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Opinião

ONOFRE RIBEIRO – Cabelos brancos, cabelos pretos

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No recente evento “Famato Embrapa Show”, realizado em Cuiabá, houve muitas oportunidades de conhecimento da bravura da agropecuária em Mato Grosso.

Assisti à maioria das apresentações, especialmente aquelas dirigidas aos cenários estaduais, nacionais e internacionais.

Compreende-se que o mundo urbano oponha resistências contra aquilo que não conhece. O mundo urbano está preso dentro do velho ciclo dos giros econômico-sociais e políticos.

A própria mídia nunca se aventurou a caminhar pelos caminhos das madrugadas agitadas em tempos de plantio, de colheita, de vacinação de gado e da absoluta loucura de rotinas que são os confinamentos bovinos. Exceção para a mídia especializada que é parceira de extrema importância.

As próprias universidades públicas, na sua maioria,  correm do comprometimento com o setor que segura a economia. Por puro preconceito ideológico contra o capital.

O serviço público esconde-se atrás das suas bolhas e se esquece de quem o financia. O mundo político surfa nos oportunismos do muito discurso e pouca ação efetiva.

Recentemente escrevi neste espaço que convivem muitos brasis dentro do território nacional. A maioria suga o esforço dos brasis menores que efetivamente trabalham e produzem pra sustentar os brasis públicos e corporativos.

No evento citado, o engenheiro agrônomo Anderson Galvão, consultor em planejamento estratégico nos setores agrícolas nacionais e internacionais, além dos cenários do agronegócio nacional e mundial em 2022/23, trouxe outras percepções. Uma delas foi a juventude desse setor.

Lembrou que em eventos semelhantes dos quais participa nos EUA, “um auditório como esses estaria cheio de produtores de cabeça brancas. Aqui a maioria é de cabelos pretos e uma importante minoria de cabelos brancos, que servem de referência”. O IMEA – Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária tem dois levantamentos feitos em 2020 a respeito da faixa etárias dos produtores da pecuária e da agricultura em Mato Grosso.

Na pecuária, predomina com 26% os produtores de 46/55 anos; 18% os de 26/35 anos e 20% os de 36/45 anos. 38% tem menos de 45 anos.

Na agricultura, 25% de 36/45 anos; 23% de 46/55 e 56/65 e 18% de 26/35 anos. Metade tem menos de 45 anos.

Na impressão do consultor, isso representa inovações mais fáceis e melhor compreensão dos fatores novos de tecnologias e de relacionamentos com os mercados.

Fora as variáveis como as questões da sustentabilidade tão decisivas nos mercados modernos. São as gerações novas que lidarão com as pressões dos mercados no futuro, assim como com os novos protagonismos brasileiros nos mercados mundiais do agronegócio. Ponto pra nós!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

 

 

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Opinião

GRHEGORY MAIA – Então, é outubro: tempo do eu e do outro!

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É chegada a hora! Outubro já se aproxima, ou melhor, outubro é hoje! Um cenário extremamente importante para a sociedade brasileira e que não deve ser desvirtuado com atitudes antidemocráticas, brigas e disputas baseadas no ódio. De largada, registro que não tenho “lado” partidário ou estimação; logo, não me culpem se a “carapuça” servir.

É bom que se diga que há sensatez pela democracia. É ela que promove a efetiva mobilização dos poderes da República e a pacificação dos espíritos agitados pelo momento que se aproxima. Qualquer percepção que leve a uma polarização indesejada gera riscos com consequências que atingem todos os cidadãos e afetam a percepção da democracia enquanto aquela que garante a estabilidade social.

Nesse período, ainda mais, não se deve prosperar aquela devastadora perspectiva do “nós e eles”. O nosso país demanda um projeto comum, tenro e de união.

A reflexão política de cada cidadão que integra o nosso Brasil é como um regador de plantas capaz de fazer cada protagonismo institucional florescer e, principalmente, dar frutos.

As instituições políticas foram, são e continuarão sendo compostas por uma multiplicidade de pessoas. Todavia, essas pessoas vão e as instituições permanecem. Dentre todos erros e acertos, são essas instituições que vem contribuindo com a construção de um país melhor. Essa reafirmação pertence a cada um de nós.

O rumo da humanidade se lastreia na expectativa do que está por vir e do que cada um dos governantes poderá fazer pelo Brasil, na espera de que o melhor para os cidadãos seja a diretriz a ser seguida.

Dessa forma, o mecanismo para garantir a sensatez é o de entender a ideia de aceitar o outro e sua escolha, ainda que divergente. O consenso, muito mais do que em escolhas ideológicas partidárias coincidentes, revela-se no seguinte ponto comum: concordar em discordar.

Nesse ponto, a alteridade ensina que o ‘eu’, enquanto sujeito, depende do ‘outro’. Em outras palavras: é pela existência do outro que posso eu também existir.

