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Internacional

Mario Draghi renuncia ao cargo de primeiro-ministro da Itália

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Mario Draghi durante sessão na Câmara dos Deputados
Reprodução/ANSA – 21.07.2022

Mario Draghi durante sessão na Câmara dos Deputados

Após ter perdido sua base de apoio no Parlamento, o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, renunciou ao cargo pela segunda vez em uma semana, mas agora de forma definitiva.

No poder desde fevereiro de 2021, o economista de 74 anos se reuniu nesta quinta-feira (21) com o presidente Sergio Mattarella para comunicá-lo sobre sua decisão.

“O presidente da República recebeu nesta manhã o presidente do Conselho dos Ministros, professor Mario Draghi, o qual, após ter relatado sobre a votação de ontem no Senado, reiterou sua renúncia e a do governo por ele presidido”, disse o secretário-geral da Presidência da República, Ugo Zampetti.

Draghi ainda continuará no cargo até a nomeação de um sucessor, mas apenas para cuidar de assuntos correntes. Durante a tarde, Mattarella deve receber os presidentes da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, e do Senado, Elisabetta Casellati, para informar seus próximos passos.

A expectativa dos partidos é de que o chefe de Estado dissolva o Parlamento e convoque eleições antecipadas ainda neste ano – o fim natural da atual legislatura seria em março de 2023.

Pouco antes de se reunir com Mattarella, Draghi ainda fez um breve discurso na Câmara dos Deputados e se mostrou emocionado, algo raro em seus 17 meses de governo.

“Às vezes, até os banqueiros centrais usam o coração. Obrigado por isso e por todo o trabalho feito nesse período”, brincou o premiê, também ex-presidente do Banco Central Europeu, ao fim de um longo aplauso por parte dos parlamentares.

Draghi já havia tentado renunciar na última quinta (14), após o partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) ter boicotado uma moção de confiança a um projeto do governo no Senado.

Naquela ocasião, no entanto, Mattarella rejeitou a renúncia e pediu que o premiê voltasse ao Parlamento para verificar se seria possível continuar governando.

Em discurso no Senado na última quarta-feira (20), o economista defendeu sua gestão, elencou prioridades para o futuro e pediu a reconstrução do “pacto de confiança” que possibilitara o nascimento de sua coalizão de união nacional, mas não foi suficiente.

O primeiro-ministro optou por submeter ao voto de confiança uma resolução do senador de centro Pier Ferdinando Casini, que dizia apenas que a Câmara Alta aprovava seu discurso, porém a maior parte da base governista decidiu não participar da sessão.

A ultranacionalista Liga, de Matteo Salvini, e o conservador Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, queriam um sinal claro de ruptura em relação ao M5S. Já o movimento antissistema acusou Draghi de colocar-se abertamente contra o partido, restando apenas a centro-esquerda e pequenas legendas de centro ao lado do governo.

“Não somos como os outros, quem assumiu a responsabilidade de prejudicar o país vai pagar as consequências nas urnas”, afirmou o ex-premiê Enrico Letta, líder do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda. “O Parlamento se colocou contra o país, mas não todos, nós demonstramos que olhamos os interesses do país, e os eleitores vão premiar isso”, acrescentou.

União nacional

Draghi chegou ao poder em fevereiro de 2021, quando foi convocado por Mattarella para guiar uma ampla coalizão e evitar a realização de eleições antecipadas em plena pandemia.

Sem experiência prévia na política, o economista tinha como principais objetivos acelerar a campanha de vacinação contra a Covid-19 e preparar o Plano Nacional de Retomada e Resiliência (PNRR), projeto para utilizar os quase 200 bilhões de euros destinados à Itália pelo fundo da União Europeia para o pós-pandemia.

Essas duas metas foram alcançadas, mas esperava-se que Draghi governasse até o fim da atual legislatura, no primeiro semestre de 2023, conferindo estabilidade à Itália em um momento de profunda tensão econômica e geopolítica.

Com o pior da pandemia ficando para trás e a aproximação das eleições, o premiê passou a ser alvo de fogo amigo dentro de sua base aliada, especialmente por parte do M5S e da Liga, que encontram dificuldades para manter seu discurso populista estando no governo de um ex-banqueiro central.

O resultado disso se refletiu nas pesquisas. Vencedor das eleições de 2018, com 32% dos votos, o movimento antissistema sofreu diversas cisões nos últimos quatro anos e hoje está apenas em quarto lugar, com cerca de 10% da preferência do eleitorado.

Já a Liga, soberana no campo conservador durante a legislatura atual, aparece nas pesquisas atrás do partido de ultradireita Irmãos da Itália (FdI), única grande força de oposição a Draghi antes da crise política.

Próximos passos

A Constituição da Itália determina que as eleições legislativas devem ocorrer até 70 dias depois da dissolução do Parlamento, período que pode coincidir com o fim de setembro e o início de outubro, caso Mattarella encerre a legislatura ainda neste mês.

