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Saúde

Nome da varíola dos macacos vai mudar; entenda a decisão da OMS

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Vírus da 'varíola dos macacos'
Foto: Centro de Controle de Doenças/Divulgação – 20/05/2022

Vírus da ‘varíola dos macacos’

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou nesta terça-feira que os nomes do vírus causador da varíola dos macacos – atualmente chamado de monkeypox –, de suas variantes e até mesmo da própria doença vão mudar.

Na última sexta-feira, um grupo de aproximadamente 30 virologistas já havia publicado um manifesto por uma nova nomenclatura que seja “não discriminatória”.

“A OMS também está trabalhando com seus parceiros e especialistas de todo o mundo para mudar o nome do vírus monkeypox, suas variantes e a doença que ele causa (varíola dos macacos). Faremos anúncios sobre os novos nomes o quanto antes for possível”, disse o representante da organização em coletiva de imprensa.

O movimento é semelhante ao realizado em 2021, quando a organização passou a adotar letras gregas para as cepas da Covid-19 no lugar da referência ao país de origem.

Na época, a epidemiologista-chefe da OMS e líder da resposta ao novo coronavírus, Maria Van Kerkhove, destacou que “nenhum país deve ser estigmatizado por detectar e relatar novas variantes”. Foi, por exemplo, quando a antiga “variante indiana” passou a ser chamada de variante Delta.

Na defesa para que o mesmo aconteça com a varíola dos macacos, cerca de 30 especialistas ao redor do mundo fizeram uma publicação no virological.org, site em que virologistas de todo o mundo compartilham informações sobre vírus em tempo real.

Chamada de “Necessidade urgente de uma nomenclatura não discriminatória e não estigmatizante para o vírus monkeypox”, o documento tem entre seus assinantes o brasileiro Tulio de Oliveira, um dos responsáveis por sequenciar a variante Ômicron do Sars-CoV-2 na África do Sul e que foi escolhido como um dos cientistas do ano pela revista científica Nature.

Macaco não é o principal hospedeiro

O nome “varíola dos macacos” já recebia críticas uma vez que não são estes os animais conhecidos por serem portadores da doença. A confusão começou em 1958, quando o vírus foi isolado pela primeira vez. Para isso, os pesquisadores utilizaram um macaco cinomolgo (Macaca fascicularis), espécie natural da Ásia.

Por isso, o patógeno acabou levando o nome de monkeypox – já que monkey no inglês quer dizer macaco – e, na língua inglesa, a doença foi batizada com o mesmo título. Em português, foi feita a tradução, e o diagnóstico recebeu o nome utilizado hoje de varíola dos macacos.

No entanto, a principal suspeita é de que os hospedeiros do vírus sejam majoritariamente roedores silvestres africanos – ratos e esquilos das florestas ainda pouco conhecidos. O macaco até pode ser infectado, mas, ao que tudo indica, não é ele o principal hospedeiro natural.

Proposta de nova nomenclatura

Além da confusão com a origem da doença, a principal defesa no manifesto dos virologistas é pela mudança no nome das variantes do vírus. Hoje, elas são associadas à África Ocidental, chamada de West clade, e à África Central na região do Congo, chamada de Congo clade.

Segundo os pesquisadores, sabe-se que a grande maioria dos casos da varíola dos macacos causados por essas cepas nos anos anteriores ao surto atual eram consequência de uma transmissão de animais para humanos, e não entre pessoas como hoje.

Por isso, eles defendem que “no contexto atual, a referência contínua e a nomenclatura deste vírus como sendo africano não é apenas imprecisa, mas também discriminatória e estigmatizante”. Para mudar esse cenário, os virologistas propõem que seja adotado “Cepa 1”, no lugar de Congo clade e “Cepa 2 e 3”, no lugar de West clade.

Segundo eles, o sistema atual leva a uma narrativa, propagada até pelos próprios cientistas, de que o avanço da doença no momento seria ligado aos países africanos. Porém, eles explicam que o vírus responsável pelo aumento de casos agora apresenta características diferentes dos anteriores que o torna mais transmissível.

Isso também levou os pesquisadores a defenderem que os genomas sequenciados dos casos da doença neste ano sejam enquadrados em uma classificação distinta do vírus, uma vez que demonstram um comportamento diferente – a maior disseminação entre humanos. Para isso, enquanto MPXV é utilizado para o vírus monkeypox tradicional, o atual seria renomeado para hMPXV.

“Acreditamos que um nome distinto e conveniente para o vírus causador dessa epidemia facilitaria a comunicação sem maiores conotações negativas. Aqui usamos o rótulo de espaço reservado ‘hMPXV’ para denotar onde acreditamos que esse vírus agora humano se torna distinto do MPXV”, escreveram os virologistas.

Emergência internacional

Na coletiva desta terça-feira, o diretor-geral da OMS disse que, em 2022, a organização já identificou mais de 1.600 casos da varíola dos macacos e quase 1.500 suspeitos. A maioria proveniente de 32 países onde a doença não é endêmica, ou seja, fora do continente africano – muitos com transmissão local do vírus pela primeira vez.

“O surto global da varíola dos macacos é claramente incomum e preocupante. É por essa razão que decidi convocar o comitê de emergência, sob os regulamentos internacionais de saúde, na próxima semana, para avaliar se esse surto representa uma emergência de saúde pública de interesse internacional”, afirmou Tedros Adhanom.

