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O que é Deepfake? Saiba como funciona e porque tecnologia pode afetar a política

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Reprodução/Youtube/Bruno Sartori

Políticos como Jair Bolsonaro são alvos constantes de deepfake


Jair Bolsonaro cantando Xibom Bombom. Mark Zuckerberg admitindo que “quem controla os dados controla o futuro”. Nicolas Cage encenando personagens em centenas de filmes. Gal Gadot estrelando uma cena pornográfica.

Nada disso aconteceu de fato. Mas, na internet, há vídeos perfeitos de todos esses acontecimentos falsos, graças a uma técnica chamada deepfake

Como o próprio nome já diz, a tecnologia faz uso de deep learning para gerar conteúdos falsos em vídeo.

Através de inteligência artificial , rostos de pessoas são unidos a vídeos já existentes, em uma combinação altamente realista que faz parecer que alguém tenha dito ou feito algo que, na realidade, jamais aconteceu. 

Os deepfakes começaram a se tornar populares no final de 2017, quando rostos de atrizes famosas foram colocados em vídeos pornográficos. Depois disso, a técnica passou a ser utilizada para produzir vídeos de humor ou de conteúdo político.

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Como é produzido um vídeo com deepfake

Aqui no Brasil, os vídeos com deepfake se popularizaram sobretudo pelo humor. Nesse sentido, um dos canais mais famosos no YouTube é o de Bruno Sartori, o responsável por fazer  Jair Bolsonaro cantar “O pintinho, piu”Luiz Inácio Lula da Silva ganhar o corpo, voz e gingado de Pabllo Vittar no clipe de “Parabéns”.

Bruno conta que o primeiro passo para fazer um deepfake é montar um extenso banco de dados da pessoa que terá o rosto copiado.

“São cerca de duas a quatro mil imagens”, revela. Depois, essas imagens são entregues a uma biblioteca de código aberto que processa os dados. Existem várias bibliotecas desse tipo disponíveis e Bruno, por exemplo, mistura algumas delas, pegando o melhor de cada uma. 

A inteligência artificial presente nas bibliotecas reconhece padrões nas imagens do rosto, entendendo como funcionam os movimentos de olho, boca e face, faz uma cópia dele e, então, a disponibiliza para a imitação.

Como a técnica usada é o deep learning – em português, aprendizagem profunda -, a própria aplicação vai aprendendo e se treinando no processo de análise dos dados.

Por isso, “quanto maior for o tempo de treinamento, ou seja, da análise desse banco de dados por nossa inteligência artificial, melhores vão ser os resultados”, conforme explica Bruno. “Quanto mais ele analisa os dados, melhor ele vai ter a capacidade de reproduzir aqueles dados”.

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O produtor de vídeos conta que, no geral, o processo de copiar um rosto demora cerca de dois dias , mas que isso varia de acordo com o processamento do computador utilizado.

Antes o tempo era mais longo: em 2017, quando começou a utilizar a técnica, Bruno levou quase quatro meses para gerar seu primeiro rosto copiado.

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Para produzir um vídeo completo, porém, o tempo pode variar de acordo com o roteiro – se ele precisa gravar dublagens, por exemplo, o tempo tende a ser mais longo. Um dos vídeos mais famosos do canal de Bruno, o de Bolsonaro cantando Xibom Bombom, com quase 400 mil visualizações, demorou cerca de 20 dias para ficar pronto. 


Para além do humor

Apesar de o trabalho de Bruno ser focado em humor e crítica política, nem todo deepfake tem esse objetivo.

Com a técnica tornando os vídeos cada vez mais realistas, não é tão difícil fazer alguém acreditar que uma pessoa tenha dito ou feito algo que não disse ou fez. É o caso, por exemplo, da inserção de rostos em vídeos pornográficos ou a inserção de falas na boca de políticos ou empresários influentes. 

Alexandre Atheniense, advogado especializado em Direito da Tecnologia da Informação, explica que, apesar de não existir uma legislação específica sobre deepfakes no Brasil, é possível punir quem faz o mau uso da tecnologia.

“Nós temos, hoje, instrumentos legais suficientes para poder punir eventuais infratores que partam para fazer deepfake para divulgar uma informação falsa de uma pessoa atacando sua reputação ou divulgando um fato falso”, afirma.

Ele explica que o ponto de partida é, geralmente, o uso de imagem não autorizada mas que, de acordo com as consequências do conteúdo produzido, as implicações legais podem ser diversas. “Cada caso é um caso”, enfatiza. 

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Deepfake no cenário eleitoral

Um dos grandes casos de uso ilegal da tecnologia de deepfake é para a produção de conteúdos que prejudiquem a imagem de políticos, sobretudo em contexto eleitoral.

