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Opinião

NEILA BARRETO – A Casa Barão e a Travessa do Roriz

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Caminhando pelas ruas antigas de Cuiabá-MT, vamos identificando um pouco dos seus casarios edificados na Vila do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Assim aprendemos que a arquitetura também é uma arte, além de ser uma técnica aplicada às construções. Essa riqueza temos em Cuiabá.

Um exemplo disso é a Casa Barão de Melgaço construída no Século XVIII no rincão do Oeste Mato-grossense, ainda no início da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. A essa época Mato Grosso era governada pelo Capitão General Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.

Segundo o arquiteto Moacyr de Freitas, a rua onde foi construída a Casa Barão de Melgaço, em plantas da Vila Real lá estava ela projetada em 1777 entre outras, dando início à Rua do Campo do Ourique, conhecida então como rua Nova. Porém, em outra planta de 1775, nenhuma casa aparecia ali, revelando-nos que ela fora construída após o ano de 1775 e antes de 1777.

Nessa planta percebeu-se a existência de um córrego na Travessa do Roriz, atual rua Voluntários da Pátria, onde foi levantada a obra residencial, que hoje é a Casa Barão de Melgaço. “ É uma Casa Senhorial. É dela que seu primeiro dono vai retirar a sua alegria. É um lar, onde fixou sua própria felicidade e da família”, deixou registrado Freitas.

“Aquela construção obedecera à mais requintada técnica que se conhecia, trazida pelos habitantes portugueses ou descendentes dos bandeirantes paulistas. Posta tangente à rua, não podia prescindir do pátio interno. Pátios também de tradição universal da Arquitetura traduzidos no impluvium grego, nos claustros romanos, ou nas realizações mouriscas que, mais próximas, nos influenciaram mais profundamente. O pátio aqui, configurado com planta em U, vem ventilar os cômodos do interior da casa, amenizando o calor tropical e proporcionando espaço aberto, mas privativo, necessário ao recreio das donzelas e crianças em recesso adequado com a discrição e o ciúme da época”, testemunho este eternizado pelo arquiteto.

A Casa Barão de Melgaço situada com o córrego a sua esquerda, hoje soterrado, percorre as ruas escondidas e desemboca no córrego Prainha. No entanto, por várias vezes ao passar pela Rua Voluntários da Pátria percebe-se as águas escorrendo ou seu asfalto molhado, onde o córrego sinaliza que por ali ainda existe vida.

Quando da sua construção havia o saguão de entrada, o quarto de hóspedes, a grande varanda, a sala de refeições, as varandas traseiras de serviço, os grandes armários de suprimentos da cozinha. As portas e janelas com folhas feitas com frisos e travessas girando em grossas molduras de madeira lavrada e pesada.

O pé direito com mais de 4 metros. Os beirais sobre consolos recortados em grandes balanços. Suas paredes de barro socado a pilão misturados com esterco de curral, capim, cascalho miúdo, a taipa de pilão, bem como, os adobes que construíram as paredes mais finas.

O revestimento das paredes foi de cal e areia reforçado com esterco de curral. A cobertura de telhas de barro queimadas em olarias rústicas. O piso em tijolo queimado.

A água vinha de um poço privativo hoje, soterrado. A Casa Barão foi habitada por muitas famílias até chegar às mãos do Barão de Melgaço – Augusto Leverger

Neila Barreto é jornalista, mestre em História e membro da AML 

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Opinião

GAUDÊNCIO TORQUATO – Cinco cenários

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O cotidiano da política é uma gangorra. A tensão sobe e desce. As expectativas fluem ao sabor dos momentos. As dúvidas ganham volume, puxadas pelos protagonistas. Em ano eleitoral, a dois meses das eleições, e tendo em vista que a contenda usará armas nunca d’antes vistas, não é de surpreender que a guerra seja a mais violenta da atualidade.

Trata-se de um pleito que fará o Brasil caminhar, amanhã, pelos caminhos da esquerda ou da direita. A contar com o maior cofre eleitoral de todos os tempos. E a abarcar o maior número de eleitores, cerca de 156 milhões. Na paisagem de fundo, mais de 30 milhões de pessoas sem acesso à mesa do pão, habitantes do território da extrema carência. Mostrando, ainda, classes médias divididas entre dois candidatos e uma parcela, que tende a crescer, ansiosa para achar a saída da dualidade, um perfil identificado com inovação.

Essa moldura pode se alterar nas próximas semanas, a depender da barreira a ser transposta pelos corredores. O obstáculo deverá aparecer no dia em que o país comemorará os 200 anos da independência, 7 de setembro próximo. A muralha a ser ultrapassada tem sido reforçada com a argamassa produzida nos fornos do presidente Bolsonaro, cujos componentes incluem uma parada militar na avenida Atlântica (Copacabana), no Rio de Janeiro, o convite para as massas comparecerem ao evento, ataques reiterados a membros do Poder Judiciário e às urnas eletrônicas e a indignação contra manifestos em favor da democracia.