As sociedades são plurais, composta por inúmeras pessoas, cada qual com um saber específico, experiências e opiniões divergentes que foram e são formadas a partir da visão particular de mundo que carregam. Com isso, pode-se dizer que é quase impossível, por assim dizer, o predomínio da homogeneidade.

Aliás, nem mesmo deveria ser desejável. Que chato seria se todos pensassem igual, se não houvesse divergência, já imaginaram? Qual seria a graça? Que monotonia! É a crítica e a divergência que nos inspira a pensar, refletir, sair da zona de conforto, do comum e nos leva, finalmente, à reflexão.

Portanto, é a diferença que traz cor ao mundo. É ela que ilumina e realça as individualidades sem retirar ou apagar aquilo que também os enlaça: a dignidade.

A intolerância ao gosto do outro legitima e potencializa a existência de regimes autoritários e a história já mostrou que a tentativa de definir o que o outro deve acreditar é uma forte expressão de um poder opressor. Esse comportamento parece acompanhar o caminhar do povo, porém precisa ser extirpado e combatido diariamente.

É no hoje que podemos e devemos construir uma nova narrativa fundada na tolerância. Afinal, como bem ensina Manoel de Barros: “a maior riqueza do mundo é sua incompletude”. Que as diferenças e o respeito a elas sejam celebrados como virtudes que são.

O tempo é de fé e crença em dias melhores para o nosso país e para o projeto de Brasil que queremos. E, se tudo isso soa como esperançoso, destoante da realidade, aceito a condição.

Enfim, é preciso muita coragem para pensar, sobretudo para acreditar que outubro pode significar um grande passo para corrigir o rumo da história. Por tudo, finalizo, assim como o poema acima citado, suplicando: “perdoai, mas eu preciso ser outros”.

Grhegory P P M Maia – Procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso; atual consultor jurídico geral do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso; doutorando em direito constitucional; professor da Universidade Federal de Mato Grosso.

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Opinião

JULIANA E PAULA – Frases que reproduzimos e estimulam as desigualdades, os abusos e as violências

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Infelizmente ainda precisamos falar sobre abusos, violências e exploração de crianças e adolescentes. Infelizmente essa temática ainda é manchete dos jornais. Infelizmente muitas crianças e adolescentes sentem em seus corpos a dor de ser abusada, tocada sem seu consentimento, violentada e explorada sexualmente. Infelizmente o número de casos tem aumentado. Infelizmente essa temática ainda não é tratada com todo o compromisso, responsabilidade e ação efetiva da Família, do Estado e da Escola.

Infelizmente essa temática ainda é tabu em pleno século XXI. Infelizmente muitas pessoas ainda preferem zelar e manter o “status quo” do que falar, denunciar e registrar queixa contra o abusador. Infelizmente muitas famílias, muitos educadores e várias instituições ainda não consideram as vozes das crianças e dos adolescentes. Infelizmente nossa sociedade ainda impera que crianças são um vir a ser, quando na verdade, elas já são cidadãos de direitos e respeito. Infelizmente a forma como essa mazela social vem sendo tratada não tem diminuído os casos, e principalmente não tem protegido de fato as crianças e os adolescentes desse crime.

Infelizmente nossa sociedade ainda tem dificuldade para olhar para a raiz do problema. Infelizmente dar nomes às situações difíceis no nosso país causam melindre e falta coragem para debater, dialogar mais e mais sobre os fatores que causam os abusos e as violências contra crianças e adolescentes. Infelizmente ainda não entendemos que só vamos resolver um problema se dermos nomes à ele, caso contrário, o negacionismo vai tomar conta e vamos continuar fingindo que estamos lutando para eliminar esse problema que afeta muitas famílias e causa danos muitas vezes irreparáveis nas vítimas.

É mais que necessário olharmos para a forma como nossa sociedade é constituída. É mais que necessário refletirmos sobre gênero, educação sexual, direitos, narrativas que constroem pontes e as que diminuem os muros entre os que encaram os problemas e os que os colocam debaixo do pano. Porque esse é um assunto que é tabu. Ele é delicado, espinhoso, porém é mais que necessário falarmos, dialogarmos e pensarmos em ações efetivas que realmente livrem nossas crianças e adolescentes desse pesadelo.

Refletirmos sobre o que falamos e como falamos com as crianças é um dos caminhos para evitar que elas sejam violentadas ou que venham a ser possíveis abusadores. Diante disso tudo trazemos diálogos sobre frases que vem sendo ditas há muitos anos que reforçam o preconceito de gênero, ou seja, palavras que reproduzem a desigualdade entre homens e mulheres, que estimulam comportamentos de abusos e violências de meninos contra as meninas ou de meninas contra meninos.

