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Opinião

NEILA BARRETO – O Futebol em Mato Grosso

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Foi lançado ontem (28/07), às 19: horas, na Casa Barão de Melgaço, na Capital o livro “ O futebol em Mato Grosso – História, legado e projeções, do professor Allan Kardec Pinto Acosta Benitez, editado pela Entrelinhas Editora, membro e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT, oriundo da sua tese de doutoramento defendida pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, aprovada com louvor.

No livro, Allan Kardec traz a importância do futebol para a cultura mato-grossense e inúmeras comprovações do mesmo ser o esporte mais apaixonante para os brasileiros e para os mato-grossenses. Traz, também, uma profunda reflexão da grande contribuição do futebol para potencializar e fortalecer os esportes em todos os sentidos. Uma política pública que deve ser abraçada por todos. Incentivar os esportes para os nossos jovens.

Não se esqueceu da participação das mulheres nos primórdios da fundação dos clubes de futebol como Sarita Baracat de Arruda e Zulmira Canavarros e da queridíssima “Nhá Barbina” nos históricos envolvimentos com as torcidas em Cuiabá, Mato Grosso e no Brasil.

Kardec afirma que, “mesmo antes de surgir o futebol em Mato Grosso, era corrente uma prática de lazer, modalidade esportiva, nada segura para algumas pessoas, mas em sua grande maioria admirada e prestigiada, as Touradas. Uma prática oriunda da Espanha e incorporada na sociedade cuiabana apresentada na Praça do Alegre, antigo Campo d`Ourique, onde atualmente é a Praça Paschoal Moreira Cabral, atual sede da Câmara Municipal dos Vereadores de Cuiabá.

Mas, deve de se salientar que não era para qualquer pessoa, pois era um esporte um tanto de risco como podemos observar em uma notícia de jornal da época:

Com grande animação, iniciaram-se no dia 12 do corrente as touradas na Praça do Ourique. A concorrência das famílias Cuyabanas àquele local, previamente preparado e ornamentado, foi enorme, apresentando os camarotes, botequins e ruas um aspecto garrido e encantador.

Um triste acontecimento, porém, veio lançar um pouco de magoa do povo Cuyabano: Mirandeiro, o velho toureador que há muitos annos trabalha nas touradas de Cuyabá alegrando e divertindo os assistentes pela agilidade e presteza, foi victima de um desastre; ao fazer uma sorte foi tocado pelo boi que o atirou contra a cerca e lhe deu muitas marradas, de que resultou momentos depois a sua morte.

Por esse motivo não houve touradas no dia 13 do corrente, continuando ellas nos dias 14 e 15, servindo de toureador o capinha Paulo, conforme afirma Ederson Brandão Duarte, em seu trabalho sobre o Clube Esportivo D. Bosco.

Segundo Lenine de Campos Póvoas (1983), o futebol em Mato Grosso teve seu início em 1905, com o padre Antônio Maria Malan, que após o retorno de uma das suas viagens à Cuiabá, trazendo consigo na bagagem duas bolas de couro onde os alunos do Colégio Salesiano São Gonçalo praticavam a atividade no campo que ali havia.

O esporte que no Salesiano São Gonçalo veio a surgir se espalhou no gosto dos mato-grossenses que tinham, até então, como “Hobby” a tourada, deu lugar então ao futebol, satisfazendo enfim uma atividade com vários atores em um espetáculo em que a bola era a protagonista.

Em 1911 foi disputada a primeira partida de futebol em Cuiabá entre as equipes Internacional (Porto) x Cuiabá (centro). Iniciava-se desde aquele momento uma prática que viria a ser adotada como esporte das multidões.

Por outro lado, Rubens de Mendonça, citando Fernando Figueiredo, lembra que, em 1909, chegou a Cuiabá a primeira bola de futebol trazida por um padre salesiano vindo da Itália, mas somente em 1913 se realizou a primeira partida de futebol entre dois clubes – o Internacional e o Cuiabá – no Campo d`Ourique, a ela comparecendo o Presidente do Estado, Joaquim Augusto da Costa Marques (15/08/1911 a 15/08/1915). Jogavam pelo Cuiabá, Danglars Canavarros, Aristides Figueiredo, Mário Esteves, Alcindo de Siqueira, José de Souza Vieira , Fernando Corrêa , Francisco Mendes.

