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Economia

Mudar para ficar igual

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Jair Bolsonaro na ONU arrow-options
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Discurso de Jair Bolsonaro foi previsível e presidente brasileiro manteve a rusga com o presidente francês Emmanuel Macron

A despeito do fascínio reverente que as elites e os intelectuais brasileiros sempre tiveram pelas luzes de Paris; e, também, a despeito da atração que o ar tropical sempre exerceu sobre antropólogos e artistas franceses, ninguém com um mínimo de informação sobre as relações entre os dois países se arriscaria a chamá-los de amigos.

Fome, Brasil e indígena: o que protagoniza os discursos dos presidentes na ONU

Nem cometeria a imprudência de convidá-los para a mesma festa sem a precaução de manter um afastado do outro. A chance de haver alguma rusga entre seus representantes não é recente.

As desavenças são persistentes e pode-se dizer que entre os dois já houve faíscas bem mais perigosas do que essas que Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron insistiram mais uma vez em manter acesas em seus discursos na sessão de abertura da Assembleia Geral da ONU , na última terça-feira.

Artigo: A perfumaria fiscal

A troca de alfinetadas entre os dois presidentes no plenário na ONU pode ser explicado por um velho ditado no idioma de Macron: “plus ça change, plus c’est la même chose”. Ou, numa tradução livre, quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas .

A briga é antiga e começou séculos atrás, antes que ganhassem corpo as divergências sobre as queimadas na Amazônia — um desentendimento estimulado pela disputa comercial que os dois países mantêm no palco do agronegócio mundial.

Como já foi dito  neste espaço dias atrás, só Macron e Bolsonaro têm a ganhar com essa rusga sem sentido que, por conveniência de um e de outro não será resolvida enquanto estiverem no poder. Isso é ruim.

Não pelos efeitos do desentendimento em si, mas, no caso específico do Brasil, desviar a atenção daquilo que de fato interessa: a recuperação da economia .

A seriedade do Brasil 

Emmanuel Macron arrow-options
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Presidente francês Emmanuel Macron também manteve acesa a discussão sobre a Amazônia

O que se vê agora é mais um capítulo de uma incompatibilidade que atravessa os séculos, nunca gerou nada de positivo para o Brasil e não será agora que deve gerar.

Leia também: A torcida pelo fracasso

Elas incluíram duas tentativas de conquista de parte do território brasileiro pelos franceses. A primeira foi liderada por Nicolau Villegaignon, no Rio de Janeiro em 1555. A outra por Daniel de La Touche, no Maranhão, em 1612. As desavenças não pararam por aí.

Logo que a família real portuguesa se instalou no Rio de Janeiro em 1808, depois de deixar Lisboa para fugir das tropas do imperador Napoleão Bonaparte , o príncipe regente dom João decidiu ir à forra.

E ordenou a invasão de Caiena, capital do território francês na Amazônia, o que foi feito sem grandes esforços militares, com o uso de apenas três navios. Com a queda de Napoleão e depois de uma série de negociações e tratados, a Guiana foi devolvida aos franceses e a vida seguiu.

Houve, é claro, tentativas de apaziguar os ânimos, mas volta e meia algum fato surgia para deixar os dois novamente em campos opostos. Já no Século 20, houve a Guerra das Lagostas — episódio de 1961 em que barcos franceses foram flagrados pescando o crustáceo na costa de Pernambuco, em águas territoriais brasileiras.

O então presidente Jânio Quadros mandou a Marinha e a Força Aérea Brasileira expulsar os invasores. A diplomacia entrou em campo e, do conflito, restou apenas a frase atribuída ao presidente francês Charles de Gaulle: “o Brasil não é um país sério”.

Jânio Quadros arrow-options
Reprodução

Presidente do Brasil ã época, Jânio Quadros também teve conflito com os franceses no episódio conhecido como Guerra das Lagostas

Detalhe: o mar territorial brasileiro, naquele momento, era de apenas 12 milhas náuticas a contar da costa — e não das atuais 200 milhas.

