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Saúde

O que acontece com o corpo em cada dia da infecção pelo coronavírus

Publicado

BBC News Brasil

Covid: o que acontece com o nosso corpo em cada dia da infecção pelo coronavírus
André Biernath – @andre_biernath – Da BBC News Brasil em Londres

Covid: o que acontece com o nosso corpo em cada dia da infecção pelo coronavírus

André Biernath – @andre_biernath – Da BBC News Brasil em Londres

Nas últimas semanas, os casos de covid-19 não param de crescer no Brasil. De acordo com o painel do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), a média móvel diária de novas infecções está atualmente em 56 mil. Há pouco mais de um mês, esse número estava em 13 mil, uma taxa quatro vezes menor.

Esse aumento, relacionado à circulação de variantes mais infecciosas e ao relaxamento das medidas de proteção, nos leva a pensar na ação do Sars-CoV-2, o coronavírus responsável pela pandemia atual, e como ele consegue se espalhar com tanta facilidade.

Nesta reportagem da BBC News Brasil, você vai conhecer em detalhes o “caminho” que ele faz pelo nosso organismo e o que acontece em cada dia desde o momento em que temos o primeiro contato com o patógeno.

Mas, antes de entrar nos detalhes, um alerta importante: as datas apresentadas são apenas estimativas médias, baseadas em informações publicadas em estudos científicos e revisados por agências de saúde nacionais e internacionais. Pode ser que esses prazos variem, para mais ou para menos, em casos específicos.

Dia 0: a infecção

Tudo começa quando temos contato próximo com alguém que já está infectado com o coronavírus.

Quando essa pessoa fala, canta, tosse ou espirra, ela libera pequenas gotículas ou aerossóis de saliva que carregam partículas do Sars-CoV-2.

A quantidade de vírus varia consideravelmente de indivíduo para indivíduo. “Alguns têm uma carga baixa, de 10 mil cópias virais a cada mililitro de saliva”, calcula o virologista José Eduardo Levi, coordenador de pesquisa e desenvolvimento da Dasa.

“A carga média vai de 10 mil até 1 milhão de partículas, mas vemos alguns que carregam até 1 bilhão de cópias virais por ml”, compara o especialista, que também é pesquisador do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo.

Essas gotículas minúsculas infectadas podem ser lançadas diretamente no nosso rosto — ou ficam em suspensão, “vagando” pelo ambiente durante minutos ou até horas (numa dinâmica muito parecida com a fumaça do cigarro), a depender da circulação de ar do ambiente de cada local. Nesse segundo caso, nós mesmos aspiramos esses aerossóis durante a respiração.

E é aí que começa de verdade o processo de infecção. O Sars-CoV-2 utiliza a espícula (também conhecida como spike ou proteína S), que está localizada na superfície de sua estrutura, para se conectar aos receptores das células da mucosa do nariz, da boca e até dos olhos.

Na ilustração, coronavírus (em vermelho) se conecta com o receptor de célula (em verde)

Getty Images
Na ilustração, coronavírus (em vermelho) se conecta com o receptor de célula (em verde)

A partir daí, ele vai iniciar a rotina comum a qualquer vírus: invadir a célula e usar todo o maquinário biológico para criar, de forma incessante, novas cópias de si mesmo.

“Nessa replicação, ele produz de 100 a mil novos vírus numa única célula”, estima Levi.

“Trata-se de um número tão grande que a célula não aguenta, estoura e morre. Esses vírus são, então, liberados e vão repetir esse processo nas células vizinhas.”

Essa replicação massiva, aliás, tem a ver com o surgimento das variantes do coronavírus. Nem todas as cópias saem iguais e algumas apresentam mutações genéticas importantes.

Se essa alteração no genoma representar alguma vantagem para o vírus, isso abre alas para o surgimento e o espalhamento das novas linhagens de preocupação — como as já conhecidas alfa, beta, gama, delta e ômicron.

Dias 1, 2 e 3: a incubação

Depois que o Sars-CoV-2 consegue invadir as primeiras células do nosso corpo, a próxima etapa envolve “ganhar terreno” e expandir o espectro de atuação.