Pelo Internacional, com domicílio no Bairro do Porto, tinha como presidente, o professor Gustavo Fernando Kuhlmann, sendo formado pelos jovens residentes na área portuária da capital, inclusive, jogavam o Kuhlmann e Aristides Prado, oficial do exército. Já o Cuiabá Futebol Clube, mais elitizado, era presidido por Leowegildo Martins de Melo, professor, contando em seu elenco por jovens da sociedade cuiabana na época.

Leia o livro! Apaixonados pelos esportes vão adorar. Boa leitura.

Neila Barreto é jornalista, mestre em História e membro da AML.

 

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Opinião

GAUDÊNCIO TORQUATO – Cinco cenários

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O cotidiano da política é uma gangorra. A tensão sobe e desce. As expectativas fluem ao sabor dos momentos. As dúvidas ganham volume, puxadas pelos protagonistas. Em ano eleitoral, a dois meses das eleições, e tendo em vista que a contenda usará armas nunca d’antes vistas, não é de surpreender que a guerra seja a mais violenta da atualidade.

Trata-se de um pleito que fará o Brasil caminhar, amanhã, pelos caminhos da esquerda ou da direita. A contar com o maior cofre eleitoral de todos os tempos. E a abarcar o maior número de eleitores, cerca de 156 milhões. Na paisagem de fundo, mais de 30 milhões de pessoas sem acesso à mesa do pão, habitantes do território da extrema carência. Mostrando, ainda, classes médias divididas entre dois candidatos e uma parcela, que tende a crescer, ansiosa para achar a saída da dualidade, um perfil identificado com inovação.

Essa moldura pode se alterar nas próximas semanas, a depender da barreira a ser transposta pelos corredores. O obstáculo deverá aparecer no dia em que o país comemorará os 200 anos da independência, 7 de setembro próximo. A muralha a ser ultrapassada tem sido reforçada com a argamassa produzida nos fornos do presidente Bolsonaro, cujos componentes incluem uma parada militar na avenida Atlântica (Copacabana), no Rio de Janeiro, o convite para as massas comparecerem ao evento, ataques reiterados a membros do Poder Judiciário e às urnas eletrônicas e a indignação contra manifestos em favor da democracia.

O que aguarda o país, após 7 de setembro? Paz ou guerra? Que o leitor tire suas conclusões, após tentar extrair os efeitos dos seguintes cenários:

  1. Mar bravio – O desfile de 7 de setembro – militares de diversas categorias e postos, tanques esmagando o asfalto, continência dirigida ao comandante-em-chefe das Forças Armadas, ele mesmo, o presidente da República – tem o condão de mostrar que o capitão Jair é poderoso e tem forças para anunciar medidas de caráter extraordinário. Medidas que disfarcem a imagem de um golpe, fenômeno que desviará o país de sua rota, mas possível de ocorrer, principalmente se a mobilização de rua implicar devastação, quebra-quebra, desordem, conflitos. Hipótese que será viável/inviável, a depender do comportamento das Forças Armadas,
  2. Céu de brigadeiro – O evento de 7 de setembro ocorrerá com tranquilidade, sem açodamento, brigas entre alas, soldados cumprindo sua tarefa de desfilar, votos de paz e harmonia social, expressos pela sociedade civil. O presidente se manteria de boca fechada, sem jogar lenha na fogueira e até jogando água em algum fogo persistente. Desse modo, o céu de brigadeiro seria visto até outubro, mês do primeiro e do segundo turnos.
  3. Horizonte turvo – Nuvens plúmbeas, pesadas, prenunciando raios, trovão e chuva intensa, emergirão em todos os quadrantes, e seus primeiros sinais apareceriam no dia 7 de setembro, com escaramuças desfechadas por alas bolsonaristas e grupos lulopetistas. O prenúncio de guerra, a se travar nas ruas após a comemoração cívica, criaria as condições para o presidente continuar seu discurso belicoso. E preparar o espírito de suas bases para a alteração das regras no tabuleiro democrático, caso o vencedor do pleito seja o candidato das esquerdas. As instituições da República reagirão e a gangorra de tensões voltará à paisagem.
  4. Luz no fim do túnel – A policromia do arco-íris será manchada com borrões e pichações, nos próximos dias, que enfeiarão o desfile de 7 de setembro, abrindo buracos na sociedade, contribuindo para os polos do extremo ideológico acirrarem suas divergências. A polarização chega ao pico da montanha. Mas acende uma luz no fim do túnel. Toma corpo a taxa de racionalidade. E tal impulso viabiliza um terceiro nome, um perfil com um discurso de harmonia e reinserção do país na roda do desenvolvimento. Pode ser utopia. Mas…
  5. Visita do Imponderável – Uma visita do Senhor da Imprevisibilidade também é possível. Para evitar o mau agouro, este analista deixa de lado as hipóteses desse cenário.

