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Opinião

MARCO ANTONIO – Cosems-MT completa 36 anos representando municípios fortes e atuantes

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O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems/MT) é o primeiro conselho do país, completando neste dia 20 de maio de 2022 seus 36 anos de história. Mesmo com tempo e experiência, o seu compromisso continua o mesmo desde o princípio: defender a descentralização do SUS, proporcionando a autonomia dos municípios na gestão e execução da política de saúde.

Esse princípio, desde a sua essência, esteve pautado na vivência do SUS, naquele que está lá em campo, com a “mão na massa”, batendo de porta em porta, falando com cada munícipe. Nada melhor que uma gestão municipal para saber as demandas na região, os percalços, as lutas e as realidades. Continuamos lutando por isso, e continuaremos sempre!

E essa não é uma luta vazia. Os municípios fazem por merecer essa autonomia tão falada, e a pandemia veio reforçar esse contexto. Quando fui questionado em uma entrevista sobre a baixa cobertura vacinal da dose de reforço contra a Covid em Mato Grosso, fui categórico ao afirmar que os municípios do estado estavam preparados, a postos, quase que de plantão para promover a vacinação da população.

Como disse, os municípios foram e são exemplos de atuação. Mesmo enfrentando instabilidades no sistema para lançamento das doses, mesmo enfrentando fakenews e desinformação, mesmo enfrentando uma população muitas vezes impaciente e amedrontada, os municípios demonstraram vontade, empenho em cuidar dos munícipes, e fizeram de tudo para isso!

Foram realizadas diversas estratégias, as mais variadas e criativas possíveis, como horário estendido, busca ativa nas ruas, empresas, em domicílio, carro de vacinação, premiação para os munícipes que vacinarem, entrevistas nos veículos de comunicação, certificado, fantasia e tudo mais e um pouco!

Foram mais de 740 salas de vacina distribuídas no estado dispostas a vacinar toda a população com as doses que faltam em menos de uma semana. E eu digo 100% da população caso essa aderisse em sua plenitude a campanha. Isso mostra a preparação das equipes, a qualificação e a gestão efetiva dos secretários e secretárias de saúde.

Fizemos e estamos fazendo de tudo para sensibilizar a população, não só com relação à Covid, mas à dengue, às arboviroses, a exames de rotina, enfim, tudo que contempla uma atenção primária à saúde, ponto primordial que envolve o SUS.

Posso dizer, como um gestor que vivenciou a saúde nos últimos anos e que vem passando por este momento, que nós vencemos SIM! Foi preciso uma pandemia para reafirmarmos a nossa importância, a importância do SUS, para mostrarmos o quanto as ações na área da saúde de um município, amparado pelo seu gestor, muda vidas e, acima de tudo, salva vidas.

Essa caminhada nos tornou mais fortes e unidos. Essa caminhada mostrou a força de Mato Grosso para o país. Essa caminhada é só uma parte dos 36 anos de história do nosso Cosems/MT.

E assim continuamos na luta para movimentar a saúde de cada município, na sua integralidade.

Marco Antonio Norberto Felipe, Presidente do Cosems/MT e Secretário de Saúde de Nova Ubiratã.

 

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Opinião

ONOFRE RIBEIRO – São muitos os brasis

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Viajei muito pelo mundo nesses quase 50 anos de jornalista. Dos países que conheço, nenhum possui tantas diversidades quanto o Brasil. Não falo apenas das diversidades regionais, de clima e de culturas.

Falo das percepções que o Brasil tem do Brasil. Melhor dizendo: da percepção que os brasileiros tem sobre o Brasil.

Neste momento, as percepções estão acirradas de um modo que deixou de existir o Brasil-raiz, para enxergarmos brasis políticos, econômicos, sociais e culturais.

O Brasil tornou-se uma salada fora do livro de receitas.

Começo com um exemplo concreto. Na última semana o evento “Famato – Embrapa Show”, realizado em Cuiabá mostrou um Brasil real, profundamente disruptivo.

Um Brasil globalizado, tecnicamente aparelhado junto com o mundo, e uma potência junto aos mercados mundiais de alimentos. Cenários fantásticos no curtíssimo prazo.

No mundo atual e no futuro que se aproxima em grande velocidade num mundo pós-pandemia, pós-guerra Ucrânia-Rússia e pós lockdown chinês e mundial. Dentro desse mundo, ser protagonista é absolutamente fantástico!

Por outro lado, existe um Brasil urbano. Conflitado. Violento. Péssima qualidade de vida. Com altas taxas de desemprego. Com profundos desajustes sociais.

Mas existe outro Brasil, o dos partidos políticos e dos políticos. Esse é alimentado com a imagem de um péssimo Brasil, pra poder sustentar o discurso da desgraça que vence as eleições. Neste ano, particularmente, esse Brasil derrotado está fortíssimo.

Existe ainda o Brasil gerido pelo Estado brasileiro. É o Brasil pessimista. Cobra os impostos que não retornam em serviços. É corrupto. É corporativo e está voltado pra sua própria sobrevivência.