As milhares de cópias que são liberadas de cada célula invadida avançam cada vez mais no organismo — se elas iniciam os trabalhos na superfície do rosto, logo estão dentro do nariz, descem para a garganta e eventualmente podem chegar até os pulmões.

Esse período de evolução silenciosa, em que a presença do vírus não gera nenhuma pista, é conhecida entre os especialistas como incubação.

“E percebemos nos últimos meses que o tempo de incubação das novas variantes diminuiu”, observa o virologista Anderson F. Brito, pesquisador científico do Instituto Todos pela Saúde.

De acordo com um relatório da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido, a incubação da variante alfa durava, em média, de cinco a seis dias.

Durante a onda da linhagem delta, essa janela caiu para quatro dias.

Já na ômicron, o período entre a invasão viral e o início dos sintomas sofreu uma nova redução e fica em apenas três dias.

Ou seja: se antes a pessoa tinha contato com alguém infectado e levava quase uma semana para manifestar os sinais típicos da covid, atualmente esse processo é bem mais rápido e pode acontecer quase de um dia para o outro.

Vale mencionar aqui que o tempo de incubação pode variar: em alguns casos, os sintomas aparecem até 14 dias depois do contato inicial com o vírus.

Dias 4 a 14: o aparecimento e a evolução dos sintomas

Conforme o vírus avança pelas vias aéreas superiores (nariz, boca e garganta), ele eventualmente chama a atenção do nosso sistema imunológico, que inicia um contra-ataque.

A primeira linha de defesa envolve células como os neutrófilos, os monócitos e as natural killers (exterminadoras naturais, em tradução literal), como detalha um artigo publicado em 2021 por dois pesquisadores do Hospital Universitário de Zhejiang, na China.

Com o passar do tempo, entram em cena outras unidades imunes, como os linfócitos T, que coordenam uma resposta mais organizada à invasão viral, e os linfócitos B, que liberam os anticorpos.

Mas o importante disso tudo é que os sintomas acontecem em algumas pessoas justamente a partir dessa reação imunológica: coriza, tosse, febre e dor de garganta são, ao mesmo tempo, tentativas de eliminar o vírus do organismo e um efeito de tantas células trabalhando de forma incessante.

Você pode conferir a lista de sintomas de covid mais frequentes nesta reportagem, publicada recentemente pela BBC News Brasil:

Mas quanto tempo os incômodos persistem? Esse prazo pode flutuar consideravelmente.

“Depende muito de cada indivíduo. Tem gente com poucos sintomas que, depois de quatro ou cinco dias, já está recuperado. Em outros, o mesmo quadro demora mais a passar”, responde a infectologista e virologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo.

“No geral, a tendência é que os sintomas piores, como dor de garganta e febre, durem cerca de três dias”, estima a especialista, que também integra a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

“Após esse período, é normal que manifestações mais leves, como coriza e tosse, ainda persistam por sete a dez dias”, conclui.

Neste estágio, é importante ficar em isolamento e restringir o contato com outros o máximo possível.

Homem espirrando

Getty Images
Coronavírus é transmitido principalmente através de gotículas e aerossois que saem da boca ou do nariz de alguém infectado ao falar, cantar, tossir ou espirrar

Do ponto de vista individual, repousar e manter-se bem hidratado é essencial para garantir uma boa recuperação e dar “uma chance” para o organismo reagir bem. Tomar alguns remédios simples para os incômodos da infecção, como febre e dor, também pode ajudar.

“Se depois de 72 horas do início dos sintomas você estiver com falta de ar ou a febre persistir, é preciso buscar um atendimento médico”, sugere Bellei.

Esse recado é ainda mais importante para quem pode sofrer com quadros mais graves de covid, como idosos, portadores de doenças crônicas e pacientes com o sistema imunológico comprometido.

Já do ponto de vista coletivo, manter-se em isolamento é essencial para cortar as cadeias de transmissão do vírus na comunidade e barrar a subida de casos.

Ao ficar em casa e, se precisar sair, usar máscara de boa qualidade, você diminui a probabilidade de transmitir o Sars-CoV-2 adiante, por meio daquelas gotículas e aerossóis mencionados anteriormente.

