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Opinião

ONOFRE RIBEIRO – As ressacas da pandemia

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Em março de 2020 surgiu no cenário mundial uma doença causada por um vírus supostamente importado da China. Ainda não se entendia que fosse uma pandemia generalizada no mundo. Acabou sendo. Medidas imediatas na surpresa da pandemia foram duras: lockdown, com fechamento geral da economia, confinamento doméstico, uso de máscara, horários de circulação das pessoas, fechamento das repartições de governo e das escolas, somando-se ainda shoppings centers, redução dos vôos dos aviões e de corridas dos ônibus. Uma série de novos comportamentos da população e uma pesada quebradeira de empresas pequenas e médias.

Em setembro de 2021, depois de uma série de erros e acertos na medicina e na política, a pandemia diminuiu a força. Mas deixou um mar de problemas que começam a surgir no mundo inteiro. Uma grande ressaca econômica. Tomo a liberdade de citar alguns dos problemas da ressaca. Claro que muitos ainda não apareceram, mas certamente virão: 1- desabastecimento de produtos e de alimentos frente ao crescimento da demanda

2- dificuldades de retomada da produção de produtos, bens e serviços em todas as áreas da indústria mundial

3- dificuldades na produção de veículos por falta de processadores eletrônicos

4- dificuldade na produção de equipamentos industriais em todas as áreas pelas mesmas razões

5- dificuldades no transporte do comércio mundial por falta inicial de containers, depois de navios e agora, de gente nos portos pra operar carga e descarga

6- dificuldades de gente para descarregar os containers e distribuição das cargas em caminhões. Depois a falta de caminhões e de motoristas

7- falta de gente pra ocupar postos de serviços no comércio e na indústria na Europa, EUA, Inglaterra, China, Japão e demais países. No Brasil já está começando

8- nova visão da juventude no mundo inteiro que prefere viver com pouco dinheiro mas não acredita no sistema de trabalho, carreira e status social. Isso é uma bomba atômica dentro da economia mundial

9- Prevista a insuficiência de fertilizantes para a produção agrícola no Brasil e no mundo. Mato Grosso entra de cheio nessa possibilidade, com graves consequências para a sua economia

10- Crises no abastecimento de energia na China, país do qual hoje quase todo o mundo depende no fornecimento de insumos em todas as áreas. Exemplos: fertilizantes, insumos químicos para a indústria farmacêutica, para a indústria de plásticos, para todos os setores industriais

11- Desabastecimento de combustíveis oriundos do petróleo e aumento insustentável dos preços do petróleo

12- Escassez de energia elétrica e aumentos insustentáveis no uso doméstico, industrial, de serviços e do comércio

13- Aumentos insustentáveis nos salários, no preço dos alimentos, dos combustíveis, da energia elétrica, da água e dos impostos.

Uma série de outros itens podem ser acrescentados a esses. Uma nova leitura econômica no mundo, na forma de dolorosa crise que está a um passo da nossa civilização. Por fim, depois dessa ressaca econômica, virá a ressaca política. Mas esse é assunto pro próximo artigo. Tempos extremamente duros nos aguardam, a partir do fim deste ano e nos próximos dois anos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso – [email protected]    www.onofreribeiro.com.br

 

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Opinião

MARIA RIBEIRO – Será que sou dependente das telas?

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A vida moderna nos trouxe novos desafios. E a tecnologia nos trouxe como resultado de seus avanços uma triste realidade. Estamos produzindo cidadãos com dependência em tecnologia, e principalmente uma geração de dependentes de telas.

A digitalização que caracteriza a sociedade atual está afetando o estilo de vida adotado pelas novas gerações. Do nascimento à morte somos inundados por uma infinidade de dispositivos eletrônicos que não estão sendo tratados como ferramentas, e sim como comandantes de nossas decisões.

Se pensarmos do ponto de vista clínico, a Dependência Tecnológica é quando o indivíduo não consegue controlar o próprio uso das telas, ocasionando sofrimento e prejuízo significativo em diversas áreas da vida.

Mas não é o que todos nós estamos fazendo? Hoje os smartphones, PC, tables, e TVs passaram de suas funções iniciais de comunicação para um mix de ferramentas que estão saqueando mais a atenção do que servindo para melhorar nossas rotinas.

Diante desse cenário, como saber se sou dependente de telas? De cara, é bom lembrar que a dependência em tecnologia é uma patologia, e somente um médico e/ou psicólogo pode diagnosticar.

Mas, com tantos dispositivos à nossa volta, podemos identificar algumas coisas. Como quando seu companheiro não dorme, não come ou deixa de tomar banho porque suas atenções são para a Internet, ou perde o controle da vida porque fica horas em jogos online.

Quando seu filho fica ansioso ou irritado porque o uso da Internet é restringido. E aumenta quando os esforços repetidos por ter uma vida fora do digital são malsucedidos.

E quantas vezes tem colegas de trabalho com medo de ficar fora do mundo tecnológico, e há uma preocupação excessiva se tem sinal, se o 5g funciona, ou se o e-mail já chegou?