De mal um com o outro

José Sarney arrow-options
Jefferson Rudy/Agência Senado – 11.2.2015

José Sarney quando presidente da República também viveu desentendimentos com o governo francês

Antes de chegar às rusgas entre Bolsonaro e Macron, houve outros episódios de maior ou menos gravidade que, se não chegaram a mobilizar tropas, causaram mal estar entre os dois países.

Em 1989, na festa pelos 200 anos da Revolução Francesa, o presidente José Sarney recebeu tratamento de segunda classe e instalado num lugar afastado do salão em que o presidente francês François Mitterand se cercou dos líderes dos países que ele considerava relevantes.

Mais recentemente, e depois de um lento trabalho de aproximação iniciado por Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a anunciar a escolha do francês Rafale como o caça que reequiparia a Força Aérea Brasileira.

Os franceses, comemoraram o contrato milionário, mas no final a disputa foi vencida pelos suecos, com seu Gripen — o que desagradou profundamente o governo francês.

Diante de um histórico como esse, estranho seria se dois presidentes que tanto necessitam se se afirmar internamente, que não têm base parlamentar consistente e que dependem do apoio da opinião pública para governar, desperdiçassem a oportunidade de ouro que o calendário lhes proporcionou de levar para a tribuna da Assembleia Geral da ONU a briga em torno da Amazônia.

Bolsonaro afirmou que a Amazônia é brasileira e ponto final. Macron disse, ao fim e ao cabo, que o mundo não pode continuar comprando alimentos de países que não zelam pelo meio ambiente. Nenhum chamou o outro pelo nome. Afinal, estão de mal.

As visões sobre o Estado

Luiz Inácio Lula da Silva arrow-options
Ricardo Stuckert

Discursos de Lula e Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU têm pontos e comum e visões da economia diametralmente opostas

No caso das palavras de Bolsonaro o que se pode dizer é que elas nada contribuíram para melhorar o ambiente econômico no país — mas o efeito do discurso do presidente sobre a economia brasileira seria exatamente o mesmo caso ele, ao invés de dizer o que disse, reproduzisse palavra por palavra o que Luiz Inácio Lula da Silva falou da mesma tribuna dez anos atrás.

Naquela oportunidade, Lula se queixou dos países ricos, habituados a “lançar sobre os ombros dos mais pobres responsabilidades que são suas”. Dez anos depois, foi a vez de Bolsonaro se queixar de “países que ainda enxergam o Brasil como uma colônia”.

São, ressalvadas as diferenças de tom e de estilo, formas distintas de se referir ao mesmo problema: a forma como os países desenvolvidos tratam o Brasil. É evidente que existe um abismo intransponível entre o modo de um e do outro encararem o mundo.

Enquanto Lula, no discurso de 2009, falava da “doutrina absurda de que os mercados podiam autorregular-se” e criticava a “apologia perversa ao Estado mínimo ”, Bolsonaro afirmou dez anos depois, que “não pode haver liberdade política sem que haja liberdade econômica ”.

Essa, talvez, seja a única diferença que realmente interessa entre as posições dos dois presidentes. Lula defendia abertamente a ampliação da presença estatal, enquanto Bolsonaro, pelo menos no discurso, defende o fortalecimento do lado privado da economia.

O caminho que Lula apontava como solução, como bem demonstra a crise em que o país se meteu, não deu certo. Resta esperar que a receita proposta por Bolsonaro seja de fato implementada e tenha mais sucesso.

No que diz respeito ao sentido das palavras ditas por Bolsonaro, o discurso chama atenção exatamente pelo que esperava que: o presidente brasileiro não está disposto — por falta de interesse ou por não saber agir de outra maneira — a seguir o mesmo caminho de seus antecessores.

Tanto o que ele falou, quanto as reações às suas palavras foram mais previsíveis do que as badaladas do Big Ben ao meio dia em Londres. Os que já o apoiavam, consideraram sua participação uma obra de estadista. Os que já o consideraram um presidente raso e nocivo não mudaram sua opinião.

E o tempo que se perde discutindo esse tipo de problema leva a crer que está tudo seguindo pelo melhor caminho, quando todo mundo está cansado de saber que os problemas se acumulam .