Evite dizer as frases: “seja homem”, “você tem que ser forte,” “quanta moleza, rapaz não chora”. Se entendemos que cada pessoa é única no mundo, devemos respeitar o jeito de ser de cada criança. Essas frases carregam a simbologia de que todo homem deve ser muito diferente das mulheres no que compete a ter atitudes mais sensíveis, carinhosas e afetuosas. Além disso, se faladas, essas frases exigem que o menino faça uso de poder sobre as meninas. Elas também tiram do menino o direito de demonstrar seus sentimentos, sejam eles, de alegria ou de tristeza. Chorar faz parte de todo ser humano. É uma ação do corpo de cada um de nós. Então não podemos impedir que as lágrimas escorram dos rostinhos dos meninos. Assim eles crescerão pessoas livres que deixam suas emoções aparecerem e aprendem desde cedo a lidar com elas de forma mais humanizada.

Mas o que essas frases têm a ver com abuso e violência sexual? Tudo. Especialmente para os meninos vítimas de abuso. Os relatos deles mostram que muitos preferiram ficar quietos porque foram ensinados que homem não demonstra fraqueza, que tem que aguentar tudo que ocorre, que se chorar é porque é “mulherzinha”. Em vez disso, podemos ensiná-los que mulheres e homens são iguais, que ambos têm sentimentos e estes podem ser demonstrados livremente.

Outras frases que não devemos dizer aos meninos: “cadê as namoradinhas”, “quantas você já beijou na escola”, esse vai ser pegador”, “esse vai arrasar corações”, “na sua idade eu já tinha pego todas as meninas da roda”, “se ela der em cima, vai pra cima”, “tá na hora de você aprender como que vira garanhão”. Todas elas reforçam estereótipos de que homem deve ter muitas paqueras, estimulam ideias e atitudes erradas e preconceituosas. Pesquisas mostram que de muito escutar essas falas, muitos meninos incorporam a necessidade de conquistar a qualquer custo as meninas do seu convívio.

As frases “homem que é homem fala palavrão”, “menina não fala palavrão” instigam que as crianças cresçam sob desigualdades de gênero. Se sabemos que xingar não é certo em nenhuma situação, por que estimulamos isso nas crianças? Se sabemos que pronunciar palavras ofensivas, agressivas e impróprias é errado, por que estimulamos que os meninos as digam? Será que conseguimos olhar na raiz disso e enxergar as simbologias e as consequências de tais vocábulos para a vida adulta das nossas crianças?

Mais frases sexistas normalmente ditas às meninas “tem que dar o respeito”, “sente que nem mocinha”, “você não pode, porque é menina”, “isso é brincadeira de menino” também devem ser tiradas do convívio familiar e social. Meninos e meninas devem ser respeitados (é direito de todo cidadão), devem ter as mesmas oportunidades de brincar com o que quiserem (afinal de contas os brinquedos são paras as crianças) e de serem o que quiserem ser (profissões são de pessoas, independente do gênero). Isso diz respeito até a forma como as crianças sentam. Elas podem escolher a maneira mais confortável e segura para repousar seu corpo. Não é legal que as roupas íntimas fiquem à mostra, então devemos orientar aos meninos e às meninas quanto a esse cuidado.

Já as frases “ele puxou seu cabelo, deve estar apaixonado por você”, “já pode casar”, “se continuar assim, vai ficar pra titia” carregam pesos incalculáveis sobre consentimento e relacionamento afetivos. Puxão de cabelo é um ato de violência, jamais pode ser considerado uma demonstração de carinho. Isso vale também para beliscões e empurrões. Amor e violência não andam juntos. Se sabemos que a divisão de tarefas é importante para todos que moram na casa, por que continuamos afirmando que quando a menina faz bem uma tarefa doméstica já pode casar? Será que isso não a faz pensar que para ser feliz tem que ser uma boa dona de casa e que casamento é a única opção de projeto de vida para ela? Que se isso não ocorrer ela será infeliz? Que tal ensinar as crianças que contribuir com os afazeres domésticos é fazer para a família? Se todos dividem o trabalho da casa, todos terão mais tempo para fazer outras atividades sozinhos ou juntos. Isso não parece ser o mais justo e humanizado a ocorrer nas casas de todos nós?

Alguns podem dizer: “quanto exagero”, “crescemos ouvindo isso e nem por isso fui abusado ou abusei de criança”, “nossa, agora não pode dizer mais nada, nem fazer uma brincadeirinha” e por aí vai. Nós, afirmamos nosso compromisso em criar pontes, em cutucar a zona de conforto, em desassociar o lugar comum e principalmente em construir uma sociedade mais humanizada, mais compromissada e mais respeitosa. Reafirmamos que as mazelas sociais, tais quais os abusos e violências contra crianças e adolescentes, precisam ser resolvidos a partir das raízes do modo como nossa sociedade foi constituída. Quando juntarmos nossas mãos para os modos como criamos as meninas e os meninos, vamos, de fato, proteger as crianças desse mal que, infelizmente, ainda está enraizado em nossa sociedade.

Julianne Caju – Jornalista, Professora, Mestra em Educação/UFMT, Doutoranda do PPGECCO/UFMT

Paula de Ávila Assunção – Assistente Social, Mestra em Educação/UFM, Pós-Graduanda Terapia Familiar Sistêmica/ CEFATEF

 

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