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Opinião

MARIA DO SOCORRO DE OLIVEIRA – Do Jornalismo impresso ao eletrônico: uma tendência do futuro

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(*) MARIA DO SOCORRO DE OLIVEIRA

O advento da internet, com a rede mundial dos computadores em meados da década de 90, trouxe transformações significativas no comportamento da humanidade. A partir da velocidade gradativa (com os avanços da tecnologia) das informações, o mundo se tornou “um quintal”. Antes disso, um fato que acontecia no estado vizinho de Goiás, por exemplo, a pessoa só se inteirava à noite na TV ou no dia seguinte, nos jornais impressos. Hoje, um evento ocorrido na Groenlândia, por exemplo, não leva mais que alguns centésimos de segundos para ganhar o mundo, a partir de um simples post.

No passar das últimas três décadas, os jornais e revistas tradicionais impressos se lançaram ao desafio das plataformas digitais. O Jornal do Brasil, um dos veículos mais tradicionais do Brasil e o mais antigo da América Latina, foi o pioneiro, no final de 2017, em deixar a versão impressa, adotando exclusivamente a leitura digital. De lá para cá, mais de 20 títulos tradicionais, como a Folha do Estado, Bastidores do Poder, em nosso estado, deixaram de circular na modalidade do “papel”, como se diz na linguagem gráfica. Outros jornais brasileiros já anunciam que deixam de ir às bancas no primeiro trimestre do ano que vem, e se mantém na versão digital, como outros veículos que utilizam apenas das mídias digitais, e produzem conteúdos na web.

Na comunicação, os conteúdos na internet, como jornalismo ou postagens de grupo ou de pessoas, individualmente, cresceu em grande escala. O jornalismo profissional permanece confiável, enquanto que postagens de todos tipos de assuntos e tendências proliferam na internet, muitas das quais sem balizamento ético, sem compromisso com a verdade, sem segurança das fontes. Enquanto que as informações percorrem o caminho das transmissões que as fibras óticas permitem, surgem as fake News, o excesso de informações compartilhadas de caráter nocivo e duvidoso.

Nas escolas, nós educadores, procuramos alertar os alunos a buscar sempre informações e notícias seguras, não baixar a guarda no que tange a conversas com estranhos nas redes sociais, e a absorver, da profusão de post’s, apenas o que for bom e parecer que vai somar, não alienar ou confundir.

As crianças e jovens, principalmente, por estarem dentro dessa nova pratica de comunicação e desconhecerem as metodologias mais antigas, são alvos preferidos dos maus intencionados, em todos os sentidos. Ensinamos, portanto, que há informações certas produzidas por profissionais do jornalismo ou escritas por outros profissionais, de outras áreas, dotados de ética, que o fazem a através de artigos e ensaios.

Como se vê, o mundo digital só avança, mas é recomendável que tenhamos o poder de discernimento para filtrar o que é nocivo de prejudicial e o que realmente vai nos ajudar a conviver com os tempos atuais sem o risco de ser influenciado por conteúdos falsos. O mundo digital é denso, farto e formidável. Resta-nos saber extrair o que de melhor as novas tendências e tecnologias podem oferecer.

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(*)Maria do Socorro de Oliveira é graduada em Pedagoga, com, com graduação em Pedagogia pela UFMT, com Especialização em Psicopedagogia. É Educadora da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá

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1 comentário

1 comentário

  1. Dan de Oliveira disse:

    Excelente ponto de reflexão

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Opinião

JOSÉ ANTONIO LEMOS – A dimensão urbana de Manso

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Não fosse Manso, no dia 15 de janeiro de 2002, exatos 20 anos atrás, teriam passado sob a Ponte Júlio Muller 3.250 m3/s de água, volume superior aos 3.075m3/s da cheia de 1974, de triste memória para os cuiabanos.

Inaugurada no ano anterior, Manso foi então logo testada como protetora da cidade contra outras possíveis tragédias, razão inicial da construção da barragem. Embora sucesso total, poucos ficaram cientes. Teria repetido em 2010.

Com algum controle posterior da ocupação do solo urbano poderia ter sido uma alternativa de solução definitiva para esse tipo de problema em Cuiabá, e outras cidades.

Importante relembrar este acontecimento, em especial aos mais jovens, para destacar que a origem da barragem foi como equipamento de proteção urbana contra inundações após a cheia de 1974, que inundou totalmente a região mais populosa de Cuiabá, formada pelos antigos bairros Terceiro (“de Dentro” e “de Fora”), Ana Poupino e Barcelos.

No dia 17 de março daquele ano o rio atingiu na régua linimétrica o nível de 10,87 m servindo de referência para posterior construção da Avenida Manuel José de Arruda, a popular “Beira-Rio”, com seu nivelamento básico na cota 150 metros acima do nível do mar.

Diziam os antigos que a estação das chuvas em Cuiabá tinha dois picos, um em dezembro/janeiro e outro em março, também chamado de “repique”, por volta do dia de São José encerrando o período chuvoso. As cheias eram aguardadas nessas épocas, ainda que nem sempre as duas com a mesma intensidade.