O que aguarda o país, após 7 de setembro? Paz ou guerra? Que o leitor tire suas conclusões, após tentar extrair os efeitos dos seguintes cenários:

  1. Mar bravio – O desfile de 7 de setembro – militares de diversas categorias e postos, tanques esmagando o asfalto, continência dirigida ao comandante-em-chefe das Forças Armadas, ele mesmo, o presidente da República – tem o condão de mostrar que o capitão Jair é poderoso e tem forças para anunciar medidas de caráter extraordinário. Medidas que disfarcem a imagem de um golpe, fenômeno que desviará o país de sua rota, mas possível de ocorrer, principalmente se a mobilização de rua implicar devastação, quebra-quebra, desordem, conflitos. Hipótese que será viável/inviável, a depender do comportamento das Forças Armadas,
  2. Céu de brigadeiro – O evento de 7 de setembro ocorrerá com tranquilidade, sem açodamento, brigas entre alas, soldados cumprindo sua tarefa de desfilar, votos de paz e harmonia social, expressos pela sociedade civil. O presidente se manteria de boca fechada, sem jogar lenha na fogueira e até jogando água em algum fogo persistente. Desse modo, o céu de brigadeiro seria visto até outubro, mês do primeiro e do segundo turnos.
  3. Horizonte turvo – Nuvens plúmbeas, pesadas, prenunciando raios, trovão e chuva intensa, emergirão em todos os quadrantes, e seus primeiros sinais apareceriam no dia 7 de setembro, com escaramuças desfechadas por alas bolsonaristas e grupos lulopetistas. O prenúncio de guerra, a se travar nas ruas após a comemoração cívica, criaria as condições para o presidente continuar seu discurso belicoso. E preparar o espírito de suas bases para a alteração das regras no tabuleiro democrático, caso o vencedor do pleito seja o candidato das esquerdas. As instituições da República reagirão e a gangorra de tensões voltará à paisagem.
  4. Luz no fim do túnel – A policromia do arco-íris será manchada com borrões e pichações, nos próximos dias, que enfeiarão o desfile de 7 de setembro, abrindo buracos na sociedade, contribuindo para os polos do extremo ideológico acirrarem suas divergências. A polarização chega ao pico da montanha. Mas acende uma luz no fim do túnel. Toma corpo a taxa de racionalidade. E tal impulso viabiliza um terceiro nome, um perfil com um discurso de harmonia e reinserção do país na roda do desenvolvimento. Pode ser utopia. Mas…
  5. Visita do Imponderável – Uma visita do Senhor da Imprevisibilidade também é possível. Para evitar o mau agouro, este analista deixa de lado as hipóteses desse cenário.

Seja qual for o cenário, urge crer no Brasil, com seu território continental, riquezas naturais, belezas incomparáveis, pedaço importante do planeta. E que, um dia, realizará o sonho de uma grande Pátria: a revolução da Educação.

Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político [email protected]

 

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Opinião

WILSON FUÁH – Tenha cuidado com os extremistas

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O pior estágio da existência humana é nunca ter tomado um lado ou mesmo não ter realizado tudo aquilo que poderia ter feito por fugir de posicionamentos, e às vezes para evitar confrontos desnecessários preferimos   ficar em cima da linha das indecisões e por isso, podemos até ser  julgados pelos pares contemporâneo como não confiável, simplesmente porque entendeu que o debate pode ser qualificado como inútil, pois não devemos ser o objeto do tema, mas sim, ser o agente que pode fomentar um grande debate.

Neste momento da proximidade de mais uma eleição, os nervos estão à flor da pele, pois existem os dois extremos buscando defender o lado que ele pensa ser o melhor para o Brasil, e ao participar de uma reunião social,  logo alguém  de um dos dois lados, logo pergunta em quem você vai votar, e independente do lado que você posicionar, começa a discussão e a coisa pode piorar, porque logo alguém pode utilizar a linguagem em forma de ódio e destruição histórica de ambos os lados, e não levará a nada.

Mas, a politica está muito diferente, muito cheia de confronto desnecessário, e as pessoas estão brigando entre irmãos, entre amigos, e amizades de uma vida inteira estão sendo encerradas; relacionamentos estão sendo bloqueados, tem famílias que já não podem reunir, e será que isso, vai acabar após as eleições e será que a paz ira retornar a normalidade dos encontros dos amigos e parentes como era antes, será?

Os conflitos pessoais produzidos pelas perdas ou fracassos no posicionamento de uma tese, logo vem o começo dos confrontos na tentativa de desmerecer o outro lado, e  com a elevação da voz, gera conflitos em forma de desrespeitos, e logo fomenta os posicionamentos descontrolados, mas isso, não atinge as pessoas que têm a estrutura emocional baseada na inteligência e perceptibilidade, pois estas,  sabem a hora certa de encerrar qualquer confronto desnecessários, e tem a humildade, se for o caso, pedir desculpas por não ser do lado que outros querem que você seja.
Temos que externar os nossos pensamentos sempre, mesmo sabendo haverá discordância, porém será a nossa visão até então, que ao expor e dialogar com os outros sobre novos conceitos, serão desdobrados em infinitas antíteses, pois pior que possa ser a nossa tese, com certeza as nossas verdades poderão um dia serem aceitas, contestadas, seguidas ou reconstruídas, por que, nas alturas as vezes tudo pode ser visto em forma de miniaturas, por isso, não devemos obrigar a ninguém a decidir por coisa nenhuma ou ser do lado que queremos que ela seja.

Temos que nos posicionar de acordo com os nossos conhecimentos e/ou “nossas verdades” sobre algo ou naquilo que acreditamos ser realmente. Não devemos ter dificuldade em enxergar algo além das nossas próprias necessidades, fugindo da alienação social ou do prazer imediato, mesmo sabendo que será impossível evitar a geração de conflitos em forma de agressividades, esses estágios é que nos levam a utilizar do nosso equilíbrio e  colocar-nos no lugar dos outros, usando sempre a inteligência analítica e assim, estar a altura para defender fortemente ou abandonar qualquer confrontos “desinteligente” ou tolos, porque já temos as nossas convicções estudadas, pesquisadas e formadas.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]     

 

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