O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop realiza nesta terça-feira (27), a partir das 8h30, o julgamento de Wellington Honorato dos Santos, acusado de homicídio qualificado, além dos crimes de destruição, subtração e ocultação de cadáver.
O crime foi registrado em junho de 2024 e teve ampla repercussão no município. Conforme a denúncia do Ministério Público, a vítima, Bruna de Oliveira, de 24 anos, foi morta após uma discussão relacionada à venda de um ventilador. Em seguida, o corpo foi retirado do local, arrastado por correntes em uma moto e levado até uma área afastada da cidade, onde foi abandonado em uma vala. O acusado foi preso no dia seguinte e confessou o crime.
Confira as atualizações do julgamento:
15h08 - O Ministério Público apontou divergências no depoimento do réu. Segundo o promotor, Wellington Honorato afirmou inicialmente que não fazia uso de drogas, depois declarou que consumiu com a vítima, posteriormente disse que saiu para comprar entorpecentes junto com ela, e em outro momento negou ter saído. Quanto ao dinheiro, chegou a afirmar que pediu emprestado e, em seguida, disse que havia utilizado recursos guardados para uma emergência.
“O que vemos aqui é uma afronta à inteligência".
15h02 - O promotor da 1ª Vara Criminal retomou a exposição sobre a tentativa de ocultação do cadáver, deixado em uma valeta com mais de dois metros de profundidade. Ele relembrou que o irmão da vítima, Bruno, ouvido no julgamento na condição de informante, foi até a casa e encontrou o local com muito sangue. Segundo o promotor, o réu limpou a cena, fato que Wellington não mencionou ao Conselho de Sentença.
Em seguida, o Ministério Público procedeu à leitura do boletim de ocorrência que detalha a localização do corpo de Bruna.
O promotor reafirma que a conduta do réu, que limpou o sangue, ocultou corpo, arrastou, e depreciou não é a postura de quem se arrepende.
14h58 - O promotor questionou ao Conselho de Sentença: “O que a vida fez a essa menina, a essa mulher?”. Ele destacou que, apesar de toda a história triste de Bruna, marcada pela expulsão de casa ainda na adolescência, ela conseguiu se reconstruir ao longo dos anos e até se reconciliar com a mãe, que faleceu vítima de depressão.
“O que vemos aqui é uma jovem que tinha tudo para se tornar uma criminosa, mas permaneceu como vítima”, afirmou o promotor. Em seguida, ele apresentou uma imagem do corpo de Bruna logo após ter sido encontrado em uma valeta, ilustrando a tragédia do crime.
14h53 - Em relação à estratégia da defesa e do réu, o promotor afirmou que ela adotou um ataque indireto à vítima, ocupando grande parte do tempo que poderia ter sido usado para a própria defesa. “Se a vítima fazia tudo isso, por que levaria o réu para casa?”, questionou.
O promotor também abordou a tentativa de remover qualificadoras. Ele questionou se o réu teria usado uma faca e apontou que, embora ele negue, a vítima apresentava um corte no pescoço. Segundo o réu, a ferida teria sido causada por uma queda da moto, quando a placa teria atingido o pescoço.
Por fim, o promotor resgatou trechos da vida da jovem, destacando que Bruna foi colocada para fora de casa ainda na adolescência, contextualizando as vulnerabilidades enfrentadas pela vítima.
14h52 - O representante do Ministério Público se apresentou ao Conselho de Sentença, explicando que atua no sistema de Justiça há 15 anos, e agradeceu aos jurados pela presença e atenção.
Ele explicou o funcionamento do Tribunal do Júri, destacando que o Ministério Público é o órgão do Estado com legitimidade para acusar. O promotor ressaltou que o réu é confesso, e que a acusação pretende demonstrar a responsabilidade do acusado ao longo do julgamento.
14h41 - O promotor classificou como uma afronta a tentativa de depreciar Bruna, lembrando que ela era apontada como uma mãe zelosa e que hoje vem sendo injustamente imputada como traficante e ligada a facções criminosas.
“O que estamos vendo hoje é, infelizmente, uma versão unilateral do réu. Mais do que meu compromisso como promotor, é meu dever como ser humano defender a memória de Bruna”.
14h39 - Foi iniciada a fase de debates do julgamento. O Ministério Público começou sua exposição dirigindo-se à avó da vítima, senhora Zulmira da Rosa, lembrando que ela também foi mãe de Bruna de Oliveira.
O promotor mencionou que a banca de defesa veio de Maceió e contou ter encontrado um livro de um escultor nordestino, citando trechos emocionantes: “Mãe é doce feito mel de rapadura, mãe é pura perfeição. Se Bruna pudesse escolher, ela teria escolhido você”.
O promotor ressaltou a responsabilidade coletiva: “Falhamos em impedir a morte de Bruna, mas vamos lutar para que essa tragédia não transforme a vítima em uma criminosa ou em alguém envolvido com facções”.