A cheia de São José em 74 foi uma tragédia para a cidade quando esta dava um salto de crescimento em função da inauguração de Brasília. Grosso modo Cuiabá saltaria de 56 mil habitantes em 1960 para 240 mil em 80, e a cidade não estava preparada, após décadas de estagnação. Alguns visionários, verdadeiros profetas já desenvolviam, por exemplo, a ideia do CPA.

O governo Geisel tomara posse dois dias antes, dia 15, já com a inundação avançada. Logo o ministro do Interior Rangel Reis veio a Cuiabá e tomou duas decisões radicais para a cidade: determinou a demolição do que sobrara dos bairros atingidos, transferindo suas populações para conjuntos residenciais a serem construídos.

Perderam-se aí alguns marcos da cultura cuiabana que viraram saudade nas lembranças dos blocos carnavalescos “Sempre Vivinha”, “Coração da Mocidade” e “Estrela Dalva”, por exemplo. Outra determinação do ministro foi a realização de estudos técnicos para evitar tragédias semelhantes em Cuiabá resultando em Manso, em princípio só para reduzir picos de novas enchentes, um “açudão” de proteção urbana. Fosse só este seu objetivo, Manso já teria valido a pena.

Depois, em 1978 no antigo Minter, a Comissão da Divisão do Estado, da qual eu fazia parte, transformou Manso em um projeto de aproveitamento múltiplo (APM), pioneiro no Brasil para solucionar também a questão energética, na época o principal problema estadual.

Com a energização do “açudão”, foram acrescidos os objetivos de regularização de vazão do rio (além de reduzir suas cotas máximas, garantir uma cota mínima de água), a irrigação rural e o abastecimento de água por gravidade para as cidades da Baixada Cuiabana, três barragens a fio d’água rio abaixo, sendo que seu lago poderia também receber projetos de piscicultura, turismo e lazer, ampliados agora com aquicultura e as possibilidades de um parque gerador de energia solar.

Hoje é comum pensar a APM Manso só como uma usina hidrelétrica, o que seria um erro grave, ainda que sua geração elétrica seja importante garantidor da estabilidade energética ao estado.

Mas, não se pode desprezar os demais potenciais do grande empreendimento que, tem nome e sobrenome: APM Manso. E assim deve sempre ser lembrado para um dia ser aproveitado em todas suas dimensões: APM Manso.

José Antonio Lemos Dos Santos é arquiteto e urbanista, membro da Academia de Arquitetura e Urbanismo (AAU-MT)

 

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LUIZ CARLOS AMORIM – Homem livro

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Li, outro dia, uma reportagem mostrando o “Homem Livro”, de Aracaju. Por que ele é chamado “Homem Livro”? Porque angaria livros, junta-os e sai à rua para distribuí-los às pessoas, gratuitamente. Ele pede livros em doação e os entrega para quem gosta de ler. Não é sensacional? Já conheci muitos homens livros e muitas mulheres livros. Já vi muitos incentivadores de leitura, gente que sai no bairro e pede livros aos vizinhos e vai formando uma biblioteca comunitária, gente que ao invés de pedir os livros, pede lixo reciclável, então os vende para comprar livros novos para bibliotecas e escolas. Aqui em Florianópolis há até um menino que pediu um cantinho do “boteco” do pai, foi recolhendo livros na comunidade e improvisou uma biblioteca e agora empresta livros às pessoas do bairro. De graça, é claro.
Mas não tinha visto um personagem curioso assim como o “Homem Livro”, que pede livros por onde passa, vai ao centro da cidade caracterizado – na sua roupa existem trechos de livros, capas de livros, tudo sobre livros – e os oferece à comunidade. Precisamos de mais homens livros, precisamos que eles se multipliquem para que o incentivo à leitura e o acesso ao livro, objeto tão caro hoje em dia, seja democratizado de maneira tão generosa.
Precisamos de mais gente generosa como o “homem livro”, que se transformou em estandarte vivo em prol da democratização do acesso à leitura, em prol da criação de mais leitores, promovendo a distribuição de cultura e de informação. É bom ver iniciativas como esta. A gente constata que nem tudo está perdido. Que ainda existem novas ideias, criatividade e dedicação na luta conta a ignorância e a miséria. Que há quem se preocupe com a educação e com a instrução das pessoas, mesmo as mais humildes, ao contrário de nossos governantes, que deveriam promover a cultura e a educação, mas ao invés disso, fazem questão de destruí-las.

Felizmente, conheço gente empenhada em levar livros, de graça, a leitores de todas as idades, democratizando-o e possibilitando o acesso à leitura, como a professora Mariza, de Joinville, e a professora Edna Matos, de Divinópolis, com seus projetos vitoriosos. Sei que há muitas outras pessoas como elas e como o homem livro por aí, graças a Deus, e a gradeço a Ele por elas existirem.
Há uma luz no fim do túnel. Há esperança para nós, seres humanos. Ainda.

Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor

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