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Opinião

MARCO MARRAFON – Os desafios de um jovem advogado no Brasil

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Estamos na véspera da semana dos advogados e para comemorar essa data vamos tratar de alguns desafios enfrentados por um jovem advogado no Brasil.

Ao concluir a prova da OAB com êxito, o advogado pode enfim exercer a sua profissão. Mas, por onde começar? Clientes não aparecem magicamente à nossa porta apresentando suas queixas.

A primeira coisa é delimitar bem sua área de atuação e compreender o nicho de mercado em que atuará. Depois começar a montar lenta e cuidadosamente uma carteira de clientes para atender.

Na hora de decidir a área de atuação, não é bom ponderar apenas a área com salários mais altos, mas aquela em que o advogado tem uma maior aptidão e talento. Na carreira, alguns lidam melhor com questões públicas, outros são mais chegados ao ambiente cível-empresarial ou mesmo preferem os desafios da área criminal.  Não adianta buscar o dinheiro se a área não é a que o advogado tem alguma identificação e conhecimento, pois pessoas mais vocacionadas conseguirão resultados melhores. Assim, deve-se buscar conciliar a aptidão com a demanda de advogados na área e o potencial de mercado.

Para aqueles que não têm uma fonte de renda extra ou auxílio da família, esse começo pode ser ainda mais doloroso. Se for abrir um escritório, além dos custos é necessário saber empreender, atuar como gestor e aprender habilidades que não são o foco da graduação em direito, mas necessárias para se desenvolver na profissão.

Felizmente vivemos na era da informação e hoje se têm aos montes cursos sobre empreendedorismo e gestão na internet, muitos de graça. No próprio Youtube é fácil encontrar diversos profissionais dando bons conselhos, mas é bom saber filtrar, pois também existe charlatanismo nas redes sociais.

De outra feita, quem decide entrar num escritório em regime empregatício ou mesmo associado, pode ganhar experiências importantes e imprescindíveis para o bom desempenho da profissão, ainda que, especialmente aos iniciantes, a remuneração não seja muito atrativa. De qualquer modo, os ganhos de aprendizado com advogados atuantes compensam a experiência, sem contar a possibilidade de fazer carreira em um grande grupo advocatício.

Em qualquer das opções é preciso ter em mente que a advocacia se realiza com muito trabalho,  dedicação e paciência, pois uma boa remuneração normalmente só é conquistada depois de vários anos de atividade e com a confiança adquirida dos clientes.

Além disso, é preciso ser muito diligente nos processos em que atuará. É necessário estudar muito, pensar estrategicamente e olhar os detalhes que muitas vezes passam desapercebidos pela maioria.

Lembre-se: saber direito não significa saber advogar e ter domínio pleno dos casos e do direito aplicável faz toda a diferença para alcançar o êxito. Nesse quesito, é importante, participar das comissões temáticas da OAB, estar sempre atento aos cursos de formação ofertados pela Ordem e manter-se atualizado.

Por isso é bom se preparar antes com atividades extracurriculares e desenvolver uma boa networking  (rede de relacionamentos) para sair na frente e expandir o leque de possibilidades, abrindo mais caminhos disponíveis.

Falando em Networking, esse é um dos maiores desafios dos novos advogados que não dispõem de familiares atuando na área. Entretanto, construir uma Networking eficiente é muito importante na formação da carteira de clientes.

Além de tudo isso, saber gerir o tempo e administrar os processos também é fundamental, o que exige um bom conhecimento de ferramentas digitais para a otimização de suas atividades. Nesse ponto, aqueles que trabalham com agilidade e organização certamente sairão na frente. Por isso, buscar entender os principais sistemas e softwares usados pelos Tribunais e pelos colegas evitará que se tenha que aprender tudo em cima da hora quando outros processos adaptativos já consumirão muito da energia do jovem advogado.

Na era da tecnologia, fique atento para as tendências de visual law e legal design, as quais podem auxiliar no processo de transmissão de conhecimento aos julgadores, uma vez que permitem explicar fatos e teses jurídicas com o apoio de gráficos e fluxogramas de compreensão rápida e objetiva.