O status de emergência internacional é hoje atribuído apenas à Covid-19 e à poliomielite. Em outras épocas, já foi decretado para diferentes doenças, como no caso do ebola, em 2014, e da gripe suína, em 2009.

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Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Mortes por covid-19 caem 83% no 1º semestre na comparação com 2021

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Número de mortes por covid no Brasil pode ter sido 18% maior em 2020, estimam cientistas
Mariana Alvim – @marianaalvim – Da BBC News Brasil em São Paulo

Número de mortes por covid no Brasil pode ter sido 18% maior em 2020, estimam cientistas

Mais de dois anos após o início da pandemia, o Brasil enfrenta uma nova onda de Covid-19, causada pelo avanço das subvariantes da Ômicron. Embora a média móvel de mortes esteja em um período de crescimento, com índices acima de 200 nos últimos dias, o número de óbitos registrados no país pela doença no primeiro semestre deste ano é seis vezes menor do que o total do mesmo período de 2021.

Levantamento feito pelo GLOBO, com base em dados do consórcio de veículos de imprensa, mostra que nos primeiros seis meses de 2021, 323.270 pessoas perderam a vida em decorrência de complicações da Covid-19. No mesmo período deste ano, foram confirmadas 52.387 mortes. Isso corresponde a uma redução de 83,79% no número de óbitos.

A queda expressiva no número de óbitos pela Covid-19 é creditada à vacinação, que teve início na segunda quinzena de janeiro do ano passado, mas só engrenou a partir de junho.

“Em comparação com as ondas anteriores, há menor necessidade de leitos de terapia intensiva. Também não estamos vendo muitos óbitos”, disse o infectologista Júlio Croda, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), em uma entrevista publicada no início de junho, sobre o assunto.

Apesar de a Ômicron e suas subvariantes conseguirem escapar da proteção conferida pelas vacinas e por infecções prévias, especialistas são unânimes em dizer que a vacinação permanece altamente eficaz para doenças severas, hospitalizações e óbitos. Para isso, é preciso estar com a imunização em dia. Já é consenso que para a Ômicron, o chamado esquema básico de vacinação é composto por três doses. Mesmo assim, apenas 44,27% dos brasileiros habilitados receberam uma dose de reforço. Para as faixas etárias mais vulneráveis, o segundo reforço já está liberado.

Até sexta-feira, 83,37% da população brasileira estava imunizada com ao menos uma dose. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 78% da população nacional. A vacinação infantil ainda caminha a passos lentos. Apenas 63,26% das crianças de 5 a 11 anos já receberam a primeira dose contra a Covid-19. Para a segunda dose, a taxa é de 38,57%.

O número de casos, por outro lado, foi semelhante nos dois períodos: 10.883.383 no primeiro semestre de 2021 e 10.073.078 nos seis primeiros meses deste ano. Vale ressaltar ainda que especialistas estimam que o número de infectados atualmente é ainda maior que o oficial, dado que muitas pessoas recorrem aos autotestes, cujos resultados não são contabilizados pelos dados oficiais, ou não se testam.

Desde fevereiro de 2020, quando o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus foi registrado no Brasil, 32.434.200 pessoas foram diagnosticadas com Covid-19 e 671.764 perderam a vida para a doença.

Fonte: IG SAÚDE

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Saúde

Covid-19: Brasil registra 284 óbitos e 76 mil casos em 24 horas

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As secretarias estaduais e municipais de Saúde registraram 75.139 novos casos de covid-19 e confirmaram 284 mortes por complicações associadas à doença nas últimas 24 horas em todo o país. Os dados estão na atualização divulgada nesta sexta-feira (1º) pelo Ministério da Saúde. Segundo a pasta, o estado do Mato Grosso do Sul não enviou o balanço de óbitos nesta sexta.

Com as novas informações, o total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus durante a pandemia soma 32.434.063.

O número de casos de covid-19 em acompanhamento está em 888.681. O termo é dado para designar casos notificados nos últimos 14 dias em que não houve alta, nem óbito.

Com os números de hoje, o total de mortes desde o início da pandemia chegou a 671.700. Ainda há 3.241 óbitos em investigação. As ocorrências envolvem casos em que o paciente faleceu, mas a investigação se a causa foi covid-19 ainda demanda exames e procedimentos complementares.

Até agora, 30.873.682 pessoas se recuperaram da covid-19. O número corresponde a 95,3% dos infectados desde o início da pandemia.

Boletim epidemiológico da covid-19 Boletim epidemiológico da covid-19

Boletim epidemiológico da covid-19 – Ministério da Saúde

Estados

Segundo o balanço do Ministério da Saúde, o estado que registra mais mortes por covid-19, até o momento, é São Paulo, com 170.994 óbitos. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 74.157; Minas Gerais, com 62.170; Paraná, com 43.803; e Rio Grande do Sul, com 40.040.

Os estados com menos óbitos resultantes da doença são: Acre, com 2.004; Amapá, com 2.140; Roraima, com 2.153; Tocantins, com 4.168; e Sergipe, com 6.359.

Vacinação

Até o momento, foram aplicadas 453.678.213 doses de vacinas contra a covid-19, sendo 178,2 milhões como primeira dose, 161,1 milhões como segunda dose e 4,9 milhões como dose única. A dose de reforço já foi aplicada em 94,8 milhões de pessoas e a segunda dose extra, ou quarta dose da vacina, 10,1 milhões.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Saúde

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