Muitos especialistas já colocam a tecnologia no patamar mais elevado da lista de desafios para as próximas eleições , tendo um combate ainda mais difícil que o feito sobre as fake news .

“Se a gente já tem esse hábito em relação à disseminação de notícias falsas, quando você tem uma inovação tecnológica como deepfake, essa automação só potencializa aquele ato anterior que já existia”, afirma Alexandre. 

Para ele, que acredita que as deepfakes podem ser uma ameaça à democracia, as consequências do uso da tecnologia nas campanhas eleitorais pode ser ainda mais grave com o avançar dela.

“Nada me tira da cabeça que daqui a pouco nós vamos ter a popularização dos deepfakes, e depois isso irá se tornar um instrumento de campanha eleitoral”, afirma.

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O advogado explica que, aqui no Brasil, as questões mais novas são geralmente abordadas nas leis, pela primeira vez, no contexto eleitoral, e espera-se que isso ocorra em relação às deepfakes nas próximas eleições presidenciais de 2022.

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“A Justiça Eleitoral no Brasil tem uma característica muito interessante: assuntos de vanguarda, aspectos tecnológicos, normalmente são tratados pela primeira vez por lá. Por esse motivo, eu acho que se tiver surgimento a respeito de uma normatização quanto a fake news e deepfake, eu apostaria que de repente isso pudesse começar pela área eleitoral”, opina Alexandre.

Combate às deepfakes no mundo

O tema tem gerado tanta polêmica no mundo todo que algumas empresas e governos já se preocuparam em criar regulamentações para o uso de deepfakes. Twitter , Google e Facebook começaram a pensar em medidas para diminuir o uso indevido de vídeos falsos na plataforma.

O Twitter exibirá avisos de que determinados conteúdos são deepfake, enquanto o Facebook e Google vêm desenvolvendo métodos e ferramentas para detectar os vídeos manipulados.

Além das empresas, governos já buscam algum tipo de regulamentação sobre a tecnologia. A China, por exemplo, proibiu o uso de inteligência artificial para a produção de vídeos falsos e exige que a divulgação de deepfakes venha acompanhada de um aviso claro de que se trata de um conteúdo fictício. 

No estado da Califórnia, nos Estados Unidos, dois projetos de lei foram assinados recentemente acerca do tema. Um deles torna ilegal a distribuição de vídeos manipulados que visam desacreditar um candidato político dentro de 60 dias após eleições, e o outro permite que os cidadãos processem pessoas que criam deepfakes para inserir rostos em materiais pornográficos sem consentimento.

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Para Alexandre, é essencial que os governos entrem nessas discussões, e não apenas as empresas de tecnologia. “Tem que coibir abusos, sobretudo porque a gente sabe que isso foi utilizado muito na época eleitoral [em 2016, nos EUA] e, por esse motivo, certamente a gente precisa ter uma legislação que possa coibir”, opina. 

É só uma brincadeira

Apesar de ser favorável à coibição do uso indevido de deepfakes, Alexandre afirma que o humor dificilmente será prejudicado por essas possíveis novidades nas legislações.

“A paródia em si e o humor são sempre permitidos, desde que não ultrapasse limites extremos que possa estar vinculado à imagem da pessoa envolvida com fatos falsos ou mesmo com ofensas. Isso a legislação não admite. Mas a gente tem sempre uma zona de conforto, digamos assim, em relação ao humor”, esclarece o especialista. 

Para Bruno, que deixa claro em todos os seus vídeos que o conteúdo se trata de deepfake , tentar censurar as produções humorísticas não é uma saída inteligente para lidar com a disseminação de deepfakes.

“Censura não vai me parar, principalmente se vier de governos. A censura só tende a piorar o que querem censurar. O que tem que haver é uma política de educação da população, aliada a uma política de repreensão ao uso inadequado da tecnologia”, opina.

Fonte: IG Tecnologia
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Celular com TV: Veja quais os melhores aparelhos para comprar no Brasil

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Mesmo em um cenário da ascensão do streaming e com pacotes de internet cada vez mais amplos e repletos de bônus, há pessoas que não abrem mão de ter uma TV no bolso. Ainda há no mercado celulares com TV para atender a essa fatia do público.

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São smartphones básicos a intermediários que permitem acessar a programação da TV aberta sem a necessidade de conexão com a internet. Celulares com TV são interessantes para quem não quer perder o futebol ou a novela sem recorrer ao pacote de dados. 