Quando nossos avós acham que andam passando mais tempo online do que deveriam. Sim, são as pessoas com mais de 70 anos alguns dos maiores campões em e-sports do mundo.

Em momentos que alguns de nós mente sobre a quantidade de horas conectados e tem necessidade de aumentar o tempo de uso para sentir a mesma satisfação que antes, mas esconde, porque não quer ser taxado de “viciado em tecnologia”.

Quando crianças com amigos virtuais são levados a redes sociais inúteis para fugir de relações empobrecidas, conflitos familiares e isolamento social.

A total falta de interesse de alguns amigos por uma vida real, com emoções que podemos sentir, não somente almejar.

Com líderes com faces distorcidas por tratamentos estéticos, e selfies infinitas em busca de aceitação na rede social para um marketing de propósito, sem mesmo ter um.

E fenômenos da tecnologia, criando metaverso (é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais) para gerações, mas colocando seus próprios filhos em escolas com zero acesso à tecnologia, porque sabe dos malefícios das telas.

As pessoas estão perdendo o controle de suas rotinas e usando o tempo de tela para fugir dos problemas. Sim, estamos todos nós dependente de telas, e nossas relações sociais, afeto e opiniões estão em risco.

Ok! E o que fazemos com tremenda informação?

A primeira delas é colocar regra na vida. A máxima de ter hora para acordar, comer, dormir é a premissa de uma vida com menos telas e mais decisões.

Ah sim, já vou avisando: isso dá trabalho, porque ser melhor, vai exigir que você seja exemplo para os seus filhos, que líderes sejam motivadores de suas equipes, e que famílias comecem a exercitar a melhor ferramenta de comunicação de todos os tempos: a conversa cara a cara. Vamos praticar?.

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e netnografia. Belicosa.com.br

 

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Opinião

ALFREDO DA MOTA MENEZES – Na eleição do ano que vem

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O barulho eleitoral de 2022 ainda não chegou forte à rua. Mas nas conversas paralelas, aquelas entre amigos e grupos, a coisa anda quente.

A presença de Sergio Moro no cenário é uma das que tem mais comentários. Ninguém duvida que ele seja candidato à presidência e não ao Senado. Já aparece em pesquisa à frente de outros na chamada terceira via, passando inclusive Ciro Gomes.

De quem ele mais tiraria votos, de Lula ou Bolsonaro? É comum ouvir que ele entra mais na seara de Bolsonaro. Moro busca aproximação com o PIB nacional e os militares.

Até que ponto isso pode influenciar ou não na ida do Bolsonaro para o segundo turno também entra nas diferentes avaliações. É aceito que Moro, ou os da terceira via, não tem ainda condições de impedir a ida do presidente para o segundo turno.

Tem opinião de todos os tamanhos sobre Bolsonaro. Que ganha a eleição presidencial e até que ele poderia abandonar a candidatura lá na frente. Os que defendem esse ponto de vista arguem que, se o Bolsonaro chegar ali por junho do ano que vem, sem crescer nas pesquisas, podendo ser derrotado pelo Lula, ele abandonaria a disputa. Difícil ocorrer, mas é um dos argumentos do momento.

Alguns acham que o Lula não será candidato ou que deve aparecer algo na Justiça que impediria sua candidatura.

A maioria das opiniões vai em direção oposta, acredita que ele é candidato mesmo e que herdaria, num segundo turno, a maior parte dos votos dos candidatos da terceira via. Outros torcem para que o seu vice seja mesmo Geraldo Alkmin.

Que isso daria força à candidatura em São Paulo, lugar que Bolsonaro não tem sido muito popular.

Outra conversa é sobre os votos do Nordeste para presidente. Hoje ali o Lula tem boa votação, mostram as pesquisas. Mas com o Auxilio Brasil de 400 reais, muito maior do que se pagava no Bolsa Família, isso poderia alterar o jogo e Bolsonaro encostar no Lula no Nordeste? Grande incógnita para o ano que vem.

Daria tempo, em menos de um ano desse novo auxilio, para mudar o quadro eleitoral no Nordeste? Não esquecer que Lula é nordestino.

A terceira via nessa próxima eleição teria mais votos do que em eleições passadas? A tradição brasileira é a polarização entre duas candidaturas. A do ano que vem não foge à regra, Lula e Bolsonaro serão os nomes dessa vez. Na ultima eleição, com exceção da votação em Marina Silva, outros como Geraldo Alkmin e Henrique Meireles, nomes fortes no canário nacional, tiveram votações raquíticas? Agora seria diferente? Que patamar poderia chegar Moro?

Simone Tebet teria a preferência do voto feminino? Ciro melhora sua votação dessa vez? Como ficaria João Dória com seu PSDB no caminho do racha? Essa terceira via chegaria aos 30% dos votos na eleição 2022? Fato que nunca ocorreu antes.

Pode-se ficar aqui fazendo incontáveis especulações sobre o cenário eleitoral. Aliás, é a melhor parte da conversa sobre política.

Alfredo da Mota Menezes é analista político.

 

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