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Economia

Mega-Sena sorteia R$ 7 milhões neste sábado; veja o resultado

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Mega-Sena sorteou R$ 7 milhões neste sábado
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Mega-Sena sorteou R$ 7 milhões neste sábado

A Caixa Econômica Federal realizou neste sábado (27) o sorteio 2432 da Mega-Sena com prêmio de R$ 6.918.076,68. A Caixa deve divulgar os vencedores nas próximas horas. Em caso de nenhum acerto das seis dezenas, o prêmio irá acumular para o próximo sorteio.

Confira os números sorteados:

07 – 29 – 38 – 40 – 44 – 52

Como participar do próximo sorteio?

O próximo concurso da Mega-Sena acontece na quarta-feira (1º), às 20h. É possível apostar até as 19h (horário de Brasília) do dia do sorteio, em qualquer casa lotérica credenciada pela Caixa do país.

Também é possível apostar pela internet. O bilhete simples da Mega-Sena, com seis dezenas, custa R$ 4,50.

Como apostar online na Mega-Sena?

Para aqueles que apostarem pela internet, não é possível optar pela aposta mínima, de R$ 4,50. No site da Caixa, o valor mínimo para apostar na Mega-Sena é de R$ 30, seja com uma única aposta ou mais de uma.

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Para fazer uma aposta maior, com 7 números, dando uma maior chance de ganhar, o preço sobe para R$ 31,50. Outra opção para atingir o preço mínimo é fazer sete apostas simples, que juntas têm o mesmo valor, R$ 31,50. Além disso, os bolões, disponíveis online, são outra opção viável.

Como funciona a Mega-Sena?

O concurso é realizado pela Caixa Econômica Federal e o vencedor pode receber milhões de reais se acertar as seis dezenas. Os sorteios ocorrem pelo menos duas vezes por semana – geralmente, às quartas-feiras e aos sábados. O apostador também pode ganhar prêmios com valor mais baixo caso acerte quatro ou cinco números, conhecidas como Quadra e Quina, respectivamente.

Na hora de jogar, o apostador pode escolher os números ou tentar a sorte com a Surpresinha. Esse modelo consiste na escolha automática, realizada pelo sistema, das dezenas jogadas. Outra opção é manter a mesma aposta por dois, quatro ou até oito sorteios consecutivos, conhecida como Teimosinha.

Premiação da Mega-Sena

Os prêmios costumam iniciar em, aproximadamente, R$ 3 milhões para quem acertar as seis dezenas. Dessa forma, o valor vai acumulando a cada concurso sem vencedor.

Também é possível ganhar prêmios ao acertar quatro ou cinco números dentre os 60 disponíveis no volante de apostas. Para isso, é preciso marcar de seis a 15 números do volante. O prêmio total da Mega-Sena corresponde a 43,35% da arrecadação. Deste valor:

  • 35% são distribuídos entre os acertadores dos seis números sorteados;
  • 19% entre os acertadores de cinco números (Quina);
  • 19% entre os acertadores de quatro números (Quadra);
  • 22% ficam acumulados e distribuídos aos acertadores dos seis números nos concursos terminados em zero ou cinco; e
  • 5% ficam acumulado para a primeira faixa (Sena) do último concurso do ano de final zero ou cinco.

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Economia

Black Friday digital bate recorde de clientes com mais de 51 anos

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Compras online crescem entre os mais velhos
Unsplash/Bench Accounting

Compras online crescem entre os mais velhos

O crescimento do público sênior no e-commerce representa uma importante tendência do mercado. As pessoas dessa faixa etária, segundo a head de Inteligência da Neotrust, Paulina Gonçalves, começaram a se aventurar mais digitalmente durante pandemia, dadas as restrições no comércio físico e risco maior de complicações com a Covid-19.

Shoppings lotados e carrinhos digitais cheios marcaram a Black Friday híbrida . No e-commerce, mulheres fizeram 57% dos pedidos, e pessoas com 51 anos ou mais tiveram participação recorde de 14,41% nas vendas, segundo a consultoria Neotrust, que acompanha dados de mercado on-line. Jovens entre 26 e 35 anos mantiveram a liderança tradicional na data, concentrando 35,08% das compras pela internet.