Veja abaixo os melhores modelos de smartphones para comprar no Brasil:

Samsung Galaxy A 50

Galaxy A50 arrow-options
Divulgação/Samsung

O Galaxy A50

Um dos smartphones mais pesquisados no País, o Galaxy A 50  se destaca pelo design com poucas bordas e tela grande de 6,4 polegadas com resolução Full HD+ (2340 x 1800 pixels). 

Outros destaques da  ficha técnica do aparelho são a tripla câmera traseira, com sensores de 25, 5 e 8 megapixels, e a câmera frontal de 25 megapixels. A memória Ram é de 4GB e a capacidade de amarzanamento corresponde a 128GB.

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Moto G7 Power

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Reprodução/OLX

Moto G7 Power

Um dos últimos modelos lançados pela Motorola tem como um de seus muitos atrativos a TV digital. Ele também traz tela grande, de 6,2 polegadas, mas com um furo que ocupa um espaço maior do display em comparação com o modelo da Samsung. A resolução também é menor, HD+, o que de maneira alguma consiste em um problema.

As demais especificações não diferem muito da linha G7. O processador é o Snapdragon 632, memória RAM de 3 ou 4GB e armazenamento de 32 ou 64GB. A bateria de 5.000 mAh garante até 55 horas de autonomia.

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LG K10 Power

LG K10 Power arrow-options
Divulgação/LG

LG K10 Power

Lançado em 2017, esse aparelho ainda compensa no custo-benefício, principalmente para quem busca a famigerada TV de bolso. A tela (5,5 polegadas) e a resolução (HD) são as menores dessa lista, mas o consumo de bateria também é menos intenso.

Outros destaques da ficha técnica são o processador octa-core de 1,5 GHz, memória RAM de 2 GB e armazenamento de 32 GB.

Leia Também:  Amazon dá desconto em pacote Office com licença perpétua

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Galaxy J6

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Divulgação/Samsung

Galaxy J6

Esse smartphone de 2018 conta com tela alongada de 5,6 polegadas, resolução HD+ e painel Super AMOLED, que garante imagens com melhor contraste em comparação com os principais rivais.

O processador é octa-core de até 1,6 GHz, memória RAM de 2 GB e armazenamento de 32 GB ou 64 GB. A bateria, no entanto, de 3000 mAh, é mais modesta.

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Frete gratuito

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*O iG pode ganhar comissões sobre as vendas originadas a partir deste artigo

Fonte: IG Tecnologia
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Depois de Jeff Bezos ser hackeado, saiba como se proteger de vírus no WhatsApp

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Olhar Digital

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Veja como se proteger de vírus enviados no WhatsApp


Jeff Bezos , CEO da Amazon e homem mais rico do mundo, chocou ao mundo ao revelar que teve seu celular invadido pelo príncipe saudita Mahammed bin Salman. A invasão se deu através de um vírus enviado escondido em um vídeo. Esse acontecimento levantou a dúvida se é possível ser infectado por vírus pelo WhatsApp . E a conclusão é que, embora seja raro, é sim possível.

Muita gente acredita que os telefones não podem contrair o mesmo tipo de vírus que afeta os computadores, o que não deixa de ser verdade. Porém, nenhum sistema é infalível, e isso inclui Android , iOS e o próprio aplicativo de mensagem. Os casos que envolvem o WhatsApp hackeado costumam ser relacionados a  aplicativos que se disfarçam do próprio aplicativo de mensagens. Um exemplo foi o “WhatsApp Gold”, que afirmava ser uma versão premium do aplicativo, mas não passava de um programa malicioso projetado para roubar dados.

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Em maio de 2019, foi revelado um bug que possibilitava acessar o telefone de um usuário para vigilância, utilizando uma chamada de áudio. Isso acontecia mesmo se a ligação não fosse atendida. Pouco depois o WhatsApp disponibilizou uma atualização que corrigiu o problema.

Embora os casos de vírus no aplicativo sejam raros, é possível realizar algumas coisas para garantir que se esteja menos propenso a ser vítima deste problema; veja como se proteger:

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  • Verifique se o aplicativo é legitimo – O WhatsApp Gold mostrou que é fácil ter acesso ao smartphone se passando pelo app original. Para evitar isso, faça o download apenas de aplicativos na loja oficial do celular e verifique a autenticidade da empresa. Observar os comentários também pode ser útil para encontrar possíveis problemas;
  • Nunca abra arquivos suspeitos – Se um arquivo recebido parece estranho, não hesite em apagá-lo sem abrir, principalmente se for enviado por alguém desconhecido;
  • Instale um antivírus – Um bom aplicativo antivírus pode conter o vírus caso necessário.
  • Mantenha o WhatsApp atualizado – Patches de segurança são constantemente lançados e podem corrigir falhas existentes em versões anteriores.
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Fonte: IG Tecnologia
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