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Opinião

O rei, o plebeu e o futebol

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Claro, nenhuma dúvida, o Flamengo é o melhor time do Brasil, e o atleta Bruno Henrique junto com Rodrigo Caio, são indiscutivelmente os melhores jogadores do Brasil, na minha ótica. Bruno Henrique atravessa uma fase que há muito não vejo no nosso futebol, muito distante vem à lembrança do Edmundo animal no Vasco de 1997.

Agora vamos falar um pouquinho sobre técnicos de futebol. Não aguento ver aqueles que pedem para cobrir o estádio com lona preta por ocasião de seu último treino, como se naquele último treino ele apresentará aos seus jogadores uma tática que em cinco minutos colocará seu adversário na “lona”.

Idiotice pura. Só uma obra do sobrenatural de almeida (figura criada por Nelson Rodrigues) colocaria isto em pratica. Deixe a imprensa e os torcedores presenciarem o treino, esporadicamente uma ou outra tática ou jogada, deverão ser de privacidade total.

Técnico ganha jogo? Quero ver o Jesus (técnico do Flamengo) ser Campeão da Libertadores com o elenco do Vasco, ou o Mourinho ser Campeão com o do Cruzeiro. Sabe quem ganha título? GRANA, muita grana. O Flamengo chegou onde chegou através de dólares, milhares de dólares. Justa a conquista do Flamengo. Lembrei-me do Santos de Pelé que tomava um gol, ia pra frente e fazia quatro.

Nesta Copa Libertadores, não foram os gols o ápice dela, e sim uma cena patética provocada por um Rei e um plebeu.

Vi o Governador do Rio de Janeiro ajoelhar aos pés do Gabigol após o jogo e ser esnobado pelo atleta. Ridículo Governador. Tinha o Senhor diversas maneiras de expressar sua felicidade pelo título já que és flamenguista.

Há milhares de cidadãos no seu estado a espera de uma genuflexão, não só sua, como dos outros infames que destroçaram essa maravilha chamada Rio de Janeiro, orgulho de todos os brasileiros.

Deixe essa referência para ser feita à beira do túmulo de um policial morto quando estava em defesa da sociedade, de um Médico que trabalha sem as mínimas condições em Pronto Socorros e hospitais sucateados, de uma professora ou professor que sobe a favela para ensinar boas maneiras à nossa juventude, etc.

Faça Governador essa referência na calçada de um Hospital Estadual quando o Sr. ver uma parturiente dar à luz na calçada dele por falta de atendimento.

Enfim Governador, faça essa referência aos pés do Cristo Redentor pedindo-lhe proteção e perdão por ingratidões à companheiros políticos que contribuíram decisivamente para sua eleição, quando fora do Fórum o senhor era um ilustre desconhecido.

Feio Governador, muito feio. Escolha outras oportunidades para fazer seu “beija mão”, já que na sua cidade em cada esquina tem um motivo.

A um jogador de futebol Governador? Ah dá licença!

EDUARDO PÓVOAS- ODONTÓLOGO

 

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Opinião

STÉPHANO DO CARMO – Luzes para o futuro

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A pandemia causada pela Covid-19 tem mexido de forma significativa com o cotidiano das pessoas em todo o planeta. Em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes realizou ações rápidas de combate ao vírus, tornando o estado referência nacional. Enquanto outros estados gastaram milhões para construir hospitais de campanha, ou seja, temporários, o Governo de Mato Grosso construiu um hospital permanente e de ponta, em 45 dias, com quase 300 leitos, para atender os pacientes do coronavírus. Além disso, comprou respiradores e descentralizou o atendimento disponibilizando leitos no interior do estado.

Para falar do vírus é preciso fazer um resgate histórico, onde os grandes acontecimentos, como guerras, pandemias e catástrofes mexem com hábitos, convenções e, principalmente, com os modos de produção e consumo das pessoas, gerando novas necessidades. Foi assim após as duas grandes guerras do século passado (primeira 1914 a 1918 e a segunda 1939 a 1945), também com a grande depressão (crise de 1929), ou mesmo com as pandemias (peste bubônica, varíola, cólera, gripe espanhola, gripe suína e H1N1).

Isso afeta não só o psicológico como também toda a forma de trabalho e renda. Assim que a vida e as coisas voltarem ao que chamamos de “normal” iremos nos deparar com uma nova realidade. Até porque nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia, como diz a música “Como uma onda”, do cantor e compositor Lulu Santos. É papel do Estado prever para poder prover e nisso o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), tem função primordial na construção dos novos caminhos a seguir.

Já estávamos em transformação em função do avanço tecnológico e uso em todas as esferas da chamada internet das coisas, que impactou nas relações de produção, emprego e renda. O pós-pandemia, que já é amanhã, fará com que um novo mercado se apresente muito diferente daquele que deixamos em janeiro de 2020, onde o protocolo de biossegurança será fundamental para a promoção e manutenção do bem-estar e proteção à vida.

As mudanças serão um tanto pela reclusão das pessoas, que requer formas diferentes de trabalho e consumo, e outro pela necessidade de produzir e comercializar os produtos. Estamos falando que no pós- pandemia teremos um mercado para além da inclusão digital, onde os modos operantes da produção e prestação de serviços exigirão novos conhecimentos. Por isso, a Seciteci vem se preparando para ofertar cursos para atender esse novo momento.