Neste caso, um novo governo tomaria posse, na melhor das hipóteses, entre o fim de outubro e o início de novembro, quando a Lei Orçamentária de 2023 já precisa estar protocolada no Parlamento. Desde que se tornou república, após a Segunda Guerra Mundial, a Itália nunca realizou eleições legislativas no segundo semestre.

Existe ainda a hipótese de nenhum campo político obter maioria clara, o que pode fazer as negociações se estenderem e deixar o país sem um governo com plenos poderes – em 2018, foram necessários três meses para empossar Giuseppe Conte como premiê.

Dessa forma, a Itália arriscaria iniciar o próximo ano sem um orçamento e ficaria enfraquecida no cenário internacional, hoje tomado pelos efeitos da invasão russa à Ucrânia, como a disparada dos preços dos combustíveis e da energia elétrica e a perspectiva de uma crise alimentar global.

Além disso, a crise política coloca em risco os repasses da UE para o PNRR, que prevê 222,1 bilhões de euros em investimentos até 2026 para impulsionar a economia, sendo 191,5 bilhões em fundos europeus.

O governo Draghi já cumpriu metas referentes a 45 iniciativas, etapa necessária para receber um repasse de 24 bilhões de euros da União Europeia. No entanto, o país terá de apresentar resultados em mais 55 projetos até o fim do ano para embolsar uma nova parcela.

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Fonte: IG Mundo

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Internacional

Fortes explosões são registradas em base militar russa na Crimeia

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Banhistas observam coluna de fumaça após explosões na base de Novofeodorivka, na Crimeia
Reprodução/redes sociais

Banhistas observam coluna de fumaça após explosões na base de Novofeodorivka, na Crimeia

Pelo menos dez explosões foram registradas em uma base aérea russa na Crimeia , península anexada da Ucrânia em 2014, e analistas especulam se foi um acidente ou se tratou do maior ataque ucraniano à região desde o início do conflito. Até o momento, as autoridades em Kiev não se pronunciaram, enquanto Moscou tentou minimizar o incidente.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram uma coluna de fumaça nos arredores da base aérea de Novofedorivka, na região Leste da Crimeia, que é usada em algumas das operações de combate na guerra.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, citado pela RIA, as explosões ocorreram em um depósito de munições que estava fechado — o representante do governo disse que não há informações sobre mortos, feridos ou danos às aeronaves do local ou outras estruturas.

Autoridades da Crimeia também evitaram dar versões sobre as explosões.

“Até agora, só posso confirmar o fato de várias explosões na área de Novofedorovka. Peço a todos que aguardem relatórios oficiais e não produzam versões”, escreveu Oleg Kryuchkov, conselheiro do governo local, no Telegram .

O chefe da administração regional, Sergei Aksyonov, disse que não há relatos de vítimas, corroborando o que disse o Ministério da Defesa.

“É muito cedo para falar sobre vítimas. Entre a população civil, ninguém ainda recorreu a instituições médicas para obter ajuda. Peço sinceramente que confiem apenas em informações oficiais”, escreveu Aksyonov no Telegram.

Ele afirmou ainda que foi introduzido um bloqueio de 5 km ao redor da base aérea.

“O Ministério de Situações de Emergência monitora os incêndios. Há um aeródromo militar logo atrás. Equipes de ambulâncias e da aviação médica estão trabalhando no local, são suficientes”, disse Aksenov no Telegram.

Até o momento, não há informações do lado ucraniano sobre o incidente: os principais veículos de imprensa do país sugerem, mesmo que indiretamente, que esse foi um ataque direto contra uma base militar russa usada para atacar a Ucrânia e que, caso seja confirmado, seria um dos maiores contra posições de Moscou desde o início do conflito.

Nas redes sociais, analistas especulam que, caso não tenha sido um acidente, esse também seria um sinal de que as armas fornecidas pelo Ocidente estão fazendo a diferença no campo de batalha. Contudo, eles reconhecem que um ataque do tipo poderia provocar uma reação de alto impacto por parte da Rússia, potencialmente contra áreas como Kiev.

No dia 31 de julho, um drone ucraniano deixou cinco pessoas feridas na base da Esquadra do Mar Negro russa, em Sebastopol, levando ao cancelamento dos festejos do Dia da Marinha.

“Na manhã de hoje [31 de julho], nacionalistas ucranianos decidiram atrapalhar o Dia da Marinha da Rússia”, escreveu Mikhail Razvozhayev, prefeito de Sebastopol, no Twitter.

Anexada em 2014, a Crimeia é uma das prioridades do governo de Vladimir Putin , e por vezes apontada como símbolo da “Rússia forte” no mundo. Desde a anexação, a área passou a ser inundada por bilionários investimentos em infraestrutura e pela intensificação da presença do Estado russo, que passou a controlar bases militares anteriormente comandadas por Kiev e a moldar a administração local, de modo a refletir as posições do Kremlin.