Você confere quantos dias de isolamento são necessários em cada situação na matéria a seguir:

Dia 15 em diante: resolução do quadro (ou aparecimento de sintomas duradouros)

Passadas até duas semanas desde o contato com o coronavírus, o sistema imune costuma “vencer a batalha” e interrompe aquele processo de replicação e destruição das células na maioria das vezes.

Essa vitória, claro, é facilitada pela vacinação — as doses permitem “treinar” as unidades de defesa de forma segura, de modo que elas saibam como combater o patógeno antes mesmo de ter contato com ele.

Em alguns casos, infelizmente, o quadro não evolui tão bem assim: o vírus consegue ganhar muito terreno, chega até órgãos vitais (como os pulmões) e gera um quadro inflamatório bem grave.

Geralmente, essas situações exigem internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e intubação, além de aumentar o risco de morte.

Profissional da saúde atende paciente em UTI

Getty Images
Algumas pessoas com covid desenvolvem formas mais graves e precisam de internação em UTI

E, mesmo nos pacientes que se recuperaram bem, há o risco nada desprezível da covid longa, marcada por incômodos que duram meses (ou até anos).

Embora essa área ainda esteja rodeada de muitas incertezas, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estima que até 13,3% das pessoas com covid apresentam sintomas de longa duração por um mês ou mais. Cerca de 2,5% relatam problemas ao menos por três meses.

Ainda segundo a instituição, mais de 30% dos pacientes com covid que foram hospitalizados ainda sentem algum mal-estar depois de seis meses, que varia de cansaço e dificuldade para respirar até ansiedade e dor nas articulações.

O CDC aponta que “está trabalhando para entender mais sobre essas experiências pós-covid e por que elas acontecem, incluindo o motivo pelo qual alguns grupos são afetados de forma desproporcional”.

– Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62002188


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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Rio lança pacto para combate à mortalidade por tuberculose

Publicado

Um pacto para o enfrentamento à tuberculose no estado do Rio de Janeiro foi lançado nesta terça-feira (16) com a assinatura de um conjunto de ações de combate à doença que envolverá 92 municípios fluminenses nos próximos cinco anos. O Rio de Janeiro é o primeiro estado do país em taxa de mortalidade por tuberculose e o segundo com maior taxa de incidência de casos. 

Os dados sobre abandono de tratamento também são altos: cerca de 19% dos pacientes pararam de tomar os medicamentos antes do período indicado de seis meses em 2020. O conjunto de medidas visa reduzir a incidência e a mortalidade pela doença.
 
“Estamos garantindo recursos na ordem de R$ 246,3 milhões para os próximos cinco anos, ou seja, investimento a médio e a longo prazo, independentemente do gestor. Com isso, vamos aumentar a cura, o tratamento, a testagem e intensificar a atenção ao abandono. Esses recursos foram destinados pela Alerj [Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro] e se somam à verba que a secretaria já investe anualmente”, disse o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe.

O Plano de Fortalecimento das Ações de Controle à Tuberculose no Estado Rio de Janeiro tem como proposta ampliar e potencializar as ações de combate à doença. Os parceiros no projeto são a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que, por meio de cooperação técnica, será a responsável por administrar os recursos; os municípios, que colocarão os projetos em prática, e o Ministério da Saúde.

De acordo com o representante da Opas, Kleidson Andrade, a tuberculose acomete 10 milhões de pessoas no mundo, provocando 1,5 milhão mortes por ano. Para ele, o Plano de Fortalecimento de Controle à Tuberculose é um momento ímpar na história do estado.

“O Brasil registra um terço dos casos da doença nas Américas e a incidência no estado do Rio de Janeiro é alarmante. O pacto de enfrentamento à tuberculose une forças e armas contra a enfermidade. A Opas apoia a Secretária de Saúde na condução dessas ações, além de colaborar na execução e no gerenciamento de programas”, explicou.

Reforço alimentar

A coordenadora geral de Doenças Respiratórias do Ministério da Saúde, Patrícia Bartholomai, acredita que o reforço alimentar para os pacientes em tratamento e o aumento na realização dos diagnósticos melhorem os indicadores.

“O projeto está em seu momento de estruturação para poder avançar com consistência nos próximos anos. Acredito que o suporte social vai poder fazer a diferença e melhorar os dados de cura da tuberculose”, disse a representante do ministério.