Seja qual for o cenário, urge crer no Brasil, com seu território continental, riquezas naturais, belezas incomparáveis, pedaço importante do planeta. E que, um dia, realizará o sonho de uma grande Pátria: a revolução da Educação.

Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político [email protected]

 

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Opinião

WILSON FUÁH – Tenha cuidado com os extremistas

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O pior estágio da existência humana é nunca ter tomado um lado ou mesmo não ter realizado tudo aquilo que poderia ter feito por fugir de posicionamentos, e às vezes para evitar confrontos desnecessários preferimos   ficar em cima da linha das indecisões e por isso, podemos até ser  julgados pelos pares contemporâneo como não confiável, simplesmente porque entendeu que o debate pode ser qualificado como inútil, pois não devemos ser o objeto do tema, mas sim, ser o agente que pode fomentar um grande debate.

Neste momento da proximidade de mais uma eleição, os nervos estão à flor da pele, pois existem os dois extremos buscando defender o lado que ele pensa ser o melhor para o Brasil, e ao participar de uma reunião social,  logo alguém  de um dos dois lados, logo pergunta em quem você vai votar, e independente do lado que você posicionar, começa a discussão e a coisa pode piorar, porque logo alguém pode utilizar a linguagem em forma de ódio e destruição histórica de ambos os lados, e não levará a nada.

Mas, a politica está muito diferente, muito cheia de confronto desnecessário, e as pessoas estão brigando entre irmãos, entre amigos, e amizades de uma vida inteira estão sendo encerradas; relacionamentos estão sendo bloqueados, tem famílias que já não podem reunir, e será que isso, vai acabar após as eleições e será que a paz ira retornar a normalidade dos encontros dos amigos e parentes como era antes, será?

Os conflitos pessoais produzidos pelas perdas ou fracassos no posicionamento de uma tese, logo vem o começo dos confrontos na tentativa de desmerecer o outro lado, e  com a elevação da voz, gera conflitos em forma de desrespeitos, e logo fomenta os posicionamentos descontrolados, mas isso, não atinge as pessoas que têm a estrutura emocional baseada na inteligência e perceptibilidade, pois estas,  sabem a hora certa de encerrar qualquer confronto desnecessários, e tem a humildade, se for o caso, pedir desculpas por não ser do lado que outros querem que você seja.
Temos que externar os nossos pensamentos sempre, mesmo sabendo haverá discordância, porém será a nossa visão até então, que ao expor e dialogar com os outros sobre novos conceitos, serão desdobrados em infinitas antíteses, pois pior que possa ser a nossa tese, com certeza as nossas verdades poderão um dia serem aceitas, contestadas, seguidas ou reconstruídas, por que, nas alturas as vezes tudo pode ser visto em forma de miniaturas, por isso, não devemos obrigar a ninguém a decidir por coisa nenhuma ou ser do lado que queremos que ela seja.

Temos que nos posicionar de acordo com os nossos conhecimentos e/ou “nossas verdades” sobre algo ou naquilo que acreditamos ser realmente. Não devemos ter dificuldade em enxergar algo além das nossas próprias necessidades, fugindo da alienação social ou do prazer imediato, mesmo sabendo que será impossível evitar a geração de conflitos em forma de agressividades, esses estágios é que nos levam a utilizar do nosso equilíbrio e  colocar-nos no lugar dos outros, usando sempre a inteligência analítica e assim, estar a altura para defender fortemente ou abandonar qualquer confrontos “desinteligente” ou tolos, porque já temos as nossas convicções estudadas, pesquisadas e formadas.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]     

 

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