Existe o Brasil dos chamados poderes. São Ilhas de prosperidade. Da impunidade. De orçamento certo. Da perfeita desconexão com  a sociedade brasileira.

Existe o Brasil da corporação do serviço público. Ilha de prosperidade regida pelo sindicalismo e pelo vitimismo. Nada é bom. Nada está bom. Não existirá futuro.

Mas aqui fora dos muros do mundo urbano e corporativo do Estado existe um mundo extraordinário. Um dado apenas ilustra a força desse Brasil. Segundo o representante do presidente da Embrapa em Cuiabá, o Brasil desenvolveu tecnologias de produção, de sustentabilidade que estão 30 anos à frente de todos os demais países do mundo.

Um Brasil que trabalha em economia circular, fechando o desenvolvimento da agropecuária, indústria, comércio, serviços e tecnologia em larga escala.

Um Brasil que aprendeu a lidar com tecnologias a partir das suas próprias experiências e formou uma enorme rede de pesquisas e de inovações envolvendo universidades, a Embrapa e todo um sistema de pesquisas e desenvolvimento. Um Brasil sem desemprego. Aliás, o pavor é a falta de recursos humanos.

Confesso que saí do evento de Cuiabá com o coração e a alma lavados. O Brasil quem vai vencer a guerra do protagonismo mundial, certamente não será o Brasil dos pessimismos corporativos e políticos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

 

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Opinião

RENATO DE PAIVA PEREIRA – Plano de governo do Lula

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O Lula anunciou o esboço de seu plano de governo a ser implantado, se porventura, ganhar as eleições.

Alguns detalhes chamaram a atenção da mídia, que os noticiaram com destaque. Entre eles está a contestação da reforma trabalhista que foi aprovada no Congresso, sob o governo reformista do Michel Temer.

A justiça trabalhista, antes da reforma, estava muito partidarizada. Sem nenhuma consequência punitiva, trabalhadores desonestos e seus sindicatos, estimulados e ajudados por advogados gananciosos, reclamavam na justiça os mais absurdos direitos, sabendo que se perdessem, como quase sempre perdiam, restavam-lhes o sabor de ter incomodado o ex patrão, além de ter-lhe causado prejuízos financeiros para se defender.

A reforma trabalhista melhorou muito esta condição. Não que agora os trabalhadores estejam desprotegidos pela justiça. Os mesmos rigorosos juízes trabalhistas continuam julgando as causas, só que há despesas judiciais a pagar pelos trabalhadores, quando a demanda fracassa, O que é normal em outras áreas do direito.

Mas o Lula com seu plano de governo vai além. Ele quer furar o teto de gastos. Aquele mecanismo, também pensado e aprovado no governo Temer que impede os governantes de gastar sem limite, passando para o próximo as despesas mirabolantes não pagas.

O próximo mandatário, contando também com a possibilidade de não ter limite de gastos, vai passando a conta pra frente, empurrando assim uma enorme dívida, que se torna impagável. Impagável e insuportável porque ela é alimentada por juros, com seu voraz apetite.

Tem também o lado oportunista o Plano do Lula. Aproveitando o cruel assassinato do indigenista e do jornalista na Amazônia, propõe ações na Funai. Mas, esse capítulo, eu creio, não passa de esperteza política dos elaboradores do documento, surfando na repercussão do caso.

Também, nessa mesma balada, está a “solução” que apresenta para a Petrobrás. É enganador dizer que a Estatal ou o atual governo são responsáveis pelo custo dos combustíveis. Este é um problema mundial e o Brasil não tem como escapar dele

Cita ainda a valorização da imprensa e segurança de seus profissionais. Mas quem conhece o Lula sabe que ele está falando só para agradar a mídia e eleitores desaviados. Ele sempre sonhou em regular o direito de livre expressão, eufemismo para botar um cabresto nos jornais, rádios e Tvs.

Na mitologia grega, Caríbdis e Cila eram monstros marinhos que representavam grandes perigos enfrentados pelos navegadores.

Na Odisseia, Homero narra a história de Odisseu. Em seu percurso, o herói depara com uma situação delicada: em um lado do estreito que atravessava estava Caríbdis, monstro das profundezas que sorvia e vomitava água, formando um redemoinho.

Entretanto, Odisseu não podia evitar o redemoinho navegando pelo lado oposto, pois lá se encontrava Cila, monstro ameaçador de doze pernas e seis cabeças. Percebeu que não podia pender nem muito para um lado, nem para o outro. O meio era o caminho seguro.

Politicamente estamos entre Cila (Lula) e Caríbdis (Bolsonaro), só que diferente de Odisseu não temos o caminho do meio. A “terceira via”, que seria essa opção, por falta de eleitores, foi pro brejo.

Há pouquíssimas esperanças para os próximos quatro anos, mas não desanimemos porque a história não acaba aqui.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor.

 

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