Advogar não é simples, porém, recompensa aqueles que estão dispostos a prover um bom serviço à sociedade. É necessário ter persistência para superar os desafios iniciais, sabendo que em toda trajetória de qualquer profissão se encontrarão obstáculos. O importante é trabalhar da forma que mais se adeque à sua personalidade, seja autônomo, em um grande escritório ou mesmo na advocacia pública e, assim, com muita determinação e dedicação, os bons frutos serão conquistados.

Marco Marrafon é advogado constitucionalista

 

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Opinião

GAUDÊNCIO TORQUATO – Cinco cenários

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O cotidiano da política é uma gangorra. A tensão sobe e desce. As expectativas fluem ao sabor dos momentos. As dúvidas ganham volume, puxadas pelos protagonistas. Em ano eleitoral, a dois meses das eleições, e tendo em vista que a contenda usará armas nunca d’antes vistas, não é de surpreender que a guerra seja a mais violenta da atualidade.

Trata-se de um pleito que fará o Brasil caminhar, amanhã, pelos caminhos da esquerda ou da direita. A contar com o maior cofre eleitoral de todos os tempos. E a abarcar o maior número de eleitores, cerca de 156 milhões. Na paisagem de fundo, mais de 30 milhões de pessoas sem acesso à mesa do pão, habitantes do território da extrema carência. Mostrando, ainda, classes médias divididas entre dois candidatos e uma parcela, que tende a crescer, ansiosa para achar a saída da dualidade, um perfil identificado com inovação.

Essa moldura pode se alterar nas próximas semanas, a depender da barreira a ser transposta pelos corredores. O obstáculo deverá aparecer no dia em que o país comemorará os 200 anos da independência, 7 de setembro próximo. A muralha a ser ultrapassada tem sido reforçada com a argamassa produzida nos fornos do presidente Bolsonaro, cujos componentes incluem uma parada militar na avenida Atlântica (Copacabana), no Rio de Janeiro, o convite para as massas comparecerem ao evento, ataques reiterados a membros do Poder Judiciário e às urnas eletrônicas e a indignação contra manifestos em favor da democracia.

O que aguarda o país, após 7 de setembro? Paz ou guerra? Que o leitor tire suas conclusões, após tentar extrair os efeitos dos seguintes cenários:

  1. Mar bravio – O desfile de 7 de setembro – militares de diversas categorias e postos, tanques esmagando o asfalto, continência dirigida ao comandante-em-chefe das Forças Armadas, ele mesmo, o presidente da República – tem o condão de mostrar que o capitão Jair é poderoso e tem forças para anunciar medidas de caráter extraordinário. Medidas que disfarcem a imagem de um golpe, fenômeno que desviará o país de sua rota, mas possível de ocorrer, principalmente se a mobilização de rua implicar devastação, quebra-quebra, desordem, conflitos. Hipótese que será viável/inviável, a depender do comportamento das Forças Armadas,
  2. Céu de brigadeiro – O evento de 7 de setembro ocorrerá com tranquilidade, sem açodamento, brigas entre alas, soldados cumprindo sua tarefa de desfilar, votos de paz e harmonia social, expressos pela sociedade civil. O presidente se manteria de boca fechada, sem jogar lenha na fogueira e até jogando água em algum fogo persistente. Desse modo, o céu de brigadeiro seria visto até outubro, mês do primeiro e do segundo turnos.
  3. Horizonte turvo – Nuvens plúmbeas, pesadas, prenunciando raios, trovão e chuva intensa, emergirão em todos os quadrantes, e seus primeiros sinais apareceriam no dia 7 de setembro, com escaramuças desfechadas por alas bolsonaristas e grupos lulopetistas. O prenúncio de guerra, a se travar nas ruas após a comemoração cívica, criaria as condições para o presidente continuar seu discurso belicoso. E preparar o espírito de suas bases para a alteração das regras no tabuleiro democrático, caso o vencedor do pleito seja o candidato das esquerdas. As instituições da República reagirão e a gangorra de tensões voltará à paisagem.
  4. Luz no fim do túnel – A policromia do arco-íris será manchada com borrões e pichações, nos próximos dias, que enfeiarão o desfile de 7 de setembro, abrindo buracos na sociedade, contribuindo para os polos do extremo ideológico acirrarem suas divergências. A polarização chega ao pico da montanha. Mas acende uma luz no fim do túnel. Toma corpo a taxa de racionalidade. E tal impulso viabiliza um terceiro nome, um perfil com um discurso de harmonia e reinserção do país na roda do desenvolvimento. Pode ser utopia. Mas…
  5. Visita do Imponderável – Uma visita do Senhor da Imprevisibilidade também é possível. Para evitar o mau agouro, este analista deixa de lado as hipóteses desse cenário.