A prevalência de mulheres no e-commerce está associada ao menor tíquete médio de consumo, em comparação com homens, segundo Paulina. Ela explica que mulheres preferem gastar valores menores nominalmente, mas compensar em quantidade, enquanto homens fazem compras planejadas mais caras, em menor quantidade.

“A mulher compra várias vezes, mas produtos mais baratos, tanto que temos moda e acessórios e beleza e perfumaria entre os mais comprados. Homens, por outro lado, compram com tíquete mais caro, mas em menor quantidade, como bens de consumo duráveis”, analisa.

Monitoramento prévio de preços

Depois de um ano de adaptações às modalidades remotas de venda, varejistas online podem ter faturamento recorde nesta Black Friday, segundo levantamento da Neotrust. Em 2021, o fluxo de vendas chegou a R$ 4,4 bilhões entre meia-noite de quinta e 19h de ontem, aumento de 6% ante 2020.

A alta no faturamento, porém, é puxada pelo aumento do tíquete médio dos consumidores, chegando a R$ 711,24, e do preço médio dos produtos, com alta de 2,3%, podendo chegar a 2,5% até segunda-feira.

O reajuste abaixo da inflação, por outro lado, indica a tendência das varejistas em absorver custos para conseguir trazer ofertas mais atrativas aos compradores, analisa Paulina. Outras estratégias adotadas envolvem a redução de frete e a aposta em categorias fora do padrão, como bebidas e alimentos.

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Nas lojas físicas, o clima é otimista. No Norte Shopping, a Di Santinni espera aumentar o faturamento em 25% a 30% em comparação com 2020. A Vivo, em 40%. A Utilicasa, de 70% a 80%. O Ponto, em 15%. “A gente está acreditando muito nesse crescimento, pois ao longo de toda a semana já houve uma melhora com a pré-Black Friday. E teve muita gente que não comprou nos últimos dois anos, pois estava muito preocupado”, diz a gerente do Ponto Adriana Ramos.

Adriana conta como a loja se preparou para a campanha: “Conseguimos abastecer todas as áreas da loja, estamos com pilhas de produtos e nada falta. Os fornecedores do grupo atenderam bem. E hoje conseguimos ter promoção de TV de 50 polegadas a R$ 2.499, preço que não tem sido visto no mercado”.

O monitoramento prévio de preços auxilia os consumidores na hora de identificar se os descontos são reais ou não. E a lista de compras evita que gastem por impulso. É assim que a maioria dos consumidores agem, como Thayani Sousa, de 36 anos. Ela, que perdeu renda durante a pandemia por ser motorista de transporte escolar. Voltou a comprar nesta Black Friday, mas com cautela.

“A TV da sala estava com fantasma há três meses e dando dor de cabeça. Mas esperei a Black Friday para comprar. Fiquei monitorando preço até agora, pela internet e até presencialmente. Eu estava vendo na faixa de R$ 4.999, e agora achamos por R$ 3.999. Então vou levar”, afirma.

Em geral, as lojas esperam ter resultados apenas um pouco abaixo dos obtidos na campanha pré-pandemia, em 2019. Uma das exceções é o segmento de telefonia, que viu crescer na pandemia a demanda por celulares por causa do home office.

“A loja ficou fechada até maio por causa da pandemia. Mas reabriu em junho e vendeu mais em 2020 com a interrupção do que nos 12 meses de 2019. Então a Black Friday 2020 foi melhor do que a 2019 para a gente. E este ano aumentamos a meta em 40% em relação ao ano passado”, conta a gerente da Claro Amanda Abreu.

Na Utilicasa, o problema do fornecimento não foi resolvido integralmente nesta da Black Friday. “Artigos de metal ainda faltam por ausência de matéria-prima no mercado. Não chegou tudo que queríamos de decoração de árvore, guirlanda. Mas a campanha ainda vai ser bem melhor do que a do ano passado. As pessoas estão saindo com menos medo. Desde quinta, o movimento aumentou muito, principalmente em busca de itens de decoração, cama, mesa e banho. E considerado novembro inteiro, se comparado a outro mês do ano, o faturamento fica 40% maior”, afirma a gerente Fernanda Araújo Santana.

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