Dados no estado

Em 2021, o estado do Rio de Janeiro notificou 16.099 casos de tuberculose de todas as formas, sendo 12.986 de novos casos. A taxa de incidência foi de mais de 74 casos por 100 mil habitantes. Em 2020, foram 11.623 novas ocorrências da doença.

Atualmente, o Rio de Janeiro ocupa a segunda posição no ranking nacional de incidência de tuberculose, sendo o primeiro em mortalidade por essa causa. Ao longo dos anos, o número de óbitos por tuberculose tem aumentado. Em 2019, foram 659 mortes. Em 2020, 765 óbitos, e 876, em 2021.

Edição: Fábio Massalli

Fonte: EBC Saúde

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Saúde

Brasil faz 8.850 testes de varíola dos macacos

Publicado

Até o momento, foram realizados cerca de 8.850 exames nos laboratórios de referência, em todo o Brasil, para comprovação de casos de varíola dos macacos, informou hoje (16) à Agência Brasil o Ministério da Saúde. O número de exames realizados diariamente varia de acordo com as notificações e a chegada das amostras aos laboratórios. O país acumula 2,8 mil casos da doença, espalhados por 22 estados.

Atualmente, oito unidades de referência realizam o diagnóstico, sendo quatro laboratórios centrais de Saúde Pública (Lacen), localizados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, e mais quatro unidades de referência nacional, sendo duas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro e no Amazonas; uma da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e uma no Instituto Evandro Chagas, no estado do Pará. Dessa forma, o ministério assegurou que “é possível garantir a cobertura do diagnóstico de todo o país”.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou em entrevista ao programa A Voz do Brasil, na última sexta-feira (12), que todos os laboratórios centrais de saúde pública estarão aptos a fazer o teste do tipo RT-PCR para varíola dos macacos até o final de agosto.

Expansão

O coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da (UFRJ), Amilcar Tanure, defendeu hoje, em entrevista à Agência Brasil, que sejam realizados mais testes e que o número de laboratórios aptos a realizar a testagem seja ampliado. “Eu acho que tem que aumentar isso, para que os pacientes tenham mais acesso. Além disso, como o vírus está dando lesões não tão exuberantes, a recomendação é que pessoas que desconfiem que seja varíola dos macacos procurem atendimento médico, uma unidade de pronto atendimento, e vão se testar”.

Tanure disse que é intenção da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro criar dois locais para centralizar esses pacientes para coleta de amostras. Um dos centros de testagem funcionaria no Maracanã, na capital, e outro em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. “É muito importante expandir os locais de teste e de coleta e treinar os profissionais de saúde para fazerem uma coleta correta para o teste funcionar bem. Quanto mais a gente testar, mais vai conseguir isolar pessoas infectadas e bloquear a transmissão do vírus”.

A secretaria confirmou que vai abrir nas próximas semanas um posto para coleta de material para testagem de casos suspeitos de varíola dos macacos. O serviço será realizado apenas para pacientes encaminhados por unidades de saúde, após exame clínico. As amostras serão enviadas para análise no Laboratório de Enterovírus do Instituto Oswaldo Cruz e nos Laboratórios de Biologia Molecular de Vírus e de Virologia Molecular da UFRJ, que são referenciados pelo Ministério da Saúde no estado do Rio de Janeiro. Não foi informado, entretanto, onde será o local de coleta de material.

Fundão

Amilcar Tanure acrescentou que a universidade também está tentando ampliar a testagem. “A gente está tentando abrir um sítio desses no Fundão, no mesmo local onde já atende pacientes com covid-19”, mencionou. Possivelmente, será localizado no mesmo prédio onde funciona o Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes da UFRJ, ligado à Faculdade de Medicina. O núcleo dá assistência aos pacientes e acompanhamento clínico para ver quando ocorre a melhora e diminuição das lesões.

O Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ realizou até agora 1,3 mil testes de varíola dos macacos, a partir de amostras recebidas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A taxa de positividade de 40% foi considerada elevada pelo pesquisador. O laboratório faz o teste molecular para identificar o vírus que está na pele das pessoas. Até hoje, 368 casos foram confirmados no estado, de acordo com a Secretaria de Saúde

Edição: Aline Leal

Fonte: EBC Saúde

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