O novo mercado exige um novo profissional, com uma nova mentalidade e operando novas ferramentas. Tanto que muitos não abrirão mais as portas, outros irão insistir até fechar, outros se adaptarão para não desaparecer e novos postos para novas atividades se abrirão. Precisamos nos antecipar para incluir o trabalhador mato-grossense que terá que reinventar para encarar esse novo tempo.

Em 2021, como se deve apresentar um trabalhador enquanto candidato a uma vaga e emprego? Que tipo de conhecimento ele deve dominar? Quais ferramentas de trabalho ele deve ter ou operar? E o futuro empreendedor, com o que ele vai mexer? Critérios de produção e consumo, quais serão? Quais serão os novos limites para produção, circulação e consumo? Quais os perfis de pesquisa que o Estado deve promover para ser inclusiva neste mercado?

Essas são apenas algumas das perguntas que devemos responder para criar um portfólio de cursos de aperfeiçoamento e de formação inicial continuada (FIC) para qualificar as pessoas que vão atuar no mercado que começará a vigorar no pós- pandemia.

Conectada com esse novo momento, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), iniciou a oferta de cursos online (EAD) através do Programa Novos Caminhos. Além deste programa, a Seciteci tem em seu planejamento a meta de ampliar essa modalidade de cursos. O ensino a distância e o presencial são mecanismos de transformação e evolução social e econômica de uma sociedade. O estado é o grande articulador desse processo, promovendo política pública de inclusão.

*Stéphano do Carmo é secretário adjunto de Educação Profissional e Ensino Superior da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci)

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Opinião

USSIEL TAVARES – A transição de advogado a desembargador

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A advocacia é uma atividade que exige atributos peculiares de seus integrantes, distintos de outras profissões. Os predicados que transcendem a qualidade técnica jurídica, passam por administração, empreendedorismo, criatividade e muita resiliência. Embora pudesse ser desnecessário lembrar, acredito ser importante acrescentar a honradez, idoneidade moral e a reputação ilibada.
Estamos na iminência de vivenciar uma das situações que mais agitam a advocacia: o surgimento de uma vaga para o Tribunal de Justiça por meio do quinto constitucional. Para quem não é do ramo, eu explico, basicamente ocorre o seguinte: um quinto das vagas nos tribunais brasileiros deverá ser preenchido por advogados e membros do Ministério Público.
O procedimento envolvendo a advocacia, embora simples, conta com algumas fases. Os advogados interessados devem se candidatar na OAB, que por meio de votação do colégio de conselheiros escolherá seis nomes e encaminhará uma lista para o Tribunal de Justiça. A corte indicará 3 nomes e enviará para a escolha do governador do estado.

Com a aprovação de mais 10 vagas para desembargadores no TJ de Mato Grosso, tanto o MP quanto a advocacia terão novos representantes na Egrégia Corte. Eu cheguei até a cogitar oferecer meu nome à apreciação da OAB, do Poder Judiciário e, posteriormente, ao chefe do Executivo. Afinal, tenho quase 40 anos de dedicação à Ordem dos Advogados, à sociedade mato-grossense e à advocacia, sem nenhuma mácula.

Entretanto, embora preencha todos os requisitos para concorrer, preferi não buscar essa transição e decidi ficar na advocacia. Optei por ostentar o título que mais me honra. O de ter sido Presidente da OAB por dois mandatos, de ter sido Conselheiro Federal por dois mandatos, e quem sabe mais alguma coisa no futuro.
Aos meus 62 anos de idade, eu tenho um misto de sentimentos que, para alguns poderia ser contraditório, mas que vivencio perfeitamente e, creio, representa meu diferencial. Junto da realização profissional de um escritório equilibrado, levo a motivação de fazer mais e melhor, de contribuir para a advocacia do futuro. Essa é minha natureza.
Aproveito essa condição, de não concorrer, para levantar questões relacionadas ao tema. Discute-se no Conselho Federal da OAB a mudança da atual regra, para que conselheiros e membros da gestão possam participar da disputa do quinto e ser indicados na lista sêxtupla, o que por hora é proibido. Embora exista divergências, eu acredito que a mudança vai ocorrer, seja a partir dessa escolha ou na próxima.
Pessoalmente, não vejo problema nessa alteração, desde que ela seja utilizada para oportunizar a participação de pessoas de boa índole, capacidade técnica e sirva para promover a representatividade do verdadeiro universo da advocacia. Advogados do interior, integrantes da advocacia pública e de outros setores precisam estar nessa escolha. O processo de escolha deve ser mais inclusivo.
A escolha mais representativa vai proporcionar para o Poder Judiciário um crescimento importante, pois o desembargador oriundo da advocacia, além de ser isento de corporativismo, carrega consigo o olhar do advogado, tem fresco na memória nossos desafios, nossas dificuldades e peculiaridades.
Outro ponto importante é que essa lista não deve portar aventureiros. Necessita, por conseguinte, comportar dignos e legítimos representantes da diversidade advocatícia, dos mais diferentes setores e atividades.
O processo de escolha dos novos desembargadores que deve ser desencadeado nos próximos dias será uma grande oportunidade de mudança, não apenas para o Poder Judiciário. Apesar da esperada investida de pessoas inaptas para tão importante função, a escolha será realizada com a cautela e o zelo constitucional exigidos. No entanto, dando um passo além na representatividade, poderá resultar na evolução da importante transição de advogado a desembargador.
O quinto constitucional é uma conquista importante da sociedade e devemos honrá-la para que produza efeitos benéficos para a sociedade e para que continue sendo uma forma de fortalecimento e proteção do Estado Democrático de Direito.

Ussiel Tavares é advogado e ex-presidente da OAB Mato Grosso.

 

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