Contudo, mais de oito anos depois, o governo ucraniano ainda busca retornar a península ao seu território — em declarações recorrentes, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que seu objetivo é fazer com que o país tenha as mesmas fronteiras de 1991, ano da independência em relação à União Soviética, o que inclui a Crimeia .

— Com informações de agências internacionais

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Fonte: IG Mundo

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Internacional

Trump pode ser proibido de concorrer à Presidência dos EUA

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Donald Trump
Reprodução/Twitter

Donald Trump

A investigação que motivou uma operação de busca e apreensão do FBI na casa do ex-presidente americano Donald Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, nesta segunda-feira pode torná-lo inelegível para concorrer a novos cargos públicos federais nos Estados Unidos, incluindo a Presidência da República.

De acordo com seus primeiros informes, ainda extraoficiais, a operação está relacionada a uma investigação sobre documentos sigilosos do governo que Trump ilegalmente levou consigo quando deixou a Casa Branca, em vez de entregar para o Arquivo Nacional americano.

Os presidentes americanos são obrigados pela Lei de Registros Presidenciais (PRA, na sigla em inglês) a transferir todas as suas cartas, documentos de trabalho e e-mails para os Arquivos Nacionais, órgão responsável por administrar a preservação dos registros presidenciais.

As penalidades por violar essa lei incluem, além de multas e sentenças de até três anos de prisão, a desqualificação para ocupar qualquer cargo federal. Num contexto no qual Trump indica se preparar para concorrer à Presidência novamente em 2024, a punição, incomum nos EUA, pode impedi-lo de retornar à Casa Branca.

Em fevereiro, os Arquivos Nacionais pediram ao Departamento de Justiça para investigar Trump por desrespeitar a lei de preservação de documentos oficiais.

A norma em questão – a Seção 2071 do Título 18 do Código dos Estados Unidos – torna crime se alguém que detém a custódia de documentos ou registros governamentais “deliberada e ilegalmente ocultar, remover, mutilar, obliterar, falsificar ou destruí-los”.

Pouco após o pedido oficial, o órgão disse ter recuperado 15 caixas de papéis de Mar-a-Lago, que Trump deveria ter entregue quando deixou a Casa Branca.

Em um comunicado na época, Trump reconheceu a cooperação com os Arquivos Nacionais. “A caracterização da mídia do meu relacionamento com a Nara [National Archives and Records Administration, os Arquivos Nacionais] é uma fake news. Foi exatamente o contrário! Foi uma grande honra trabalhar com a Nara para ajudar a preservar formalmente o legado de Trump”, disse o ex-presidente.

Mas as autoridades do arquivo dizem que o ex-presidente rasgou ilegalmente muitos documentos. Alguns precisaram ser colados novamente, afirmaram. Os documentos podem incluir segredos do governo classificados como sigilosos, segundo a emissora CBS News. Entre eles estão cartas entre Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un e a carta de transferência presidencial de Barack Obama.

Ainda assim, não é garantido que, mesmo se condenado, Trump de fato ficaria inelegível. Vários juristas argumentam que a Constituição estabelece critérios de elegibilidade para quem pode ser presidente, e que o direito penal comum — âmbito jurídico da lei em questão — não tem o poder de determinar quem pode ocupar cargos políticos. Ainda assim, Trump poderia precisar recorrer nos tribunais para poder se candidatar, o que geraria desgaste.

Guerra jurídica

Líderes republicanos e conservadores reagiram com indignação à operação, sugerindo que a prática significa uma instrumentalização do Judiciário com fins políticos.

O deputado republicano Kevin McCarthy, líder da minoria na Câmara, disse em um comunicado que “o Departamento de Justiça atingiu um estado intolerável de instrumentalização política.” O departamento em questão precisou autorizar a operação, e especula-se que a ordem tenha passado por seus mais alto níveis.

Um dos ataques mais furioso veio do do deputado estadual republicano da Flórida Anthony Sabatini, que está concorrendo ao Congresso nacional nas eleições legislativas de novembro.

“É hora de nós, da Assembleia Legislativa da Flórida, convocarmos uma sessão legislativa de emergência e alterarmos nossas leis em relação às agências federais”, escreveu Sabatini no Twitter. “De cortar todos os laços com o Departamento de Justiça imediatamente. Qualquer agente do FBI que conduza funções de aplicação da lei fora do alcance de nosso Estado deve ser preso imediatamente”.

Em um post na semana passada, Ric Grenell, que atuou como diretor interino de inteligência nacional de Trump, disse que, se o ex-presidente for reeleito, ele precisa “limpar o FBI e o Departamento de Justiça”.

A resposta republicana à busca também procurou incutir medo nas pessoas comuns, sugerindo que elas também podem se tornar alvo de agentes federais.

“Se podem fazer isso com um ex-presidente, imagine o que podem fazer com você”, escreveu a conta no Twitter que representa a bancada republicana na Câmara.

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Fonte: IG Mundo

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