Seja qual for o cenário, urge crer no Brasil, com seu território continental, riquezas naturais, belezas incomparáveis, pedaço importante do planeta. E que, um dia, realizará o sonho de uma grande Pátria: a revolução da Educação.

Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político [email protected]

 

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Opinião

WILSON FUÁH – Tenha cuidado com os extremistas

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O pior estágio da existência humana é nunca ter tomado um lado ou mesmo não ter realizado tudo aquilo que poderia ter feito por fugir de posicionamentos, e às vezes para evitar confrontos desnecessários preferimos   ficar em cima da linha das indecisões e por isso, podemos até ser  julgados pelos pares contemporâneo como não confiável, simplesmente porque entendeu que o debate pode ser qualificado como inútil, pois não devemos ser o objeto do tema, mas sim, ser o agente que pode fomentar um grande debate.

Neste momento da proximidade de mais uma eleição, os nervos estão à flor da pele, pois existem os dois extremos buscando defender o lado que ele pensa ser o melhor para o Brasil, e ao participar de uma reunião social,  logo alguém  de um dos dois lados, logo pergunta em quem você vai votar, e independente do lado que você posicionar, começa a discussão e a coisa pode piorar, porque logo alguém pode utilizar a linguagem em forma de ódio e destruição histórica de ambos os lados, e não levará a nada.

Mas, a politica está muito diferente, muito cheia de confronto desnecessário, e as pessoas estão brigando entre irmãos, entre amigos, e amizades de uma vida inteira estão sendo encerradas; relacionamentos estão sendo bloqueados, tem famílias que já não podem reunir, e será que isso, vai acabar após as eleições e será que a paz ira retornar a normalidade dos encontros dos amigos e parentes como era antes, será?

Os conflitos pessoais produzidos pelas perdas ou fracassos no posicionamento de uma tese, logo vem o começo dos confrontos na tentativa de desmerecer o outro lado, e  com a elevação da voz, gera conflitos em forma de desrespeitos, e logo fomenta os posicionamentos descontrolados, mas isso, não atinge as pessoas que têm a estrutura emocional baseada na inteligência e perceptibilidade, pois estas,  sabem a hora certa de encerrar qualquer confronto desnecessários, e tem a humildade, se for o caso, pedir desculpas por não ser do lado que outros querem que você seja.
Temos que externar os nossos pensamentos sempre, mesmo sabendo haverá discordância, porém será a nossa visão até então, que ao expor e dialogar com os outros sobre novos conceitos, serão desdobrados em infinitas antíteses, pois pior que possa ser a nossa tese, com certeza as nossas verdades poderão um dia serem aceitas, contestadas, seguidas ou reconstruídas, por que, nas alturas as vezes tudo pode ser visto em forma de miniaturas, por isso, não devemos obrigar a ninguém a decidir por coisa nenhuma ou ser do lado que queremos que ela seja.

Temos que nos posicionar de acordo com os nossos conhecimentos e/ou “nossas verdades” sobre algo ou naquilo que acreditamos ser realmente. Não devemos ter dificuldade em enxergar algo além das nossas próprias necessidades, fugindo da alienação social ou do prazer imediato, mesmo sabendo que será impossível evitar a geração de conflitos em forma de agressividades, esses estágios é que nos levam a utilizar do nosso equilíbrio e  colocar-nos no lugar dos outros, usando sempre a inteligência analítica e assim, estar a altura para defender fortemente ou abandonar qualquer confrontos “desinteligente” ou tolos, porque já temos as nossas convicções estudadas, pesquisadas e formadas.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas. Fale com o Autor: [email protected]     

 

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