo ano e isso deu força à adoção do isolamento social e outras medidas de necessidade e eficiência amplamente festejadas, mas, para desencanto geral, até hoje não comprovadas. A vacina, somada à redução do número de infectados e de mortes pela pandemia, abre novas perspectivas. Espera-se que a distribuição do imunizante se faça na forma mais racional, sem a repetição dos arroubos e discussões políticas presentes – que escandalizaram a população – na chegada e alastramento do coronavírus pelo país. Que as autoridades e especialistas – federais, estaduais e municipais – cumpram rigorosamente seus protocolos éticos e jamais misturem esse trabalho com as eleições do presente ou do futuro. Se não tiverem outras razões, que o façam pelo menos em respeito aos 136.895 brasileiros que já pereceram e aos outros que fatalmente ainda perderão a vida em decorrência do mal.

Quanto à população, é do seu interesse manter as cautelas. Mesmo com a queda das mortes e da infestação, o vírus continua circulando. Por isso, devemos manter, com a devida seridedade, o uso regular da máscara, evitar as aglomerações e observar o distanciamento pessoal. Deixar as festas e reuniões sociais para depois que as vacinas ja tiverem sido aplicadas e produzido os efeitos imunizantes. Tudo o que se fizer antes disso será exposição a riscos evitáveis…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

[email protected]                                                                                                     

 

  

 

 

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Opinião

ONOFRE RIBEIRO – Ondas de pressão ambiental

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As pressões ambientais que Mato Grosso enfrenta hoje com os incêndios no Pantanal não são novas, Em 2005 a organização não-governamental Greepeace, premiou o governador Blairo Maggi de Mato Grosso, com a “motosserra de ouro”, em razão dos desmatamentos no cerrado para a agricultura de grãos.  Naquela época havia as aberturas de novas áreas de cerrado para o plantio de soja.

Blairo Maggi além de ficar profundamente constrangido e pressionado, tomou a questão com seriedade. Reforçou os compromissos ambientais do agronegócio estadual e foram assinados muitos protocolos de sustentabilidade a vigorar dali por diante. Mas na época causou um enorme transtorno à agricultura.

Hoje o agronegócio está fora do foco ambiental, exceto pelos questionamentos econômicos, políticos e ideológicos sabidos e conhecidos.

Em 2010 foi a vez da madeira. Duas operações “Jurupari” atingiram 51 municípios das regiões Norte e Noroeste de Mato Grosso, produtoras de madeira. A raiz do problema era o Ibama. Funcionários do órgão vendiam autorizações falsas pra o transporte de madeira, legalizando irregularidades. Durante alguns meses houve prisões, fechamento de madeireiras e de indústrias de madeira em toda a região. Os empreendedores da atividade tiveram que se regularizar e trabalhar dentro da lei. De certo modo, seguindo a cartilha nova do agronegócio. Hoje o setor de base florestal, como se chama agora, trabalha dentro da lei. E saiu do foco de operações e das vigilâncias policiais.

Em 2020 surge o Pantanal no foco. O tema são incêndios que se abateram sobre mais de 1 milhão de hectares pantaneiros nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os cenários são diferentes dos dois primeiros, mas a questão legal acaba guardando algumas semelhanças. O Pantanal queima por uma série de contradições legais, econômica e ideológicas. Erros em cadeia.

Os setores do agronegócio aprenderam a lidar no novo ambiente ambiental. O de base florestal também. O Pantanal seguirá, certamente, a mesma sequência do bom senso público, privado e institucional. Os dois primeiros se organizaram em instituições fortes como a Aprosoja – Associação dos Produtores de Soja e Milho, e a madeira no CIPEM – Centro das Indústrias Produtoras e Exportadora de Madeira. Os fazendeiros do Pantanal já começaram a agir em conjunto pra defesa coletiva.. O mais, é só uma questão de tempo pra se contornar e solucionar as questões ambientais pantaneiras.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso – [email protected]   www.onofreribeiro.com.br

 

 

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